publicado dia 30/09/2026

Eleições 2026: o que está em jogo para a Educação Integral? 

Reportagem:

🗒️Resumo: A Hora do Intervalo discutiu os desafios para a Educação Integral em tempo integral e o que está em jogo para a política educacional nas Eleições 2026, temas da Carta-Manifesto “Reencantar a Escola, Transformar a Educação” divulgada pelo Centro de Referências em Educação Integral. Disponível no Instagram, YouTube e Spotify, a live recebeu os educadores André Lázaro e Gina Vieira Ponte. 

Quando o assunto é Eleições, a Educação costuma ser protagonista, aparecendo nas imagens de campanhas eleitorais e na boca dos candidatos. 

O tema também é considerado importante para os eleitores: para 83% dos brasileiros, a Educação deve ser prioridade para os próximos governantes. 

Já as ações dos candidatos na área influenciam o voto de 71%, segundo o levantamento “O que a população pensa sobre a Educação?”, realizado pelo Instituto IDEIA com 20 mil participantes.

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Em sintonia com os desafios que atravessam as escolas, o Centro de Referências em Educação Integral (CR) apresentou a Carta-Manifesto “Reencantar a Escola, Transformar a Educação”, com compromissos fundamentais para o debate eleitoral de 2026. 

Entre os pontos abordados pelo documento, estão a concepção e qualidade da Educação Integral e a importância da equidade, inclusão e diversidade nas políticas educacionais. Além disso, o documento defende a democracia e a autonomia das escolas, bem como a valorização dos profissionais e a promoção dos Territórios Educativos e da intersetorialidade. 

Para abordar os desafios para a Educação Integral em tempo integral e o que está em jogo para a política educacional nas Eleições 2026, a live Hora do Intervalo de setembro recebeu os educadores André Lázaro e Gina Vieira, integrantes, respectivamente, do Coletivo Articulador e do Conselho Consultivo do Centro de Referências em Educação Integral. 

Quem participou da live 

André Lázaro é Diretor de Políticas Públicas da Fundação Santillana no Brasil e integrante do Conselho Deliberativo do Fundo Baobá para Equidade Racial. É graduado em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), além de mestre e doutor em Comunicação pela mesma universidade. É professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Participou da criação da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (SECADI) do Ministério da Educação (MEC), onde foi Diretor e Secretário Nacional, entre 2004 e 2010. 

Gina Vieira Ponte é Mestra em Linguística, com ênfase em Análise de Discurso Crítica, pela Universidade de Brasília (UnB). Atuou como professora da Educação Básica na Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal, tendo trabalhado 20 anos em regência de classe, dois anos como supervisora pedagógica e um ano como coordenadora. Também na rede de ensino do Distrito Federal (DF), atuou como formadora de leitores em biblioteca escolar. É autora do Projeto Mulheres Inspiradoras, criado e desenvolvido em 2014, hoje presente em 50 escolas públicas do DF, em escolas municipais de Campo Grande (MS) e na Província de Niassa, em Moçambique, África.

📺Como assistir a live Hora do Intervalo

Realizada pelo Centro de Referências em Educação Integral, a live Hora do Intervalo é mensal e busca jogar luz em conceitos e discussões fundamentais para a agenda da Educação Integral e do Tempo Integral nas escolas.

É possível acompanhar a transmissão ao vivo pelo perfil do Instagram do Centro de Referências em Educação Integral. A live também fica disponível no canal do YouTube e do Spotify.

Assista ou conheça os principais trechos da live a seguir.

O que diz a Carta-Manifesto “Reencantar a Escola, Transformar o Brasil”? 

O lançamento da Carta-Manifesto elaborada pelo Centro de Referências em Educação Integral para o contexto eleitoral (“Reencantar a Escola, Transformar o Brasil: a Educação Integral como resposta democrática aos desafios do nosso tempo”) foi o ponto de partida da Hora do Intervalo. 

“O objetivo da Carta é colaborar com a qualificação do debate público sobre Educação. Com mais de 30 anos de experiência como professora, percebo um problema sério no Brasil: a dificuldade da sociedade compreender a questão da concepção de Educação que deve orientar a elaboração de políticas públicas”, afirmou Gina Vieira, que participou da elaboração da Carta-Manifesto como integrante do Conselho Consultivo do Centro de Referências em Educação Integral. 

