publicado dia 24/06/2026
Educação Integral: MEC lança guia para revisão e elaboração de políticas
Reportagem: Ingrid Matuoka | Edição: Tory Helena
publicado dia 24/06/2026
Reportagem: Ingrid Matuoka | Edição: Tory Helena
🗒️ Resumo: Conheça o Guia sintético de apoio para adequação à Resolução CNE/CEB nº 7/2025, que apoia as redes de Educação a criarem ou revisarem suas políticas locais de Educação Integral em tempo integral até 31 de outubro.
Todas as redes de ensino do país têm até 31 de outubro para revisar ou elaborar a sua política local de Educação Integral em tempo integral. O prazo, definido pela Resolução CNE/CEB nº 2/2026, alcança não só as redes que aderiram ao Programa Escola em Tempo Integral, mas todos os sistemas estaduais e municipais, além do distrital.
Para apoiar esse esforço, a Coordenação-Geral de Educação Integral e Tempo Integral (COGEITI) do Ministério da Educação (MEC) publicou, nesta terça-feira, 23 de junho, o Guia sintético de apoio para adequação à Resolução CNE/CEB nº 7/2025 durante um webinário.
O guia é voltado para as redes e os Conselhos de Educação e organiza o caminho de criação ou adequação às Diretrizes Operacionais Nacionais para a Educação Integral em Tempo Integral na Educação Básica, a Resolução CNE/CEB nº 7/2025.
É a primeira norma nacional a estabelecer parâmetros operacionais para essa oferta, válida para escolas públicas e privadas, e tem como referência a jornada escolar de, no mínimo, sete horas diárias ou 35 horas semanais. O guia traduz essa normativa em um roteiro prático de revisão.
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Para Pilar Lacerda, conselheira do Conselho Nacional de Educação (CNE), o esforço cria uma base compartilhada entre as redes. “Estamos oferecendo um referencial comum para garantir o direito à Educação com qualidade e equidade”, afirmou durante o lançamento. Segundo ela, o material serve para aprofundar o entendimento sobre essa concepção da Educação e reúne uma série de orientações sobre como essa política deve ser construída no território.
Um dos pontos centrais do material é a distinção entre dois instrumentos. A política local responde ao porquê e ao para quê da Educação Integral na rede: define princípios, concepções, diretrizes e a governança, com natureza estratégica e duradoura.
Já o Plano de Expansão, introduzido pela Resolução CIF nº 23/2026 e ligado à destinação de recursos do Fundeb, responde ao como, onde e quando da ampliação das matrículas, com natureza operacional.
A metodologia sugerida parte do que cada rede já construiu, em vez de propor a reescrita do zero. Ela identifica pontos de ajuste e os classifica em quatro tipos: normativos, operacionais, conceituais e de governança.
A Coordenadora-Geral de Educação Integral e Tempo Integral do MEC, Aline Zero Soares, destacou que o objetivo é tornar a revisão um processo coletivo. “A intenção é que cada rede ganhe mais qualidade nesse processo, possa expandir a participação para mais pessoas e consiga construir essa revisão com mais participação, com mais diálogo, com mais sintonia com os desafios e as potencialidades do território”, disse.
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Para apoiar esse percurso, o MEC organizou um ciclo de três webinários formativos, em articulação com a Rede Nacional de Articuladores do Programa Escola em Tempo Integral (Renapeti), ao longo de junho, julho e agosto deste ano.
Consultora na COGEITI, Julia Dietrich participou da construção das Diretrizes e foi responsável por desenvolver o guia de apoio. Ela descreveu o material como “um guia que se pretende sintético e foi estruturado, a pedido da professora Aline, como um PPT, para que pudesse ser utilizado pelas redes, pela Renapeti, pelos articuladores locais”. O objetivo é que o documento seja “um instrumento de trabalho vivo, que tenha uma aplicabilidade imediata na prática”, completou.
O novo guia do MEC detalha os seis eixos que orientam as Diretrizes Operacionais Nacionais para a Educação Integral em Tempo Integral na Educação Básica:
Para cada dimensão, o guia explica os instrumentos obrigatórios e recomendados, os pontos de atenção, referências para aprofundamento e perguntas de autoavaliação, com uma escala de três níveis que vai de não contempla a contempla adequadamente.
Aline observou que o material ajuda a dissipar dúvidas práticas que persistiam nas redes. “Falamos sobre questões como a de contar ou não o almoço, a questão de contratação de profissionais, a questão do currículo integrado […] A nossa diretriz é de, aos poucos, irmos superando o turno e o contraturno, para integrar o currículo cada vez mais, trabalhar com um currículo que faça sentido, que seja integrado”.
“Estamos prestando muita atenção no desenho dessa política para que ela seja para todo mundo”, diz Julia Dietrich
Há ainda um capítulo dedicado ao que cabe às escolas, da revisão do Projeto Político-Pedagógico (PPP) aos canais permanentes de diálogo com as famílias.
O material reforça que a tarefa vai além de cumprir um prazo. Revisar a política, segundo o documento, é um ato de escuta e de participação, e a norma só se efetiva quando tratada como um instrumento vivo, discutido com a comunidade escolar.
Para Julia, é essa preocupação que orienta o material: “Estamos prestando muita atenção no desenho dessa política para que ela seja para todo mundo”.