publicado dia 14/07/2026
Educação Integral: como transformar a avaliação?
Reportagem: Da Redação
publicado dia 14/07/2026
Reportagem: Da Redação
🗒️Resumo: Qual o papel da avaliação na Educação Integral? Na live Hora do Intervalo, a educadora Aline de Fontes (Escola dos Sonhos) e a cientista social Thais Favoretto (Ashoka Brasil/Escolas 2030) refletem sobre o tema e apresentam caminhos para avaliar o processo de desenvolvimento integral dos estudantes.
Não há provas na Escola dos Sonhos: a instituição, que atende estudantes de comunidades rurais em Bananeiras (PB), entende a avaliação como um processo contínuo de escuta e reflexão, que não se encerra em testes tradicionais.
“[A avaliação] é um acompanhamento e uma construção coletiva das aprendizagens”, resume a educadora da Escola dos Sonhos, Aline de Fontes.
A experiência da escola foi uma das inspirações para o material “Avaliação na Educação Integral: Guia para redes e escolas de Educação Básica”, iniciativa do Ministério da Educação (MEC).
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O objetivo do guia, produzido em parceria com a Ashoka Brasil e a Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), é oferecer orientações, reflexões e dicas práticas sobre avaliação na Educação Integral para professores e redes de ensino.
O material – ao lado da experiência na Escola dos Sonhos – serviu como ponto de partida para a live Hora do Intervalo, que reuniu a educadora Aline de Fontes (Escola dos Sonhos) e a cientista social Thais Favoretto (Ashoka Brasil/Escolas 2030) para refletir sobre o papel da avaliação na Educação Integral.
Aline Miranda de Fontes é graduada em Pedagogia, educadora da Escola dos Sonhos, contadora de histórias e mulher campesina. Atualmente, cursa a especialização em Alternativas para uma Nova Educação pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), aprofundando seus estudos sobre práticas pedagógicas inovadoras e transformadoras.
Thaís Mesquita Favoretto é cientista social e Mestra em Sociologia pela UNICAMP. Atualmente, lidera a área de Parcerias Estratégicas da Ashoka Brasil e integra a coordenação nacional do programa global Escolas2030. Com mais de 15 anos de experiência no campo educacional, atuou como professora, facilitadora, consultora e gestora de projetos voltados à inovação e à transformação social.
Realizada pelo Centro de Referências em Educação Integral, a live Hora do Intervalo é mensal e busca jogar luz em conceitos e discussões fundamentais para a agenda da Educação Integral e do Tempo Integral nas escolas.
É possível acompanhar a transmissão ao vivo pelo perfil do Instagram do Centro de Referências em Educação Integral.
Posteriormente, a live também fica disponível no canal do YouTube e do Spotify.
Assista ou conheça os principais trechos da live a seguir:
Educadora na Escola dos Sonhos, Aline de Fontes explica que o trabalho avaliativo na escola comunitária é diagnóstico, distanciado de uma perspectiva classificatória ou quantitativa.
A proposta é desenvolver uma avaliação processual, participativa, emancipatória e formativa, capaz de reconhecer os diferentes tempos, percursos e modos de aprender das crianças.
“Partimos de questões centrais que orientam e permeiam nossas práticas avaliativas: como avaliar? O que avaliar, para quem e para quê avaliar?”, explica a pedagoga, que cursa a especialização Alternativas para uma Nova Educação na Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Na prática, a avaliação é construída com base em diferentes instrumentos pedagógicos utilizados pela Escola dos Sonhos.
Entre os exemplos dados pela educadora estão a Roda de Apreciação do Dia, Relatórios Descritivos e Avaliação por Pares.
Realizada diariamente, a Roda de Apreciação abre espaço para os estudantes compartilharem descobertas, aprendizagens e dificuldades vivenciadas no espaço escolar.
Já os Relatórios Descritivos são os registros dos avanços, desafios, interesses e singularidades de cada estudante, feito pelo tutor responsável por acompanhar o percurso do aluno.
A Avaliação por Pares também amplia os horizontes do processo avaliativo, envolvendo ativamente os estudantes, que se avaliam mutuamente. “Eles fortalecem a escuta, a empatia e a corresponsabilidade”, aponta Aline.
Além disso, ao final de cada ano letivo a escola passa por uma avaliação institucional coletiva, envolvendo toda a comunidade escolar. A análise e reflexão sobre a prática da escola orienta o planejamento do ano seguinte.
O documento “Avaliação na Educação Integral: Guia para redes e escolas de Educação Básica“ é resultado de cinco anos de pesquisa-ação do programa Escolas2030 e integra o Eixo Acompanhar do Programa Escola em Tempo Integral, instituído pela Lei 14.640/23.
O guia propõe organizar a avaliação como um processo de pesquisa-ação dentro da escola, conduzido pelos próprios professores, com a construção coletiva de um Marco Zero e um caminho de dez passos para a elaboração de indicadores próprios.
“O que é o marco zero? É um convite a pensar um diagnóstico simples da própria escola e do seu entorno. Como a escola funciona? Onde ela está inserida? Qual o nome dela? Entender a escola no tempo-espaço é fundamental para entender o contexto dela”, afirma a integrante da coordenação nacional do programa global Escolas2030.
Além disso, a proposta reconhece o lugar de avaliações externas e de indicadores consolidados desde os anos 1990 como o Saeb e do Ideb, mas alerta para os riscos de tratá-los como medida única de qualidade.
As Secretarias de Educação também exercem um papel importante na organização das avaliações e podem apoiar as escolas ao longo do percurso. O primeiro passo, na visão de Thais, é garantir a autonomia escolar e não restringir as práticas avaliativas.
“Primeiramente, garantir que a escola tenha essa autonomia e entender que a avaliação é fundamental para o sucesso da Educação quando pensamos em desenvolvimento integral”, analisa Thais.
A expansão das matrículas em tempo integral e a implementação e revisão de políticas de Educação Integral é uma oportunidade para transformar as práticas avaliativas de escolas e redes.
Para Thais, da Ashoka Brasil/ Escolas 2030, os gestores e técnicos podem dar os primeiros passos nessa direção ao olhar para como está a avaliação na rede de ensino.
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“Como está hoje, como acontece, quais as condições de trabalho dos professores? O que posso melhorar na condição de trabalho deles para que possam ter tempo de discutir e elaborar indicadores?”, sugere a especialista.
Outra dica é buscar escolas da rede que já estejam mais avançadas nos processos de avaliação na Educação Integral e trazê-las como referência para as demais.