publicado dia 06/07/2015

15 filmes nacionais para crianças e adolescentes verem em cada momento do desenvolvimento

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Usar audiovisual na sala de aula é um dos recursos didáticos mais comuns, mesmo em instituições tradicionais. Poucos sabem, mas a exibição de filmes nacionais nas escolas está inclusive prevista na legislação. Em 27 de junho de 2014, um projeto proposto pelo senador Cristovam Buarque transformou-se na lei 13.006. De acordo com o texto, define-se que “a exibição de filmes de produção nacional constituirá componente curricular complementar integrado à  proposta pedagógica da escola, sendo a sua exibição obrigatória por, no mínimo, 2 (duas) horas mensais.”

Mas, para além das determinações legais, a exibição e reflexão sobre filmes com os estudantes pode ser uma ferramenta importante para gerar debates acerca de aspectos relacionados ao seu desenvolvimento integral.

À convite do Centro de Referências em Educação Integral, a pesquisadora Claudia Mogadouro, pesquisadora do Núcleo de Educação e Comunicação da Universidade de São Paulo (USP), escolheu 15 produções nacionais para cada momento do desenvolvimento. O essencial, sempre, afirma Cláudia, é trabalhar o filme a partir de um objetivo, com uma intencionalidade pedagógica clara.

Saiba + “Para trabalhar o cinema, é preciso intencionalidade”, afirma pesquisadora.

Para Cláudia, a exibição de produções nacionais nas escolas também é essencial para o próprio cinema produzido no Brasil. Ela afirma que, devido a leis de incentivo, a quantidade de obras nacionais aumentou muito nos últimos 20 anos. “Essas política públicas garantem a produção, mas não a exibição. Resultado: todos nós contribuímos para que os filmes sejam realizados, mas as chances de assisti-los são mínimas, pois ficam em cartaz pouquíssimo tempo”.

Confira a lista e as resenhas feitas pela especialista, com indicações de acordo com as diferentes etapas do desenvolvimento integral:

1. O Menino e o mundo

A premiadíssima animação de Alê Abreu traz elementos estéticos muito diferentes do que as crianças e jovens estão acostumados. Trata-se de um trabalho quase artesanal e por isso pode até causar certo estranhamento, porém é também uma experiência muito inspiradora quer seja pela música e trilha sonora (porque os sons do filme são fundamentais), quer seja pela visualidade. Como poucas obras, é um filme importante para todas as idades, pois há muitas camadas de leituras possíveis. Para crianças pequenas, pode ser uma experiência estética inédita. À medida que aumenta a idade do espectador, mais elementos da densidade dramática podem ser compreendidos. Fundamental para educadores (pais e professores), pois trata com sensibilidade como uma criança vê e sente o mundo dos adultos.

 

EDUCAÇÃO INFANTIL

2. Turma da Mônica – Uma aventura no tempo

No 10º filme realizado por Maurício de Souza com a Turma da Mônica, é possível acompanhar muitas aventuras dos personagens Mônica, Cebolinha, Magali, Cascão e Franjinha em tempos diferentes da História. Tudo começa com uma acidentada experiência de Franjinha, que pretende juntar os quatro elementos da Terra – fogo, ar, água e terra – para fazer uma viagem no tempo.


3. O grilo feliz

Outro belo desenho animado, muito elaborado foi O Grilo Feliz, com direção do publicitário Rafel Walbercy Ribas. O personagem do grilo apareceu primeiramente em um comercial da Sharp nos anos 1980. O filme demorou 20 anos pra ficar pronto, estreando nos cinemas em 2001. Em 2009, a mesma equipe lançou a continuação no filme O Grilo Feliz e os Insetos Gigantes. As duas produções foram lançadas em DVD. Na página oficial do filme há diversas atividades educativas, além de trailer dos filmes e o making of.


4. Tainá 3 – A Origem

O filme conta o início da saga de Tainá, já conhecida de muitas crianças a partir de Tainá – uma Aventura na Amazônia e Tainá 2 – A Aventura Continua. Nessa produção, as crianças acompanharão a origem da personagem, independente de já terem assistido ou não aos outros filmes. O cenário é a Amazônia e os temas da preservação ambiental, diversidade e consumo consciente estão muito presentes. Outra questão importante é o despertar para a cultura indígena: lendas, hábitos e modos de viver e brincar (inclusive com as novas tecnologias).


5. As aventuras do avião vermelho

A animação dirigida por Frederico Pinto e José Maia é uma adaptação da obra infantil de mesmo nome, escrita por Érico Veríssimo. Fernandinho é um menino de 8 anos muito levado, que gostaria de ter mais atenção do pai. Ele é solitário e não se sente à vontade na escola. O pai tenta agradá-lo com presentes, mas não acerta. Até que ele tem ideia de lhe dar um livro de sua infância. Encantado com a história, Fernandinho decide que precisa de um avião para salvar o Capitão Tormenta – aviador personagem do livro, que está preso no Kamchatka. A bordo do Avião Vermelho e junto com seus brinquedos favoritos, Fernandinho visita lugares inusitados e percorre vários lugares no mundo.
Ao longo dessa jornada, ele descobre o prazer da leitura, a importância de ter amigos e o amor do pai. Não só o enredo estimula o hábito de ler, mas também o fato de ser uma adaptação literária.

 

EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL I e 2

6. Eu e meu guarda-chuva

Essa obra de Toni Vanzolini é uma criativa produção que permite reflexões sobre sentimentos profundos, de forma lúdica. Desde o início do filme sabe-se que o garoto Eugênio, de 11 anos, está muito triste com o falecimento recente de seu avô, de quem era muito próximo. A insegurança se acentua com o fato de ser o último dia de férias e ele, com seus melhores amigos, Frida e Cebola, passarão a estudar em um prédio muito antigo, carregado de histórias assustadoras. Resolvem, como última aventura de férias, explorar o cenário da nova escola,“assombrada” pelo fantasma do Barão de Von Staffen. O filme pode provocar debates que relacionem a história do filme às memórias das crianças. Elas podem discutir como superaram seus medos, como se apoiavam em seus objetos prediletos ou como se sentiam mais seguras para enfrentar as dificuldades.


7. 
Corda bamba, a história de uma menina equilibrista

Dirigido por Eduardo Goldenstein, é inspirado no livro “Corda Bamba”, de Lygia Bojunga. Maria é uma menina de 10 anos que nasceu no circo, filha de equilibristas, e que precisa lidar com uma difícil passagem em sua vida. Ela vai morar com a avó, na cidade, e não consegue lembrar de seu passado. Da janela do seu quarto, Maria atravessa sobre uma corda bamba para a dimensão do imaginário, onde irá recuperar sua memória e encontrar a possibilidade de seguir adiante. Filme muito sensível, com alguns lances de humor, mas também de drama. Fala de perdas e de traumas, com linguagem muito acessível às crianças e com plasticidade primorosa.


8
O menino no espelho

O filme, dirigido por Guilherme Fiúza Zenha, é outra adaptação literária, desta vez da obra homônima de Fernando Sabino. A história se passa em Belo Horizonte, em 1930. Fernando é um garoto muito levado, que está cansado de fazer as coisas chatas da vida. Em certo dia, o seu reflexo no espelho se solta e ele pode atribuir ao sósia as tarefas chatas, ficando apenas com a parte boa da vida. O fato de ser baseado em uma obra literária já é um bom motivo para que os educadores exibam o filme, porque sempre inspira a leitura. No caso de Fernando Sabino, pode inspirar o conhecimento de muitos dos seus livros infanto-juvenis. É interessante também que as crianças conheçam a representação do tempo de seus bisavós, o que pode desencadear pesquisas sobre como era a vida das crianças naquela época.

