publicado dia 09/10/2026
Educação pesa no voto de 71% dos brasileiros e tempo integral é visto como proteção, diz pesquisa
Reportagem: Ingrid Matuoka
publicado dia 09/10/2026
Reportagem: Ingrid Matuoka
🗒️ Resumo: A pesquisa O que a população pensa sobre a Educação 2026, feita pelo Instituto IDEIA para um grupo de seis organizações do campo educacional, mostra que 83% dos brasileiros querem a Educação entre as três prioridades dos governadores e que 52% veem no tempo integral uma forma de proteção.
Em ano eleitoral, a Educação aparece como tema que mobiliza o voto de 71% dos brasileiros, de acordo com a pesquisa O que a população pensa sobre a Educação 2026. Desses, 35% concordam totalmente e 36% concordam. Outros 83% afirmam que a Educação deveria estar entre as três prioridades do governador de seu Estado nos próximos quatro anos.
O levantamento foi feito pelo Instituto IDEIA a pedido da Fundação Itaú, da Fundação Lemann, do Instituto Natura, do Instituto Sonho Grande, do Instituto Unibanco e do Todos Pela Educação. Foram 20 mil entrevistas com brasileiros de 16 anos ou mais em todas as unidades da federação.
Para Olavo Nogueira Filho, diretor-executivo do Todos Pela Educação, os resultados mostram uma população que acompanha o tema. “Isso sugere que o brasileiro está atento à qualidade da educação pública”, afirmou em texto de divulgação da organização.
A percepção de que a Educação muda vidas é praticamente consensual. Para 86%, ela é um fator importante para mudar de vida e 85% concordam que, para ter um país melhor, é preciso melhorar a qualidade da Educação pública.
Questionados sobre como o tempo integral pode contribuir para a segurança de estudantes e famílias, 52% dos brasileiros responderam que o modelo ajuda a prevenir a exposição dos jovens ao recrutamento por facções e grupos criminosos.
A resposta mais citada (54%) é que a escola de tempo integral permite que os responsáveis trabalhem com mais tranquilidade, o que o relatório lê como uma segurança que alcança a organização familiar. Além disso, 35% dizem que o modelo aumenta a proteção e o cuidado no ambiente escolar, e 16% que contribui para prevenir o abuso contra meninas. Só 5% afirmam que o ensino integral não contribui para a segurança.
Proteger os estudantes aparece também entre os benefícios de curto prazo. Ao lado de menos tempo de tela em casa (40%), maior aprendizagem (39%) e desenvolvimento de habilidades sociais e emocionais (35%), 19% citam que o modelo mantém os alunos mais seguros e protegidos por mais tempo.
Já entre os que não matriculariam os filhos em uma escola de tempo integral, 15% mencionam a preocupação com a segurança no trajeto de ida e volta.
O levantamento constatou que o tempo integral é conhecido, mas pouco compreendido. Ao todo, 71% da população já ouviu falar das escolas públicas em tempo integral, índice que sobe para 90% entre pais e responsáveis. Só 38% dos que conhecem o modelo, no entanto, se dizem bem informados sobre ele. A maioria (51%) se considera mais ou menos informada.
O nível de informação muda a disposição das famílias. Entre os que já ouviram falar da política, 52% matriculariam ou já têm filhos matriculados em escolas de tempo integral. Entre os que não conhecem, são 33%. No total da amostra, 2% já têm filhos nesse modelo, 44% matriculariam, 29% talvez matriculassem e 19% não o fariam.
As classes C, D e E são as que mais aderem. No total, 51% das pessoas da classe C e 49% das classes D e E matriculariam ou já têm filhos em escolas de tempo integral, contra 31% na classe A/B. Entre os que conhecem a política, os índices sobem para 59% na classe C e 58% nas classes D e E, contra 37% na A/B.
Entre os que já ouviram falar do modelo, 53% concordam que os alunos das escolas em tempo integral recebem uma Educação de melhor qualidade. A concordância chega a 56% na classe C, 57% nas classes D e E e 58% entre pais e responsáveis.
No longo prazo, mais da metade da população acredita que o modelo prepara melhor os jovens para o Ensino Superior (57%) e para o mercado de trabalho (55%), e 45% dizem que ajuda a planejar o futuro.
