publicado dia 09/04/2019

Como desenvolver brincadeiras para integrar crianças e famílias

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Brincadeiras entre crianças costumam surgir espontaneamente. Mas para promover a interação entre adultos e crianças, eventualmente, é necessário que a escola tenha uma atuação mais ativa.

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Para Tatiana Suarez, oficineira da Tris, que trabalha há mais de 8 anos promovendo brincadeiras para adultos e crianças em escolas e outros espaços comunitários, a importância do brincar se estende às famílias. Na entrevista abaixo, ela fala sobre o potencial do brincar junto e dá dicas de como desenvolver atividades com poucos recursos.

Centro de Referências em Educação Integral: Por que as brincadeiras são importantes para as crianças?

Tatiana Suarez: Brincar é coisa séria, é assim que a criança se percebe como indivíduo e reflete a sua visão de mundo. Também é vital para seu desenvolvimento, porque trabalha habilidades emocionais, cognitivas, físicas e sociais, estimulando especialmente a criatividade.

CR: E para as famílias?  

TS: Brincar é universal, não tem idade, e oportuniza momentos únicos entre adultos e crianças. Brincar em família deveria ser uma regra. Existem muitos adultos que esqueceram como brincar e talvez esteja aí uma boa oportunidade para aprender com os pequenos. Brincar em família permite estar presente, fazer realmente parte deste momento de intensa troca. Por meio das brincadeiras, os adultos também podem ajudar as crianças a desenvolverem sua autoconfiança, bem como podem ter como retorno um maior conhecimento, ou reconhecimento dos reflexos dos seus atos na vida das crianças.

CR: As brincadeiras são um caminho para aproximar tanto famílias e escolas quanto diferentes famílias? 

TS: Com certeza. Quando entramos na brincadeira, podemos deixar de lado muitos preconceitos e conviver com o outro. Quando uma escola pensa em atividades lúdicas, além de aproximar a família, cria memórias de afeto. Isto é importante porque, no mundo corrido onde vivemos, muitas famílias estão se esquecendo do tempo de estar junto, do tempo de descobertas, de ver a escola dos seus filhos com um olhar potencializador. Além disso, quando se investe neste tipo de interação, se promove também a aproximação, a troca, e as diferentes famílias acabam se conhecendo e trocando informações.

CR: Como as escolas podem desenvolver essas brincadeiras?

TS: Pode ser por meio de uma atividade proposta, mas sem ser direcionada, para que o brincar livre seja mais rico. Pode ser por meio de uma troca, como levar pais e avós para ensinarem à turma as brincadeiras de antigamente. Pode ser uma gincana entre adultos e crianças ou através da participação da família em uma obra de arte.

Confira algumas brincadeiras que a escola pode promover:

Criando palavras

Essa atividade permite brincar com as palavras e ressignificar o seu sentido. Para tanto, deve-se separar várias palavras já existentes, que podem vir de recortes de revistas, por exemplo.

Depois, a ideia é separar algumas dessas palavras na metade ou em sílabas e conservar outras inteiras. O próximo passo é emendar aleatoriamente distintos fragmentos de palavras para formar uma nova. Quando esse termo surgir, é hora de imaginar o que ele representa e desenhar. Exemplo: vela + ssauro = velassauro.

Criança desenha a representação da nova palavra inventada

Criança desenha a representação da nova palavra inventada

Crédito: Tris/Divulgação

Móbiles de quadrinhos

Nesta proposta, cada dupla, composta por um adulto e uma criança, fará o desenho que quiser, utilizando materiais propostos. Cada dupla receberá três pedaços de papel para desenho e 12 palitinhos de sorvete.

O desenho deverá ser realizado na folha, respeitando o espaço que os palitinhos ocuparão, pois estes serão colados sobre ela, formando uma moldura.

Após a realização dos três desenhos, os palitinhos serão furados para que possam se interligar, através de uma lã ou linha, formando assim um móbile.

Memória colorida

A proposta é criar coletivamente um jogo da memória, desafiando crianças e adultos a criarem desenhos. Cada participante deve fazer o mesmo desenho em dois pedaços de papel diferentes. Podem ser figuras simples, como sol, lua ou coração, até serem formados 15 pares de desenhos. Depois, é só jogar.

“Nossa sociedade sofre de um Transtorno de Déficit de Brincar”