EMEF Campos Salles transforma currículo e valoriza a autonomia do estudante

Iniciativa: Transformação curricular na EMEF Campos Salles

Pública ou Privada: Pública.

Foto: Portal Aprendiz

Foto:  Pedro Nogueira/ Portal Aprendiz

Descrição: A Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Campos Salles, situado no bairro de Heliópolis, região sudeste da capital paulistana, difere-se das demais por apresentar uma estrutura que foge dos padrões de aulas divididas em 45 minutos e ministradas por um único professor.

A escola, que, a partir de variadas estratégias de mobilização, já possuía uma relação mais próxima com a comunidade e movimentos sociais do entorno, passou a refletir sobre sua proposta pedagógica e infraestrutura escolar, pois por mais que a relação com a população do entorno existisse, o contato entre professores e estudantes se dava em modelos tradicionais e ainda apresentava problemas. Estudantes reclamavam que não eram ouvidos e professores se mostravam esgotados e com dificuldades de administrar a sala de aula, falas muito comuns no cotidiano de boa parte das escolas brasileiras.
Em 2007, a direção e comunidade do bairro viam a necessidade de coibir o tráfico de drogas, que acontecia em praça próxima à escola. Com o apoio da Secretaria Municipal de Educação, o espaço da praça e arredor foi revitalizado e as grades que separavam a escola do entorno foram extintas.

Inspirado pela experiência portuguesa da Escola da Ponte, um dos professores da escola procurou Braz, propondo que, junto à comunidade escolar, realizassem mudanças na estrutura pedagógica da escola.

Com as falas dos estudantes e docentes em mente, o diretor da EMEF, Braz Nogueira, que havia participado de variadas formações e discussões sobre Educação integral e sobre educação libertária e democracia nos processos de ensino-aprendizagem, apresentou à comunidade escolar, famílias e lideranças comunitárias, a ideia de romper com a estrutura tradicional do currículo e da organização das salas de aula.

Braz assegurou os envolvidos que a mudança seria radical, mas que os ganhos seriam processuais. Assim, era preciso que todos estivessem envolvidos e juntos, criassem um modelo que funcionasse para a comunidade e que, aos poucos, todos aprendessem com o que estavam desenvolvendo.

Todos aprovaram o projeto, que era pautado pelas duas ideias centrais de tudo passa pela educação e a escola é um dos meios de articulação da comunidade – e outros três princípios – a autonomia, a responsabilidade e a solidariedade, resgatados da experiência consolidada na Escola da Ponte de Portugal.

Grandes mudanças

A primeira grande decisão foi derrubar as paredes das salas de aula. A cada três salas, formou-se um salão. As mesas deixaram de ser individuais e estudantes começaram a se organizar em grupos de seis. No lugar de um professor por matéria, os docentes começaram a compartilhar a gestão da sala de aula. Cada salão é acompanhado por três professores.

No lugar da aula expositiva, os estudantes passaram a receber roteiros de estudo, nos quais, desenvolvem percursos de aprendizagem individuais e em grupo sobre os mais diferentes campos do conhecimento.

Embora existam atividades de matemática ou de português, ciências e história, existem roteiros interdisciplinares que têm por pressuposto o estímulo ao pensamento e investigação contextualizada do estudante.

Cada salão reúne cerca de 100 alunos e nos grupos os estudantes buscam discutir suas dúvidas uns com os outros. Quando necessário, chamam o educador que irá auxiliar a atividade ou tema em aprendizagem. Os estudantes têm autonomia e podem escolher que atividade ou tema decidem estudar do roteiro e é comum que as crianças e adolescentes trabalhem juntos sobre um mesmo tema.

Os roteiros são estipulados e desenvolvidos por professores responsáveis pela área do conhecimento em questão, mas todo o corpo docente tem acesso a todos os roteiros e conhece as habilidades e competências exigidas e trabalhadas em cada material. Assim, todo o professor – mesmo quando não elaborou o roteiro -, pode apoiar o estudante na aprendizagem de todas as matérias. Quando necessário, acionam o professor responsável pelo tema.

Além da mudança curricular, a escola desenvolveu variadas estratégias para valorizar a autonomia do estudante e a participação da comunidade no cotidiano da escola.

Início e duração: Desde 2007 até os dias atuais

Local: EMEF Campos Salles

Responsáveis: Coordenação pedagógica da escola e comunidade escolar.

Envolvidos e parceiros: Famílias e lideranças comunitárias. Até 2011, a EMEF contou com apoio da Fundação Tide Setúbal e do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (CENPEC) na formação do quadro docente, nas discussões de educação integral.

Financiamento: A escola fez todas as mudanças curriculares com seu próprio orçamento, transformando os papeis e funções em sua estrutura administrativa.

Principais Resultados

Evolução da escola na Prova Brasil

Evolução da escola na Prova Brasil

Segundo a direção, é visível a mudança de comportamento tantos dos estudantes, quanto dos professores. A cultura colaborativa é cada vez mais forte na escola e, embora ainda em processo, há maior disposição dos envolvidos em seguir aprimorando o conceito e estratégias.

Embora recentemente, na edição de 2011, o fluxo escolar da escola tenha decrescido (Ideb 2011), houve aumento tanto em Matemática quanto em Português na Prova Brasil. Porém, para Braz, o resultado nas provas é menos importante que o que a comunidade escolar avalia e objetiva para os próximos anos.

