publicado dia 20/08/2026
Santa Helena (SC) dá os primeiros passos na construção da Educação Integral em tempo integral
Reportagem: Ingrid Matuoka | Edição: Tory Helena
publicado dia 20/08/2026
Reportagem: Ingrid Matuoka | Edição: Tory Helena
Resumo: Com uma só escola em tempo integral, o município de Santa Helena (SC) começou a implementar o modelo pela Educação Infantil e induzido pelo Programa Escola em Tempo Integral. Hoje, colhe os frutos da construção da política municipal de Educação Integral, que segue em expansão. Conheça a experiência.
Na EMEB Cinderela, em Santa Helena (SC), cerca de 100 bebês e crianças brincam, aprendem, exploram o território e ampliam as oportunidades de desenvolvimento pleno na escola com o apoio da Educação Integral em tempo integral.
Com 2,4 mil habitantes e apenas uma escola em tempo integral, o pequeno município do oeste catarinense é um microcosmo do avanço das matrículas em jornada expandida: a implantação do tempo ampliado começou pela Educação Infantil e se expandiu gradualmente para os Anos Iniciais do Ensino Fundamental. Hoje, atende 34,56% de seus estudantes na Educação Integral em Tempo Integral. Até 2027, a expectativa é que a jornada escolar que vai das 7h30 às 17h alcance até as turmas do 3º ano.
Confira a política de Educação Integral em tempo integral de Santa Helena (SC), publicada no Diário Oficial da cidade.
Para sustentar esse trabalho, o município construiu um documento que sistematiza a política municipal de Educação Integral, além de realizar formações continuadas com os educadores e gestores escolares.
Embora a adesão ao tempo integral nas escolas por parte das famílias seja positiva, permanecem desafios como a ampliação e a melhoria da infraestrutura da escola para receber oficinas e atividades esportivas e culturais.

“É um município pequeno que está na sua luta diária para constituir uma política de Educação Integral em tempo integral de qualidade”, relata Ana Paula de Pietri, formadora do Centro de Referências em Educação Integral (CR) responsável pela condução de encontro formativo com as profissionais do município, centrado nas conexões entre Educação Infantil e Educação Integral.
Em 2026, o trabalho da rede de ensino municipal foi reconhecida pelo edital “Experiências Inspiradoras de Gestão e de Projetos Pedagógicos de Educação Integral em Tempo Integral”, promovido pelo Ministério da Educação (MEC).

A conexão da escola com o território está presente nas ações pedagógicas. Em especial, cada turma visita os domicílios dos colegas, uma forma de aproximá-los dos diferentes modos de vida de cada um. “Trabalhamos a questão de conhecer os animais que vivem lá, quem são as pessoas que vivem naquela casa. E depois eles produzem um texto”, descreve Leonice.
Além desse projeto ligado ao território, a escola também realiza junto aos estudantes a catalogação e identificação de árvores nativas da cidade, bem como plantio de flores em canteiros públicos, apresentações de teatro, música e dança, e até oficinas de patinação e culinária.
“Vamos abrindo outras portas, outros olhares e vivências para as crianças”, ressalta a educadora.
Para avaliar o trabalho realizado em 2025, a rede realizou um amplo diagnóstico com a participação da família, monitoramento previsto para acontecer anualmente. No questionário, analisaram dimensões como as atividades favoritas das crianças, a equipe de professores e auxiliares, e para 55,6% dos respondentes a Educação Integral em tempo integral tem sido “uma viagem cheia de descoberta”.
Responsável por acompanhar a implementação da política educacional em tempo integral no município, Leonice Catto explica que a extensão do tempo na escola foi induzida pelo Programa Escola em Tempo Integral.
“O programa fez com que os municípios tivessem um olhar mais atento para a importância da Educação Integral em tempo integral, principalmente para as crianças mais socialmente vulneráveis”, diz a orientadora escolar.
Entre outros pontos, o documento da política municipal de Santa Helena (SC) diferencia Educação Integral de tempo integral e destaca que o estudante é o principal foco, devendo ser considerado em todas as suas dimensões.
A necessidade de um currículo integrado à cultura e especificidades do território também transparece no documento, assim como outras questões centrais para a Educação Integral, como a gestão democrática, a formação permanente e a intersetorialidade.

Para a intersetorialidade, preveem construir comitês que reúnam representantes das secretarias de Educação, Saúde, Assistência Social, Cultura, Esporte, Meio Ambiente e outras áreas relevantes. Eles vão desenvolver protocolos claros para a comunicação e o encaminhamento de casos que demandem intervenção de outras áreas, como problemas de saúde e situações de vulnerabilidade social.
Além disso, também vão mapear serviços, programas e profissionais disponíveis em cada setor e na comunidade, identificando como eles podem contribuir para o projeto da educação integral, com formação continuada compartilhada.
A comunidade de Educação Integral no WhatsApp do CR, que reúne pesquisadores, gestores escolares, técnicos de secretarias e demais educadores de todo o Brasil, tem sido um ponto de apoio para a gestora educacional tirar dúvidas e se aproximar mais do tema, assim como o site do CR. “O documento da política do município tem muita referência ao CR”, relata.
Os desafios da expansão e adequação da infraestrutura escolar, bem processos contínuos de avaliação e monitoramento também estão presentes, assim como a questão da equidade educacional.
“A Educação Integral é uma estratégia de promoção da equidade e de garantia do direito à aprendizagem”, observa Ana Paula. A formadora conta que a formação mais recente realizada pelo CR na rede ressaltou a perspectiva antirracista para a Educação Infantil.
“Sempre em uma perspectiva antirracista, com a importância de reconhecer a criança como ser social, histórico, cultural, com respeito às múltiplas identidades e aos princípios da cidadania”, relata a formadora. Para as formações seguintes entre os educadores da rede, Ana deixou uma tarefa: “É pensar o mapa territorial do entorno da escola”, conta.