publicado dia 28/08/2020

Como aproveitar os espaços abertos e a natureza para a aprendizagem

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Mesmo antes da quarentena no Brasil, muitas crianças e adolescentes não tinham o costume ou a oportunidade de brincar e ocupar espaços abertos e naturais, sobretudo nos grandes centros urbanos do país. O contexto da pandemia tornou essa possibilidade ainda mais distante, considerando a necessidade de isolamento domiciliar. Entretanto, quando for seguro para todos voltarem às escolas, estimular e garantir as condições para que eles passem tempo ao ar livre pode ser uma maneira de unir um ambiente com maior biossegurança ao bem-estar e ao direito dos estudantes de ocupar diferentes territórios e estar em contato com a natureza.

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Foi partindo dessa premissa que o Instituto Alana, por  meio do Programa Criança e Natureza, lançou o documento Planejando a reabertura das escolas – A contribuição das pesquisas sobre os benefícios da natureza na educação escolar. O intuito é auxiliar redes de educação e escolas a incluírem em seus planejamentos o uso de espaços abertos e naturais no retorno às aulas presenciais. A publicação tem por base pesquisas sobre os benefício da aprendizagem em meio à natureza, experiências passadas de pandemias, e a forma como escolas internacionais estão realizando essa reabertura hoje.

“As crianças vivenciaram um período de dificuldade e, em alguns contextos, pode inclusive ter sido bastante traumático. Agora precisamos cuidar da dimensão emocional e física delas, algo que esse isolamento abalou. E estar em contato com a natureza é ideal para isso, até por ser mais seguro estar ao ar livre do que estar em espaços fechados, onde a transmissão do Coronavírus é maior.”, diz Paula Mendonça, assessora pedagógica do Programa.

O documento também parte das diretrizes estabelecidas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e pelo Plano Nacional de Educação (PNE), que preveem a necessidade de estimular a aprendizagem ao ar livre e na natureza, devido a seus diversos benefícios, como a vinculação e pertencimento ao território, estímulo ao cuidado e à preservação da natureza, e o favorecimento do desenvolvimento integral.

“A natureza tem uma grande diversidade de texturas, formas e matérias. Isso aguça a criatividade e o pensamento investigativo sobre ciclos e biodiversidade. Há também o fato de que a natureza promove o bem-estar, e isso traz um estado mais favorável para a criança aprender”, explica Paula. 

Do ponto de vista da saúde, o pediatra Daniel Becker avalia que estar na natureza promove o uso funcional e adequado da musculatura, das articulações e da estrutura óssea, bem como a forma física cardiovascular e a respiração correta. “É um antídoto para todos os grandes males que as infâncias enfrentam hoje: distúrbios do comportamento, insônia, hiperatividade, agitação psicomotora, depressão, obesidade, sedentarismo, alergias e miopia.”

Para planejar

A publicação apresenta uma série de insumos para auxiliar no planejamento da realização dessas atividades ao ar livre, como aproveitar os pátios escolares, praças e parques próximos à escola, criar salas de aula temporárias e usar materiais simples para o ensino e a aprendizagem. “As escolas também podem firmar convênio com a Prefeitura para usar parques, praias, jardins, quadras de esporte ou qualquer outro tipo de área aberta ou natural”, indica Daniel.

Entre os cuidados para que esse tipo de atividade aconteça, o documento destaca a necessidade de transporte seguro na ida e na volta, caso não seja possível chegar a pé. Observar se há oferta de água para beber e lavar as mãos, e organizar saídas em pequenos grupos, para que as crianças possam se organizar no distanciamento seguro entre elas e, se possível, em parceria com as famílias para aumentar o número de adultos que acompanharão esse grupo.

“Qualquer decisão que possa ser tomada para a reabertura gradual [das escolas]  precisa ser intersetorial, com a Saúde ajudando nesse planejamento e garantindo que isso possa acontecer de forma segura, a Assistência para entender as vulnerabilidades das famílias, e do Meio Ambiente e Urbanismo para repensar o uso dos espaços abertos. E, por fim, precisamos da parceria da família, para que elas compreendam que estar em meio à natureza é um direito.”, reforça Paula.  

4 atividades para brincar na natureza