publicado dia 04/11/2026

V Seminário Nacional de Educação Integral começa em Belém (PA) com debate sobre cidadania

Reportagem: | Edição: Tory Helena

🗒️ Resumo: O V Seminário Nacional de Educação Integral teve início nesta terça-feira, 3 de novembro, em Belém (PA). Com o tema “Educação Integral: convergências para a promoção da equidade, da justiça social e do bem viver”, o encontro reúne educadores, pesquisadores, gestores e movimentos sociais e encerra o ciclo de edições pelas cinco regiões do país.

Belém (PA) recebe, desde esta terça-feira, 3 de novembro, educadores, pesquisadores, gestores públicos, estudantes e integrantes de movimentos sociais de diferentes regiões do país para o V Seminário Nacional de Educação Integral. 

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Até sexta-feira, 6 de novembro, a Universidade Federal do Pará (UFPA) sedia conferências, grupos de trabalho e apresentações de pesquisas e experiências sob o tema “Educação Integral: convergências para a promoção da equidade, da justiça social e do bem viver”. O evento também conta com transmissão ao vivo.

Realizado pela primeira vez na Amazônia, o encontro é o mais recente capítulo do ciclo de conferências que rodou pelas cinco regiões brasileiras: Diadema (SP), em 2022, Salvador (BA), em 2023, Brasília (DF), em 2024, e Porto Alegre (RS), em 2025.

O V Seminário Nacional de Educação Integral é realizado pelo Centro de Referências em Educação Integral, pelo Comitê Territorial Baiano de Educação Integral Integrada, pela Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), pelo Núcleo de Estudos Transdisciplinares em Educação Básica (NEB/UFPA) e pela rede Educanorte, entre outros grupos de pesquisa.

Educação Integral como política estruturante

Uma das participantes da mesa de abertura “A construção coletiva e democrática da Educação Integral no Brasil”, Claudia Santos, do Comitê Territorial Baiano de Educação Integral, defendeu que a Educação Integral seja tratada como base da política educacional do país.

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“Para além de ensinar a contar e calcular, a ler e escrever, que seja [uma política] capaz de garantir a dignidade, a alegria e o movimento da vida, porque jamais teremos homens e mulheres bons, capazes de serem boas pessoas, se nós não fizermos crianças felizes. E o que as escolas brasileiras fazem hoje é perverso, com provas e testes incansáveis em nome de Ideb e índices que não servem em nada para eles”, disse Claudia Santos.

Educação Integral, jornada ampliada e currículo integral 

Na sequência, a I Conferência em Diálogo debateu “A escola como espaço de construção da cidadania, tarefa da Educação Integral”. 

Educadora referência no campo da Educação Integral, Jaqueline Moll defendeu que a escola assuma o antirracismo e a valorização das culturas negras e indígenas como forma de reparação e de enfrentamento às desigualdades do país. Para ela, o projeto é de uma escola de dia inteiro e de currículo integral, ligada à comunidade e ao território. 

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 “Queremos uma escola de formação humana integral, integrada ao seu território, integradora de políticas públicas, áreas de conhecimentos, práticas sociais e culturais”, afirmou a professora vinculada à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), à Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI) e à Universidade de Brasília (UnB). 

A especialista também reforçou a importância de que a escola se torne centro de convivência democrática e de Educação Popular. 

“Meninos e meninas que passam anos sentados, respondendo sim e não, com medo da avaliação, de dizer sua palavra, sem a possibilidade de expressão artística, certamente terão dificuldade de viver a vida democrática cotidiana”, defendeu Jaqueline Moll, que dirigiu a área de Currículos e Educação Integral do Ministério da Educação (MEC) entre 2007 e 2013, período de implantação do Programa Mais Educação.

“A democracia não é uma herança, é uma luta permanente, porque a sociedade vai sempre cair na grande mentira que é o fascismo: de que pessoas com muito poder podem resolver os problemas das outras, e tudo isso temos que superar”, complementou Jaqueline Moll. 

Diante da crise climática, ela defendeu que o contato com a natureza e a sustentabilidade façam parte do cotidiano escolar. “Horta, jardim, pomar, precisa ser permanente, porque é o que nos mantém vivo, que produz e sustenta a vida”, afirmou a especialista. 

Para tanto, explicou, é preciso repensar o currículo e priorizar a Justiça Curricular, além de propostas no campo da Arte, Cultura, Ciência, Esporte e Tecnologia, sem deixar de lado o exercício da cidadania e da democracia e a conexão com o território. 

Também participaram da conferência Gilmar Pereira da Silva, reitor da UFPA e professor titular lotado no campus de Cametá, onde também foi secretário municipal de Educação, e Lourival José Martins Filho, professor titular da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) na área de alfabetização e letramento. A mediação foi de Ney Cristina Oliveira, professora titular da UFPA e pesquisadora de Educação Integral em tempo integral em Belém.

V Seminário Nacional de Educação Integral focaliza experiências das redes de ensino 

Ao longo da semana, redes municipais de ensino vão apresentar trabalhos selecionados para o seminário. A cidade de Ilhabela (SP), no litoral norte paulista, vai compartilhar seis trabalhos sobre temas como Territórios Educativos, articulação intersetorial, aprendizagem por meio do Esporte e diversidade cultural. 

Já Paulínia (SP) apresenta, em comunicação oral, o relato da construção coletiva de sua Política Municipal de Educação Integral em Tempo Integral, iniciada em 2025.

A programação segue até sexta-feira, 6 de novembro, com grupos de trabalho, comunicações orais, apresentação de banners, novas conferências em diálogo, lançamentos de livros, atividades culturais, feira artesanal e espaços de convivência e bem viver.

Os grupos de trabalho se organizam em cinco eixos: alfabetização e avaliação na perspectiva da aprendizagem e do desenvolvimento integral; experiências inspiradoras em Educação Integral; convergências e articulações a partir de organizações e movimentos sociais e populares; Ensino Médio integral e integrado para jovens e adultos; e currículo, tempos, sujeitos e espaços educativos.

A programação completa e a transmissão online estão disponíveis no site do Seminário.

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