publicado dia 08/05/2015

Universalização do ensino básico esbarra em 60 milhões de crianças fora da escola

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Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio foram projetados para 2015. Mas, a sete meses para o término do ano, o cumprimento deles causa preocupação, sobretudo quando se olha para o de número dois que prevê a universalização do ensino básico.

O tema foi debatido pelo sociólogo Jorge Werthein no artigo Agenda em Aberto, publicado pelo O Globo no último mês de abril. No texto, o autor chama a atenção para as quase 60 milhões de crianças que estão fora da escola no mundo e questiona a promoção de um desenvolvimento sustentável diante de populações que mal sabem ler e escrever.

A “agenda pendente” vem mobilizando esforços, caso do Encontro Global sobre Educação promovido em 2013 pela UNESCO e Unicef. A Fundação Education Above All, que atua em 38 países, também integra as iniciativas e, no Brasil, desenvolve o projeto Aluno Presente, realizado pela Associação Cidade Escola Aprendiz em parceria com a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro.

A iniciativa tem como missão contribuir para que todas as crianças e adolescentes da cidade do Rio de Janeiro, entre seis e 14 anos, tenham o seu direito à educação básica garantido. Para isso, atua na mobilização e articulação de familiares, educadores, equipes escolares, órgãos públicos e instituições locais.

Buscando identificar e localizar as 21 mil crianças que nunca estudaram ou com histórico de evasão escolar, uma equipe de profissionais percorre diferentes bairros de todas as regiões da cidade visitando casas, associações de moradores, postos de saúde, comércios e organizações comunitárias.

Até janeiro 2015, a equipe do Aluno Presente já identificou 4.463 crianças, das quais 3.364 foram matriculadas.

Entre as atividades previstas estão:

– entender a realidade das famílias e os motivos pelos quais crianças e adolescentes não frequentam ou abandonaram a escola, auxiliar os pais e/ou responsáveis a encontrar vagas e efetuar a matrícula na rede municipal de educação, contribuir na criação de condições para que mantenham a frequência escolar;

– articular os diferentes órgãos governamentais do município – buscando a integração das políticas públicas nos territórios – e a aproximação com a comunidade e agentes locais dos diversos setores;

– sistematizar as metodologias aplicadas em todas as etapas do trabalho para que possam ser replicadas em outras realidades de diferentes regiões brasileiras ou de outros países.

“O aumento da oferta da pré-escola não garante sua universalização”