publicado dia 23/07/2014

“Acho que todo professor tem de ter alguma coisa de ator, senão ele não terá sucesso”

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“Tenho duas armas para lutar contra o desespero, a tristeza e até a morte:
o riso a cavalo e o galope do sonho. É com isso que enfrento essa dura e fascinante tarefa de viver”, escreveu o dramaturgo, ensaísta, romancista, poeta e professor Ariano Suassuna, morto hoje (23/7) aos 87 anos em decorrência de um acidente vascular cerebral no Recife (PE). Além de uma vasta e diversa obra, o escritor-educador deixa reflexões importantes sobre a cultura brasileira, as imagens do Nordeste e a cultura oral, temas fundamentais para todo e qualquer processo educativo no país.

Suassuna apresenta um Brasil simples no projeto Arte como Missão

Suassuna secretário de cultura em Pernambuco (1994-1998) e Secretário de Assessoria do governador Eduardo Campos até abril de 2014. Foto: Agência Brasil (EBC)

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Célebre mundialmente, Suassuna formou-se em direito e em filosofia, e desde os 17 anos foi professor, sendo que por mais de três décadas atuou como docente na Universidade Federal de Pernambuco. Ele que nunca reprovou seus alunos por faltas e conduzia avaliações que “não eram difíceis”, acreditava que o estudante não deveria frequentar as aulas por obrigação e sim pelo convite à aprendizagem e ao diálogo.

Portanto, de maneira improvisada, resgatando suas inúmeras leituras ao longo da vida, o educador estimulava fortemente seus estudantes a pensarem, debaterem e se entusiasmarem com o aprender. Suas aulas eram conhecidas como espécies de espetáculos, que engajavam o estudante como uma peça de teatro. “Acho que todo professor tem de ter alguma coisa de ator, senão ele não terá sucesso. Sendo somente um expositor de ideias, dificilmente ele chamará a atenção dos estudantes”, explicou em entrevista à revista Nova Escola.

Obra

Imortal da Academia Brasileira de Letras, na cadeira de número 32, cujo patrono era o Barão de Santo Ângelo, Suassuna deixou mais de 30 romances, coletâneas de poesias e peças. Entre elas, O Auto da Compadecida, publicada em 1955, que ganhou versões para o cinema e televisão.

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