publicado dia 27/10/2015

Grupo projeta 4 possíveis cenários para a educação brasileira até 2032

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Como será a educação básica no Brasil em 2032? Diversos grupos, instituições e profissionais da educação se juntaram para criar um documento com quatro possíveis cenários.

O objetivo não foi elaborar previsões ou desejos sobre o que deverá acontecer com a educação, mas estimular o debate criando um conjunto de possibilidades, baseadas nas experiências das pessoas envolvidas no projeto.

O resultado da pesquisa foi lançado no auditório do Conselho Britânico em São Paulo pelo “Grupo Convocador” do projeto que é composto pela Ação Educativa, Campanha Nacional pelo Direito a Educação, Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), Grupo de Institutos (GIFE), fundações e empresas, Instituto Reos, Todos pela Educação e União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime).

A coordenadora da área de Educação da Ação Educativa e parte do grupo convocador, Denise Carreira, explica o documento foi feito por entidades comprometidas com a luta por uma educação pública, gratuita e de qualidade, que combata o racismo e que valorize as múltiplas vozes presentes na educação.

“O objetivo do documento é ampliar a roda de debate sobre os desafios para a melhoria da educação brasileira ao longo dos próximos 17 anos. Conseguimos apresentar um documento conjunto que servirá não como uma meta, mas como um exercício coletivo para estimular o debate público sobre educação, não só nas escolas, mas na sociedade de uma maneira geral”, afirmou.

Os cenários foram criados a partir de 71 entrevistas com pessoas envolvidas com o tema. Também foram realizadas três oficinas com um total de sete dias em agosto, setembro e novembro do ano passado.

A partir dessas entrevistas e oficinas, um grupo de 41 pessoas mapeou as principais preocupações sobre educação, além das certezas e incertezas sobre o futuro da Educação Básica no Brasil e reuniram o material em 4 cenários possíveis para a educação brasileira em 2032.

Racismo

Os cenários são muito distintos entre si e variam desde qual o modelo educacional será predominante, até como será estruturada a relação entre Estado e iniciativa privada dentro da educação. Apesar de serem cenários distintos, existem alguns elementos que são comuns a todos e entre esses dois se destacam: o racismo e a existência de desigualdade social.

O coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, afirmou que o racismo deverá continua presente dentro dos ambientes escolares, assim como a desigualdade continuará sendo uma marca da educação brasileira.

“O racismo é um elementos que está presente em todos os cenários que prevemos para o sistema educacional brasileiro até 2032. Isso mostra o quão importante é pautar esse tema dentro dos colégios desde já”, afirmou.

Outro elemento que é está presente em todos os cenários é a manutenção da desigualdade educacional no país. “Ainda não é possível saber se as desigualdades vão cair ou aumentar, mas temos a convicção dentro do grupo convocador que as desigualdades continuarão a ser uma das marcas da educação brasileiras”, afirmou  a diretora do Instituto Reos, Christel Scholten.