publicado dia 13/09/2017

Mais de 3,5 milhões de crianças refugiadas estão fora da escola, diz estudo

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O relatório Deixados para trás: crise na educação de refugiados, divulgado pelo Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), nesta terça-feira 12, apontou que mais de 3,5 milhões de crianças refugiadas com idade entre 5 e 17 anos não frequentaram a escola em 2016.

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O relatório compara números da educação de refugiados com dados da Unesco sobre a Educação Básica em todo o mundo e mostra que, globalmente, o percentual de crianças que estavam matriculadas na escola é de 91%, enquanto para os refugiados esse número cai para 61%. Em países de baixa renda, a situação dessa população é mais agravante, ficando em 50%.

“Quando comparamos com outras crianças e adolescentes ao redor do mundo, percebemos que a lacuna de oportunidades para refugiados está cada vez maior”, comenta Filippo Grandi, Alto Comissário da ONU para Refugiados.

À medida que essas crianças crescem, os obstáculos em relação à educação aumentam. Apenas 23% dos adolescentes são matriculados na escola, enquanto globalmente esse número atinge 84%. No Ensino Superior, o relatório mostra que, mesmo com investimento em bolsas de estudo e outros programas, o percentual de refugiados que consegue acessar a universidade é de 1%.

Avanços na educação de refugiados

Apesar da conclusão ser negativa, o relatório também apontou que o número de crianças refugiadas na pré-escola aumentou de 50% para 61% no último ano letivo.

De acordo com o Acnur, esse avanço aconteceu por conta do aprimoramento de políticas e investimentos em educação para refugiados sírios. O avanço também se deu pelo fato de muitas crianças chegarem à Europa, onde a educação é obrigatória.

“O progresso percebido na quantidade de crianças refugiadas sírias matriculadas demostra claramente o potencial para reverter essa crise na educação de crianças refugiadas”, comenta Grandi.

Para que esses números sejam sempre positivos, o relatório defende considerar a educação como uma resposta fundamental no que diz respeito às emergências que envolvem pessoas refugiadas.

O documento ainda solicita que “os governos incluam refugiados em seus sistemas nacionais de educação como forma de oferecer uma resposta mais eficaz, igualitária e sustentável“.

Por fim, destaca-se a importância do ensino de qualidade e de como redes de apoio nacionais e internacionais são necessárias para manter os professores preparados e capazes de atuar positivamente em salas de aulas com esses alunos.

Plataforma gratuita ajuda a localizar crianças fora da escola