publicado dia 26/02/2026
Censo Escolar: Brasil atinge meta do PNE e alcança 25,8% de matrículas em tempo integral
Reportagem: Ingrid Matuoka | Edição: Tory Helena
publicado dia 26/02/2026
Reportagem: Ingrid Matuoka | Edição: Tory Helena
🗒️Resumo: O Brasil registrou o maior número de estudantes da Educação Básica matriculados no tempo integral, atingindo a Meta 6 do Plano Nacional de Educação (PNE) para o período de 2014 a 2025. Confira essa e outras informações do Censo Escolar 2025.
Nesta quinta-feira, 26 de novembro, o Ministério da Educação (MEC) divulgou o Censo Escolar 2025, com dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).
Entre as principais estatísticas, destaca-se um fato inédito: o Brasil possui, pela primeira vez, a maior quantidade de estudantes matriculados em tempo integral de sua história. São 25,8% de crianças e adolescentes frequentando escolas com jornada ampliada, o que corresponde a 8.856.280 matrículas em 2025.
Com isso, o país alcançou a Meta 6 do Plano Nacional de Educação (PNE) para o período de 2014 a 2025, que previa o atendimento a 25% dos estudantes brasileiros.
🔎Meta 6 do PNE
“Oferecer Educação em tempo integral em, no mínimo, 50% (cinquenta por cento) das escolas públicas, de forma a atender, pelo menos, 25% (vinte e cinco por cento) dos (as) alunos (as) da educação básica.”
Já o novo PNE determina que nos próximos cinco anos o Brasil oferte matrículas em jornada ampliada em 50% das escolas públicas e atenda 35% dos estudantes da Educação Básica.
São 25,8% de crianças e adolescentes frequentando escolas com jornada ampliada.
Os indicadores apontam que o investimento de 4 bilhões reais do MEC no Programa Escola em Tempo Integral, lançado em 2023, contribuiu para acelerar a expansão de matrículas em tempo integral nas redes públicas.
De acordo com o Conselho Nacional de Educação (CNE), o tempo integral corresponde a atividades escolares por 7 horas diárias ou 35 horas semanais. As escolas de tempo parcial possuem jornada de 4 horas diárias.
“Essa é uma das mais importantes políticas públicas já criadas pelo governo federal, porque aumenta a permanência dos alunos na escola”, disse o ministro da Educação, Camilo Santana, durante o lançamento do Censo em Manaus (AM).
O maior aumento de matrículas em tempo integral se deu no Ensino Médio, que passou de 16,7%, em 2022, para 26,8%, em 2025.
De acordo com os dados, entre 2021 a 2025, o atendimento passou de 15,1% para 25,8% dos estudantes brasileiros.
A Educação Infantil é a etapa com maior proporção de matrículas em tempo integral: 36,3% do total, o que corresponde a 2,4 milhões de crianças.
No Ensino Fundamental, a jornada ampliada responde por 20,9% nos anos iniciais e 23,7% nos anos finais. O maior aumento de matrículas em tempo integral se deu no Ensino Médio, que passou de 16,7%, em 2022, para 26,8%, em 2025.

O ministro da Educação. Camilo Santana (ao centro), apresentou balanço dos resultados do Censo Escolar 2025 ao lado de Manuel Palacios, presidente do Inep.
Crédito: MEC
O Censo Escolar 2025 contabiliza 46 milhões de matrículas nas 178,8 mil escolas de Educação Básica no Brasil. Cerca de 42% dos municípios (2.343) dependem exclusivamente do Estado para ofertar Educação Básica. Todas elas são de pequeno porte.
Os dados também mostram redução na taxa de distorção idade-série na rede pública. No Ensino Fundamental, a distorção passou de 15,6% para 11,3% entre 2021 e 2025. No Ensino Médio houve uma queda de 27,9% para 17,6% no mesmo período.
🔎O que é o Censo Escolar?
A principal pesquisa estatística da Educação Básica brasileira, realizada anualmente, reúne dados sobre a situação da Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio, de escolas públicas e privadas, de todo o país. A coleta e o tratamento das informações são coordenadas pelo Inep, em colaboração com secretarias estaduais e municipais de Educação.
Em todas as etapas, o atraso escolar dos estudantes que se declaram pretos ou pardos é maior do que entre os que se declaram brancos. “Precisamos garantir a qualidade, a permanência e a equidade”, afirmou o ministro da Educação.
