Escola Classe Cariru insere seus estudantes na lógica da transformação social

Publicado dia 08/07/2015

A Escola Classe Cariru materializa o desejo e a necessidade de uma comunidade pela transformação social. A Colônia Agrícola Cariru, localizada em Paranóa, Distrito Federal, se mobilizou em 1971 para a construção da instituição. Em 14 de julho do mesmo ano, a escola abria suas portas para 45 alunos e, desde então, vem se moldando para ampliar sua atuação. Em 2006, além do ensino fundamental I, passou a considerar também a educação infantil e, com o passar dos anos, a estender o atendimento para as comunidades de Três Conquistas, Café sem Troco e Quebrada dos Guimarães, todas do entorno.

Esses territórios são áreas de produção agrícola com ampla concentração de fazendas de plantações de soja, granjas, frigorífico, cultivo de hortas e criação de animais, como gado bovino, suíno e galinhas. Grande parte dos moradores acabam por trabalhar nessas unidades produtoras e apresentam uma condição econômica precária.

Esse diagnóstico influencia diretamente no planejamento escolar, que tem procurado se voltar para as reais necessidades dos moradores. Por essa razão, em 2010, a escola aderiu à educação integral, dentro de uma proposta de aumentar a autonomia dos estudantes frente à realidade que os cerca.

A escola como espaço social

O trabalho se dá com base nas diferenças individuais e na busca das peculiaridades das crianças em cada faixa etária. Esse é o princípio para orientar a formação integral proposta pela instituição. Esse movimento também se ancora na própria busca identitária da escola que se entende como “uma escola no campo e do campo” e que volta sua atuação para o compromisso de estruturar ações que incluam os estudantes na compreensão do contexto físico como um espaço de descobertas. Para os gestores escolares, essa dinâmica possibilita que o educando se reconheça como sujeito ativo e ocupe um papel cidadão.

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O ensino-aprendizagem, portanto, dialoga com as características próprias do campo, mas não as blinda das discussões dos centros urbanos, garantindo assim que os estudantes não fiquem em desvantagem em relação a esses contextos.

Esse processo caminha tomando como orientação os seguintes objetivos:

  • Proporcionar uma aprendizagem significativa, com conteúdos relevantes, para que o aluno se sinta pertencente ao meio escolar.
  • Personalizar o trabalho da escola em todas as esferas;
  • Desenvolver a prática de reflexão em toda comunidade escolar, com vistas ao auto aperfeiçoamento;
  • Criar uma cultura de autoavaliação permanente;
  • Criar uma dinâmica de conscientização de toda a comunidade escolar, de que Educação se faz com participação de toda a sociedade.
  • Oportunizar e incentivar a formação continuada dos profissionais.
  • Respeitar a diversidade de valores, crenças e comportamentos existentes como garantia a dignidade do ser humano.
  • Compreender que a condição de saúde é produzida nas relações com meio físico, econômico e sócio cultural, identificando valores de risco à saúde pessoal e coletiva presentes no meio em que vivem.
  • Conhecer formas de acesso aos recursos da comunidade e as possibilidades de utilização dos serviços voltados para a promoção, proteção e recuperação da saúde.

Organização curricular

As expectativas curriculares giram em torno da oferta de uma aprendizagem significativa voltada para a formação integral dos estudantes, a partir de um movimento que some conhecimentos e não os fragmente. Dessa maneira, os conteúdos são trabalhados a partir de projetos que estimulam a criação de significados ao longo do processo de ensino.

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Entre os projetos específicos da instituição, estão:

Resgatando valores: direcionado aos pais, é planejado a partir da participação de professores, gestores, coordenadores, conselho escolar e auxiliares de educação – efetivos e terceirizados – e busca parcerias para promover palestras e prestação de serviços à comunidade, como psicólogos, orientadores, médicos, dentistas e enfermeiros.

Roda de conhecimentos: planejado pela coordenação em parceria com os professores e gestores, trata-se de um momento com os alunos, no início de cada dia letivo, reservado para o debate sobre questões de diversidade cultural, justiça, solidariedade e outras. Essas discussões se apoiam em textos, músicas, poesias, filmes ou outros recursos de interesse da comunidade.

Semana literária: gestores, professores, coordenadores e os próprios estudantes pensam ações de promoção à leitura dentro da escola.

Horta: realizado com incentivo do programa Mais Educação, o projeto tem a finalidade de implementar bons hábitos alimentares, a valorização do campo, incentivar o cultivo caseiro e integrar a prática e teoria pedagógica no manuseio dos produtos cultivados. Estão envolvidos no planejamento dessas ações os educadores sociais voluntários, professores, coordenadores e gestores.

Matematicando: planejado e executado pela coordenação em parceria com
os professores, o projeto tem como objetivo implantar uma prática usual da matemática financeira com foco na economia diária.

Festa da família: realizada em parceria com a comunidade escolar, tem como principal objetivo estreitar laços na relação escola comunidade.

Todo esse arranjo é viabilizado por planos de ações de desenvolvimento do projeto político pedagógico, que levam em consideração metas e ações específicas no que tange a gestão pedagógica, dos resultados educacionais, de pessoas e administrativa.

Novo arranjo escolar

Na perspectiva integral, a comunidade escolar foi acrescida da atuação de outros profissionais. A Escola Classe Cariru conta também com uma equipe psicopedagógica composta por uma psicóloga, duas pedagogas, e uma professora da sala de recursos.

No atendimento prestado pela equipe, procura-se atender a uma demanda pré avaliada em sala de aula pelos professores, como continuidade do trabalho pedagógico que visa sanar as dificuldades dos estudantes. Em caso de necessidade, esses profissionais encaminham o estudante para um atendimento diário na sala de recursos, em parceria com a sala de aula.

Também atuam na escola seis pessoas da comunidade a partir da parceria com o Mais Educação e Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (PDAF), ministrando oficinas próprias de cada programa.

Principais resultados

A Escola Classe Cariru já surgiu sem a delimitação simbólica dos muros, justamente por ter vindo de uma demanda da comunidade. Dessa maneira, a instituição atua como mais um ator do território e, nessa perspectiva, dialoga com os problemas locais e insere os estudantes na lógica da transformação social.

Cada vez mais, a instituição se firma como um espaço de envolvimento e participação e pauta sua educação a partir da busca comunitária para o bem comum, uma vez que o processo de ensino aprendizagem se dá à medida que se alcança a motivação de cada estudante.

Escola

Abertura da escola à comunidade possibilitou repensar o currículo