Diálogo com o território como condição para uma educação cidadã é o norte de escola argentina

Publicado dia 02/06/2015

Com informações do Canal Ecuentro

Crédito: reprodução

Espaço físico da escola agrotécnica / Crédito: reprodução

A escola argentina técnica de ensino médio está situada na cidade de Tintina, província de Santiago del Estero, uma região seca, onde ao menos 20% da população está na zona rural. O projeto político pedagógico da escola – que existe há 5 anos – tem como eixo central oferecer uma educação fortemente ancorada nas necessidades do território, sem deixar de trabalhar a partir dos interesses individuais dos jovens que frequentam a instituição. Atualmente, a instituição atende a 300 adolescentes e ao redor de 200 ali já se formaram. Alguns projetos já realizados foram a organização de uma festa comunitária para arrecadar fundos para obras na escola e a ampliação de uma represa na localidade vizinha de Alhuampa, além de parcerias com movimentos sociais camponeses da região.

Água potável

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Luis, estudante e morador de Alhuampa, levou o problema de sua comunidade para a escola / Crédito: reprodução

Tintina e as cidades dos arredores somam aproximadamente 6 mil habitantes. Muitos estudantes que chegam à Escola Agrotécnica para completar seus estudos são das localidades vizinhas, onde não há ensino médio. Um dos estudantes, Luis, morador de Alhuampa, trouxe ao colégio o problema da falta de água potável no lugar em que vive. A partir disso, e incorporado à grade curricular, os estudantes realizaram um projeto para ampliar a represa, instalar filtros e torneiras públicas no pequeno vilarejo de 500 habitantes.

“Vamos vendo as necessidades do território e em função disso elaboramos os projetos”, aponta Rodrigo Losada, professor e coordenador de Música. Ele afirma que todos os docentes, dentro do planejamento curricular, devem pensar a qualidade educativa em função de um processo de ensino-aprendizagem que tenha um elemento prático vinculado às necessidades do território.

Festival organizado por estudantes

A escola argentina procura manter um diálogo constante com os jovens a fim de estabelecer novas atividades e projetos que possuam sentido para a comunidade. Quando a instituição completou 5 anos de existência, um grupo de alunas do colégio sugeriu a realização de uma festa popular na escola, aberta ao território, “que há muito tempo não tinha uma festa dessas”, como definiu uma das estudantes.

Antonela treinando pelas ruas de Tintina / Crédito: reprodução

Antonela treinando pelas ruas de Tintina / Crédito: reprodução

Toda a comunidade escolar, do diretor aos estudantes, passando por familiares e outros funcionários, participaram da organização do evento. Com o dinheiro arrecadado com a venda das entradas, comidas e bebidas, a escola pôde colocar um teto no centro poliesportivo, que leva o nome de uma das estudantes, Antonela Urso. A adolescente com deficiência física se dedica ao atletismo, já ganhou competições locais e sonha com as Paraolimpíadas.

Todos grupos relacionados às atividades, iniciativas e oficinas da escola colaboraram com algo para o festejo: uma apresentação musical ou de dança, alimentos para vender ou preparo da infraestrutura, entre outras tarefas. Intitulado “Festival para uma soberania política e independência econômica”, o evento ainda serviu de apoio para discussões e debates dentro da escola.


Vídeo em espanhol

Oficinas técnico-produtivas

Entre as atividades profissionalizantes está a produção em uma horta, na qual os estudantes participam de todos os processos da produção: preparação do solo, plantio, manutenção, colheita e comercialização para a própria comunidade. O lucro é revertido para a escola. Também há disponível uma oficina de metalurgia, na qual os estudantes produzem materiais e ferramentas que estejam em falta na cidade de Tintina.

Outra iniciativa é a articulação com movimentos sociais da região. Com o Movimento Campesino de Santiago del Estero (Mocase), vinculado à Via Campesina, os estudantes realizam oficinas de produção agropecuária, como a de fabricação de embutidos. “Sempre tentamos trabalhar com outros, com organizações camponesas, com cooperativas, e fazer com que todos esses saberes que estão no território sejam fortalecidos a partir do colégio”, conta Rodrigo Losada.

Jovens trabalham na horta / Crédito: reprodução

Jovens trabalham na horta / Crédito: reprodução

A instituição também conta com uma oficina de fabricação de instrumentos musicais, além das de produção musical, onde são valorizados os ritmos locais, vinculados à cultura popular do interior da Argentina, como a chacarera.

Principais resultados

“Fazemos práticas permanentes de cidadania para que os jovens se tornem sujeitos transformadores da realidade”, afirma Fabían de Bueno, diretor da escola. Transformações que são impulsionadas não somente a partir de um ofício, mas também do ponto de vista cultural, educativo e político, uma vez que estão fortemente contextualizadas no território.

Para o diretor da escola, um dos principais frutos da proposta pedagógica é observar os jovens se tornarem em sujeitos com potencial transformador, uma conquista ainda mais significativa quando se leva em conta o território onde estão inseridos os estudantes, no interior de uma das províncias mais pobres da Argentina.

*Com informações do Canal Ecuentro

Contato: 

Endereço: San Mart N, Tintina, Santiago del Estero, Argentina.

Tel: +54 3846 42-1297 (Prefeitura de Tintina).