publicado dia 17/12/2021

Jovens criam jogo para incentivar a escuta e a participação de crianças e adolescentes

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Selo Reviravolta da EscolaOs espaços de escuta e participação de crianças e adolescentes em decisões que impactam suas vidas ainda são muito frágeis em nossa sociedade. Essencialmente porque há o predomínio de uma visão equivocada de que eles não são capazes de refletir sobre suas realidades. E mesmo, quando há escuta, é comum que as opiniões sejam diminuídas ou romantizadas.

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Para enfrentar esse cenário, em 2019, jovens mobilizadores da Rede Não Bata, Eduque (RNBE), organização que visa desnaturalizar castigos físicos e humilhantes contra crianças e adolescentes, criaram o jogo “Pedras no Caminho da Participação”. Ele mostra os obstáculos e os caminhos para efetivar a participação de crianças jovens na família, na escola e na comunidade, e pode ser jogado por todos.

“Criamos esse jogo para poder fazer uma formação com adultos mais lúdica e divertida, em que eles pudessem aprender sobre direito à participação e replicar o que eles aprenderam com nós, adolescentes, em suas realidades. O jogo deu super certo, mas quando veio a pandemia, tivemos que adaptá-lo para o virtual”, relata Israel Izael, 17, um dos criadores

Neste vídeo, os jovens contam sobre a origem e criação do jogo.

Para tanto, ao longo da pandemia, fizeram cursos para aprender a criar jogos digitais, pesquisas, roteiros e desenvolveram as artes, personagens e todas as peças do jogo virtual. Em ambas as versões, os participantes são convidados a refletir sobre a participação como direito, a conhecer mais sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e são apresentados aos meios de garantir o direito à participação. “Esse jogo é importante por demonstrar quanto a participação é eficaz na prevenção de violências e no acesso a outros direitos”, explica Ana Paula Rodrigues, coordenadora das ações de participação infantojuvenil da RNBE.

“Lembro que estava fazendo a minha primeira animação para o jogo, montei no papel e passei para a tela. Quando vi o boneco andando no cenário que eu criei, com as perguntas que a minha colega Rebeca estava produzindo, o cenário que o pessoal estava montando, quando vimos todo o nosso trabalho junto e dando certo foi muito bonito”, conta Israel.

Além da adaptação do jogo para o mundo digital, os jovens também criaram perfis nas redes sociais Instagram e TikTok, por meio dos quais promovem debates, explicando o que é a Rede Não Bata, Eduque, o que são os mobilizadores e a educação sem violência, assim como discutem temas como suicídio e cyberbullying.

“Isso tudo é um desafio para a gente, mas ficamos felizes com o resultado. Lembro que estava fazendo a minha primeira animação para o jogo, montei no papel e passei para a tela. Quando vi o boneco andando no cenário que eu criei, com as perguntas que a minha colega Rebeca estava produzindo, o cenário que o pessoal estava montando, quando vimos todo o nosso trabalho junto e dando certo foi muito bonito”, diz Israel.

Sobre o jogo

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Os bastidores da criação do jogo

Crédito: RNBE

“Pedras no Caminho da Participação” é um um jogo para educadores, famílias, crianças, e jovens descobrirem formas de tirar as pedras do caminho da participação e fazer com que mais crianças e adolescentes tenham direito a voz e vez garantidos.

O “Guia de Ideias Sobre o Jogo” traz orientações sobre como jogar, bem como informações e materiais para ir além e refletir e discutir sobre o tema, além de apresentar outros jogos que também falam sobre participação.

Sobre a Rede Não Bata, Eduque

É um movimento social nacional que atua desde 2006 pela prevenção do uso dos castigos físicos e humilhantes sob o pretexto de educar crianças e adolescentes. Foi responsável por encaminhar e incentivar a tramitação do projeto de lei original da Lei Menino Bernardo, que proíbe a prática em ambiente doméstico e escolar, abrigos e outros espaços de convivência infantojuvenis.

A rede realiza cursos, oficinas, eventos e rodas de diálogo divulgando a educação positiva, e tem como objetivo principal mobilizar e sensibilizar a população para o tema, ainda naturalizado por grande parte da sociedade brasileira. Tem como atores centrais das atividades o grupo de adolescentes mobilizadores, que incentivam e exercem o direito de crianças e adolescentes à participação. Conta ainda com mais de 300 membros e organizações parceiras espalhadas pelo país.

O que é a #Reviravolta da Escola?

Realizado pelo Centro de Referências em Educação Integral, em parceria com diversas instituições, a campanha #Reviravolta da Escola articula ações que buscam discutir as aprendizagens vividas em 2020 e 2021, assim como os caminhos possíveis para se recriar a escola necessária para o mundo pós-pandemia.

Leia os demais conteúdos no site especial da #Reviravolta da Escola.

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