publicado dia 24/04/2014

“Os adultos deveriam aprender com as crianças”

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“Os adultos deveriam começar a aprender com as crianças”. A frase, dita durante o TEDTalks não foi de nenhum especialista da área infantil, mas por alguém que vive a infância intensamente: Adora Svitak, uma garota norte americana, na época com apenas doze anos de idade. Hoje, Adora tem 17.

De forma humorada, a pequena ativista dos direitos infantis e do feminismo faz um discurso de oito minutos que deixa a plateia de adultos de boca aberta. “Imperialismo e colonização. Guerras Mundias. George Bush. Perguntem a vocês próprios, de quem é a responsabilidade?” Adora questiona e responde enfática que os adultos são os responsáveis por tudo isso e não as crianças. Pelo contrário, a menina conta que no decorrer da história foram as crianças que realizaram diversas ações importantes. “Anne Frank tocou milhões, com o seu testemunho do Holocausto. Ruby Bridges ajudou a acabar com a segregação nos Estados Unidos. E, mais recentemente, Charlie Simpson ajudou a angariar 120.000 libras para o Haiti na sua pequena bicicleta”, aponta a garota, para citar alguns exemplos de como a inteligência das crianças pode ser transformadora para o mundo.

Para Adora, os adultos não devem perder de vista o sonho que tinham quando eram pequenos. Por mais que os adultos não cheguem ao nível dos regimes totalitários, as crianças têm pouco espaço para dizer aquilo que pensam. “Os adultos aprecem ter uma atitude predominantemente restritiva em relação às crianças.  Desde os ‘não faça isto’ ou ‘aquilo’ nos manuais escolares à proibição da internet na escola”. Ela critica ainda a alcunha de “infantil” depositada em todos aqueles que devaneiam em suas ideias e, com isso, fogem do senso comum. “Quem disse que alguns pensamentos irracionais não é o que realmente o mundo precisa?”.

Para a garota, não pode existir algo real se antes não for sonhado, já que isso colabora para para romper as fronteiras daquilo que parece impossível, tanto que ela já escreveu mais de 300 contos.

Assista o vídeo na íntegra com legendas em português:

Nascida na cidade de Washington, EUA, a garota prodígio, como a chamam, mergulhou no mundo das palavras quando ainda era uma criança de quatro anos. Desde então, a paixão pela leitura a levou a criar suas próprias histórias e Adora publicou seu primeiro livro, Flying Fingers quando tinha apenas sete anos idade.  A partir daí, passou a ir em escolas, falar com centenas de professores, inspirando-os a estimular suas crianças a fazerem o mesmo.

Diferente do que muitos podem pensar, o maior objetivo da pequena grande escritora não é é o da auto-promoção. Pelo contrário. Adora enxerga em sua iniciativa uma oportunidade de inspirar crianças como ela a fazer da leitura e da escrita uma forma de expressão ou um voo por meio dos dedos, como ela própria descreve em sua plataforma digital Adora’s Blog.

Uma de suas maiores inspirações foi a ficção histórica. A ideia de explorar as diversas culturas de outros países faz de sua literatura um convite ao estudo de história, geografia ou até mesmo a sociologia. Mas a escritora mirim não para por aí, pois ela também escreve histórias de aventura e fantasia, debruçando-se sobre imagens que sua própria imaginação pode criar.

Eclética em suas leituras, os autores que influenciaram a garota vão desde o gênero clássico ao contemporâneo, destacando-se os escritores Ambrose Bierce ( escritor de “O Estranho” e outros contos), Kate Chopin ( O despertar) e  Clive Staples Lewis, criador de As Crônicas de Nárnia.

Adora Svitak. Foto: Divulgação

Adora Svitak. Foto: Divulgação

Mesclando-se fantasia a críticas da sociedade, a obra de Adora inclui livros como  “A Morte do Senhor Hag”, no qual uma jovem heroína defende sua aldeia de uma horda goblin violenta e “Amruin”, um conto que mostra animais liderando uma rebelião contra o “senhor cruel” da floresta.

O ativismo da menina vai além da defesa da infância. Adora se tornou uma jovem bastante persistente e hoje, edita uma revista online de literatura e crítica literária chamada Write with Adora (Converse com Adora, em português), na qual incentiva jovens como ela a escreverem e discutirem suas ideias. Ela também colabora regularmente no site Huffington Post com artigos sobre feminismo e educação.

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