Brooklyn Free School: por uma educação livre e democrática

Publicado dia 26/08/2014

Iniciativa: Brooklyn Free School

Pública ou privada: Privada

Descrição: “Promover  a participação dos alunos na tomada de decisões e resolução de problemas, independente de sua renda, raça, habilidade, idade ou sexo, com apoio da comunidade”. A missão da Brooklyn Free School (Escola Livre do Brooklyn) traduz a principal diretiva da instituição, de promover o ensino e aprendizagem com base no exercício da liberdade e da democracia, princípios norteadores da vivência escolar.

Créditos: Divulgação

Créditos: Divulgação

A escola atende crianças dos 4 aos 14 anos de idade em um modelo que apóia atividades autodirigidas pelos estudantes. Em todas as etapas escolares, as crianças e adolescentes são estimuladas a desenvolver liderança e responsabilidade, a partir de um aprendizado que leva em conta as paixões de cada um. Para a escola, essa aproximação com os desejos pessoais faz com que os alunos desenvolvam afeto pelo processo e fortaleçam a busca pelo conhecimento, atributos que podem auxiliá-los na procura por uma universidade ou trabalho. Para tanto, a escola orienta os estudantes na realização de atividades e projetos que dialoguem com suas expectativas, além de oportunizar estágios, vagas de voluntariado ou encaminhá-los para outros programas parceiros na cidade de Nova York.

Saiba +: Na Índia, Escola Riverside aposta em empoderar os alunos

Créditos: Reprodução

Créditos: Reprodução

Aprendizagem autodirigida

A valorização da postura autônoma do aluno em relação ao conhecimento é sustentada por um currículo bastante flexível e construído dia a dia a partir das diversas interlocuções, estabelecidas em conjunto com os demais estudantes e a comunidade escolar. Há um entendimento de que a aprendizagem não é um produto de ensino, mas fruto das atividades dos alunos, momentos  nos quais eles são capazes de estabelecer conexões e se apropriar do conhecimento.

Isso justifica as diversas possibilidades de experimentação no cotidiano escolar, com valorização às expressões próprias dos alunos e aos momentos dirigidos pelos professores, que também têm o papel de direcionar a aprendizagem a partir de alguma atividade ou projeto. Também se intercalam os momentos de construção individual aos de grupo, que trazem repertório para a postura autônoma do aluno, com vistas ao seu desenvolvimento integral.

O trabalho não perde de vista as habilidades que giram em torno da leitura, escrita e matemática. Esses conceitos são apresentados de maneiras diversas aos alunos, de acordo com a fase escolar em que se encontram. Para os mais jovens, a aproximação é feita por meio de rodas de leitura, Olimpíadas de Matemática e outros eventos para os quais a comunidade escolar se mobiliza; para os mais velhos, essas habilidades são também trazidas em meio às disciplinas, como história, literatura, geografia, filosofia e ciências.

Dessa forma, a escola defende a ideia de que os estudantes consigam estabelecer uma relação próxima e significativa com o mundo ao redor e que entendam os adultos como apoio importante no processo de planejar, organizar e acompanhar seu desenvolvimento. Não há obrigatoriedade em relação a notas, avaliação e lição de casa, já que a evolução escolar é medida diariamente entre os pares, em diálogo com os educadores.

Postura democrática

Uma vez por semana, a escola inteira se mobiliza para reuniões democráticas, a “alma da aprendizagem”, como a própria instituição define. Aos momentos são reservadas discussões sobre os problemas escolares, com indicação de melhorias ou soluções.

Saiba + Reggio Emilia: escolas feitas por professores, alunos e familiares

Os encontros são mediados pelos alunos, que têm a oportunidade de vivenciar a democracia na prática, a partir de uma agenda totalmente aberta que pode ser modificada por qualquer participante. Cada presente tem direito a um voto, seja ele pai, voluntário ou aluno a partir dos cinco anos de idade.

A equipe gestora acredita que o método é uma das formas de se investir na comunidade escolar, fazê-la ativa e ciente de sua importância no processo de aprendizagem de todo o coletivo.

Início e duração: de 2004 até os dias atuais.
Local: Brooklyn, Nova York.
Responsáveis: Brooklyn Free School

Financiamento: A escola é financiada pelas matrículas dos estudantes e cada família paga uma mensalidade proporcional à renda familiar, garantindo a diversidade dos estudantes como um ponto fundamental da política da instituição.

Principais resultados:

A Brooklyn Free School já conta com mais de 60 alunos, além de vários consultores e voluntários, muitos deles pais. A instituição tem relatos de vários estudantes que, após a formação, ingressaram em faculdades públicas e privadas, programaram viagens ou iniciaram carreira no mundo do trabalho. A conduta dos alunos também é comemorada pela instituição que reconhece a autonomia presente em todos os processos. Há relatos de que os próprios alunos se organizaram para discutir a eficiência das reuniões democráticas.

Contato:
Brooklyn Free School
Telefone: +1 (718) 499-2707
Site: http://www.brooklynfreeschool.org/home/
E-mail: contact@brooklynfreeschool.org

 

18 experiências que promovem a autonomia e protagonismo dos estudantes