Escola busca interlocução com outros atores para qualificar práticas pedagógicas

Publicado dia 07/06/2016

O Colégio Estadual Juiz Jorge Faria Goes, de Feira de Santana (BA), ainda não tem muita experiência na modalidade de tempo integral. A adesão aconteceu em 2015, a pedido da escola.

Uma das estratégias do colégio foi buscar ampliar seu repertório por meio da articulação com outras escolas da rede, como o Colégio Estadual Edith Mendes da Gama e Abreu, que já havia adotado o tempo integral para qualificar suas práticas pedagógicas. O intercâmbio surgiu da necessidade da Juiz Jorge Faria de Goes se apropriar da dimensão Projeto de Vida e considerá-la em seu projeto político pedagógico. Foi um caminho de mão dupla, visto que o colégio Edith ainda passava pelo processo de convencimento da equipe quanto à modalidade de educação em tempo integral.

A ideia foi promover encontros entre as duas unidades, compartilhando o momento da atividade complementar (AC). Nesse espaço, as instituições buscam estruturar e refletir sobre suas práticas pedagógicas, para identificar os acertos e o que deve ser corrigido.

Nas duas oportunidades registradas até o momento, em que estiveram presentes os docentes de ambas as instituições e os estudantes do Jorge Juiz, os alunos puderam contar como veem o processo de aprendizagem, o que, segundo a diretora Flávia Almeida de Araujo, mostra à outra escola o movimento integrado que a Juiz Jorge vem buscando aperfeiçoar desde 2015. “Sabemos que há muito a ser trilhado nesse sentido, mas caminhamos para uma ideia futura de quebrar as paredes das salas”, colocou.

Um próximo encontro entre os estudantes também está sendo avaliado. Também foi possível colher orientações de como considerar o Projeto de Vida em meio ao projeto político pedagógico, percurso que o Colégio Edith já havia trilhado.

Perspectiva integral e integrada

Práticas buscam dialogar com desejos e realidade dos estudantes. Créditos: divulgação

Práticas buscam dialogar com desejos e realidade dos estudantes. Créditos: divulgação

Dialogar com o projeto de vida dos estudantes passou a ser ainda mais urgente quando o Colégio Jorge Juiz passou a receber seus estudantes do ensino Fundamental II e Médio – com exceção do 3º ano – das 7h às 16h. Os gestores entenderam a necessidade de pautar as ofertas educativas pelos sonhos, desejos e necessidades dos seus alunos para de fato ofertar oportunidades educativas mais dialógicas.

A articuladora da escola, Paloma de Almeida Araujo, conta que nos encontros ficou clara a necessidade de se desenhar o mapa social de cada um dos estudantes. Como primeiro passo, a profissional propôs o desenho de um questionário, com o apoio dos professores, que devem ser aplicados em cada uma das turmas, com o apoio dos professores orientadores. Ela conta que o instrumento considera questões como escolaridade familiar, hábitos dos estudantes e características dos bairros.

“Isso é fundamental para que possamos entender a diversidade que constitui a nossa escola”, afirma. Ela conta que há crianças e adolescentes que mal sabem o que é internet, ou televisão, ou que não conhecem seus pais. Para ela, isso é fundamental para que possam ser pensadas orientações pedagógicas significativas. O questionário deve ser aplicado em julho, e os próximos passos serão compilar os dados e compartilhá-los com a equipe.

Diálogo interdisciplinar

Antes mesmo desse trabalho mais orientado para o ensino em tempo integral, a escola já trabalhava na perspectiva de resgatar a autoestima e o conhecimento de seus estudantes. A diretora conta que um dos grandes desafios da instituição foi com as turmas de 6º ano, recém chegadas do ensino Fundamental I. “Tínhamos alunos que não sabiam ler e escrever”, conta. Foi nesse momento que a instituição entendeu a necessidade de realizar uma escuta sensível junto aos alunos e pensar em estratégias para reverter tais casos.

Alunos do sexto ano partilham de momento de leitura. Créditos: divulgação

Alunos do 6º ano partilham de momento de leitura. Créditos: divulgação

Assim nasce a perspectiva interdisciplinar que busca aproximar as áreas do conhecimento, ressignificando o papel dos próprios estudantes, professores, equipe escolar e famílias. Algumas estratégias reforçam esse arranjo, caso da Literatura que, na forma de tertúlias literárias dialógicas, vem perpassando todas as disciplinas.

Observatórios Formativos

O posicionamento escolar tem como base a formação de professores, frente que evidencia outras articulações feita pela instituição. A escola mantém desde 2009, por exemplo, uma parceria com a Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), buscando qualificar as suas práticas docentes.

A adesão à educação em tempo integral também trouxe a demanda de que os professores fossem formados nessa perspectiva. A estratégia criada foi a de criar Observatórios Formativos que também prevê um intercâmbio das práticas ao longo do ano já na perspectiva interdisciplinar.

Construção de conhecimento se dá na perspectiva interdisciplinar. Créditos: divulgação

Construção de conhecimento se dá na perspectiva interdisciplinar. Créditos: divulgação

A ideia é que a escola possa reunir professores por área do conhecimento num exercício de propor atividades coletivas da qual façam parte todas as disciplinas. O passo seguinte é experimentar as atividades com os estudantes, registrá-las de acordo com as aprendizagens esperadas e compartilhá-las novamente no grupo ara validar ou descartar essas estratégias.

Contato:

Colégio Estadual Juiz Jorge Faria Goes
Telefone: (75) 3223-5640
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