Como formar redes para Educação Integral?

Publicado dia 27/08/2013

Uma proposta, programa ou ação de educação integral não precisa partir necessariamente do poder público. Assim como aconteceu em Heliópolis, bairro da Zona Sul da cidade de São Paulo, uma comunidade pode partir sozinha para se reorganizar de modo a fortalecer suas ações para o pleno desenvolvimento das pessoas que nela habitam.  Essa organização fundamentalmente se dá em rede – indivíduos, organizações e equipamentos podem juntos construir meios de colaboração para contribuírem ao processo formativo e garantia de direitos das pessoas.

Segundo o teórico português Manuel Castells, uma rede é a conexão entre nós interconectados que, por sua vez, unem diferentes ramificações. Ou seja, uma rede é tecida a partir de pontos, que, quando deixam de existir, enfraquecem o todo.

Segundo Maurício Ernica, na publicação Tecendo Redes para Educação Integral, neste modelo de educação, redes se estruturam na contramão da fragmentação dos saberes e das ações. “Tecer redes não é juntar esforços, pura e simplesmente. Uma rede é efetiva quando ela abre uma arena pública de debate sobre prioridades e formas de atuação.”

Assim, uma ação ou projeto de educação integral implica que se transformem as relações sociais do território, assumindo a cultura colaborativa como premissa fundante de todas as atividades.

Diversidade

Na publicação do CENPEC, Tendências para a Educação Integral, observamos que a relação entre as diferentes instituições e equipamentos de um bairro no cenário educativo é fundamental também para o sucesso das ações pedagógicas. “Educar para viver em um mundo globalizado nos obriga a compreender como uma sociedade depende solidariamente de outras (…) Uma educação integral qualifica as aprendizagens a partir de princípios éticos de igualdade, liberdade, solidariedade, e respeito à diversidade”, apresenta o texto.

Existem variadas formas para se articular pessoas e instituições em torno de um mesmo objetivo. Uma das formas é a articulação de redes por meio do método de pesquisa-ação, que fundamentalmente objetiva que a investigação e ação se deem simultaneamente e sejam efetivadas por grupos de pessoas que atuam de forma colaborativa.

Articulação de redes

Para dar início a essa rede de atuação local é interessante que uma instituição ou pessoa ou grupo de instituições ou pessoas já em diálogo se reúnam a partir de uma agenda. Esta agenda – nesse momento – não precisa ser específica. É possível que estejam juntos para “transformar a comunidade” ou “influenciar positivamente na educação das crianças e jovens do território”. O grupo também pode surgir a partir de uma demanda externa, como, por exemplo, uma rede entre as organizações que apoiam o programa Mais Educação em um determinado município.

Acesse: roteiro de apoio completo para criação de instâncias de participação

Feita esta reunião, na qual se define esse sonho ou desejo comum, é preciso investigar os caminhos para torná-lo em uma agenda concreta, com etapas e metas. Embora não exista um único roteiro para esse processo, é importante que o grupo se organize para:

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Comunidade

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