 

EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL II e ENSINO MÉDIO

9. O segredo dos diamantes

Helvécio Ratton, que dirigiu este filme, é um diretor com muita sensibilidade para obras infanto-juvenis, como foi o caso de A Dança dos Bonecos (1986), Menino Maluquinho: O Filme (1995) e Pequenas Histórias (2007). Dirigiu também o ótimo Uma Onda no Ar (2002), que se dirige mais ao público adolescente. Seus filmes sempre se passam em Minas Gerais, o que é um atrativo particular para educadores, uma vez que a cultura televisiva, em geral, gira no eixo Rio-São Paulo. Em seu mais recente filme O Segredo dos Diamantes, ele narra uma história de suspense, um pouco no clima de Harry Potter. O protagonista é Ângelo, que tem 14 anos, descobre uma antiga lenda sobre diamantes perdidos e resolve desvendar o enigma em torno dessa história, na companhia de seus amigos Júlia e Carlinhos.  O vilão da história é interpretado pelo ótimo ator Rui Rezende. O cenário das cidades históricas de Minas merecem destaque.


Adolescência

Há muitos bons filmes brasileiros que abordam dilemas da adolescência e que contribuem para o debate sobre o que é ser jovem no Brasil atual.

As inseguranças próprias da idade somadas à precocidade das relações sexuais, a ansiedade e aceleração do tempo com a cultura digital, o consumismo e a presença das drogas na sociedade, enfim, há muitos aspectos que nos mostram uma distância muito grande entre a juventude atual e a geração dos educadores.

A chamada “era da informação” muitas vezes dá aos adultos a falsa impressão de que os adolescentes de hoje “sabem tudo”, o que pode provocar sérios equívocos, pois há questões dessa faixa etária que são universais e atemporais. É o que podemos ver nos filmes que não são apenas      protagonizados por adolescentes, mas narrados por eles, o que nos permite ouvir sua voz e, não raro, seu pedido de ajuda.

Os filmes listados abaixo filmes trazem os dilemas da adolescência, tratados, ao mesmo tempo, com humor e dramaticidade. Os realizadores, muito sérios em suas pesquisas prévias, souberam representar os adolescentes com delicadeza e seriedade, fugindo dos estereótipos de “jovem de sucesso”, normalmente apresentados nas produções televisivas e na publicidade.  É muito importante que educadores conheçam esses filmes que têm agradado ao público jovem, o que demonstra que eles desejam refletir sobre eles mesmos.


10. Houve uma vez dois verões

É o primeiro longa-metragem de Jorge Furtado, produzido em 2002 pela Casa de Cinema de Porto Alegre. A história é de Chico e Juca, dois amigos, com aproximadamente 16 anos, cujas famílias não têm recursos para financiar férias na praia em alta temporada. Só lhes resta, então, tentar se divertir na primeira quinzena de março, em uma praia quase deserta. As poucas garotas interessantes parecem já ter namorado e a chance deles conseguirem perder a virgindade parece remota. Eis que uma garota bonita e descolada parece cair do céu e transa com Chico, deixando-o completamente apaixonado. A garota desaparece e o procura um mês depois, informando que está grávida. Muitas idas e vindas acontecem, prevalecendo o olhar apaixonado de Chico para uma garota com todos os       indícios de ser uma golpista, apesar dos avisos de seu hilário amigo Juca. Romantismo, fliperama, provas da escola, ingenuidade, garotas idealizadas e discussões sobre iniciação   sexual recheiam esse filme aparentemente despretensioso. Mas é na simplicidade, tanto na trama como nos recursos de filmagem, que residem a riqueza da obra.


11. Antes que o mundo acabe

É o primeiro longa em que Ana Luíza Azevedo assina a direção, embora já tivesse seu nome bastante conhecido como co-roteirista e assistente de direção, principalmente ao   lado de Jorge Furtado. Neste filme, a narradora é uma criança, a irmã mais nova de Daniel – o protagonista de 15 anos de idade. A trama se passa em uma cidadezinha do interior do Rio Grande do Sul, com muitas bicicletas, onde a vida é aparentemente muito previsível. Eis que Daniel vê seu chão se abrir quando começa a receber cartas de seu pai, que nunca conheceu. Daniel se vê obrigado a lidar com sentimentos que estavam sufocados, ligados à rejeição desse pai que agora insiste em reaparecer por meio de cartas misteriosas. Soma-se a essa novidade: a indecisão da namorada, problemas com seu melhor amigo e a iminência de ter que continuar os estudos em uma cidade maior. Em meio a todas essas questões, ele será chamado a realizar suas primeiras escolhas adultas e descobrir que o mundo é muito maior do que ele pensa. O filme é uma adaptação do livro homônimo de Marcelo Carneiro da Cunha. Abordagem delicada e bem humorada de valores ligados à família, namoro, amizade e da insegurança do futuro.


