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Em Salvador, escola de educação integral dialoga com necessidades da juventude

Iniciativa: Colégio Estadual Helena Celestino Magalhães

Pública ou privada: pública

Descrição: A modalidade de educação em tempo integral  chegou ao Colégio Estadual Helena Celestino Magalhães, de Salvador, em 2008, com a adesão da instituição ao Programa Mais Educação do governo federal. Em 2014, a escola passou a ser oficialmente considerada escola de educação integral pela Secretaria de Educação do Estado da Bahia (SEC-BA).

O programa foi adotado com o objetivo de alcançar a qualidade de ensino desejada pela escola, que previa uma melhor oferta de possibilidades educativas e uma maior interação da instituição com a vida dos estudantes, em grande maioria marcada por situações de vulnerabilidade econômica. A unidade atende 291 alunos, 158 pelo Ensino Fundamental II (6º ao 9º ano) e 133 pelo Ensino Médio.

Desdobramentos

A adesão à proposta foi indutora de atividades interdisciplinares, experiências e discussões na escola, ressignificando as atividades já inseridas no calendário e colocando-as a favor do diálogo com os estudantes, professores e comunidade do entorno, como já previsto no Plano Político Pedagógico Social da instituição.

Isso permitiu uma nova orientação curricular, que passou a abranger também as linguagens artísticas (dança, pintura, hip hop), direitos humanos, letramento linguístico e matemático, orientação profissional, educação desportiva (futsal e basquete) e uso de mídias e cultura digital (informática, vídeo e rádio).  Além dessas áreas de conhecimento permearem o curso das salas de aula, também têm espaço garantido no formato de oficinas.

Os oficineiros são pessoas da própria comunidade, forma encontrada de valorizar seus diversos sujeitos, integrá-los à unidade escolar e fomentar uma atitude responsiva com a educação pelo território. As atividades são distribuídos na jornada dos alunos que alcançam um total de sete a nove horas diárias.

Formação ampliada

Para discutir e planejar as atividades em prol do desenvolvimento integral dos estudantes, o corpo docente passou a incorporar novas práticas em suas atividades cotidianas. Os professores pensam as ações articuladas às do Programa de Educação Integral em duas situações: durante as reuniões pedagógicas da própria instituição e nos encontros com a coordenação estadual de educação integral, momento em que todas as escolas de tempo integral são convidadas a discutirem de maneira coletiva as implementações e as dificuldades.

Demandas importantes

O programa também trouxe importantes questões para a escola, já que a possibilidade da educação em tempo integral evidenciou questões dos jovens do Ensino Médio. Para alguns deles ficou evidente a ampliação das possibilidades formativas a partir do contato mais aproximado com o lazer, os esportes, as atividades culturais e de cunho tecnológico; outros, no entanto, reconheceram que estender a jornada escolar impactaria a permanência no mundo do trabalho ou em estágios, bastante comuns nessa fase do desenvolvimento.

Para evitar a possível evasão desses alunos, a escola procurou se articular a instituições que pudessem oferecer programas de estágios e cursos em horários diferentes ao do programa. Segundo a instituição, isso foi fundamental para que eles pudessem entender a escola também a serviço de uma formação cidadã, comprometida com o preparo básico para o mundo do trabalho e, portanto, com a oferta de orientações profissionais.

Início: De 2008 até os dias atuais.
Local: Salvador (BA).
Parceiros: grupos e instituições da comunidade.
Responsáveis: Colégio Estadual Helena Celestino Magalhães e Secretaria de Educação do Estado da Bahia (SEC-BA)
Financiamento: Secretaria de Educação do Estado da Bahia (SEC-BA)

Outras articulações

Entendendo-se parte de uma comunidade maior, e não mais o único responsável pela promoção da educação, o Colégio Estadual Helena Celestino Magalhães estabeleceu algumas parcerias que contribuem para a manutenção do arranjo educativo na perspectiva integral. Nesse sentido vários são os grupos e instituições da comunidade que oferecem sua força de trabalho nas atividades educativas, tais como o Grupo Passos Crew, Grupo de Valsa Sedução, a Casa de Angola na Bahia, o Instituto de Projetos e Gerenciamento (INPG), o Museu Arqueológico da Embasa, DeVry Brasil, IEL, Motivação Gestão de pessoas e Estágios, Sui Generis Consultoria Empresarial entre outros.

Igualmente importantes são os recursos financeiros – garantidos pelo Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e Fundo de Assistência Educacional (FAED); as verbas são empregadas  na aquisição de material permanente, na manutenção e conservação da unidade escolar, na implementação do projeto pedagógico, no desenvolvimento de atividades educacionais diversas, e na aquisição de gêneros alimentícios para a alimentação escolar.

Principais resultados

A educação integral trouxe inúmeros benefícios, a começar pelo reposicionamento da própria instituição com a sua comunidade e com a do entorno. A partir da nova perspectiva a escola consolidou-se como um espaço a serviço da formação dos indivíduos, com reais possibilidades de cultura, lazer, entretenimento e educação.

De maneira geral, isso foi sentido pela atitude que a comunidade escolar e do entorno passaram a ter com a instituição; segundo os gestores, criou-se uma atmosfera mais interativa com a escola do ponto de vista de seu patrimônio e das relações ali ofertadas.

Sobre os estudantes, foi perceptível o nascimento de uma postura mais participativa e interessada com os assuntos da escola, possível graças ao entendimento de que, ainda que em perspectiva local, as ações feitas na instituição e em prol da comunidade dizem de uma postura cidadã que pode ser levada para além das delimitações geográficas.

Contato:

Colégio Estadual Helena Celestino Magalhães

Telefone: (71) 3256-5265