publicado dia 23/11/2018

Miguel Arroyo: pluralidade como condição para educação integral

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Professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Miguel Arroyo é um dos maiores defensores da educação integral nas políticas educacionais brasileiras

O cientista social e pesquisador tem uma trajetória dedicada a pensar propostas educativas na perspectiva da educação popular de modo a valorizar a cultura e as iniciativas dos movimentos populares na construção dos projetos políticos pedagógicos.

Especial Educadores, do Centro de Referências em Educação Integral, traz 10 especialistas fundamentais para compreender a educação integral e a importância da escola pública no Brasil.

Faz parte também de seu repertório a defesa da gestão democrática, com especial ênfase para a participação dos estudantes e comunidades na escola. Para Arroyo, esta condição é indispensável para a construção de uma proposta curricular alinhada aos interesses e anseios dos alunos.

No seu entendimento, para que a educação integral se efetive, a pedagogia praticada deve estar em diálogo constante com o território e a realidade de crianças e jovens. Neste cenário, a escola tem ainda um papel de suma importância: o de resgatar a “humanização” negada a estes sujeitos que chegam ao espaço escolar, muitas vezes, brutalizados.

Para isso, educadores e escola devem atuar de forma a recuperar a dignidade dos alunos, articulando a pluralidade de forças e instituições presentes de forma a garantir a integração de todos. “O Estado e a escola, a pública sobretudo, têm função de educar os cidadãos nos valores da cidadania. Não separemos o direito à educação dos demais. Ele só avança se garantida a pluralidade de direitos”, disse em entrevista ao Centro de Referências em Educação Integral este ano.

Escola Plural em Belo Horizonte

Nesta perspectiva, enquanto secretário adjunto de Educação da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, coordenou e implementou o programa Escola Plural na rede municipal da capital mineira, entre 1993 e 1996.

O projeto pioneiro implementou uma concepção de educação mais democrática, inclusiva e plural, levando em consideração as múltiplas dimensões e potencialidades na formação do aluno.

A proposta serviu de base para a criação, em 2006, do programa Escola Integrada, uma das principais políticas de educação integral no País ao interligar a proposta pedagógica das escolas municipais aos diversos espaços contidos na cidade, tornando o município uma grande sala de aula. Tais políticas transformaram Belo Horizonte em uma referência tanto nacional, quanto internacional na Associação Internacional das Cidades Educadoras (AICE).

Atualmente, Arroyo acompanha propostas educativas em redes estaduais e municipais do País e segue sendo referência no que diz respeito ao desenvolvimento integral dos sujeitos.

miguel de arroyo

A escola inovadora de Maria Nilde Mascellani