Em Belo Horizonte, Instituto Undió realiza ações educativas no território

Publicado dia 03/10/2013

Iniciativa: Instituto Undió/ Nessa rua tem um rio

Descrição: Em um prédio localizado no centro da cidade de Belo Horizonte (MG) mãe e filha, Júlia e Thereza Portes, ambas artistas plásticas, coordenam há 30 anos o Instituto Undió, que no idioma banto, quer dizer casa. “Na nossa casa educamos através da arte”, indica a descrição da entidade, que tem como objetivo estimular que crianças, jovens e adultos repensem o território e a si próprios a partir da cultura local e de diferentes expressões artísticas.

Entre as ações empreendidas pela organização, as arte-educadoras coordenam oficinas de teatro, música, comunicação e artes plásticas para jovens moradores da capital e região metropolitana. Em todas, a ideia é que o educando primeiramente investigue sua imagem e seus desejos, depois compartilhe e reconheça os símbolos e sonhos coletivos e, por fim, intervenha, junto ao grupo, na comunidade, seja ela um bairro, uma rua, uma escola ou mesmo, o espaço de uma peça de teatro.

Além de na própria organização, por meio de parceria com o Programa Escola Integrada, e do Mais Educação, as oficinas acontecem também nas escolas municipais da região. Em todas, além da discussão e prática sobre as diferentes linguagens artísticas, os educandos são convidados a visitar museus, galerias, teatros, entre outros espaços da cidade.

Nessa rua tem um rio

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Jovens e artistas em intervenção urbana. Crédito: Undió

Quando a organização,- que antes atuava sem sede, em reuniões e arquivo montado na casa das colaboradoras -, ganhou um endereço próprio, os jovens atendidos nos projetos passaram a frequentar e reconfigurar o espaço. A casa passou então a desenvolver um projeto específico em sua sede e foi “batizado” de “Nessa rua tem um rio”, em homenagem a um córrego que foi canalizado e coberto por asfalto na região.

No projeto, os jovens participam de reuniões com artistas plásticos, performers e atores mineiros e de outros estados brasileiros. Nesses encontros, aprendem como o artista elabora seu método e linguagem, investigando de que forma é possível intervir e interferir na rotina das pessoas e da cidade.

Após o encontro, jovens e artista criam uma intervenção específica no local, que depois é avaliada e sistematizada coletivamente.

Loja nada

Loja Nada. Crédito: Undió

Loja Nada. Crédito: Undió

Como a sede fica em uma rua que embora tenha dois quarteirões, tem muita movimentação e reúne a mais diversa gama de estabelecimentos e pessoas (lojas de armarinhos, lojas de R$ 1,99, residências e até um  cinema erótico), a organização abriu também um  pequeno estabelecimento que recebeu o nome de “loja nada”. Nele, um espaço em branco e sem móveis, jovens e artistas realizam reuniões, discussões em grupo e intervenções. A loja, considerado pela organização, como um espaço de reflexão, tornou-se um ponto de referência da rua e da região. Aberto, ele pode ser ocupado por qualquer um que queira pensar e discutir sua ideia.

Café comunitário

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Café comunitário. Crédito: Undió

Com o objetivo de integrar a sede, educadores e educandos à vida urbana da rua e vizinhança, a educadora Thereza Portes passou a organizar um café comunitário, em que cada um traz sua própria xícara. Thereza e a equipe da organização assam bolos, biscoitos e coam um café a moda antiga, com coador de pano. Segundo a organização, a iniciativa vem para recuperar a ideia de comunidade, buscando que a arte e essas iniciativas de intervenção urbana, aproximem as pessoas de uma agenda educativa no bairro. Para o grupo, as intervenções tiram as pessoas da passividade, convidando-os a repensar o território e as relações que nele se estabelecem.

Projeto de Multiplicadores Culturais

Para dar continuidade às ações, desde 2006, o Undió vem acompanhando um grupo de 30 jovens egressos das oficinas de arte com o objetivo de que eles se tornem multiplicadores do conhecimento aprendido e formadores de outras crianças e jovens.

Nessa proposta, os jovens se reúnem semanalmente, a noite, depois da escola ou trabalho, para pensar juntos formas de disseminar os conhecimentos em arte-educação em suas próprias comunidades.

Início e duração: As ações da Undió existem há 30 e o projeto Nessa Rua Tem um Rio acontece mensalmente desde 2006.

Local: Belo Horizonte (MG)

Responsáveis: Thereza e Julia Portes e equipe de educadores.

Parceiros: Além dos vários artistas que atuam voluntariamente com a organização, o Undió conta com o apoio de Belo Dente, Posto Alex, Projeto Trauma, Escola Municipal Professora Eleonora Pieruccetti, Escola Estadual Cesário Alvim e Comunidade da Vila São Rafael. Veja outros aqui.

Principais resultados:

A organização já realizou dezenas de intervenções e mensalmente atende mais de 150 jovens. Já foram realizadas atividades em diversas escolas da cidade e em outros espaços educativos.

Jovens em atividade na organização. Crédito: Undió

Jovens em atividade na organização. Crédito: Undió

Na formação de Multiplicadores Culturais, uma das jovens multiplicadoras ingressou no curso de artes plásticas da Escola Guignard (UEMG) e ministra oficinas de arte em espaços da comunidade, incluindo uma escola municipal da região. Outro jovem se tornou educador de teatro em outra escola municipal da rede. Além deles, outros educandos seguem em atividades de mobilização comunitária por meio da arte e organizaram coletivos para discutir e apresentar caminhos para repensar a cidade e o próprio ato de educar por meio de intervenções artísticas.

Em 2007, o Instituto Undió foi reconhecido como vencedor regional do prêmio Itaú Unicef.

Contatos

Telefone: (31) 9934-2563

Blog do Nessa Rua Tem um Rio: http://nessaruatemumrio.wordpress.com/

Site do Instituto Undió: http://www.institutoundio.org/

Facebook: Nessa Rua Tem um Rio

 

Assista um trecho do documentário produzido por de Beatriz Goulart e Alexandre Pimenta, que conta a história e as principais intervenções do Nessa Rua tem um Rio:

Escola Integrada, colaboração e novas oportunidades educativas