Projeto Memória Afetiva e Coletiva de uma escola envolveu alunos no estudo de História

Publicado dia 09/04/2014

Iniciativa: Memória Afetiva e Coletiva de uma escola

Pública ou Privada: Pública

Trabalhar a disciplina de História em sala de aula é sempre um desafio. Isso porque a maioria dos estudantes não compreendem a razão de estudar algo tão distante de suas realidades. Diante dessa dificuldade, o professor de história Raimundo da Silva, da Escola Estadual Deputado Silva Prado, localizada na Zona Leste da cidade de São Paulo resolveu fazer o exercício inverso. Em vez de temas sobre a história geral, o docente investiu em um projeto que estimulava os alunos a enxergar que, antes mesmo de ocupar o espaço dos livros didáticos, o conteúdo estava presente no cotidiano de cada um deles, nas lembranças que traziam da infância ou da família.

ideia-lanterna-cor-cores-©-De princípio, a ideia de possuir uma memória aos 13 ou 14 anos era algo incompreensível aos estudantes, que enxergavam o conteúdo histórico apenas como objeto de estudo de acontecimentos muito distantes. Foi aí que o professor passou, então, a formar rodas de conversa nas quais trazia textos que tinham como ponto de partida a memória do próprio autor. Os textos mostravam que a memória coletiva também se encontrava nas narrativas individuais, o que ajudou os meninos e meninas a compreenderem que a história é uma construção diária, e que esse é um exercício importante para entender a sociedade e a si próprio.

Uma das estratégias adotadas pelo educador foi apresentar às quatro turmas de 8º ano o livro Contos de Infâncias Periféricas, escrito por um grupo que trabalha literatura na zona leste paulistana. A proximidade geográfica, assim como descobrir que pessoas tão próximas o haviam escrito sensibilizaram ainda mais os estudantes, que se empolgaram na escrita de suas recordações.

“Minha infância ainda está viva na minha cabeça. Me lembro de meus primos que aprontavam todas. Toda semana nos reuníamos em uma casa enorme, que no total eram três casas. Cada casa era uma brincadeira diferente, mas a casa que mais marcou a minha infância foi a do fundo. Nesta casa não morava ninguém. Estava esquecida. E ela instigava nossa curiosidade e a nossa imaginação”. (Natália Marasca, estudante do 8º ano – relato do livro “Memórias do Prado”).

Processo colaborativo

Ao todo, foram 120 textos produzidos pelos estudantes, em um período de seis meses. Desse montante, 15 foram selecionados para o livro “Contos do Prado”, a partir da seleção do professor Raimundo, em parceria com docentes da mesma disciplina e de Língua Portuguesa. Dois estudantes ficaram encarregados de produzir as ilustrações. Após o envio do primeiro esboço pela editora, os alunos puderam ainda opinar sobre o formato e conteúdo. (Leia aqui o livro memórias do Prado na íntegra).

Memória dos educadores

Além dos estudantes, o educador de história percebeu que seria importante envolver também os demais docentes da unidade escolar, fazendo desse um verdadeiro momento para construir a memória da própria escola. Para tanto, Raimundo reuniu um grupo de alunos, que entrevistaram professores de variadas disciplinas, que lecionam na escola há mais de vinte anos, possibilitando aos jovens traçar uma linha do tempo dos eventos mais marcantes da escola. O resultado disso foi um vídeo de pouco mais de 3 minutos, divulgado junto ao lançamento do livro, em evento que contou com a presença de toda a comunidade escolar.

Início e duração: de maio a novembro de 2013.
Local: Escola Estadual Deputado Silva Prado – Bairro Jardim Popular, Penha – Zona Leste de SP.
Responsáveis: Professor de história, Raimundo Justino da Silva
Envolvidos e parceiros: alunos, professores, ex-professores e familiares. Financiamento: o projeto foi financiado pelo Prodesc (Cadastro de Projetos Descentralizados), da Secretaria Estadual de Educação.
Principais Resultados: 

Com o procmemoriaafetivadaescola_divulgacaoesso do projeto, foi possível verificar maior envolvimento dos educandos com a disciplina de História, além de ampliar o envolvimento das famílias, que estiveram presentes no dia do lançamento da obra. Além disso, verificou-se que, com a iniciativa, foi possível estimular a reflexão dos alunos sobre os conceitos históricos e de promover, assim, a autonomia e a ação coletiva desses estudantes. Além disso, o professor utilizou o projeto para compor parte da avaliação dos estudantes no ano de 2013. 

A escola, que já investe em processos de autoavaliação, apoiou que o professor utilizasse as narrativas para discutir o processo e envolvimento dos estudantes com  a proposta. Paralelamente, o professor fez uma devolutiva individual para cada um dos 120 relatos, garantindo que, mesmo sem a participação da publicação, cada estudante recebesse a atenção necessária.

Contatos
Site: http://deputadosilvaprado.blogspot.com.br
E-mail: rj.pj@ig.com.br (Professor Raimundo da Silva)

Três escolas e as várias conquistas da autonomia