12. As melhores coisas do mundo

Esse é o terceiro longa dos premiados cineastas Laís Bodanzky e Luiz Bolognesi. É inspirado nos livros da série Mano, de Gilberto Dimenstein e Heloísa Prieto. O protagonista é Mano, 15 anos, que sonha em tocar guitarra para agradar as meninas, e deseja a garota mais “gostosa” da escola, circula de bicicleta pela cidade e vai na onda da turma, tentando ser “popular”. A separação dos pais o coloca em situações difíceis,        sobre as quais ele desabafa com sua melhor amiga Carol. Seu irmão mais velho, Pedro, é uma importante referência em sua vida, porém, durante a crise familiar, revela maior       fragilidade que Mano. Os adultos são de carne e osso, isto é, também têm dúvidas sobre suas opções, nem sempre dão conta de compreender o que se passa com seus filhos, nem sempre são coerentes. Uma instância formadora privilegiada na trama é o professor de violão de Mano, que é sensível às suas dores e o desafia no aprendizado musical como fortalecimento de sua personalidade. O amadurecimento de Mano é simbolizado pela cena inicial – em que ele se imagina tocando guitarra e sendo aclamado por uma multidão – e a cena final. A cultura digital é bastante presente, mas nem sempre de forma positiva.


13.
Hoje eu quero voltar sozinho

O longa metragem de Daniel Ribeiro estreou em 2014 e obteve êxito nas bilheterias, justamente por trazer uma abordagem muito leve e criativa. A classificação indicativa do filme é de 12 anos. O despertar da sexualidade é tratado com muita naturalidade entre os adolescentes, mas com duas  variantes que não são vistas comumente: o protagonista        Léo é cego começa a gostar de Gabriel, um aluno que chegou há pouco tempo do interior. O mediador deve proporcionar que os estudantes se expressem espontaneamente. O tema da homossexualidade pode trazer nervosismo e, com isso, piadas de mau gosto. Sem reprimi-las, sugere-se que as aproveite para discutir a homofobia em nossa cultura. O filme também trata do desejo de autonomia em relação aos pais, o que é comum entre os adolescentes. Mas a deficiência visual de Léo potencializa esse problema, dando a oportunidade de se discutir a relativa e  crescente autonomia que os adolescentes vão conquistando à medida que amadurecem.


14. Uma história de amor e fúria

Na animação premiadíssima, dirigida por Luiz Bolognesi, há uma história de amor entre um herói imortal e Janaína, a mulher por quem é apaixonado há 600 anos. O herói assume vários personagens, mas seu espírito de luta permanece o mesmo, especialmente porque seu amor o alimenta.

O filme conta 4 episódios de momentos diferentes da História do Brasil, contados a partir do ponto de vista dos vencidos. Três deles são reais: a guerra entre Tupiniquins e Tupinambás, no início da colonização portuguesa, em 1565; a revolta ocorrida no Maranhão, conhecida como Balaiada, em 1825 e a guerrilha urbana, no período da ditadura militar, em 1968. O quarto episódio é uma projeção do futuro, em 2096.

Com base na mitologia indígena, o herói foi escolhido para ser imortal e lutar eternamente contra Anhangá – o signo da morte e da destruição. Janaína morre e renasce em cada episódio. O filme mostra a violência que se tornou intrínseca na sociedade brasileira, mas também o amor que mantém acesa a chama da luta política e o desejo de transformação.


15. Bicho de sete cabeças

A estreia da diretora Laís Bodankzy, com roteiro de Luiz Bolognesi, é de 2001, mas ainda é bastante atual e causa sempre muito impacto nos espectadores. Rodrigo Santoro, em ótima atuação, interpreta Neto, um adolescente de classe média baixa que levava uma vida “normal” até o dia em que seu pai, interpretado por Othon Bastos, encontra um cigarro de maconha no bolso do seu casaco. O pai o interna em um hospital psiquiátrico, onde Neto viverá um verdadeiro inferno. As transformações pelas quais ele passa alteram completamente sua relação com o pai. É um filme sobre o emudecimento das relações familiares. O filme, entre outros temas, pode desencadear uma discussão sobre a loucura, a exclusão e dependência química (inclusive de drogas consideradas lícitas).

