Em São Paulo, EMEI Sonho Azul constrói currículo em diálogo com a comunidade

Iniciativa: Emei Chácara Sonho Azul (SP)

Pública ou Privada: Pública

Descrição: Ir à feira comprar frutas e verduras vem se tornando também uma prática educativa. É o que comprova a escola municipal de educação infantil da zona sul de SP, Emei Sonho Azul, que utiliza as feiras ao redor da instituição para ensinar ecologia e matemática às crianças.

Uma vez a cada semestre uma turma de 35 estudantes é levada às feiras livres para aprender na prática o que é uma dúzia de bananas, ou, então, como se faz o troco após o pagamento.

Crianças/ Créditos: Emei Sonho Azul

Crianças construindo horta na escola.              Crédito: Emei Sonho Azul

Além de adição e subtração, a atividade oferece aos meninos e meninas a oportunidade de conhecer a trajetória dos alimentos antes mesmo de consumi-los na merenda ou em casa. Resultado disso é que, após a atividade, os alunos passam a comer alimentos que sequer conheciam, como muitas das verduras.

Essa forma diferenciada de aprendizagem teve início em 2006, quando a direção e coordenação escolar decidiram que o Projeto Político Pedagógico (PPP) deveria ter consonância com as características, necessidades e potencialidades da região, incorporando a comunidade, com suas pessoas e instituições, ao processo de ensino e aprendizagem das crianças.

A gestão escolar começou então  um processo de aproximação com os familiares e movimentos sociais do bairro.  A nova proposta deu origem a uma forma de aprendizado mais vivencial e  um currículo todo organizado a partir das necessidades da primeira infância, incentivando brincadeiras e atividades lúdicas. Como parte do eixo reconhecimento do meio ambiente, por exemplo, os estudantes aprendem a plantar sementes e visitam hortas e dialogam sobre o ciclo vital dos alimentos.

Com a escola aberta a novas ideias, os pais começaram a atuar de forma mais efetiva no conselho escolar e os movimentos do entorno a enxergar a unidade como ponto articulador das principais reivindicações do bairro. Em 2009, a Sonho Azul acolheu diversas lideranças locais para as oficinas da Plataforma dos Centros Urbanos, proposto pelo Fundo das Organizações Unidas para a Infância (Unicef), o que permitiu a fundação da Rede Jovem, Criança e Adolescente (Rede Juca), formada por diversas organizações e indivíduos da zona sul paulistana que reivindicam melhores condições de vida e políticas efetivas para crianças e adolescentes.

A comunicação como ferramenta de mobilização

Ao observar as dificuldades de comunicação entre escola, família e comunidade, a gestão da Sonho Azul criou um boletim. Organizado pelos professores e coordenação pedagógica, o informativo traz em quatro páginas sugestões de passeios pela comunidade e conta as atividades realizadas pela escola. No início, foi possível imprimir até 500 cópias  por tiragem. Atualmente, são impressos 300. E mesmo com eventuais dificuldades, segundo a direção, o objetivo é manter a produção do informativo mensalmente.

Professores decidem explorar a região

Mesmo após a implantação de um currículo com práticas de aprendizagem mais vivenciais, os professores tinham ainda a necessidade de conhecer de forma mais aprofundada o contexto socioeconômico que viviam seus alunos. Para eles, entender as diversas realidades na qual as crianças estavam inseridas era também um caminho para melhorar as relações entre professor e aluno, colaborando, assim, com a própria aprendizagem.

Créditos: Emei Sonho Azul

Crianças em visita à exposição. | Crédito: Emei Sonho Azul

Foi criada, então, a Jornada Pedagógica, um roteiro realizado duas vezes por ano, que inclui diversos locais do entorno da escola. Pelo caminho, os professores costumam observar e anotar o que veem, tentando descobrir espaços que possam ser educativos e complementar suas práticas de ensino. Outro foco da atividade é visualizar quais são as dificuldades de infraestrutura encontradas pela comunidade, para trazê-las para o cotidiano escolar, uma vez que esses problemas influenciam diretamente no processo educativo.

Essa iniciativa acaba também estreitando a relação da escola com a comunidade. Mesmo não sendo uma atividade de articulação junto aos moradores, muitos professores acabam encontrando mães e pais pelos lugares onde passam, fazendo com que esses familiares percebam a escola como agente ativo na comunidade.

Início e duração: A reformulação do PPP e sua gestão participativa tiveram início em 2006.
Local: Chácara Sonho Azul, no Jardim Ângela, bairro da Zona Sul de São Paulo (SP).
Responsáveis: Direção, coordenação pedagógica e professores.
Envolvidos e parceiros: Pais, movimentos sociais da região, Rede Juca e Fórum Fundão (que atua na região periférica do bairro, chamado Fundão).
Financiamento: Todos os custos das atividades são previstos no próprio orçamento da escola.

Principais Resultados

Atividade de intervenção no espaço. Crédito: Bárbara Trugilo/ Aprendiz

Atividade de intervenção no espaço pela arte. Crédito: Bárbara Trugilo/ Aprendiz

Um dos principais resultados da transformação do PPP da escola foi integrar os espaços da comunidade – como feira e hortas de organizações sociais –, em processos de aprendizagens mais vivenciais. Por meio da divulgação do jornal, a comunidade local passou a conhecer mais sobre o currículo da escola e também sobre o que acontecia no bairro. Segundo a direção, a atividade nas feiras livres fez os estudantes entenderem que são responsáveis pelo meio ambiente, instigando-os a desde cedo atuarem conscientemente e com uma perspectiva sustentável tanto dentro da escola, como em casa e na comunidade.

E, por meio do diagnóstico e mapeamento, os professores se aproximaram mais dos pais e dos próprios estudantes, ao conhecer a realidade onde vivem, podendo inclusive atuar de forma específica com cada estudante. Nessa relação, professores conseguiram identificar contextos familiares, necessidades de apoio da assistência social ou ainda caminhos para apoiar o percurso de aprendizagem de cada um.

Contatos 
Facebook:  www.facebook.com/emeichacarasonhoazul
Endereço: Travessa Alcato, 1, na Chácara Sonho Azul, no Jardim Ângela, em São Paulo.
Telefone: (11) 5517-2833

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1 Comentário

  1. Vilma Sousa disse:

    Linda iniciativa da instituição, um exemplo de gestão democrática. Parabéns a todos e a todas os idealizadores dessa realidade. Nosso Brasil e alunos precisam de pessoas assim, sempre comprometidas com a educação de qualidade e de equidade!