publicado dia 01/04/2026

Live explora caminhos para enfrentar a violência de gênero nas escolas

Reportagem:

🗒️Resumo: Naturalizada no cotidiano escolar, a violência de gênero traz consequências graves para os estudantes, mas segue pouco reconhecida pelos educadores. Na live Hora do Intervalo, os especialistas Débora Lira e Ismael dos Anjos analisam os impactos para meninos e meninas e exploram estratégias de prevenção da violência de gênero na Educação.

O que é violência de gênero e como ela costuma se expressar na escola? Quais as consequências de um ambiente escolar hostil para meninas? Como educadores podem discutir o tema e prevenir as violências no espaço escolar?

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Naturalizada e recorrente no ambiente escolar, a violência baseada no gênero traz consequências graves para o desenvolvimento integral dos estudantes, mas segue pouco visibilizada e discutida pelos educadores.

Na live Hora do Intervalo, os especialistas Débora Lira e Ismael dos Anjos compartilham dados e estratégias de prevenção da violência de gênero na escola.

Quem participou da live

Debora Lira e Ismael dos Anjos discutem violência baseada no gênero em escolas

Debora Lira e Ismael dos Anjos discutem como enfrentar a violência baseada no gênero em escolas.

Crédito: Reprodução

Débora Lira é especialista em Políticas Públicas e Gênero no Instituto Serenas, é mestre em Administração Pública e Governo pela Fundação Getúlio Vargas, e Cientista Política pela UFPE. Acumulou experiências em pesquisa com foco em Gênero e políticas públicas de Educação, além de saúde reprodutiva e sexual. Foi consultora de projetos na Secretaria da Mulher de Recife (PE) e com a Secretaria da Mulher e Direitos Humanos do Alagoas.

Ismael dos Anjos é pai socioafetivo do Francisco, jornalista, mestre em fotografia documental e consultor sobre masculinidades, equidade de gênero e raça. Cofundador do Instituto de Defesa da População Negra, coordenou o projeto “O Silêncio dos Homens”, pesquisa e documentário que abordam as construções sociais dos homens no Brasil e dirigiu o curta “Origens”. Atualmente, realiza junto com Isabela Venturoza o curso Masculinidades nas Escolas e facilita rodas de conversas para adolescentes e jovens.

📺Como assistir a live Hora do Intervalo

Realizada pelo Centro de Referências em Educação Integral, a live Hora do Intervalo é mensal e busca jogar luz em conceitos e discussões fundamentais para a agenda da Educação Integral e do Tempo Integral nas escolas.

É possível acompanhar a transmissão ao vivo pelo perfil do Instagram do Centro de Referências em Educação Integral.

Posteriormente, a live também fica disponível no canal do YouTube e do Spotify.

Assista ou conheça os principais trechos da live a seguir.

O que é violência de gênero 

“É fácil e difícil ao mesmo tempo falar o que é violência baseada no gênero”, afirma Débora Lira. “Quando apresentamos situações concretas na escola, é mais fácil de identificar”, complementa a especialista do Instituto Serenas.

“É toda aquela violência que acontece com a pessoa por conta do gênero dela, que acontece com meninas e mulheres identificadas como do gênero feminino. É uma violência muito relacionada com a prática do machismo, da misoginia e da desigualdade de gênero”, define Débora, citando a pesquisa “Livres para Sonhar?”, conduzida pelo Instituto Serenas com 1400 educadores em todo o Brasil sobre o tema.

🔎O que é violência baseada no gênero (VBG)
O termo abrange todas as formas de violência e ameaças de violência que afetam estudantes em decorrência da sua identidade de gênero e que estão relacionadas ao ambiente escolar. Ou seja, ela pode acontecer dentro da escola, no trajeto para ela, durante atividades extracurriculares ou por meio das redes sociais. Essas violências podem ser infligidas pelos próprios estudantes, professores ou outros membros da comunidade escolar.

Como a violência de gênero aparece na escola? 

E como ela se apresenta na escola? Comentar a aparência ou a roupa das estudantes é um exemplo muito citado pelos professores. Cantadas indesejadas dirigidas às meninas e a exposição da intimidade delas sem consentimento também são mencionados como  violência de gênero.

Para 86% dos professores ouvidos pela pesquisa, o cenário afeta de forma negativa a trajetória escolar das estudantes. Outros 71% afirmam ter notado impactos negativos para o desenvolvimento e aprendizagem das estudantes.

“As violências que os meninos sentem se refletem nas violências que eles causam”, afirma Ismael dos Anjos.

A escuta das estudantes durante a realização da pesquisa confirma a percepção dos educadores.  “Muitas disseram que essas situações geram muito desconforto, tristeza e ansiedade para elas”, conta Débora Lira.

A especialista do Instituto Serenas relata que a violência de gênero traz impactos sérios para os estudantes. Entre os mais citados pelos professores, estão efeitos negativos para a saúde mental: casos de depressão, ansiedade, além de baixa autoestima e isolamento social.

O educador Ismael dos Anjos, especialista em masculinidades, explica que a violência de gênero não está restrita às mulheres, mas acontece também com os meninos e as pessoas não-binárias.

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“Uma violência de gênero que meninos sofrem desde a mais tenra idade, por exemplo, é ouvir gay, viado, bicha como se fossem xingamentos. Ao mesmo tempo em que coloca o feminino como indesejável, [essa situação] faz com que o menino pense que certos comportamentos não são bem-vindos no ambiente escolar”, analisa Ismael. “As violências que os meninos sentem se refletem nas violências que eles causam”, ressalta.

Como enfrentar a violência de gênero na escola

Live debate caminhos para enfrentar a violência de gênero nas escolas

Para os especialistas, a prevenção da violência de gênero na escola precisa ir além do punitivismo.

Crédito: Istockphoto

Para começar a enfrentar a violência de gênero na escola, um primeiro passo é identificá-la. Ismael explica que a violência de gênero envolve os marcadores da violência moral, psicológica, patrimonial, física e sexual.

“É importante pensar em identificar as violências, porque muitas delas são vistas como comportamentos ou aceitáveis”, complementa Ismael.

Para Débora Lira, a prevenção da violência de gênero deve estar no PPP e no currículo  da escola

Partir pressuposto de que todos nós podemos sofrer ou praticar violências também é um ponto central. Isso ajuda a ir além do punitivismo e pensar em soluções mais eficazes e permanentes.

“Entender que o trabalho [para enfrentar a violência de gênero] precisa ser entremeado pelo currículo é o principal desafio. Precisamos pensar em como isso será trabalhado da Educação Infantil até o Ensino Médio. E isso é muito difícil. Geralmente, sou procurado [por escolas] quando o incêndio já aconteceu”, conta Ismael, que organiza rodas de conversas com estudantes adolescentes e ministra o curso “Masculinidades nas Escolas”.

“Esse tema precisa ser trabalhado de forma consistente, no Projeto Político Pedagógico (PPP) da escola e no currículo”, concorda Débora.

 

Como a violência de gênero nas escolas impacta as meninas? 

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