publicado dia 26/04/2021

Contato com a natureza também é possível dentro de casa; conheça boas práticas

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Selo Reviravolta da EscolaCorrer na terra, brincar à sombra de uma árvore e observar as plantas e animais, pode ser muito prazeroso para as crianças. Mais do que isso, estar em contato com a natureza é um direito que elas têm, por promover seu desenvolvimento integral. Enquanto o ensino remoto emergencial se estende no Brasil, as escolas podem incentivar o contato dos estudantes com a natureza, mesmo dentro de casa.

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Na escola particular de Educação Infantil e Ensino Fundamental Maré da Kids, em Cotia (SP), por exemplo, as crianças foram convidadas a pegar um celular e gravar um pequeno vídeo a partir de suas janelas e quintais, comentando sobre o que conseguem observar.

“Uma das nossas crianças foi mostrar o que via da janela de seu quarto, mas tinha tela de proteção. Então ele desceu até o quintal e mostrou os casulos de borboleta que encontrou no jardim”, relata Regina Pundek, diretora da escola. Depois, todos compartilharam os vídeos no grupo de WhatsApp das turmas, e puderam conhecer um pouco mais da biodiversidade que os colegas descobriram em seu entorno. “Precisamos usufruir do que estamos vivendo neste momento para que tenhamos a melhor aprendizagem possível”, afirma Regina. 

Em outra ocasião, enquanto caminhava pela rua, a diretora encontrou uma fruta caída no chão, que ela não conhecia. Bastou compartilhar uma foto da fruta no grupo para engajar as famílias na descoberta de seu nome. “Uma pessoa identificou que era uma maçã-de-elefante, e outra já comentou que poderia ser usada para fazer um doce. Assim, aos poucos, vamos convidando as famílias a olharem o lá fora junto com seus filhos, para irem compreendendo o significado e a importância dessa aprendizagem para as crianças, e quem sabe até para elas mesmas, especialmente nesse momento em que estão tristes e sobrecarregadas, vivendo perdas e lutos”, explica Regina.

Você também quer promover o contato das crianças com a natureza? Então conheça a plataforma do documentário “O Começo da Vida 2 – Lá Fora”, onde é possível assistir ao filme ou organizar uma exibição, e participar de trilhas formativas para aprender a criar conexões genuínas entre as crianças e a natureza que podem revolucionar o futuro, mesmo nos grandes centros urbanos.

Ao longo das semanas, os professores da escola têm proposto atividades como deitar no chão e observar as nuvens durante o dia e a Lua e as estrelas durante a noite. Depois, quem sabe, fazer um desenho, uma pintura ou uma foto dos cenários observados. Ou criar uma tabela e desenhos de quais plantas existem no jardim e na horta de casa. E por que não utilizá-las para cozinhar algo juntos? Outra sugestão é colocar uma tábua de madeira na grama e aguardar uma semana para voltar lá e observar todo tipo de ser vivo que fez dela sua morada. 

“Nada disso é imposto, mas vamos oferecendo possibilidades para que as famílias e as crianças escolham o que faz sentido para elas. O importante é que a criança sempre tenha oportunidades de viver na natureza, compreender os ciclos, os elementos, se integrar a ela, se entregar. Crianças precisam se sujar, se molhar, sentir o vento. E precisam disso porque nós somos seres da natureza, não somos diferentes dela. As telas, ao contrário, nos descolam daquilo que somos. E quem nos tornaremos se não voltarmos a colocar os pés na terra?”, provoca Regina. 

“Crianças precisam se sujar, se molhar, sentir o vento”, diz Regina Pundek

Na zona leste da cidade de São Paulo, a EMEF (Escola Municipal de Ensino Fundamental) Sebastião Francisco, O Negro, também tem se desafiado a estimular que os estudantes tenham contato com a natureza na perspectiva da sustentabilidade. Assim, além de propostas de observação de plantas, insetos e aves do entorno, as crianças e os adolescentes também são convidados a observar pontos de descarte de lixo inadequados por onde passam, um debate que já costumam promover na escola.

“A ideia é que em qualquer saída que façam, observem se há lixo no percurso, principalmente em grandes volumes, e identifiquem as características que tornam aquele ponto um local de descarte irregular”, explica Janaina Silva Coelho, professora de Ciências do Ensino Fundamental II da escola.

Outra proposta é aproveitar as idas ao mercado, quitanda ou feira para uma atividade sobre frutas, verduras e legumes. Os professores disponibilizam um roteiro de observação que os instiga a refletir sobre os preços, de que forma são vendidos, quais alimentos eles nunca provaram, quais são os mais presentes em suas casas, e como eles chegaram do local de plantação até ali.

“A ideia é aproveitar esses momentos do cotidiano para a aprendizagem, unindo os conteúdos que trabalhamos durante as aulas com a realidade deles. E o centro desse trabalho é o exercício da cidadania. Eles observam se o bairro está bem arborizado, se há espaços verdes e de lazer, como estão as questões da alimentação, se as calçadas ajudam ou atrapalham a absorção de água e a circulação de pessoas. Depois, é pensar o que podem fazer a partir do que identificam como problemas, aprendendo a ter consciência dos direitos e deveres deles nesse espaço, enquanto cidadãos ativos de nossa sociedade”, explica a professora Janaina.

O que é a #Reviravolta da Escola?

Realizado pelo Centro de Referências em Educação Integral, em parceria com diversas instituições, a campanha #Reviravolta da Escola articula ações que buscam discutir as aprendizagens vividas em 2020, assim como os caminhos possíveis para se recriar a escola necessária para o mundo pós-pandemia.

Leia os demais conteúdos no site especial da #Reviravolta da Escola.

Como aproveitar os espaços abertos e a natureza para a aprendizagem