publicado dia 15/10/2026
Dia do Professor: 3 livros sobre a importância dos educadores para a democracia
Reportagem: Ingrid Matuoka | Edição: Tory Helena
publicado dia 15/10/2026
Reportagem: Ingrid Matuoka | Edição: Tory Helena
🗒️ Resumo: No Dia do Professor (15 de Outubro), conheça indicações literárias que abordam as conexões entre o trabalho docente e a defesa da democracia.
Há mais de 160 anos a relação entre os professores e a democracia de um país já era evidente. É o que defendeu Luiz Gama (1831-1882), advogado, poeta e abolicionista, ainda no auge do Império escravista brasileiro. Ao longo de sua vida, publicou artigos sobre o Direito à Educação universal e as obrigações do Estado em garantir um ensino público de qualidade e como fundamento da vida democrática, e lutou pela abertura de uma sala de aula na Rua 25 de Março, em São Paulo (SP).
Neste 15 de outubro, Dia do Professor, a convicção de Luiz Gama segue atual. Um século e meio depois de seus artigos, passando inclusive pela defesa da escola como “máquina que prepara as democracias” por Anísio Teixeira, o Brasil tem 2,4 milhões de professores na Educação Básica (Censo Escolar 2025), responsáveis por formar diariamente 46 milhões de pessoas, da infância à terceira idade.
A pedido do Centro de Referências em Educação Integral, três educadores indicam livros que ajudam a compreender por que a docência é inseparável do projeto democrático, e por que defender professores é também defender o país.
Confira a lista a seguir:
Advogado, poeta, jornalista e abolicionista, Luiz Gama teve boa parte de sua produção esquecida por quase dois séculos. O volume integra as Obras Completas organizadas pelo pesquisador Bruno Rodrigues de Lima, a serem lançadas em dez volumes com cerca de 800 escritos de Gama, 600 deles inéditos. Nos artigos reunidos na obra, publicados entre 1866 e 1869, Gama defende abertamente o Direito à Educação universal e as obrigações do Estado em garantir um ensino público de qualidade em todos os níveis como fundamentos da vida democrática, e o faz em pleno Império escravista.
Quem recomenda: Carlos Eduardo Sanches Jr., coordenador pedagógico na EMEF Espaço de Bitita, em São Paulo (SP)
A obra de Luiz Gama tem ganhado novas publicações e fôlego, o que nos permite conhecer o pioneirismo do advogado, militante, poeta e escritor. Nesta obra, podemos conhecer o conjunto de artigos de Luiz Gama para o jornal Democracia.
Em tempos onde era considerado legal a manutenção de pessoas sequestradas e mantidas em trabalhos forçados ao longo de toda a vida, Luiz Gama trabalhou para uma Educação com todas e todos. Ele atuou para a abertura de uma sala de aula na Rua 25 de Março e descreve ao longo de seus artigos quais são os princípios que deveriam guiar o povo através de uma Educação pública, gratuita, laica e universal.
A Educação apresentada por Luiz Gama é a base para a democracia e o progresso de uma nação. O abolicionista anuncia o que almejamos hoje, antes mesmo da Proclamação da República e dos movimentos de renovação pedagógica. Gama antecipa os pioneiros da Educação e cria uma fenda nos cenários de violências da segunda metade do século XIX. Devemos muito a Luiz Gama!
Lançado no período de redemocratização do país, o livro se tornou um clássico da formação docente no Brasil e é uma das bases da pedagogia histórico-crítica, corrente formulada por Saviani. A obra discute as teorias da Educação à luz de sua relação com a sociedade e defende o acesso das camadas populares ao conhecimento sistematizado como condição para a democratização.
Quem recomenda: Lucia Cristina Cortez, gestora da EMEF Prof. Waldir Garcia, em Manaus (AM)
Este livro é importante porque analisa como se relaciona a organização social e política sempre na defesa da escola pública, que tem papel emancipador e democrático, características essenciais para a escola contemporânea, articulada com seu território e comunidade, que vive uma gestão democrática e participativa.
A obra discute o papel ativo do docente na superação de visões ingênuas, superficiais do ensino. É uma ferramenta indispensável para a construção da cidadania e da prática democrática na sala de aula.
Na escola contemporânea, é necessário incentivar o protagonismo, não só nos docentes, mas em todos os atores educacionais. É necessário sair dessa escola simplesmente instrucional, bancária, e viver a escola articulada com seu território, com currículo integrado e integrador, e que dialoga com os interesses dos estudantes, dos docentes e de todos.
Publicado originalmente nos Estados Unidos, o livro chegou ao Brasil em 1997. Nele, o pensador norte-americano desenvolve o conceito de professor como intelectual transformador e argumenta pela necessidade de defender as escolas como instituições essenciais para a manutenção e o desenvolvimento de uma democracia crítica. A obra critica a visão do docente como mero executor de métodos e programas pensados por outros.
Quem recomenda: Gina Vieira, educadora e formadora de professores
Indico a leitura do livro porque é uma obra fundamental para entendermos o papel dos profissionais da Educação na promoção de um país democrático.
O autor dá destaque aos professores como intelectuais transformadores e coloca em questão como determinadas reformas educacionais atentam contra a natureza democrática da Educação, ao alijarem os professores das discussões e das mudanças propostas.
Em muitas reformas educacionais implementadas, nesta mesma lógica de colocar os professores como objeto e não sujeitos do processo pedagógico, há também segundo o autor, um processo de proletarização do trabalho docente. Isso ocorre quando aos professores é imposta a tarefa de administrar e implementar programas curriculares, mas não ocorre de eles se apropriarem criticamente de currículos que satisfaçam objetivos pedagógicos específicos.
O autor salienta, portanto, que para que um professor e uma professora sejam capazes de atuar em favor das aprendizagens, do desenvolvimento integral dos seus alunos e, mais ainda, da construção do pensamento crítico e do fortalecimento da democracia, esses profissionais precisam ser autores da sua prática, precisam ter a sua autonomia preservada e precisam construir um forte repertório teórico, social e cultural que lhes permita compreender como organizar o trabalho pedagógico promovendo valores democráticos, marcos civilizatórios e a vida em sociedade.