“A carta dá relevo para uma questão sempre negligenciada: não falar nas eleições sobre melhorar a Educação. A primeira pergunta que devemos fazer para os candidatos é ‘qual é a concepção de Educação que orienta suas propostas e programa?’”, defendeu a educadora. 

A defesa do reencantamento da escola, isto é, do resgate da ideia da escola como espaço de desenvolvimento integral e de vivência no coletivo, foi contextualizada por Gina Vieira. 

“A gente precisa reencantar a escola porque ela tem sido negligenciada, abandonada. Oscilamos entre abandonar e tentar controlar o que a escola faz, milimetricamente, ignorando os territórios, as necessidades das pessoas e as teorias que produzimos nos últimos 50 anos”, criticou.  

Live Hora do Intervalo discute desafios para a Educação Integral em tempo integral e o que está em jogo para a política educacional nas Eleições 2026.
Hora do Intervalo apresentou a carta-manifesto “Reencantar a Escola, Transformar o Brasil”, com propostas para fortalecer as perspectivas da Educação Integral no debate público.

“Reencantar a escola tem a ver com resgatar o sentido da escola como esse espaço de formação humana, integral, crítica e emancipadora, como espaço de encontro e autoconhecimento. A escola é esse espaço de encantamento com o conhecimento. Reencantar a escola é resgatar o que ela tem de mais bonito e que tem se perdido”, afirmou. 

André Lázaro, diretor de Políticas Públicas da Fundação Santillana, completou que a Educação ainda é vista de forma instrumental, para atender demandas do mercado ou perspectivas imediatistas. “Para nós, educadores, a maior parte da Educação é o desenvolvimento integral”, defendeu.

O educador explicou que o Brasil ainda vive um período de transição no campo educacional, com a recente universalização do acesso e a consolidação da ideia da Educação como um direito de todas as pessoas, e não como um privilégio de poucos. 

“A medida em que a Educação se torna um direito de todos, essa sociedade que tem um viés escravocrata, classista, tende a separar uma Educação para privilegiados e outra, empobrecida, para a maioria da população. Os privilegiados – e seus filhos e netos – têm Educação Integral: eles estudam música, fazem esportes, visitam museus, viajam, tudo para ter uma informação ampla, abrangente e crítica do mundo contemporâneo. Enquanto querem que a escola se atenha à empobrecida Base Nacional Comum Curricular (BNCC)”, diz André Lázaro. 

Avaliação, Ideb e o debate sobre a qualidade da Educação 

André Lázaro refez o percurso histórico do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e criticou o uso do desempenho de escolas e redes de ensino no indicador como sinônimo de qualidade educacional. 

“Quando o Ideb foi criado [pelo MEC] em 2005, ele foi uma revolução. Na época, o Brasil reprovava 30% das crianças no primeiro ano do Ensino Fundamental. Havia uma cultura, a pedagogia da repetência, que supunha que a reprovação era responsabilidade do estudante e da sua família. Quando se criou o Ideb, ele acendeu um sinal de alerta. Não é isso: a escola não tem alternativa a não ser ensinar.”, contextualizou o especialista. 

“Melhoramos muito, mas aprenderam a fazer com que o Ideb representasse aquilo que ele não apresenta: a qualidade da Educação. O Ideb representa a aprendizagem de Língua Portuguesa e Matemática, além do fluxo escolar. Já a qualidade da Educação implica muitas outras dimensões, que a gente abandonou”, criticou. 

“Não podemos perder a perspectiva histórica do Ideb. Quando ele foi criado, ele revolucionou, porque lançou foco sobre o Direito à Educação que não estava sendo garantido às crianças. Depois, ele se tornou um simulacro”, afirmou André Lázaro. 

O especialista defende uma revisão do debate sobre a qualidade da Educação, em especial, diante das múltiplas crises que atravessam a sociedade e a própria escola. 

“Precisamos repensar com quais critérios vamos falar de Educação, para que o debate ganhe a profundidade que a Educação merece ter. E num cenário de crise profunda, como estamos vivendo, a Educação não pode achar que resolverá os problemas com avaliações em larga escala. A crise, que é climática, democrática, tecnológica, social, política – tudo isso exige uma escola contemporânea: e eu acho que a escola contemporânea é a Educação Integral”, defendeu o educador. 

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Carta-Manifesto Reencantar a Escola, Transformar o Brasil

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