EMEF Campos Salles transforma currículo e valoriza a autonomia do estudante

Publicado dia 27/08/2013

Iniciativa: Transformação curricular na EMEF Campos Salles

Pública ou Privada: Pública.

Foto: Portal Aprendiz

Foto:  Pedro Nogueira/ Portal Aprendiz

Descrição: A Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Campos Salles, situado no bairro de Heliópolis, região sudeste da capital paulistana, difere-se das demais por apresentar uma estrutura que foge dos padrões de aulas divididas em 45 minutos e ministradas por um único professor.

A escola, que, a partir de variadas estratégias de mobilização, já possuía uma relação mais próxima com a comunidade e movimentos sociais do entorno, passou a refletir sobre sua proposta pedagógica e infraestrutura escolar, pois por mais que a relação com a população do entorno existisse, o contato entre professores e estudantes se dava em modelos tradicionais e ainda apresentava problemas. Estudantes reclamavam que não eram ouvidos e professores se mostravam esgotados e com dificuldades de administrar a sala de aula, falas muito comuns no cotidiano de boa parte das escolas brasileiras.
Em 2007, a direção e comunidade do bairro viam a necessidade de coibir o tráfico de drogas, que acontecia em praça próxima à escola. Com o apoio da Secretaria Municipal de Educação, o espaço da praça e arredor foi revitalizado e as grades que separavam a escola do entorno foram extintas.

Inspirado pela experiência portuguesa da Escola da Ponte, um dos professores da escola procurou Braz, propondo que, junto à comunidade escolar, realizassem mudanças na estrutura pedagógica da escola.

Com as falas dos estudantes e docentes em mente, o diretor da EMEF, Braz Nogueira, que havia participado de variadas formações e discussões sobre Educação integral e sobre educação libertária e democracia nos processos de ensino-aprendizagem, apresentou à comunidade escolar, famílias e lideranças comunitárias, a ideia de romper com a estrutura tradicional do currículo e da organização das salas de aula.

Braz assegurou os envolvidos que a mudança seria radical, mas que os ganhos seriam processuais. Assim, era preciso que todos estivessem envolvidos e juntos, criassem um modelo que funcionasse para a comunidade e que, aos poucos, todos aprendessem com o que estavam desenvolvendo.

Todos aprovaram o projeto, que era pautado pelas duas ideias centrais de tudo passa pela educação e a escola é um dos meios de articulação da comunidade – e outros três princípios – a autonomia, a responsabilidade e a solidariedade, resgatados da experiência consolidada na Escola da Ponte de Portugal.

Grandes mudanças

A primeira grande decisão foi derrubar as paredes das salas de aula. A cada três salas, formou-se um salão. As mesas deixaram de ser individuais e estudantes começaram a se organizar em grupos de seis. No lugar de um professor por matéria, os docentes começaram a compartilhar a gestão da sala de aula. Cada salão é acompanhado por três professores.

No lugar da aula expositiva, os estudantes passaram a receber roteiros de estudo, nos quais, desenvolvem percursos de aprendizagem individuais e em grupo sobre os mais diferentes campos do conhecimento.

Embora existam atividades de matemática ou de português, ciências e história, existem roteiros interdisciplinares que têm por pressuposto o estímulo ao pensamento e investigação contextualizada do estudante.

Cada salão reúne cerca de 100 alunos e nos grupos os estudantes buscam discutir suas dúvidas uns com os outros. Quando necessário, chamam o educador que irá auxiliar a atividade ou tema em aprendizagem. Os estudantes têm autonomia e podem escolher que atividade ou tema decidem estudar do roteiro e é comum que as crianças e adolescentes trabalhem juntos sobre um mesmo tema.

Os roteiros são estipulados e desenvolvidos por professores responsáveis pela área do conhecimento em questão, mas todo o corpo docente tem acesso a todos os roteiros e conhece as habilidades e competências exigidas e trabalhadas em cada material. Assim, todo o professor – mesmo quando não elaborou o roteiro -, pode apoiar o estudante na aprendizagem de todas as matérias. Quando necessário, acionam o professor responsável pelo tema.

Além da mudança curricular, a escola desenvolveu variadas estratégias para valorizar a autonomia do estudante e a participação da comunidade no cotidiano da escola.

Início e duração: Desde 2007 até os dias atuais

Local: EMEF Campos Salles

Responsáveis: Coordenação pedagógica da escola e comunidade escolar.

Envolvidos e parceiros: Famílias e lideranças comunitárias. Até 2011, a EMEF contou com apoio da Fundação Tide Setúbal e do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (CENPEC) na formação do quadro docente, nas discussões de educação integral.

Financiamento: A escola fez todas as mudanças curriculares com seu próprio orçamento, transformando os papeis e funções em sua estrutura administrativa.

Principais Resultados

Evolução da escola na Prova Brasil

Evolução da escola na Prova Brasil

Segundo a direção, é visível a mudança de comportamento tantos dos estudantes, quanto dos professores. A cultura colaborativa é cada vez mais forte na escola e, embora ainda em processo, há maior disposição dos envolvidos em seguir aprimorando o conceito e estratégias.

Embora recentemente, na edição de 2011, o fluxo escolar da escola tenha decrescido (Ideb 2011), houve aumento tanto em Matemática quanto em Português na Prova Brasil. Porém, para Braz, o resultado nas provas é menos importante que o que a comunidade escolar avalia e objetiva para os próximos anos.

Para ele, o processos ainda está em construção, mas até o momento os resultados mobilizam a comunidade a continuar investindo em um outro modelo educacional.

Materiais e Publicações

Informações gerais da escola e estrutura escolar no Mootiro Maps.

Contatos

Telefone: (11) 6947-6723

Blog da escola: http://campossalles.wordpress.com/

Três escolas e as várias conquistas da autonomia