Em Ipatinga (MG), quem escolhe como serão reformadas as escolas são os estudantes

Publicado dia 12/07/2016

A gestão democrática é considerada pelos especialistas como um dos elementos mais importantes na garantia de uma educação integral e de qualidade. Algumas perguntas que surgem quando o tema é esse são: como é possível aumentar a participação dos estudantes, tornando o ambiente escolar realmente participativo? Como é possível envolver professores, gestores, estudantes e famílias nas decisões do dia-a-dia da escola?

Ipatinga olhou para o orçamento da Secretaria Municipal de Educação e buscou uma forma de fazer melhorias nas escolas, fomentando a participação e estimulando o debate entre os estudantes. Por meio do Orçamento Participativo da Educação, o órgão separou parte das verbas para que as escolas da rede municipal decidissem, de maneira democrática, como queriam gastar a verba, em função daquilo que desejavam mudar em suas escolas.

Dois anos se passaram e os resultados já são vistos na maioria das 34 escolas da rede municipal. Na maior de todas, a Arthur Bernardes, os estudantes decidiram que queriam uma área de convivência e a melhoria da quadra de esportes. As duas obras foram concluídas e entregues.

Escolha Escola arthur Bernardes com novo espaço de convivência pedido pelos estudantes.

Escolha Escola Arthur Bernardes, em Ipatinga (MG), com novo espaço de convivência pedido pelos estudantes.

Um elemento fundamental do projeto foi a forma como todo esse processo foi conduzido. Em um primeiro momento, a Secretaria fez um processo de debates na escolas visando formar crianças, jovens e suas famílias para a participação e deliberação coletiva. Nessas discussões foram debatidos temas como o voto, como definir uma prioridade, o que é e como se faz uma assembleia, qual papel de um delegado e a importância de ouvir e defender posições.

Depois dessa formação, realizada com toda a comunidade escolar, os estudantes, em suas turmas, realizaram discussões sobre quais os principais problemas da instituição e do entorno. Elegeram duas prioridades do que deveria ser reformado ou construído e selecionaram dois delegados por sala para representar os estudantes na assembleia.

Depois dessa primeira fase, foram realizadas as assembleias, nas quais cada turma levou suas propostas. Depois, foi a vez de envolver os colégios próximos, em um debate sobre as necessidades e potencialidade daquele território, em assembleias regionais, para a qual foram enviados delegados. Juntos, eles definiram seis prioridades educativas e quatro para a cidade.

Por fim, toda rede se encontrou numa plenária final para debater a viabilidade técnica de suas propostas, junto à Secretaria de Educação. Os delegados e delegadas, de posse dessas informações, reorganizaram as demandas prioritárias e aprovaram um plano que deveria ser implementado na escola.

Resultados

No total, foram aprovadas a realização de 38 obras em escolas e regionais. Dois anos depois, foram entregues 29 e as demais estão em fase final. Foram construídos parquinhos, cobertura de quadras, rampas de acessibilidade, além de diversas reformas em pisos, banheiros e salas de aula.

Veja algumas fotos das obras que foram concluídas.

Parquinho na Escola Municipal Marcio Andrade Guerra

Parquinho na Escola Municipal Marcio Andrade Guerra

Reformas realizadas na Escola Municipal Preliminar Pato Donald

Reformas realizadas na Escola Municipal Preliminar Pato Donald

Quiosques construídos na Escola Municipal Nelcina Rosa de Jesus

Quiosques construídos na Escola Municipal Nelcina Rosa de Jesus

Parquinho construído na Escola Municipal Infantil Gente Inocente a partir do orçamento participativo.

Parquinho construído na Escola Municipal Infantil Gente Inocente a partir do orçamento participativo.

Gestão Pública

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