 

Como as crianças vivem momentos de efervescência política? Como vivem o acirramento da luta de classes? Como elaboram o luto, as perdas e o abandono? Ou a separação de seus pais? Como elas experimentam a pobreza e as mazelas do mundo?

Quando pensamos em filmes com crianças, não vem à nossa cabeça realidades adversas e complexas, mas o cinema tem se dedicado bastante em construir um olhar infantil sobre situações permeadas pelo sofrimento.

E se a realidade vivida é difícil de suportar, maior a necessidade de substituí-la por outra mais lúdica e poética, o que as crianças fazem melhor do que ninguém.

O privilégio da infância é podermos transitar livremente entre a magia da vida e os mingaus de aveia, entre um medo desmesurado e uma alegria sem limites (…) Eu sentia dificuldade para distinguir entre o que era imaginado e o que era real”, escreveu o cineasta sueco Ingmar Bergman.

Centro de Referências em Educação Integral preparou uma seleção de produções, de diversos países, que registram histórias nas quais diversos acontecimentos – da separação dos pais a eventos históricos trágicos, passando por situações de vulnerabilidade social e o luto – são protagonizadas por crianças.

Confira abaixo:

#1. A culpa é do Fidel (Julie Gravas, França, 2007)

Classificação indicativa: livre

Anna, 9 anos, leva uma vida tranquila e de “princesa” ao lado dos pais e do irmãozinho, em Paris, na década de 1970. A vida da família é alterada pela chegada de uma tia de Anna, acompanhada de sua filha, exiladas da Espanha pela ditadura franquista após o desaparecimento de seu companheiro.

Os pais de Anna decidem dedicar-se mais ativamente à militância e mudam-se para um pequeno apartamento. A mãe passa a escrever um livro sobre o direito ao aborto, enquanto o pai busca apoio ao governo chileno de Salvador Allende, no Chile. Obrigada a deixar a casa e a rotina da qual tanto gostava, Anna se vê cercada de militantes, os “barbudos”, e busca entender e se a adaptar – a contragosto – à nova realidade.

#2. Pelos olhos de Maisie (Scott McGehee e David Siegel, EUA, 2012).

Classificação indicativa: 12 anos

Como uma criança de 7 anos vive a separação dos pais? Como entende a nova dinâmica familiar e as disputas entre os progenitores? Esse é o pano de fundo de Pelos olhos de Maisie, que conta a história sob o ponto de vista da menina disputada por uma mãe cantora de rock e um pai absorvido pelo trabalho.

Apesar de contar com todos recursos financeiros e educacionais, Maisie se sente só e busca construir laços afetivos com outros adultos presentes em sua vida.

#3. Minha vida de cachorro (Lasse Hallström, Suécia, 1985)

Classificação indicativa: livre

Ingemar é um menino inquieto de 12 anos que mora com o irmão mais velho, a mãe, e sua cachorrinha Sickan, sua grande companheira. Sozinha, cansada e doente, a mãe envia os filhos para um temporada com os tios, para que ela possa tentar se recuperar. Ingemar é mandado ao interior da Suécia, onde é bem recebido pelo tio Gunnar.

Ali, conhece novos amigos e se insere aos poucos na pequena comunidade, ao passo que precisa lidar com a morte iminente da mãe, com a ausência da cachorrinha e ainda entender o complexo mundo dos adultos. O filme ganhou o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e foi indicado aos Oscar de Direção e Roteiro.

#4. Machuca (Andrés Wood, Chile, 2004)

Classificação indicativa: 12 anos

passagem da infância para a adolescência também se faz presente em Machuca, sobrenome de um dos dois personagens que protagonizam o filme chileno. Gonzalo, loiro, branco e de uma família abastada, torna-se amigo de Pedro, garoto pobre, de origem indígena e morador da periferia de Santiago.