Inclusive porque 62,2 milhões de brasileiros não concluíram a Educação Básica, cenário que precisa de investimentos e políticas públicas para ser revertido. “Quando um jovem conclui o ensino básico, abre portas. Tem um efeito do ponto de vista econômico da qualificação da mão de obra”, disse Camilo.
Desde 2005, o Censo Escolar registra a informação de cor/raça com a mesma metodologia. Em 2018, o Conselho Nacional de Educação (CNE) tornou obrigatória a inclusão desse dado nos registros administrativos das instituições de ensino, o que ajudou a reduzir a proporção de informações “não declaradas” e a aumentar a precisão do levantamento.
A falta de registro de raça/cor caiu de 25,5% em 2023 para 13,6% em 2025, considerando todas as etapas da Educação Básica. “Esse avanço contribui para aprimorar a qualidade das análises de distorção idade-série por cor/raça”, explicou Fábio.
O Brasil registrou a maior queda de matrículas na Educação Básica nos últimos 20 anos. São 1 milhão de estudantes a menos entre 2024 e 2025, uma queda de 2,3%. O recuo no Ensino Médio foi o mais expressivo, com diminuição de 5,4%. Considerando apenas a rede pública, a queda foi ainda maior: 6,3%.
O Brasil registrou a maior queda de matrículas na Educação Básica nos últimos 20 anos. São
1 milhão de estudantes a menos entre 2024 e 2025, uma queda de 2,3%.
“Melhoramos o fluxo desse aluno, ele está passando de ano. Mantemos a cobertura. Não é um problema, é uma solução. O sistema está mais eficiente. Houve uma diminuição porque a população diminuiu e porque o aluno não ficou mais retido”, explicou o ministro da Educação.
Fábio Bravin, pesquisador do Inep, reiterou a explicação: “Quando você retém o aluno e não permite que ele avance nas etapas de ensino, você incha o sistema”, disse durante o evento em Manaus (AM).
Além disso, os especialistas explicaram que o Brasil passa por uma transição demográfica, com menos crianças nascendo, o que contribui para a diminuição da quantidade de estudantes.
Na Educação Infantil, a quantidade de crianças em instituições públicas e privadas passou de 9,5 milhões em 2024 para 9,3 milhões no ano passado. No Ensino Fundamental, as matrículas passaram de 26 milhões para 25,8 milhões.
“Houve diminuição porque a população diminuiu e porque o aluno não ficou mais retido”, analisou o ministro da Educação, Camilo Santana, sobre a queda
de matrículas
Já a Educação de Jovens e Adultos (EJA) registrou o menor patamar observado desde 1996, com apenas 2,4 milhões de estudantes em 2025, 100 mil a menos do que no ano anterior. A Educação Escolar Indígena também apresentou queda nas matrículas, com 288 mil estudantes em 2025, quando eram 294 mil em 2024.
O Censo Escolar 2025 revelou que a Educação Especial, que atende estudantes com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação, registrou aumento de 82% de matrículas em relação a 2021. Foram 2,5 milhões de matrículas no ano passado. Destes, 93,4% estão inseridos em classes comuns, um dos principais objetivos da inclusão nas escolas brasileiras.
Além disso, o Brasil alcançou o índice de 49,7% de estudantes com Atendimento Educacional Especializado (AEE), o maior percentual da história e o maior aumento da série histórica. A iniciativa faz parte da Meta 4 do PNE, que prevê, entre outros, a oferta do AEE nas escolas.
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Contudo, 75,7% dos municípios (4.217) não têm tradutor ou intérprete de Libras em nenhuma escola, seja pública ou particular, em todos os níveis de ensino. Segundo o IBGE, cerca de 2,5 milhões de brasileiros têm dificuldades permanentes para ouvir.
Piauí lidera o ranking, com 219 dos 224 municípios (97,8%) sem intérprete de Libras nas escolas. Na outra ponta, em Pernambuco, 84 municípios (45,4%) não possuem o profissional na escola.
Os dados do Inep mostram que a conectividade avançou nas escolas. O percentual de escolas com acesso à internet na Educação Básica passou de 82,8%, em 2021, para 94,5%, em 2025.
Em setembro de 2023, o MEC lançou a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec), que visa articular políticas e ações para universalizar o acesso à internet de qualidade e garantir o uso pedagógico da tecnologia em todas as escolas públicas de Educação Básica do país.
Assista ao lançamento do Censo Escolar 2025 na íntegra: