Bairro-escola Nova Iguaçu fez uso da articulação intersetorial como principal estratégia

Publicado dia 28/08/2013

Iniciativa: Bairro-escola Nova Iguaçu

Pública ou Privada: Pública

Descrição: O município de Nova Iguaçu, localizado na Baixada Fluminense do Rio de Janeiro é certamente uma referência fundamental para a gestão pública na estruturação e viabilização de programas em Educação Integral.

Mas isso só foi possível, pois em 2006 a Prefeitura Municipal articulou uma política social na qual o eixo fundante era a educação, envolvendo as diversas secretarias e também outros setores e a comunidade de forma geral.

Foto: Natacha Costa

Foto: Natacha Costa

Para a implementação da proposta, a equipe da Secretaria Municipal de Educação realizou uma pesquisa sobre experiências bem sucedidas de Educação Integral pelo país e buscou um caminho para estruturar um programa local que levasse em consideração o contexto de Nova Iguaçu, uma cidade com altos índices de vulnerabilidade social e problemas de infraestrutura bem acentuados.

A partir das pesquisas realizadas e do contexto orçamentário do município, não existia a possibilidade de construir novas escolas. A escolha foi utilizar as potencialidades do município, integrando-as às escolas. O tempo foi separado entre turno e contraturno. No primeiro, os estudantes aprendem as disciplinas regulares e no tempo complementar vão para as oficinas.

A cultura sempre foi um dos elementos fundamentais para envolver a comunidade às escolas. Foram construídas oficinas culturais, nas quais os agentes educadores eram estudantes do Ensino Médio ou Ensino Superior. A responsabilidade pela remuneração do trabalho desses agentes e da estrutura ficou a cargo das Secretarias de Cultura, Esportes, do Desenvolvimento e da Educação, intensificando a intersetorialidade do programa. A proposta pedagógica permaneceu sob responsabilidade da Secretaria de Educação.

Com o tempo, articulação intersetorial foi se consolidando, congregando a participação de outros equipamentos, tanto públicos quanto privados. Para encontrar esses ativos, foi feito um extenso mapeamento de possibilidades. De início, as equipes tiveram muita dificuldade em encontrar esses ativos, pois a justificativa era que não haviam cinemas, teatros, clubes. Mas, com a orientação da Secretaria de Educação e outras idas ao território, clubes, igrejas, salões de festa e até terrenos e casas de moradores foram identificados.

Desse modo, foi iniciada uma rede de parcerias que agrupava variados tipos de colaboradores.

Para garantir a segurança e facilidade no trajeto dos estudantes, os espaços utilizados para as atividades não poderiam estar distantes das escolas mais que 1 km. Com isso, moradores passaram a abrir as portas da própria casa para a realização de aulas. As aulas passaram a ter novos significados, aproximando o currículo escolar das realidades vividas pela comunidade do entorno e aumentando a relação de pertencimento ao local onde as crianças e educadores viviam.

Até as escolas privadas do município passaram a se envolver com a política de integração, abrindo suas bibliotecas aos estudantes das escolas públicas. O mesmo ocorreu com as academias de ginástica, igrejas e outros espaços que estavam ociosos.

Cada uma das secretarias possuía um coordenador geral para o programa, responsável por monitorar as atividades e garantir o alinhamento com a metodologia proposta para o coletivo.

As oficinas culturais tinham como propósito fortalecer a cultural regional. Nas de esporte, por exemplo, foram desenvolvidas atividades que estimulavam a cooperação e solidariedade.

Obras de urbanismo e serviços públicos também aconteceram para facilitar a circulação dos estudantes pelas ruas e o acesso de um lugar para outro. Motoristas e comerciantes também eram vistos como educadores e receberam apoio formativo para lidar e cuidar das crianças em seus trajetos. Ainda no cenário da cidade, as placas das ruas passaram a conter também explicação do porquê de seus nomes, a partir de pesquisas produzida pelas próprias crianças durante as atividades do programa. Os muros das casas e comércios localizados nas ruas pelas quais as crianças passavam também foram pintados pelos estudantes, indicando que aquele trajeto necessitava de atenção e cuidado de todos.

Início e duração: De março de 2006 a 2010. O programa permanece até os dias atuais, porém com estrutura diferente.

Local: Nova Iguaçu, município da Baixada Fluminense (RJ).

Responsáveis: Secretaria Municipal de Educação e Secretarias articuladas.

Envolvidos e parceiros: Secretarias articuladas, moradores, escolas particulares, igrejas, equipamentos comunitários e comércio local.

Financiamento: O programa era mantido pela Secretaria Municipal de Educação, mas muitas das ações necessárias para seu funcionamento eram financiadas pelas outras secretarias de governo.

Principais Resultados: Um dos maiores resultados desse programa foi o de transformar os espaços da cidade em polos educativos. Não só as ruas ficaram mais limpas e sinalizadas para o acesso dos estudantes, como todos os atores da sociedade passaram a fazer parte do processo de construção da agenda de educação do município.

Nova Iguaçu foi certamente uma experiência bem sucedida e embora diferente, ainda o é, pois conseguiu ampliar o programa de tempo integral para toda sua rede, composta por 103 escolas públicas municipais.

Materiais e Publicações?

Bairro-escola Passo a Passo, publicação da Associação Cidade Escola Aprendiz, que narra o início da experiência.

Artigo publicado em revista da PUC-SP sobre o programa.

Reportagem sobre a premiação do Bairro-Escola de Nova Iguaçu pela Fundação Banco do Brasil.

Sistematização da experiência na publicação do Itaú Social, Unicef e CENPEC, Tendências para Educação Integral.