Sobre o que deveria ser uma boa escola de tempo integral, 43% preferem uma escola em que os alunos passem mais tempo com atividades diversificadas, como projeto de vida e esportes, e 38% uma escola em que possam fazer um curso técnico. Apenas 12% defendem mais aulas das disciplinas tradicionais, como Português e Matemática.
Entre os que resistem, os principais motivos são a jornada exaustiva para o aluno (34%), o menor tempo com a família (31%) e a falta de estrutura das escolas para manter os estudantes o dia todo (30%). Aparecem ainda a preocupação com a alimentação oferecida (16%), a necessidade de o jovem ter tempo livre para trabalhar ou gerar renda (15%) e a de ajudar em tarefas domésticas ou cuidar de familiares (13%).
No país, 45% avaliam como ótima ou boa a qualidade das escolas públicas do seu Estado. Santa Catarina (60%) e Ceará (59%) lideram as avaliações positivas, seguidos por Paraná (57%), Goiás (54%) e Mato Grosso (54%). Na outra ponta estão Rio de Janeiro (31%), Rio Grande do Norte (36%), Roraima (36%), São Paulo (38%) e Distrito Federal (41%).
Segundo o relatório, essa percepção acompanha, em alguma medida, os resultados educacionais. Estados com melhor desempenho, como Ceará, Paraná e Goiás, recebem notas mais positivas, enquanto os de resultados mais baixos, como Rio de Janeiro, Roraima, Rio Grande do Norte e Distrito Federal, são avaliados de forma mais crítica.
“Os dados sugerem, portanto, que a percepção da população não é homogênea: ela consegue identificar diferenças na qualidade da Educação pública oferecida entre os estados”, diz um trecho do documento.
Quase metade dos entrevistados (49%) diz que a qualidade das escolas públicas do seu estado melhorou nos últimos quatro anos, contra 17% que veem piora e 29% que não percebem diferença. No Nordeste, 56% enxergam melhora, enquanto no Sudeste o índice cai para 43%.
Quando questionados sobre as principais prioridades da Educação para os próximos anos, os entrevistados colocam os professores em primeiro lugar. Melhorar salários e condições de trabalho docente foi citado por 53%, à frente de ampliar cursos técnicos para jovens do Ensino Médio (48%), garantir que todas as crianças aprendam a ler e escrever até os 8 anos (47%) e melhorar a formação dos professores (37%).
Mais abaixo na lista aparecem ampliar vagas em creche (23%), ampliar o número de escolas militares (19%), ampliar o número de horas que os alunos passam na escola (15%), acabar com a doutrinação em sala de aula (14%) e permitir o homeschooling (8%).
A valorização docente lidera em todas as regiões, com 56% no Sudeste, 53% no Norte, 52% no Sul, 51% no Centro-Oeste e 49% no Nordeste. A segunda prioridade, no entanto, muda conforme o território. No Sudeste, no Sul e no Centro-Oeste, é a ampliação dos cursos técnicos. No Nordeste e no Norte, é a alfabetização.
A importância atribuída aos professores contrasta com a forma como a população enxerga a carreira. Para 56%, os docentes não são valorizados pela sociedade, e 58% discordam que os professores das escolas públicas recebam remuneração adequada. No Sudeste, essa discordância chega a 61%.
A centralidade docente aparece também quando a pergunta é aberta: ao descrever em uma palavra o que é uma escola de qualidade, os entrevistados citam primeiro o ensino de qualidade (17,8%) e, em seguida, professores e profissionais qualificados, preparados e comprometidos (13,1%).
A pesquisa também mostra a percepção de desigualdades no sistema. Para 40%, crianças negras e brancas não têm as mesmas oportunidades de aprendizagem no Brasil, contra 36% que acreditam que sim. E 54% discordam que as escolas estejam preparadas para garantir a permanência e a aprendizagem de crianças com deficiência ou neurodivergentes. Apenas 18% concordam.
Entre mães, pais e responsáveis, 65% dizem conseguir ajudar os filhos nas lições de casa com frequência, índice que vai de 71% no Sul a 62% no Nordeste. Outros 62% afirmam conseguir comparecer à escola para acompanhar o desempenho dos filhos.
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