Para ele, o processos ainda está em construção, mas até o momento os resultados mobilizam a comunidade a continuar investindo em um outro modelo educacional.

Materiais e Publicações

Informações gerais da escola e estrutura escolar no Mootiro Maps.

Contatos

Telefone: (11) 6947-6723

Blog da escola: http://campossalles.wordpress.com/

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14 COMENTÁRIOS

  1. josiane disse:

    Esta escola tendo em vista um lugar de aprendizado sério, no entanto fiquei impressionada com o descaso ou falta de comprometimento talvés, que uma criança de 07 anos de idade com enorme interesse e gosto por desenhos e atividade fisica tire notas como NS em todas as materias inclusive artes e educação fisica, lamento ou me pergunto? o que esta criança teve de retorno todas as idas á escola ficando em uma sala de aula por tantas horas, e ,no que estes professores notaram ou será que notaram, como esta criança se sente, será que foi tratada com enorme desleixo e desatenção em relação ao seu erforço.desde já agradeço pela atenção atenciosamente .josiane

  2. Seneli Barbosa Meier disse:

    Fui direcionada para cá por ter assistido o documentário “Quando sinto que já sei” . O documentário é fantástico, bem como tudo o que acabei de ler acima sobre essa escola! é extremamente estimulante, revigorante mesmo, saber que esse tipo de educação está acontecendo no Brasil, principalmente por sabermos o quão necessário é esse tipo de modelo escolar nos dias de hoje, ainda mais para um país como o nosso, com tantas diversidades.
    Sendo franca… chorei… lindo demais, obrigada a todos por estarem realizando tal proeza! :)

  3. geane dias gomes disse:

    adorei, esta mudança no curriculo, e é isso que todos os diretores devem fazer. Acreditar que é possível, uma transformação. deixar os alunos opinarem e conscientizarem a importância de se estudar.
    parabéns, professores,diretores, alunos, por acreditar neste projeto.

  4. Maria Nizete de Azevedo disse:

    Iniciativa fantástica! Sou professora de Licenciatura da UNIFESP e gostaria de conhecer mais de perto essa experiência!
    É possível visitar a escola?
    Abraços
    Maria Nizete

    • Dafne Melo disse:

      Cara Maria,

      Entre em contato direto com a escola por meio dos contatos publicados na matéria.

      Atenciosamente,
      Equipe do Centro de Referências em Educação Integral

  5. Maria Angelica Brugnaro disse:

    Sou uma pessoa apaixonada pela educação. Infelizmente não pude atuar na área por diversos motivos. Sempre que vejo programas na TV Escola fico encantada com os profissionais que acreditam na mudança dos métodos tradicionais, que com certeza levará a uma mudança da sociedade como um todo. Sempre lia os artigos do Rubem Alves e foi através dele que tomei conhecimento da Escola da Ponte. Só sinto não poder participar disso tudo por estar com 63 anos. Vocês estão de parabéns, com ênfase ao Prof. Braz Nogueira.
    Angelica

  6. Bianca disse:

    Qual a data em que esse texto foi publicado? “EMEF Campos Salles transforma currículo e valoriza a autonomia do estudante.”

  7. Ana Paula da Silva Valentim disse:

    Tenho curiosidade de conhecer esta escola, estou no 6 semestre e no próximo preciso estagiar. O que preciso fazer para estagiar na Campos Sales.
    Espero sua resposta.

    • Dafne Melo disse:

      Cara Ana Paula,

      Entre em contato diretamente com a escola Campo Salles por meio dos contatos que estão ao final da matéria.

      Atenciosamente,
      Equipe do Centro de Referências em Educação Integral

  8. Hélio Cunha disse:

    Prezado Senhor:

    Braz, é com enorme carinho que vejo no seu trabalho a devoção e o amor à sua profissão. Caro senhor, é bem verdade que quando maus elementos querem nos ferir não respeitam nossos muros, nossa privacidade, ignorando a segurança que supostamente acreditamos ter.
    Porém é bem verdade que às vezes o medo de perdemos o conceito, onde estamos, a que viemos e para qual finalidade, nos leva a criar alternativas para que essa finalidade venha à tona com força e disposição, o que vejo não lhe faltar, mas ainda assim existem muitos professores e principalmente diretores que, já com a determinada estabilidade no cargo, não veem as possibilidades que os circundam, não levando em consideração o aluno como um ser humano e na construção do mesmo para o mundo e trata a escola como um aparelho do estado, um verdadeiro reprodutor de mão de obra para as elites, para o sistema que o Sr. enfatiza capitalista, unitizado, individualista, apresento-lhe aqui então minha antecipada admiração pelo o que o Prezado tem demonstrado em suas realizações.
    Sou um estudante de licenciatura em Letras, na primeira graduação e gosto de ver pessoas falando com a propriedade que demonstra.
    Parabéns!!!

  9. Josefa Meire Santos da Costa disse:

    Gostaria que pelo menos a metade das escolas brasileiras fossem assim. Parabéns responsáveis pelo Campos Salles.

  10. Josefa Meire Santos da Costa disse:

    Parabéns responsáveis pelo Campos Salles, o Brasil precisa de mais escolas como essa e através desse tipo de formação de seres humanos, quem sabe teremos um país com menos injustiças sociais.