publicado dia 25/09/2026
Seminário Educação Integral em Debate 2026 abre com reflexão sobre o papel da escola no mundo de hoje
Reportagem: Ingrid Matuoka e Tory Helena | Edição: Tory Helena
publicado dia 25/09/2026
Reportagem: Ingrid Matuoka e Tory Helena | Edição: Tory Helena
🗒️Resumo: Confira as principais discussões que marcaram o primeiro dia do Seminário Educação Integral em Debate 2026. Estudantes de escolas públicas e educadores refletiram sobre os desafios da concepção educacional em cenário de desencantamento com a escola.
O que precisa existir em uma escola para que todos possam aprender, conviver, participar e sonhar? A pergunta esteve no centro na abertura do Seminário Educação Integral em Debate 2026, em encontro realizado em 23 de setembro e transmitido ao vivo pelo Centro de Referências em Educação Integral.
O gestor do Centro de Referências em Educação Integral, Fernando Mendes, abriu a roda de conversa apresentando a Carta-Manifesto “Reencantar a Escola, Transformar o Brasil”.
“Falar em reencantar a escola, como propõe essa edição do nosso seminário anual, não significa abandonar aquilo que constituiu historicamente a escola, mas significa perguntar, diante dos desafios do nosso tempo, que escola precisamos construir para que ela seja capaz de cumprir sua tarefa pública, democrática, humanizadora e reparadora?”, indagou o especialista.
Fernando explicou que uma das tarefas mais importantes da escola é ajudar cada sujeito a construir seus caminhos e escolhas sem perder de vista a construção de uma sociedade mais justa, democrática e solidária, em que todas as pessoas tenham condição de construir uma vida digna e de experimentar o bem-viver.
Contudo, algumas concepções de Educação tendem a reduzir o papel da escola a um lugar de transmissão de conteúdos, preparação para provas ou produção de indicadores.
“A escola precisa fazer sonhar. Fazer sonhar não como quem oferece uma promessa abstrata de sucesso individual, mas fazer sonhar porque amplia horizontes”, defendeu o gestor do Centro de Referências.

A mesa “Reencantar a escola o lugar da Educação Integral no contexto atual” contou com a participação de Débora Fonseca, que foi estudante de uma escola quilombola na rede municipal de Mirinzal (MA), e Isabella Kuroki, aluna da rede municipal de São Paulo (SP), acompanhada da professora Lu Azevedo.
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A mediação foi de Gina Vieira Ponte, educadora e integrante do Conselho Consultivo do Centro de Referências em Educação Integral.
Assista ao evento na íntegra:
O Seminário aconteceu às vésperas das Eleições 2026 e Gina Vieira, educadora e formadora de professores, destacou seu desapontamento com o debate eleitoral que acompanhou, com propostas que parecem oferecer soluções fáceis para problemas complexos.
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“Somos um país de dimensões continentais, que tem como sua maior força e beleza a diversidade. E eu tenho visto candidatos fazerem propostas que atentam contra tudo que construímos no campo da Educação: uma escola que respeite a diversidade, forme sujeitos críticos, não sujeitos sendo preparados para obedecer e cumprir ordens, mas sujeitos capazes de participar da vida pública de maneira propositiva, de afirmativa e crítica”, disse Gina.
Coletivo Consciência Feminina na Escola
Na escola onde Isabella Kuroki estuda, na rede municipal de São Paulo (SP), esse conceito se tornou realidade quando ela e suas colegas propuseram para a professora Lu Azevedo transformar o banheiro feminino da unidade, e a escola acolheu.
O projeto Consciência Feminina na Escola (CFE) começou em 2019 com a distribuição de produtos de higiene menstrual, a partir da identificação pelas adolescentes de que muitas de suas colegas não tinham condições financeiras de adquiri-los, e de cartazes nas paredes com mensagens de apoio e de luta contra abusos e outras violências de gênero.
“Queria um CFE para as meninas de outras escolas e Estados, porque é um lugar acolhedor, é um meio de comunicação, porque o CFE trabalha com rodas de conversa, leitura e arte”, contou Isabella.
Para sua professora Lu, além das questões de gênero, também é fundamental que uma escola de qualidade considera as questões raciais e culturais do local onde está inserida. No caso da unidade em que atua, no Grajaú, extremo sul da capital paulista, o território é indígena, nordestino e negro.
“Eles precisam estar dentro da sala de aula, mas também do PPP. E essa construção precisa ser coletiva […] para que a Educação seja de fato integral e que todas e todos os estudantes presentes, todas as minorias, sejam contempladas de uma forma que a gente não consiga mais ver, no futuro, essa desigualdade que ainda é tão gritante hoje”, define a educadora.
À frente dessa forma de conceber o papel da escola, que integra o que dá dentro e fora dela, está a experiência de muitas escolas quilombolas, onde essa divisão é menos definida.
É o que conta Débora Fonseca. Aos 19 anos, estuda Direito na Universidade Federal do Maranhão, em São Luís, após formar-se em uma escola quilombola na rede municipal de Mirinzal (MA).
“É uma escola que não trata apenas do conteúdo normativo, mas também daquilo que o aluno vivencia dentro da comunidade, dentro do território. Quando traz elementos de dentro do território para a escola, quando a escola, o aluno se sente mais acolhido”, afirmou Débora, que substituiu a também estudante da escola quilombola Kauanne Gomes.
Na escola, Debora fazia parte do grêmio estudantil e conta que uma de suas tarefas era levar a comunidade para dentro da escola e a escola para a comunidade, um movimento que contou ser decisivo para o interesse dos adolescentes em permanecer na escola.
“Quando o aluno se reconhece dentro da Educação, dentro do seu território, ele entende que a escola é um espaço onde ele pode exercer a sua cultura, é um espaço onde ele se sente acolhido e, obviamente, ele vai se sentir mais instigado a fazer parte daquele lugar”, afirmou a jovem.
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