publicado dia 01/06/2026

PNE fortalece currículo integrado em escolas de tempo integral 

Reportagem: | Edição: Tory Helena

🗒 Resumo: Especialistas explicam o que diz o Plano Nacional de Educação (PNE) sobre o turno único e o currículo integrado, e de que foram eles mudam o sentido da escola de tempo integral.

O novo Plano Nacional de Educação (PNE), instituído pela Lei nº 15.388 em abril de 2026, determina que as escolas de tempo integral se organizem, preferencialmente, em turno único, o que demanda um currículo integrado. Para especialistas em Educação Integral, essa reorganização potencializa o desenvolvimento integral dos estudantes e o próprio tempo a mais na escola.

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“O PNE propõe que a jornada estendida se oriente pela Educação Integral. Isso significa a superação da lógica do turno e contraturno, que é tradicional nas escolas brasileiras”, afirma a educadora e socióloga Helena Singer, explicando o formato. “Em um turno há aulas regulares, no formato regular, e no outro turno há algo mais livre, lúdico. A proposta [do PNE] é que não seja assim”, analisa. 

Educação Integral e currículo integrado 

O que diz o PNE sobre o turno único? O Objetivo 6 estabelece que o Brasil deve “garantir a oferta de matrículas de tempo integral na perspectiva da Educação Integral, com, no mínimo, sete horas diárias ou trinta e cinco horas semanais, preferencialmente em turno único em, no mínimo, 55% das escolas públicas, de forma a atender pelo menos 40% dos estudantes da Educação Básica até o final da vigência deste PNE”.

A concepção de Educação Integral visa o desenvolvimento de todas as dimensões dos sujeitos, não apenas a cognitiva. Com isso, Esporte, Cultura, Artes, Tecnologias, os saberes do território e o que os estudantes sentem ganham espaço na escola e fora dela, em atividades que levem crianças e adolescentes a vivenciar, explorar e estudar o território ou junto a equipamentos locais, como museus, centros culturais e esportivos. 

“Falamos em uma integralidade também do currículo, não de uma fragmentação do tempo e do conhecimento. Então, que todos os conhecimentos, os componentes curriculares, possam dialogar na forma e no conteúdo e na jornada escolar de forma realmente integrada”, orienta Helena, que também é Líder da Estratégia de Juventude América Latina na Ashoka.

Metodologias ativas, em que os estudantes sejam protagonistas da construção do conhecimento e possam desenvolver ações e projetos com base em problemas concretos da escola e da comunidade também são fundamentais. 

Um exemplo disso acontece no Centro Educa Mais Professor Ribamar Torres, em Pastos Bons (MA), que atende estudantes de Ensino Médio em tempo integral. No projeto “Olhos nos Olhos”, os professores de Biologia, História e Geografia se uniram para realizar um projeto que conectou os saberes curriculares aos do território.

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Estudantes vão a campo estudar Biologia, História e Geografia na prática.

Crédito: Centro Educa Mais Professor Ribamar Torres/Divulgação

Junto aos estudantes, fizeram excursões pela mata, mapearam olhos d’água e nascentes, identificaram suas condições ambientais e conversavam com a comunidade local para saber da importância e da história dessas fontes de água. Organizaram, ainda, um mutirão para limpeza destes pontos em que havia lixo acumulado.

Também coletaram e catalogaram plantas que encontravam no Cerrado, e conversaram com pesquisadores, raizeiros, benzedeiras e artesãos da comunidade para aprender sobre seus usos culturais, sociais e alimentícios.

Esse projeto sintetiza a diretriz dada pelo PNE: “Adaptar, no âmbito dos sistemas de ensino, o currículo e o calendário escolar, de acordo com a realidade, a identidade cultural, as condições climáticas da região e as necessidades dos estudantes, garantindo a participação da comunidade escolar, e considerando a valorização das culturas locais e dos saberes comunitários e tradicionais, com o objetivo de promover a trajetória regular”.

Para que o currículo integrado possa ser implementado, Claudia Santos, coordenadora do Comitê Territorial Baiano de Educação Integral, destaca que é fundamental garantir os direitos dos estudantes, para que possuam condições de permanecer na escola e aprender com qualidade, e que isso também faz parte de considerar os sujeitos em sua integralidade.

“As escolas que hoje desenvolvem políticas sérias de Educação Integral em tempo integral, sobretudo nos lugares com maior vulnerabilidade social, alcançam o que esse PNE traz de mais inovador”, observa Claudia Santos.

“As escolas que hoje desenvolvem políticas sérias de Educação Integral em tempo integral, sobretudo nos lugares com maior vulnerabilidade social, alcançam o que esse PNE traz de mais inovador: uma preocupação muito clara com as populações mais vulneráveis, com as crianças, adolescentes e jovens em situação de maior desigualdade social desse país”, observa Claudia.

De acordo com o PNE, Estados, Distrito Federal e municípios terão de elaborar ou adequar seus planos decenais de Educação em consonância com o novo Plano, garantindo participação da comunidade escolar e da sociedade civil. É nesse processo que a previsão de turno único e currículo integrado deve ganhar forma concreta nas escolas.

“Agora é o momento de ir para onde a vida acontece. Como dizia Anísia Teixeira, não é na União, nem no Estado. A vida acontece nos municípios. Agora é trabalhar para dar luz à equidade”, diz Claudia.

Sem provas ou salas de aula, escola atrela currículo ao território em Belo Horizonte (MG) 

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