6° Prêmio Territórios Tomie Ohtake

publicado dia 08/03/2022

Conheça 5 professoras que estão transformando a educação

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Na sala de aula, na Secretaria de Educação, na política e no território, estas 5 mulheres não medem esforços para defender direitos e promover uma educação de qualidade que tenha por base uma formação humana e cidadã, de valorização das diversidades e de respeito ao outro.

Leia + 10 mulheres educadoras essenciais para a educação integral

Conheça, abaixo, um pouco mais sobre o trabalho, a trajetória e as ações desenvolvidas por estas professoras:

Gina Vieira Ponte, formadora de professores da educação básica do Distrito Federal.

Professora da educação básica pública há mais de 30 anos, que hoje atua como formadora docente, Gina é membro do Comitê Nacional de Educação em Direitos Humanos e embaixadora do Prêmio Ibero-Americano de Educação em Direitos Humanos.

Ela também criou o Mulheres Inspiradoras, programa que já recebeu diversos prêmios. Tudo começou em sala de aula, com a turma estudando a biografia de dez mulheres inspiradoras, como Anne Frank, Carolina Maria de Jesus, Cristiane Sobral, Malala Yousafzai, Maria da Penha Fernandes e Nise da Silveira, e depois indo para casa e para a comunidade entrevistar as mulheres inspiradoras de sua vida. Em seguida, os estudantes escreveram e reuniram essas histórias em um livro coletivo, que leva o mesmo nome do projeto.

A atividade foi tão impactante e transformadora que desde 2021 o Programa Mulheres Inspiradoras se transformou em uma política pública do DF, com formação continuada de educadores na perspectiva de valorização das diversidades de gênero e raça, pautadas pelos Direitos Humanos.

No vídeo a seguir, Gina desconstrói a noção de que a pandemia causou perdas irreparáveis nas aprendizagens dos estudantes e defende que esta não é uma geração perdida:

Macaé Evaristo, professora de escola pública desde os 19 anos, vereadora em Belo Horizonte pelo PT e doutoranda em Educação pela UFMG

Macaé Evaristo foi a primeira mulher negra a ocupar os cargos de secretária municipal de Educação de Belo Horizonte (MG), de 2005 a 2012, e secretária estadual de Educação de Minas Gerais, entre 2015 e 2018.

Em 2013 e 2014, foi titular da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão do Ministério da Educação. Coordenou programas como a implantação de Escolas Indígenas, a Escola Integral em Minas Gerais, a Escola Integrada em BH e as cotas para ingresso de estudantes de escolas públicas, negros e indígenas no ensino superior, quando esteve no MEC, atuando em prol da inclusão educacional e da valorização dos professores.

A educadora é hoje uma das principais difusoras da educação para as relações étnico-raciais, responsável pela articulação de diversas ações de educação ambiental, em direitos humanos, educação de pessoas com deficiência, do campo, indígena, quilombola e de jovens e adultos.

Abaixo, Macaé fala sobre a importância do reconhecimento à diversidade brasileira nos programas e políticas de Educação Integral:

Ana Paula Venâncio, professora no Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro (Iserj), uma escola pública da rede Faetec (Fundação de Apoio à Escola Técnica)

Quando as crianças do primeiro ano do Ensino Fundamental chegam à sala de aula da professora, a primeira coisa que fazem é sentar em roda e conversar sobre o mundo, suas vidas e quem são, de escutar o outro e suas experiências. Nada de cartilhas pontilhadas, ditados e tarefas de copiar a lousa.

Daqui e dali surgem histórias de racismo ou falas que reproduzem essa violência, inevitavelmente, uma vez que no Brasil a questão é estrutural e permeia todos os espaços e interações, desde muito cedo. A própria professora também traz o assunto diretamente, se interessa por saber o que as crianças entendem por racismo e conecta esses assuntos à valorização das histórias, culturas e identidades negras e afro-brasileiras, passadas e presentes, e a explicações sobre o que é o racismo e suas manifestações na escola e em outros espaços.

Essas conexões intrigam as crianças e despertam nelas várias curiosidades. É para perseguir o desejo de saber mais que começam a se interessar e efetivamente a ler e escrever. “Não se trata de escolarizar a conversa, os desejos, as curiosidades que as crianças trazem, mas de tornar isso um estudo”, diz a educadora.

Conheça seu trabalho:

Professora alfabetiza crianças a partir de rodas de conversa e educação antirracista

Lucineia Alves, professora na rede municipal do Rio de Janeiro (RJ)

A professora, que está sempre à procura de oportunidades para convidar os estudantes a colocarem a mão na massa, em uma ocasião conseguiu um recurso de 22 mil reais para equipar o laboratório da escola onde lecionava. Foram comprados modelos anatômicos de espécies animais, além de outros materiais, como um esqueleto em tamanho natural.

Enquanto pós-doutora em Neurociência, Lucineia luta por mais espaço para as mulheres na ciência e para que cada vez mais alunas possam se enxergar trilhando uma carreira na área. A educadora também fez parte do projeto “Meninas na Escola, Mulheres na Ciência – Ferramentas para Professores da Educação Básica”, uma parceria do Conselho Britânico com o Museu do Amanhã, que depois se transformou em um livro homônimo.

A educadora se dedica, ainda, a mapear experiências inovadoras de seus colegas professores, por meio da série de livros Professores Inovadores. “É muito gratificante promover a visibilidade e o compartilhamento dessas práticas e eu espero sempre que elas contagiem e inspirem outros professores”, diz Lucineia.

Saiba mais sobre a sua trajetória:

Mulher, negra e pós-doutora: conheça Lucineia Alves, professora da rede municipal do Rio de Janeiro

Carla Pinheiro, professora na Escola Municipal do Loteamento Santa Júlia, em Lauro de Freitas (BA)

A professora de Educação Infantil começou a notar alguns comportamentos e comentários das crianças que refletiam problemas da nossa sociedade. O cenário se estendia desde meninos que se recusavam a pintar com um lápis rosa, porque “é coisa de menina”, até uma criança que chorou ao ser identificada por seus pares como negra.

Ela decidiu, então, criar um projeto para abordar com os pequenos, de forma lúdica e por meio de diferentes linguagens, questões relacionadas a marcadores sociais da diferença, como raça e gênero. É assim que tem origem o projeto “Uhuru! Procura-se representação”, um dos vencedores da 21ª edição do Prêmio Arte na Escola Cidadã, realizado pelo Instituto Arte na Escola.

“Planejei as atividades a partir das demandas da própria turma, visando ajudar as crianças a construírem uma autoimagem positiva e a poderem se preservar caso alguém venha a descredibilizá-las por questões éticas, morais ou estéticas. Isso facilita que elas valorizem e reconheçam sua importância nos grupos do qual fazem parte”, explica Carla.

Conheça o projeto:

Por meio das Artes, professora aborda questões raciais e de gênero na Educação Infantil

No dia de luta das mulheres, conheça 8 maneiras de discutir gênero na escola

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