publicado dia 05/08/2026

Ideb no Brasil é o mais alto da história, mas limites de seu uso para avaliar a Educação persistem

Reportagem: | Edição: Ingrid Matuoka e Tory Helena

O Ministério da Educação (MEC), por meio do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), divulgou os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025. De acordo com a pasta, o índice alcançou os maiores valores da série histórica iniciada há 20 anos, com todas as etapas avaliadas avançando em relação patamar de 2023.

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No Ensino Fundamental, o Ideb passou de 6 para 6,3 nos Anos Iniciais e de 5 para 5,3 nos Anos Finais. Já no caso do Ensino Médio, o índice subiu de 4,3 para 4,5. Considerando apenas as escolas públicas, o resultado atingido passou de 5,7 para 6,1 nos Anos Iniciais e de 4,7 para 5 nos Anos Finais, enquanto que no Ensino Médio o índice oscilou de 4,1 para 4,3.

Nos Anos Iniciais (1º ao 5º ano) do Ensino Fundamental, 3.256 municípios (58%) alcançaram nota acima de 6, um acréscimo de 840 redes municipais em relação a 2023. Também caíram os municípios com nota menor do que 4,9, passando de 1.097 municípios para 442. Até 2021, o patamar da nota 6 era a meta buscada pelos sistemas de ensino. 

O que é o Ideb 

Principal objetivo do Ideb é monitor o desempenho das escolas e das redes de ensino. Crédito: Agência Brasil.

Variando em uma escala de 0 a 10, o Ideb existe desde 2005 e é divulgado bianualmente. O índice é calculado a partir da combinação de dois fatores: a nota dos estudantes no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) em Língua Portuguesa e Matemática e as taxas de aprovação escolar. A ideia é que o valor expresse em que medida os estudantes estão aprendendo e avançando na trajetória escolar. 

Além das médias gerais do Brasil, estados e municípios, o Ideb também é calculado para cada escola e para as redes municipais, estaduais, públicas e privadas de ensino.  

Seu principal objetivo é o monitoramento do desempenho das escolas e das redes de ensino, permitindo traçar metas de qualidade educacional. 

Embora esteja consolidado nas últimas décadas e tenha se transformado em um dos centros do debate sobre qualidade do ensino oferecido nas escolas brasileiras, o Ideb não é uma unanimidade. 

O índice é frequentemente alvo de disputas políticas, em especial em períodos eleitorais, além de ser ponto de discordância entre especialistas em Educação sobre o seu uso e efetividade para medir a qualidade do ensino.  

Para especialistas, Ideb isolado é insuficiente para avaliar as escolas 

Para Jaqueline Moll, o Ideb não deve ser utilizado para criar rankings ou comparar instituições de ensino. Crédito: Agência Brasil.

Idealizado como instrumento para acompanhar e avaliar a qualidade do ensino na Educação Básica, o Ideb é historicamente questionado por educadores e especialistas. 

Entre as críticas, estão as limitações para o seu uso na avaliação da qualidade do ensino e do desenvolvimento integral dos estudantes, a insuficiência da nota para refletir tudo o que acontece em uma escola e a necessidade de atualização das ferramentas de avaliação. 

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No caso da aprendizagem dos estudantes, o índice proporciona um retrato específico e parcial do que é o desenvolvimento integral das crianças e adolescentes. 

Além disso, a prova é realizada em forma de teste e somente em relação a duas áreas do conhecimento (Matemática e Língua Portuguesa). Isso deixa de fora aspectos como a conexão da escola com o território, projetos antirracistas ou a inclusão.

O índice também não abarca práticas pedagógicas ou formas de avaliação, nem avalia a infraestrutura da escola ou se há nela gestão democrática –  todas questões fundamentais para a Educação Integral, por exemplo. 

Para a especialista em Educação Integral e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Jaqueline Moll, o Ideb é um retrato de um momento específico de cada escola ou rede e não deve ser utilizado para criar rankings ou comparar instituições de ensino. 

“O Ideb não é uma expressão do conjunto das coisas que a escola faz. É uma fotografia, um contexto, um enquadramento específico”, ressalta a educadora.

Para a especialista, o índice é melhor aproveitado como um ponto de partida para a reflexão. 

“O Ideb deve sempre ser a base para problematizar o que a gente está fazendo, não para colocar um carimbo na escola. Educação não é competição entre escolas, não é ranking, não é ensino para teste, é formação humana”, defende Jaqueline. 

*Colaborou Ingrid Matuoka

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