publicado dia 21/01/2026
Aldear a Educação Básica: edital destaca boas práticas de ensino de história e cultura indígena
Reportagem: Da Redação
publicado dia 21/01/2026
Reportagem: Da Redação
📄Resumo: De abrangência nacional, seleção visa reconhecer e valorizar iniciativas educacionais centradas na aplicação da Lei 11.645/08. Conheça experiências premiadas pelo Edital Aldear a Educação Básica: Fortalecendo a Lei 11.645/08, por mais histórias, culturas e saberes indígenas nas salas de aula no Brasil.
Instituída em 2008, a Lei 11.645 determina que as histórias, culturas e saberes dos povos indígenas devem estar presentes, obrigatoriamente, nos conteúdos didáticos e nas salas de aula o ano todo, da Educação Infantil à Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Leia Mais
Conquista histórica dos movimentos indígenas e antirracistas, a legislação foi um avanço fundamental, mas ainda há barreiras na hora de colocar em prática nas escolas brasileiras.
Por conta do histórico colonial e do racismo estrutural, o conhecimento gerado pelos povos indígenas – ao lado de suas contribuições para a História – é frequentemente invisibilizado e estereotipado ao longo do percurso escolar.
Edital Aldear a Educação Básica

Educadores indígenas dos povos Tapeba, Potiguara, Pankará, Pataxó e Guarani Nhandeva estão representados no Edital Aldear a Educação Básica.
Crédito: Fábio Pozzebom/Agência Brasil
Com o objetivo de valorizar propostas desenvolvidas por professores indígenas e não-indígenas em escolas de Norte a Sul do Brasil, o Edital Aldear a Educação Básica joga luz em 11 experiências pedagógicas que tiram do papel a Lei 11.645/08.
Educadores dos povos Tapeba, Potiguara, Pankará, Pataxó e Guarani Nhandeva estão representados na seleção.
A iniciativa é uma realização do Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena (Fneei) e do Instituto Socioambiental (ISA), em parceria técnica com o Instituto Alana e apoio da Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (Anmiga).
Os projetos foram selecionados por especialistas organizados em um Comitê de Avaliação. Nele, estavam representantes do campo da Educação e da sociedade civil, além de movimentos sociais e universidades.
O gestor do Centro de Referências em Educação Integral, Fernando Mendes, integrou o Comitê de Avaliação, ao lado de Daniela Kaingang (Fneei), Paula Menezes (Instituto Alana), Cris Takuá (Museu das Culturas Indígenas), Antonia Terra (Lemad/USP), Edneia Gonçalves (Ação Educativa), Veronica Pinheiro (Associação Selvagem), Aline Scolfaro (Museu da Pessoa), Rinah Souto (Araetá/UFPB), Elie Ganhem (FE-USP), Tatiana Amaral (Sesc), Martinha Mendonça (Escola Municipal Indígena Guarani Para Poty Nhe’ë Ja), Joziléia Kaingang (Anmiga) e Luma Ribeiro Prado, Tatiane Maíra Klein e Roberto Almeida (ISA).
A criatividade e o impacto da proposta foram alguns dos critérios utilizados para avaliar as iniciativas inscritas. Além da valorização da sociodiversidade indígena, enfrentar o racismo contra pessoas indígenas no país também era um dos objetivos do edital.
Leia Mais
Conheça, abaixo, os projetos premiados e seus representantes. Um detalhamento das propostas pedagógicas será disponibilizado no site Mirim.org:
“Raízes da cultura, sementes que contam histórias: as sementes e o artesanato do povo Tapeba” – enviada pela professora Ana Paula da Rocha, do povo Tapeba, da Escola Indígena Aba Tapeba, em Caucaia (CE)
“Encontro Indígena: Cultura, Lutas e Resistência – a experiência do CIEJA Campo Limpo” – enviada pela professora Andressa dos Santos Silva, do CIEJA Campo Limpo, São Paulo (SP)
“Do Território à Sala de Aula: Saberes Indígenas na Educação de Jovens e Adultos” – enviada pelo professor Arley de Araújo Clemente, do povo Potiguara, do Centro Comunitário Indígena/EJA Nordeste, Ceará Mirim (RN)
“Campos do Cristal encontra Anhetenguá: um caminho para aldear o currículo” – enviada pela professora Bruna Moreira da Silva, da Escola Municipal de Ensino Fundamental Campos do Cristal, Porto Alegre (RS)
“Vozes da Floresta: um chamado para um novo amanhã” – enviada pela professora Cristiana Andrade Butel, da Escola Estadual Senador João Bosco, Parintins (AM)
“‘Outro olhar’: um podcast sobre vida e obra de Ailton Krenak e Davi Kopenawa Yanomami” – enviada pelo professor Leonardo Alves da Cunha Carvalho, do Instituto Federal de São Paulo no Campus São Miguel Paulista, São Paulo (SP)
“Povos da Terra: saberes indígenas, ciência e educação para o bem viver” – enviada pela professora Monyque Ferreira Brandão, da Escola Estadual José Domingos da Silveira, Barueri (SP)
“Saberes que conectam na educação infantil: ancestralidade, natureza, memórias e vivências” – enviada pela professora Selma de Souza Sá Silva, do povo Pankará, da Escola Municipal Virgílio Távora, São Paulo (SP)
“Mulheres que tecem a história: biografias de lideranças indígenas femininas” – enviada pela professora Talita Yosioka Collacio, da Escola Municipal Professor João de Barros Pinto, Santo André (SP)
“Ariponã: diálogo intercultural e valorização da cultura pataxó em escolas de Betim, MG” – enviada pela professora Thais Regina Maciel da Silva, do povo Pataxó, da Escola Municipal Aristides José da Silva, Betim (MG);
“Opy em maquete: integrando saberes do povo Guarani M’bya e outras ciências” – enviada pela professora Vilmone Benites Samaniego – Wera Mirim, do povo Guarani Nhandeva, da Aldeia Pira Rupa, da Escola Indígena Pira Rupa na Terra Indígena Massiambu/Palhoça, Palhoça (SC).