publicado dia 10/06/2020

Maranhão planeja retorno gradual das escolas, priorizando acolhimento dos estudantes

por

Ainda não há uma data prevista para que a rede estadual do Maranhão volte às aulas presenciais, mas a Secretaria de Educação já definiu as estratégias que serão adotadas para garantir que esse retorno seja feito com segurança e, sobretudo, acolhendo a todos e priorizando os estudantes mais vulneráveis.

Leia + Educação a distância pode ampliar desigualdades durante a pandemia

Felipe Camarão, secretário de Educação da rede, explica que 76% dos estudantes estão conseguindo desenvolver propostas pedagógicas remotamente – para estes, as atividades à distância contarão para o ano letivo. Já para os 24% de alunos que não têm acesso, o calendário escolar será reorganizado para que eles cumpram essa carga horária presencialmente. “Vamos priorizar que os primeiros a voltarem às aulas presenciais sejam os mais vulneráveis, os excluídos digitais, e os estudantes indígenas, quilombolas, do campo e com deficiência.”

E para garantir a segurança de todos, o retorno será gradual, começando pelo Ensino Superior. Para a Educação Básica, cada etapa voltará sequencialmente: primeiro, o 3º ano do Ensino Médio, depois o 2º, e por fim o 1º ano, para só então dar início à volta do último ano do Ensino Fundamental, e assim por diante, até chegar à Educação Infantil.  

As salas também serão reorganizadas para que os estudantes mantenham um metro e meio de distância entre si, por meio de uma redução do número de estudantes por turma, que pode ser feito por meio de rodízio ou divisão da turma em diferentes salas de aula. 

Essas decisões foram tomadas por um comitê intersetorial, que envolve profissionais da Saúde, da Educação e de psicologia e, embora digam respeito somente à rede estadual, servem como norte para as redes municipais. “A volta será regionalizada, e cada prefeito terá autonomia para decidir o momento de reabertura de suas escolas”, explica o secretário de Educação.

Outra medida que está sendo avaliada junto ao Conselho Estadual de Educação é a criação de um 4º ano opcional para o Ensino Médio. Assim, estudantes que concluam o 3º ano e prefiram manter os estudos por mais um ano, mesmo que tenham sido aprovados, podem permanecer na escola por mais um ano. 

“O mais importante não é o conteúdo, o que importa é a vida, a saúde e o socioemocional de todos. Então, por uma questão de responsabilidade social, nós vamos propor o 4º ano opcional, mesmo que não tenha financiamento do governo federal, para que os estudantes tenham tranquilidade em relação a retomar esses conteúdos”, diz Camarão. 

Acolhimento e diagnóstico: as prioridades da rede

Esta não será uma volta às aulas como as anteriores, após as férias. Levando isso em conta, a rede programou uma semana de acolhida para os gestores, outra para os professores e só então voltam os estudantes, que também terão de 7 a 15 dias de readaptação e acolhimento. 

“Independentemente de estar tendo acesso, todos foram submetidos a um estresse pelo isolamento, pandemia, perderam pessoas, vários professores morreram, vários são do grupo de risco. Seria desumano botar todo mundo na sala de aula e voltar.”. 

As escolas também vão promover uma avaliação diagnóstica, que não vai valer nota, e servirá apenas para o planejamento das unidades e da rede sobre como conduzir o restante do ano letivo. 

“Nós não queremos aprovar automaticamente, e nem submeter professores e alunos a notas neste ano e nem no próximo, porque entendemos que a avaliação é muito mais do que uma prova. E, considerando que o processo educacional foi abruptamente rompido com a pandemia, ele deve ser ainda mais humanizado nesse período”, conclui o secretário. 

No Maranhão, organização aposta na educação integral para o desenvolvimento do território