Os dois garotos se conhecem na escola, dirigida por um padre progressista que, no Chile do início da década de 1970, decide colocar estudantes de baixa renda dentro da instituição. Conforme a situação política do país se complexifica e a luta de classes se acirra, os diferentes universos de Gonzalo e Pedro começam a perder as pontes possíveis, em meio a transição violenta do governo de Salvador Allende para a ditadura de Augusto Pinochet.

#5. Infância clandestina (Benjamín Ávila, Argentina, 2012)

Classificação indicativa: 14 anos

A temática da ditadura militar e de pais militantes aparece novamente na produção argentina, baseada na vida e na experiência do próprio diretor. Juan, um menino com cerca de 12 anos, vive na clandestinidade junto com os pais e o tio, militantes montoneros.

Para fora de casa, Juan tem outra identidade, Ernesto, e precisa esconder quem realmente é – assim como ocultar as atividades políticas de seus familiares – de seus novos colegas da escola, incluindo a menina por quem se apaixona. Outra produção argentina que também aborda o olhar infantil sobre a ditadura é Kamchatka, de 2002. No Brasil, O ano em que meus pais saíram de férias tem um enredo semelhante.

#6. Filhos do Paraíso (Majid Majidi, Irã, 1998)

Classificação indicativa: livre

Ali, um garoto de 9 anos de uma família pobre leva os sapatos de sua irmã para consertar, mas acaba por perdê-los no caminho de casa. Sabendo que os pais não têm dinheiro para comprar outro, ele e a irmã mais nova passam a compartilhar o tênis do menino, o que fazem escondido e com muitos sacrifícios e artimanhas.

Para tentar resolver o problema, o garoto se inscreve em uma corrida infantil, cujo prêmio para o terceiro colocado é um novo par de sapatos. O filme foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.

#7. O garoto da bicicleta (Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne, Bélgica, 2011)

Classificação indicativa: 14 anos

Cyril, um garoto de 11 anos é deixado pelo pai em um orfanato.  No início, ele acredita que o pai irá voltar para buscá-lo, mas, depois, decide tomar a iniciativa e procurá-lo. O menino conhece por acaso uma cabeleireira, que compra a sua bicicleta de volta.

A pedido do menino, ela permite que ele viva com ela nos finais de semana. Juntos, Samantha e Cyril tentam encontrar o pai, mas ele não quer mais ver o menino e pede que Samantha o adote.

#8. O Tambor (Volker Schlöndorff, Alemanha, 1979)

Classificação indicativa: 16 anos

O filme – baseado na obra do Nobel de Literatura Günter Grass, que ajudou no roteiro – ganhou diversos prêmios, como o Oscar de Filme Estrangeiro e a Palma de Ouro em Cannes, título que dividiu com Apocalipse Now, em 1979.

O protagonista ganha um tambor aos 3 anos, idade na qual decide permanecer para sempre, como “um gnomo”, recusando-se a crescer. Anos depois, ainda com alma de menino, Oskar vive a ascensão do nazismo e expressa o mal-estar por meio do rufar do tambor e de seus gritos.

#9. A língua das mariposas (José Luis Cuerda, Espanha, 1999)

Classificação indicativa: 16 anos

O filme, baseado em três contos do escritor Manuel Rivas, conta a história de Moncho, um menino de 7 anos que morre de medo de ir à escola por acreditar que ali será duramente reprimido por seus professores.

Por sorte, Moncho tem como docente a Don Gregorio, já idoso e próximo a se aposentar, por quem o garoto se encanta, passando a se envolver e a desfrutar da escola. Às vésperas da Guerra Civil Espanhola, o menino também passa a viver a intensidade política do momento, que impacta suas relações pessoais, incluindo sua amizade com Don Gregorio.

#10. Indomável Sonhadora (Benh Zeitlin, EUA, 2013)

Classificação indicativa: 10 anos

O filme mostra uma realidade diferente da que estamos acostumados a ver em produções norte-americanas: a vulnerabilidade social presente nos estados do sul do país.

Hushpuppy é uma menina que vive com seu pai doente em uma comunidade pobre do estado da Louisiana, em meio a um lugar pantanoso, afetado por enchentes e desastres naturais – em uma alusão aos impactos do Katrina nessa região do país. Quando uma forte tempestade atinge o povoado, a menina recorre à fantasia e busca encontrar a sua mãe desaparecida e curar o pai.

