publicado dia 07/10/2026

Dia Internacional da Menina: entenda por que a data existe e é necessária

Reportagem:

TAGS:
WhatsappG+TwitterFacebookCurtir

🗒️Resumo: Criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), o Dia Internacional da Menina (11 de outubro) visa apontar desigualdades, desafios e violências que afetam meninas no mundo todo. 

Seja dentro de casa, na escola ou na rua, não é fácil ser menina: 94% já presenciaram ou sofreram ao menos uma situação de violência, de acordo com dados da Plan International.

No Brasil, o grau de violência é alto e persistente: em média, 64 meninas foram vítimas de violência sexual por dia no país entre 2011 e 2024, segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero. Nesse contexto, as meninas negras se encontram em maior vulnerabilidade, representando 56,5% das ocorrências. 

O Dia Internacional da Menina, estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2011, escolheu o dia 11 de outubro como data para reconhecer “os direitos das meninas e os desafios únicos que elas enfrentam em todo o mundo”. 

“As meninas têm o direito a uma vida segura, com Educação e Saúde, não apenas em seus anos de formação, mas também à medida que amadurecem e se tornam mulheres”, explica o site oficial da ONU dedicado à data.

Leia Mais

A resolução convida todos os países membros, organizações e sociedade civil a usar o Dia Internacional da Menina para ações de conscientização sobre as desigualdades e desafios enfrentados por elas desde a primeira infância.  

Dia Internacional da Menina em 2026

Em 2026, o tema escolhido para ser trabalhado é o investimento nos direitos das meninas, além do fim do casamento infantil. De acordo com a organização, a escolha foi feita por meio de consultas com meninas, organizações de meninas e redes lideradas por meninas, bem como organizações da sociedade civil e parceiros da ONU.

“Apesar de décadas de progresso , muitas meninas continuam a enfrentar discriminação, violência, pobreza e conflitos que lhes negam seus direitos, restringem suas escolhas e limitam suas oportunidades. Investir em meninas é uma das maneiras mais eficazes de construir famílias mais saudáveis, comunidades mais fortes e sociedades mais resilientes. Mas muitas meninas ainda estão sendo deixadas para trás”, alerta.

Esses obstáculos vão desde tempo insuficiente para brincar até limites para acessar a Educação, além de múltiplas violências dentro e fora da escola, abuso, gravidez na infância e desigualdades no tempo dedicado ao trabalho doméstico e de cuidados.

Conheça alguns dados que ajudam a reforçar a importância da data, que pode ser trabalhada no contexto escolar.

Direito à Educação das meninas segue ameaçado no mundo 

Em muitos lugares do mundo, atividades como estudar, ler e frequentar uma escola são desafiadoras quando se é menina. Muitas delas seguem apartadas do seu Direito à Educação, ou seja, o direito de estudar, aprender, conviver e se desenvolver em espaços educativos. 

Calcula-se que ao menos 122 milhões de meninas estão fora da escola, um quadro grave e multifatorial, impulsionado principalmente por fatores como a pobreza, o trabalho infantil ou doméstico, o casamento infantil e a gravidez precoce.  

Violência alcança as meninas mesmo na escola

Comentários sobre o corpo e o comportamento, xingamentos, contatos físicos forçados e exposição sem consentimento da intimidade. Essas violências são comuns nas escolas brasileiras, muitas vezes naturalizadas e disfarçadas como brincadeiras.

“Meninos falam do seu corpo, peito, bunda. Falam na cara, é muito constrangedor. Na cabeça deles é brincadeira, mas é violento”, compartilhou uma estudante do Ensino Médio na pesquisa “Livres para Sonhar? Percepções da comunidade escolar sobre violência contra meninas”, que sondou 1400 professores, estudantes e gestores escolares e de secretarias de Educação sobre as barreiras e agressões sofridas por elas nas escolas.

Além de criar um ambiente hostil e reforçar as desigualdades entre eles e elas, há impactos negativos para o desenvolvimento e aprendizagem das meninas.

Meninas fazem mais trabalhos domésticos e de cuidados

A infância é mais curta quando se é menina. O trabalho doméstico – lavar a louça, cuidar da casa, cozinhar – e o de cuidados – tomar conta de um irmão mais novo ou parente idoso – são muito mais frequentes e comuns para elas.

Enquanto 81% das meninas arrumam sua própria cama, 76% lavam louça e 65% faxinam a casa, apenas 11% dos seus irmãos arrumam a sua própria cama, 12,5% dos seus irmãos lavam a louça e 11% dos limpam a casa. Os dados são da pesquisa “Por ser menina no Brasil”, que ouviu meninas de 6 a 14 anos nas cinco regiões brasileiras.

Gravidez na infância

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a gravidez infantil como a gestação ocorrida entre os 10 e 19 anos. Esse é um fenômeno social e de saúde pública que relacionado diretamente às desigualdades estruturais de gênero, raça, classe social e território.

De acordo com o estudo “Marcas do Tempo: gravidez na Adolescência e seus Impactos na Vida de Mulheres no Brasil”, divulgado pela Plan International em 2026, é ainda mais importante olhar para isso no contexto do Brasil. Em 2022, meninas de até 19 anos responderam por 12% dos nascimentos em nosso país, taxa que sobe para 20% na Região Norte e 15% no Nordeste, ante 9% no Sudeste.

Para a pesquisa, a prevalência da gravidez precoce entre as meninas negras (3 em cada 4 daquelas que engravidaram precocemente são pretas ou pardas) e o registro de 2,3% indígenas, revela desigualdades associadas à exclusão educacional, à pobreza e à limitação no acesso a serviços de saúde sexual e reprodutiva adequados.

Saiba Mais

Dia Internacional da Menina – UNESCO

Marcas do Tempo: gravidez na Adolescência e seus Impactos na Vida de Mulheres no Brasil

Por ser menina no Brasil

Livres para Sonhar? Percepções da comunidade escolar sobre violência contra meninas

As plataformas da Cidade Escola Aprendiz utilizam cookies e tecnologias semelhantes, como explicado em nossa Política de Privacidade, para recomendar conteúdo e publicidade.
Ao navegar por nosso conteúdo, o usuário aceita tais condições.