MC² High School (EUA) proporciona vivência no mundo do trabalho e projetos transdisciplinares

Publicado dia 20/01/2015

O contexto vivenciado pelas crianças e adolescentes do município de Cleveland, nos Estados Unidos, é crítico: 54% vêm de famílias que estão em situação de pobreza e a taxa de mortalidade é de 14.1 por mil nascidos (a média nacional é de 6.1). Além disso, 10% dos adolescentes de 16 a 19 anos estão fora da escola, segundo o centro de dados Kids Count.

No entanto, uma escola de ensino médio vem destoando desse panorama, oferecendo educação de qualidade e apoiando jovens a trilhar seu próprio caminho rumo à fase adulta. A apresentação da MC² STEM High School, em seu site, não poderia ser mais adequada: “Não somos sua tradicional escola de ensino médio”

Criada em 2008 e com parcerias com empresas e órgãos públicos, a escola aposta no ensino baseado em projetos e em estágios fora da instituição para dar significado aos conteúdos e estabelecer conexões com o mundo exterior.

Para enfatizar essa ligação, a escola mantém três campus divididos por séries e vinculados a diferentes instituições. O primeiro ano do ensino médio está alocado no centro de ciências do município, que combina museu e atividades educativas; a série seguinte está instalada na sede da empresa General Eletric (GE); e os anos finais frequentam o campus da universidade estadual. Assim, os alunos utilizam espaços desses equipamentos e contam com apoio de seus profissionais no processo de aprendizagem.

Olhar amplo e exigente

O trabalho da escola MC² está baseado em projetos transdisciplinares, experiências fora da escola, corpo docente qualificado, na importância da cidadania e na ideia de que, ao mesmo tempo que o aluno deva ser desafiado, ele deve ser devidamente apoiado. A instituição aposta também em diferentes formas de avaliação que buscam constatar o sucesso e o domínio de conhecimentos pelos estudantes, bem como o envolvimento deles em grupo e a capacidade que têm de se engajarem com o conhecimento.

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

O ciclo de estudos na escola é de dez semanas, intercaladas por três de recesso. O período letivo corresponde ao da execução de um projeto, cuja temática se relaciona com sustentabilidade e energia, devendo sempre ter relevância para a sociedade. Para a realização, são formados grupos de quatro estudantes, que assumem diferentes papeis no decorrer do processo.

Por meio da transdisciplinariedade, a escola espera que os estudantes dominem as habilidades de leitura, escrita, apresentação, observação, escuta e fala. Além de trabalho em grupo, invenção, investigação e design. Em diálogo com a equipe e parceiros, a estrutura de estudo para os projetos é pensada para responder às exigências curriculares do estado.

A avaliação para atestar que os estudantes obtiveram as habilidades e conhecimentos necessários são diversificadas. Para os dois anos iniciais, a escola abriu mão do tradicional sistema de notas que vai do A ao F e optou por um sistema de maestria, que avalia o domínio do conteúdo. Para atingir a maestria, o aluno deve atingir ao menos 90% de sucesso nas tarefas de referência.

“Ao exigir que todos os alunos atinjam esse padrão, a escola também diz acredita que cada um é capaz de atingi-lo e isso obriga a escola a fornecer ferramentas e apoio para que eles tenham sucesso”, explica o site da instituição. Este apoio significa um constante feedback dos educadores aos alunos sobre seus pontos fracos, transparência em relação às expectativas e a possibilidade de diferentes maneiras pelas quais os jovens podem demonstrar a competência, para além da resposta a testes padronizados. A escola prevê também que haja uma tutoria que pode ser realizada por professores ou por voluntários das instituições parceiras.

Experiência fora da escola

Ao longo dos quatro anos do ensino médio, a MC² High School proporciona vivências e aprendizados fora do ambiente escolar. A cada série as oportunidades são diversas: atividades no centro de pesquisa da Nasa (a agência espacial estadunidense); experiências e tutoria na GE, com participação nas atividades da empresa; e estágios, que devem dialogar com o currículo do estudantes e ter supervisão da empresa e acompanhamento dos docentes da escola.

Todos os estudantes, independentemente do ano, possuem a oportunidade de frequentar aulas de nível universitário nas faculdades parceiras. O único requisito é que estejam academicamente aptos e demonstrem interesse pelo tema.

Com essas experiências, a escola espera que os alunos vejam a importância dos conteúdos da sala de aula e também busca preparar os jovens para suas futuras carreiras. “Pesquisas apontam os potenciais benefícios de experiências do mundo real no aumento do engajamento do estudante e no apoio para fazer a escola mais relevante para a vida dos alunos”, aponta a instituição.

Principais resultados

Como consequência deste trabalho, a MC² High School tem se destacado entre as escolas da cidade. Dados do site Edutopia revelam que 95% dos estudantes que ingressam na escola finalizam seus estudos, enquanto no município a média é de 60%.

 

 

Escolas de ciências ²  As chamadas “STEM (Science, Technology, Engineering, Mathematics) High School” dos Estados Unidos são escolas que o currículo é focado em ciência, tecnologia e matemática.

Juventude e ensino médio: sujeitos e currículos em diálogo