#11. Persépolis (Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud, França, 2007)

Classificação indicativa: 12 anos

A premiada animação está baseada na autobiografia da iraniana Marjane Satrapi, escrita no formato HQ. O filme retrata sua vida até seus vinte pouco anos, detendo-se por um tempo em sua infância, que coincidiu com o período das movimentações populares que levaram à queda do Xá Reza Pahlavi, em 1979, e a subida ao poder dos líderes xiitas.

Marjane relembra os impactos das transformações sociais na vida de sua família, formada por intelectuais de esquerda, o que culminou com a decisão de seus pais de enviá-la para a Europa.

#12. Cría Cuervos (Carlos Saura, Espanha, 1976)

Classificação indicativa: indisponível.

A temática da morte, do luto e como ele é vivido pelas crianças está presente nessa obra de Carlos Saura, na qual a pequena Ana procura compreender as razões do falecimento de sua mãe e seu pai, em um curto espaço de tempo.

Ela recorre à fantasia para explicar as perdas e passa a acreditar ter poder sobre a vida e a morte das pessoas a sua volta. A menina passa a viver com uma tia e receber uma educação rígida, em um contexto de uma Espanha que chegava ao fim da ditadura franquista. Ela narra suas lembranças vinte anos após as cenas retratadas, criando um diálogo entre as recordações infantis e a vida adulta.

#13. Fanny e Alexander (Ingmar Bergman, Suécia, 1982)

Classificação indicativa: 14 anos

A história do clássico de Ingmar Bergman se passa no início do século 20, na cidade sueca de Uppsala, e reflete um pouco da própria infância do cineasta. Após uma festa de Natal, o pai dos irmãos Fanny e Alexander passa mal e falece. A mãe das crianças decide casar-se de novo com um rigoroso bispo que se torna o padrasto das crianças.

Elas vivenciam uma abrupta mudança: de um lar afetuoso, cercado pelas artes e pelo teatro, para uma residência sombria, com regras rígidas. Os irmãos não têm acesso a livros, brinquedos e Alexander passa a fantasiar com o fantasma do pai e também com os da ex-esposa e filhas do padrasto. Conforme a mãe toma consciência da real personalidade do novo marido e de quanto os seus filhos sofrem, passa a planejar uma maneira de levá-los de volta à casa da avó.

#14. Túmulo dos Vagalumes (Isao Takahata, Japão, 1988)

Classificação indicativa: indisponível.

Discutivelmente a grande obra de Isao Takahata, sócio do lendário Hayao Miyazaki no Estúdio Ghibli, a animação de 1988 é também possivelmente um dos filmes mais tristes – e estranhamente bonitos – já produzidos.

Ele narra os esforços e a luta pela sobrevivência do menino Seita e sua irmã Setsuko, de quatros anos durante os firebombings que o país sofreu durante a II Guerra Mundial e que causaram entre 200 e 900 mil mortes de civis. Isolados do mundo adulto, em um abrigo construído por eles que é pleno de sentido e carregado de dificuldades, eles enfrentam a tragédia, a morte, a fome, a violência e a indiferença, revelando momentos de solidariedade, cuidado, beleza e amor.

#15.  Onde vivem os os monstros (Spike Jonze, EUA, 2009)

Classificação indicativa: 10 anos

Em 1963, Maurice Sendak lança um livro de 338 palavras sobre um menino chamado Max, que ao ser repreendido pela mãe, vê seu quarto transformado numa floresta mágica. Ao chegar lá, domina os monstros e se torna rei. Sentindo-se sozinho, volta para casa onde uma janta o espera. O livro, rejeitado por professores e livreiros, causava enorme fascinação nas crianças e acabou por vender quase 20 milhões de cópias ao redor do mundo.

Não à toa: nele estão representados diversas fases e emoções do desenvolvimento infantil, da raiva ao luto, da imaginação à tirania. Essas mesmas 383 palavras viraram um longa-metragem – muito mais indicado para adultos – que olha mais detidamente sobre a jornada de Max neste lugar assustador, escondido, próximo e familiar no qual vivem os – nossos, de todos – monstros.

