publicado dia 28/10/2015

Livros para todas as etapas do desenvolvimento de crianças e adolescentes

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Crédito: Anelina/Shutterstock

Em um famoso conto de Clarice Lispector, a personagem principal nutre uma grande inveja de uma colega de classe. Apesar das balas que ela sempre trazia para a escola – as quais chupava fazendo barulho e sem nunca oferecer – a razão da inveja era outra: o pai da coleguinha era dono de uma livraria.

A menina conta como passa dias e dias esperando ansiosamente por um livro emprestado, até que finalmente recebe em suas mãos Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. Tamanha espera faz o leitor do conto, então, imaginar que o livro será devorado pela pequena leitora. Que nada. A personagem estica o quanto pode o prazer da leitura.

“Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade”, escreve Lispector, em”Felicidade clandestina”.

O texto coloca a leitura e os livros no lugar onde eles devem estar: o do prazer. Mas como fazer com que crianças e adolescentes se convençam disso? Como fazer que eles se deixem encantar pela literatura?

Em comemoração ao Dia Nacional do Livro – 29 de outubro – o Centro de Referências em Educação Integral faz uma seleção de algumas de suas matérias e artigos, já publicados, que tratam do tema, desde listas de obras indicadas para crianças e adolescentes, a artigos sobre os benefícios e prazeres da leitura. Confira:

1. Livros que toda criança e adolescentes devem ler
O Pequeno príncipe, O dia do coringa e Marcelo, Martelo, Marmelo são algumas das obras indicadas por especialistas, educadores e escritores que têm potencial para contribuir com o desenvolvimento integral dos estudantes de diferentes faixas etárias. A integralidade da atividade vem não apenas pela exploração dos aspectos da linguagem, mas também das sensações e dos aspectos simbólico, histórico e cultural que podem dialogar tanto com a realidade do estudante como transportá-lo para outras culturas.

2. Especialistas apontam que leitura é a base do desenvolvimento integral das pessoas
Ser alfabetizado e ter acesso a livros e bibliotecas públicas é mais do que uma atividade ligada à fruição: é um direito. Nesse sentido, especialistas debatem quais os desafios do Brasil para efetivá-lo. “Para isso precisamos de adultos leitores, de bibliotecas públicas, escolares e comunitárias, de políticas de leitura e de formação de leitores que tratem a leitura de literatura como um bem social”, afirma um dos entrevistados.

3. Qual livro marcou sua juventude?
Nove personalidades ligadas à educação integral, direitos da criança e da juventude contam quais foram as obras que, lidas durante a adolescência, mudaram sua forma de ver e sentir o mundo. Vejas as escolhas de Pilar Lacerda, Ariel de Castro Alves, Gabriel Medina e Tião Rocha, entre outros.

4. Projeto estimula crianças e jovens a se tornarem escritores
Ler e escrever são atividades fortemente interligadas e que se retroalimentam. Ver tal relação dessa maneira é essencial para consolidar o conhecimento da linguagem de forma sólida. No projeto “Primeiro Livro”, Luis Junqueira propõe a crianças e adolescentes de 9 a 19 anos a criação de sua primeira obra, tanto texto como ilustração.  “Não delimitamos tema, não damos nota, usamos a primeira aula para que os alunos soltem a imaginação, desenhando e escrevendo o que quiserem”, conta Luis.

5. Amar se aprende amando, ler se aprende lendo
A socióloga Christine Fontelles escreve, em artigo, um paralelo entre amar e ler, atividades que têm em comum serem extremamente desafiantes, ainda que, ao mesmo tempo, prazerosas e necessárias. “Tal qual aprendemos a ser humano e amoroso no convívio e no contato com os outros, aprendemos a ler mediante uma experiência repleta de altos e baixos, com dificuldades e superações. Aprendemos a ler expostos às experiências leitoras, no convívio e no contato cotidiano com livros, leitores e leituras. Aprendemos assim a refinar o gosto, apurar os sentidos, desbravar textos complexos e, de certa forma, descobrir, em nós, um leitor ávido em empreender leituras desafiadoras”.

 

 

Como estimular a leitura entre crianças e jovens na escola?