publicado dia 13/07/2026

Como revisar a política local de Educação Integral em tempo integral? 

Reportagem: | Edição: Tory Helena

🗒️Resumo: Conheça o trabalho de redes municipais de ensino na revisão da política local de Educação Integral em Tempo Integral. Em Olinda (PE) e Picos (PI), processo conta com a participação da comunidade e foco na aproximação entre escolas e território. 

Duas vezes por mês, desde agosto de 2025, um mesmo grupo se reúne em Olinda (PE) para desenhar as novas diretrizes de Educação Integral da rede de ensino. À mesa sentam-se técnicos da Secretaria de Educação, diretores escolares, professores, famílias e estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental. 

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“Se a comunidade não se sentir parte da construção da Educação Integral, a política não vai conseguir ser efetiva”, diz Francisco Oliveira, técnico da área de planejamento e captação de recursos da rede municipal de Educação.

Como Olinda (PE) revisou sua política local de Educação Integral 

Olinda é uma entre milhares de redes que, em 2026, precisam revisar ou elaborar suas políticas locais de Educação Integral em Tempo Integral. Todos os sistemas de ensino do país têm até 31 de outubro para criá-las ou adequá-las às Diretrizes Operacionais Nacionais para a Educação Integral em Tempo Integral na Educação Básica (Resolução CNE/CEB nº 7/2025).

Em Olinda, a Secretaria elaborou as Diretrizes Municipais de Educação Integral em tempo integral para nortear a redação da lei municipal. Agora, as Diretrizes aguardam apreciação do Conselho Municipal de Educação.

Confira o Projeto de Resolução da política de Educação Integral em tempo integral de Olinda, que ainda aguarda aprovação do Conselho Municipal de Educação e ainda pode ser alterada antes de ser publicada no Diário Oficial. 

As principais alterações propostas pelas Diretrizes à lei municipal de Educação Integral em tempo integral que já estava vigente na rede desde 2020 foram a jornada diária ofertada, a reorganização do currículo da rede e a atenção à equidade.

“Nossa rede tinha elementos de equidade, mas não tinha foco nisso. A partir desse ajuste da política, teremos um currículo mais equitativo, com mais elementos de diversidade étnico-racial, sociocultural e inclusão de pessoas com deficiência. Também aproximamos o território, para que as escolas tenham uma relação mais integrada com o local onde estão localizadas”, explica Francisco.

Hoje, a rede possui oito escolas de tempo integral ofertando Anos Iniciais e Finais do Ensino Fundamental.

Como Olinda revisou a Educação Integral

Olinda: rede de ensino se aproximou do território para revisar a política local de Educação Integral.

Crédito: Secretaria de Educação de Olinda/Flickr

Após a aprovação das novas diretrizes, o grupo vai revisar a lei que implementou a Educação Integral no município, o decreto que regulamentou seu funcionamento e as Matrizes Curriculares. Depois, o texto vai para votação na Câmara de Vereadores. 

Paralelamente, um outro grupo de trabalho se reúne desde fevereiro para construir o Plano Municipal de Educação, a partir da aprovação do Plano Nacional de Educação (PNE). “Antes de enviar a nova lei para a Câmara, vamos discutir junto com esse grupo para alinhar a política de tempo integral e o Plano Municipal de Educação”, explica Francisco.

Do diagnóstico à lei: a experiência de Picos (PI) com Educação Integral 

Em Picos (PI), 27 das 39 unidades escolares oferecem tempo integral. Higo Meneses, Diretor de Ensino na Secretaria Municipal de Educação, conta que o processo de revisão da política que orienta essas escolas começou por um grupo de trabalho administrativo. A primeira medida foi realizar um diagnóstico para mapear onde estavam as escolas, quais modalidades cada uma ofertava, e suas demandas. 

“O diagnóstico vai te dizer quem é seu público. E não é um diagnóstico só do aluno da rede, é da comunidade. Isso nos permite algumas adequações, por exemplo, tínhamos uma região com mais adolescentes, então temos que criar um currículo mais atrativo para eles”, explica Higo.

Em seguida, o grupo cruzou a antiga diretriz municipal de tempo integral, de 2023, com a nova diretriz nacional do Ministério da Educação (MEC), de 2025, para redigir um documento normativo. 

“Não é só permanecer mais tempo na escola. É preciso mudar toda a forma de trabalho”, diz Higo Meneses, da Secretaria Municipal de Educação de Picos (PI)

Nesse desenho, a ampliação da jornada procura superar a ideia de turno e contraturno, com um currículo interdisciplinar, avaliação diagnóstica e presença da cultura local, com destaque para meio ambiente e sustentabilidade, literatura, história, diversidade racial e cultura digital.

“Não é só permanecer mais tempo na escola. É preciso mudar toda a forma de trabalho, trazendo tanto a questão da valorização regional, quanto atender as demandas da política nacional”, elucida Higo.

Agora, o projeto de lei aguarda aprovação da Câmara Municipal. “Foi muito importante debater com as escolas, as famílias e a comunidade que Educação Integral e tempo integral são conceitos distintos. E que nosso foco no currículo foi fazer com que ele seja atrativo, significativo e regionalizado”, diz o diretor de ensino.

Educação Integral em Tempo Integral: MEC faz raio-x de políticas locais 

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