#16. Bom dia (Yasujiro Ozu, Japão, 1959)

Classificação indicativa: indisponível

Um dos maiores cineastas do Japão, Ozu ficou marcado por usar um ponto de vista do nível do chão (tatame) ao filmar planos internos. A escolha estética faz ainda mais sentido quando em um filme como Bom dia, um dos últimos do diretor, que retrata a batalha de duas crianças – que fazem uma greve de silêncio – para conseguir um televisor em um Japão em franca industrialização e ocidentalização no pós-Guerra.

O enredo, aparentemente trivial, revela os choques entre tradição-modernidade, mundo adulto-infância e ocidente-oriente. Um especialista em extrair tudo que há de mais humano e universal na rotina, Ozu traz neste filme um retrato bem-humorado da rebeldia infantil, da vida escolar e dos desafios de um país em reconstrução.

#17. A viagem de Chihiro (Hayao Miyazaki, Japão, 2001)

Classificação indicativa: livre

Vencedor do Oscar de melhor animação em 2003 (o qual Miyazaki não foi receber em protesto à Guerra do Iraque), o filme retrata a jornada de Chihiro, uma menina de dez anos, em um mundo fantástico, no qual ela se vê presa após os pais serem transformados em porcos enquanto mudavam de cidade, deixando seus amigos e rotina para trás.

Lá, ela deve vencer as artimanhas de uma bruxa para voltar ao seu mundo. Maravilhosamente ilustrado pelos animadores do Estúdio Ghibli, A Viagem de Chihiro é também o testamento do percurso sensível da protagonista por um universo estranho e pouco familiar, que todos somos forçados a encarar: o fim da infância.

#18. Kes (Ken Loach, 1969)

Classificação indicativa: indisponível

Morando com a mãe e com um irmão abusivo, o garoto Billy Kasper é estigmatizado pela escola e pelo mundo em que vive, nos arredores da região mineira de York, um local característico da classe operária inglesa em declínio. Desinteressado pelas matérias da escola, Billy descobre um interesse pela falcoaria, começa a estudar o tema e logo captura e domestica um falcão.

Um dos primeiros filmes de Ken Loach, um diretor consagrado por retratar as lutas sociais e os desafios das populações mais vulneráveis, Kes apresenta um enfoque próximo e afetivo da vida de um menino remando contra o mundo, movido pela curiosidade, pela inventividade e pela simples necessidade de sobreviver e dar sentido à sua vida, em meio a tudo que lhe agride.

#19. O Contador de histórias (Luiz Villaça, Brasil, 2006)

Classificação indicativa: 10 anos

O filme é uma biografia de Roberto Carlos Ramos. O filme se passa na década de 1970,  na cidade de Belo Horizonte. Então um garoto, Roberto vive com a mãe e nove irmãos em uma favela e acaba indo para a Febem, antigo nome da Fundação Casa.

Entre a rua a instituição, o menino vai sobrevivendo de pequenos delitos e se torna usuário de drogas. Na rua, conhece a pedagoga francesa Margherit Duvas que decide adotar Roberto, o alfabetiza e o leva à França, onde tem a oportunidade de continuar os estudos. Anos depois, Roberto retorna à Febem, mas como professor, para educar aos internos.

#20. Meu pé de laranja lima (Marcos Bernstein, Brasil, 2012).

Classificação indicativa: 10 anos

Baseado no livro de mesmo nome que atravessa gerações de brasileiros, o filme conta a história de Zezé, um menino inquieto, que vive em uma família muito pobre no interior de MG, com um pai desempregado e alcoólatra e uma mãe que se esforça para manter a casa.

Por conta de suas travessuras, Zezé é constantemente submetido a castigos e privações. Solitário, Zezé brinca no quintal e encontra companhia em um pé de laranja lima, o qual apelida de Minguinho. Em uma de suas confusões, acaba brigando com o Portuga, um senhor que vive nas redondezas. Aos poucos, o menino e o velho vão deixando a rivalidade de lado, tornam-se amigos e compartilham histórias do mundo de fantasias de Zezé. 

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