RS: Programa intersetorial apoia aprendizagem das crianças nas férias

Publicado dia 12/12/2014

Com a chegada das férias escolares e o recesso das instituições, muitas crianças acabam ficando sem possibilidade de participar de atividades coletivas, visto que nem sempre os familiares conseguem se afastar do trabalho no mesmo período. Pensando em ofertar possibilidades lúdicas e educativas para crianças e adolescentes e também à comunidade, a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (SMEL) de Estrela, no Rio Grande do Sul, desenvolveu o projeto Colônia de Férias, em 2009.

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A ideia central era de atrelar diversão e aprendizagem, e direcionar essas oportunidades principalmente aos bairros mais vulneráveis, de baixa renda, em que geralmente a população tem menos condições de acessar aparatos de cultura e lazer. O desenho da proposta partiu de um diálogo aproximado com as demais secretarias do município e também com outras entidades, condição entendida como fundamental para ampliar a abordagem das atividades dirigidas. Também considerou a aproximação com os espaços públicos do município, a partir do entendimento de que o  território e seus diferentes equipamentos também contribuem para o desenvolvimento dos indivíduos.

Na prática

O projeto acontece por um mês e atende crianças de seis a 15 anos. Na edição de 2015, prevista de 12 de janeiro a 12 de fevereiro, o atendimento será feito no bairro Moinho, em um loteamento popular no bairro Boa União, no bairro Imigrantes e na sede dos projetos sociais da SMEL, no centro. Cada polo abre um total de 50 vagas, e funciona de segundas às quintas, das 13h30 às 17h.

colonia_feriasComo as atividades nascem de uma proposta intersetorial, elas bastante diversificadas. A Secretaria Municipal de Cultura e Turismo oferta oficinas de teatro, música e dança; a de Meio Ambiente realiza proposta de consciência ecológica, envolvendo, por exemplo, as crianças e adolescentes com plantio de árvores na comunidade; a Secretaria de Educação cuida do incentivo à leitura, como com A Hora do Conto; a de Saúde olha para questões próximas ao seu campo de atuação, como saúde e higiene bucal. Outras instituições e órgãos também entram na programação, como, por exemplo, a Brigada Militar, responsável pela oficina de Escolinha de Trânsito.

Mas, para além das oficinas, são garantidas excursões de pesquisa e lazer pelos bairros com visitas a diversos espaços públicos como bibliotecas, parques e clubes. “Entendemos que, com isso, valorizamos as localidades e incentivamos as crianças e adolescentes a cuidarem e preservarem esses espaços”, explica a coordenadora geral da Secretaria de Esportes, Patricia Wagner.

Aberto e gratuito, o projeto tem como condicionante que as crianças estejam em curso escolar e, portanto, as escolas da rede são grandes parceiras na divulgação da iniciativa. As inscrições são feitas em todas as unidades de ensino do município, que recebem um kit de materiais para apoiar na divulgação. Os interessados também podem ir diretamente na secretaria.

Compromisso com a qualidade

Segundo Patricia, o principal compromisso do projeto é garantir um bom atendimento. Para tanto, cada polo conta com três ou mais professores, geralmente profissionais ou estudantes de educação física, também alocados pelas demais secretarias parceiras. Eles participam formações junto ao corpo técnico da SMEL para que compreendam o objetivo do programa e o significado de cada atividade. “Os momentos de aprendizagem e diversão estão diretamente associados ao desenvolvimento das crianças e adolescentes”, afirma a coordenadora.

Os professores também são estimulados a construir a dinâmica das atividades em parceria com as crianças e adolescentes e, para isso, contam com um apoio pedagógico do corpo técnico que, semanalmente, propõe reuniões para que possam ouvir os relatos semanais, debater temáticas de interesse dos educadores e, quando necessário, orientar a construção de outros percursos.

Principais resultados

unnamed (2)Desde a sua implementação, o projeto recebeu boa aceitação das gestões municipais que o tomam como política pública essencial para a infância e adolescência da cidade. Entre as ações integradas, o Colônia de Férias passará a incorporar, nos meses de férias, os insumos do Programa Segundo Tempo do governo federal, que existe em Estrela desde 2004.

Para Patricia Wagner, a lista de espera que o projeto tem a cada ano acaba por dizer sobre o sucesso da iniciativa. Desde 1999 até agora, calcula-se mais de mil crianças e adolescentes atendidos. “A cada vivência, possibilitamos a experimentação e a ampliação de repertório, e entendemos que isso é significativo não só para a criança ou adolescente como para sua família”, explica.

Ela entende a atuação do projeto como uma formação continuada, fora do contexto escolar, mas em diálogo com os conhecimentos fundamentais para o desenvolvimento integral dos indivíduos.

 

Escola

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