Escola pública de tempo integral em Goiás promove desafios de robótica durante a pandemia

Publicado dia 16/09/2020

Usando palitos de picolé, copos descartáveis, drives de DVD e motores de liquidificadores quebrados, estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental e do 1º ano do Ensino Médio construíram seus próprios robôs em casa, durante a pandemia.

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A iniciativa partiu de Adriano Fonseca, da Superintendência de Educação Integral de Goiás, que publica semanalmente desafios de robótica em seu Instagram para motivar os jovens a continuarem aprendendo. 

Os professores Ícaro Felipe e Késia de Souza Cruz, responsáveis pela disciplina eletiva de Robótica Educacional na CEPI Gomes De Souza Ramos, em Anápolis (GO), se inspiraram nas postagens e convidaram seus estudantes a se arriscarem. 

“Nós combinamos um horário para nos encontrarmos online e discutir como realizar o desafio. E na robótica, nós temos um combinado: o professor é mediador, e quem resolve os problemas, toma as rédeas e cria são os estudantes. Isso é importante porque começa pequeno, com eles decidindo sozinhos qual peça usar, e aos poucos vão vendo que podem decidir também o futuro deles”, explica Késia.

Jornada Apolinário montou um robô pela primeira vez.

Como um kit de robótica costuma ser caro, os desafios foram feitos com materiais alternativos, facilmente encontrados em casa: uma solução útil para o momento da pandemia, mas também um compromisso com a sustentabilidade. “Não é só reciclar latinha e papel, mas os eletrônicos também”, diz a professora.

As atividades tiveram início ainda no primeiro semestre, com a participação de 23 alunos que se interessaram pela proposta. Quando concluíam seus projetos, o resultado era publicado no Instagram da turma, um motivo a mais para caprichar no robô. “As postagens circularam muito, e as famílias ficaram especialmente orgulhosas, vendo os filhos criando coisas incríveis.”, conta Késia.

Jordana Apolinário, 15 anos, relata que montou um robô pela primeira vez graças aos desafios. “Eu não sabia muito bem como ele iria funcionar, porque eu não usei os materiais exatos que pediam lá, fui adaptando com o que eu tinha. Mas ele funcionou bem, e eu gostei do resultado.”

A continuação do projeto

No segundo semestre, a professora Késia, agora ao lado do docente Victor Perícoli, decidiu trabalhar programação com os estudantes, por meio da plataforma gratuita code.org, que oferece certificados internacionais. “A BNCC fala que precisa desenvolver pensamento computacional, porque vivemos em um mundo programável apesar de não conhecermos essa linguagem”, afirma a docente.

O objetivo é que até o final do ano os estudantes desenvolvam um aplicativo e participem de uma competição de programação que acontece todos os anos ao longo de uma semana. O problema é que nem todos os estudantes têm acesso a computadores para poder participar. A solução foi propor uma aprendizagem em pares: os alunos que têm computadores em casa vão formar uma dupla com os que só tem celular. “Isso ajuda a propagar tudo o que eles aprenderam nessas aulas para os colegas”, comenta Késia.

Para Pedro Lima, de 15 anos, poder trabalhar em equipe é, inclusive, uma das melhores partes das aulas de programação e robótica. “A gente aprende a parte técnica, mas também ganha valores. Antes eu gostava muito de fazer tudo sozinho, mas com a robótica aprendi a trabalhar em equipe, a respeitar e ajudar os colegas”, relata o estudante.