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Esporte inclusivo

A proposta do esporte inclusivo visa estimular um olhar diferenciado para a Educação Física, adaptando as atividades de forma a garantir a participação efetiva e prazerosa de todos os alunos, com e sem deficiência. O objetivo é fortalecer a interação, a autonomia e a autoestima dos estudantes, favorecendo o desenvolvimento afetivo, cognitivo, motor e linguístico.

Para que este objetivo seja alcançado, o convívio é um fator fundamental. Essa proposta, alinhada à Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, implica no entendimento das especificidades de cada aluno e na adaptação das atividades. Isso envolve não só alterações nas práticas físicas existentes, como também a criação de novas.

Leia + Além de ser motivador para os alunos, o esporte trabalha a socialização dos conhecimentos

Por isso, a prática contempla a realização de uma avaliação diagnóstica das particularidades da turma e, a partir daí, a possível flexibilização de regras e recursos. O desenvolvimento de materiais adaptados às necessidades dos alunos e às novas regras é, também, parte do processo educativo.

O desenvolvimento deste novo paradigma pressupõe a eliminação de barreiras e a ressignificação da prática esportiva. Orientada pela equiparação de oportunidades e respeito às diferenças, a visão contemporânea de Educação Física rompe com o foco no esporte competitivo. O horizonte é, portanto, a Educação Física para todos.

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Aprendendo com quem faz

Bocha inclusiva

Até os 12 anos de idade, Pedro nunca havia participado de uma aula de Educação Física. Estudante do sétimo ano da Escola Municipal Dom Orione, em Belo Horizonte (MG), o garoto apresenta tetraplegia, não fala e movimenta a cabeça e, parcialmente, as mãos. Da cadeira de rodas, enquanto seus colegas corriam, pulavam e praticavam esportes em quadra, restavam a ele duas opções: assistir ou distrair-se na biblioteca, junto ao monitor. Esse cenário de exclusão mudou, contudo, após descobrirem a bocha inclusiva.

Dica   Na plataforma Diversa é possível conferir uma série de artigos de especialistas com atualizações sobre o tema e também relatos de experiências sobre educação física.

Em 2015, a escola foi selecionada para participar do Portas Abertas para a Inclusão. A partir da formação, os educadores e gestores da instituição passaram a entender que a participação do aluno na Educação Física poderia contribuir para sua formação geral e melhora em aspectos motores, cognitivos, afetivos e sociais.

Após algumas pesquisas, os professores encontraram uma atividade com esse potencial. Em sua versão adaptada, a bocha é praticada por pessoas com severo comprometimento motor, sendo, inclusive, um esporte paralímpico. Com o uso de bolas moldáveis, calhas e ponteiras, e a criação de regras próprias, os professores fizeram uma “adaptação da adaptação”, que permitiu a Pedro participar das aulas com seus amigos pela primeira vez.

Capoeira resgata autoestima

O recreio na Escola Municipal Hilberto Silva, em Fortaleza (CE), é a hora mais aguardada pelos estudantes. Mais do que o momento para brincar e comer, o período de intervalo entre as aulas é destinado a uma prática que funciona como ferramenta para promover a concentração e diminuir a correria dos alunos pelo amplo espaço da unidade. Assim que o sinal bate, com pandeiros e berimbaus em mãos, as crianças se unem e dão início a uma roda de capoeira.

Na Prática   A “Coletânea de práticas 2015 – Portas abertas para inclusão” conta a experiência de várias escolas na realização do esporte inclusivo. Você pode acessar o material e fazer download ou também assistir aos vídeos com opções de acessibilidade.

Há anos, a capoeira durante o recreio tem sido uma tradição da escola, que está situada no bairro Nossa Senhora das Graças. Apesar do sucesso, as primeiras rodas de capoeira não eram praticadas por todos. Do total de crianças, 23 apresentavam algum tipo de deficiência e recebiam atendimento educacional especializado (AEE). A maior parte delas não era incentivada a participar de atividades físicas em geral, seja nas aulas de Educação Física ou na brincadeira durante o intervalo.

Esse cenário começou a mudar no início de 2015, quando a escola foi convidada para participar do Portas Abertas para a Inclusão. No curso, oferecido pelo Instituto Rodrigo Mendes, tiveram a oportunidade de realizar um projeto de Educação Física na perspectiva da educação inclusiva. A formação fez os professores repensarem sua realidade. A partir disso, passaram a ter uma sensibilidade maior para sempre planejar atividades que pudessem ser realizadas, em conjunto, pelos estudantes com e sem deficiência.