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Tutoria

A tutoria é uma prática pedagógica que compreende encontros de alunos com um professor tutor, com vistas a orientar um projeto de pesquisa individual ou coletivo. Por meio da comunicação que se estabelece entre professor e aluno, ambos se conhecem melhor e podem dialogar com liberdade para descobrir o projeto mais adequado para o estudante em processo de formação: projeto pessoal, profissional, cívico etc.

Conheça um exemplo de escola que trabalha o processo de ensino-aprendizagem a partir de tutoria e projetos interdisciplinares na matéria Escola propõe aprendizagem a partir de projetos interdisciplinares e tutorias.

O tutor tem o papel de definir, junto ao aluno, roteiros de estudo personalizados que o ajudem a se organizar, estabelecendo marcos e compromissos de pesquisa para obter os resultados do projeto.

O principal benefício do roteiro de estudo é orientar, dia a dia, as atividades e compromissos assumidos pelos alunos, viabilizando o trabalho pedagógico contextualizado e interdisciplinar. A prática garante um processo de aprendizado autônomo e prazeroso para os estudantes.

Qual é o papel do tutor?

O tutor é uma pessoa que assume diversos papéis e cujo objetivo principal é o acompanhamento do estudante em seus esforços de aprender. Tendo conhecimento de base do conteúdo, ele é um facilitador que ajuda o estudante a compreender os objetivos do curso, um observador que reflete, um conselheiro sobre os métodos de estudo, um psicólogo que é capaz de compreender as questões e as dificuldades do aprendiz e de ajudá-lo a responder de maneira adequada e, finalmente, um especialista em avaliação formativa. (DESLISE, R. et al. 1985).

Como fazer

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Confira a entrevista com o professor José Luis Gonzalez-Simancas (antigo diretor de Gaztelueta, doutor em Filosofia e Letras pela Universidade de Navarra, com tese sobre tutoria, professor com titulação máxima na mesma Universidade.

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Aprendendo com quem faz

Projeto Âncora

Neste projeto, localizado em Cotia (SP), a escola é vista como um espaço de humanização, no qual a criança é convidada a vivenciar os conhecimentos, as diversas formas de compreender e estar no mundo que a cerca. A escola é um local que propicia oportunidades para desenvolvimento de habilidades sociais, críticas e da autonomia.

Parte-se da concepção de que cada criança é um indivíduo único e deve ser tratada como tal. Dessa forma, as padronizações escolares convencionais de idade, séries, gênero não são uma prática. O projeto visa ensinar sem paredes, no convívio com os outros, e acaba com a tradicional relação hierárquica entre professor e aluno.

Para viabilizar estes conceitos, utiliza-se de diversos dispositivos educacionais, entre eles a tutoria. Na tutoria, há um educador responsável por orientar os estudos da criança, avaliar o desenvolvimento da autonomia, acompanhar suas atitudes, aprendizado, relações familiares e sociais, entre outros.

Conheça mais esta prática e veja o Relatório de Atividades do Projeto Âncora

 

Cieja Campo Limpo

O Projeto de Tutoria do Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos (Cieja) Campo Limpo, em São Paulo (SP), é um momento destinado à orientação dos alunos, fomentando o senso crítico e reflexivo sobre o contexto no qual vivem, para que sejam, também, agentes de transformação da escola e da comunidade onde vivem. O projeto é realizado todas às sextas-feiras, em todos os turnos do Cieja. Cada professor é “tutor” de um grupo, no qual se dão as discussões e reflexões.

A partir das demandas levantadas por meio da reflexão individual de cada participante, o grupo de alunos e professores vai em busca de possíveis parceiros para o aprofundamento das questões levantadas. Esse parceiro pode oferecer uma aula de orientação ou um serviço, por exemplo.

As tutorias acontecem semanalmente, e cada estudante permanece com um mesmo tutor durante um ano, a fim de fortalecer os laços de confiança. A maior parte do corpo docente está envolvida com a proposta, e o professor sempre assume essa função como carga horária de trabalho.

 

EMEF Desembargador Amorim Lima

Inaugurada em 1956, a EMEF Desembargador Amorim Lima foi a primeira escola da Vila Indiana, bairro do Butantã, na Capital Paulista. Mas foi depois de 40 anos de existência, em 1996, que a Amorim passou por seu maior processo de transformação.

Em vez de professores fixos, cada estudante tem um educador tutor, que o auxilia em seu processo de aprendizagem, a partir de orientações de uma normativa curricular elaborada pela direção, pelo grupo de professores e pelo Conselho Escolar. Na Amorim, cada tutor é responsável por 20 estudantes por período. Uma vez por semana, este educador realiza um encontro de cinco horas com seus tutorados (educandos). Caso o estudante tenha alguma dúvida, pode procurar pelo tutor nos outros dias da semana.

Dica   Confira, na publicação “Inova Escola”, na página 25, o exemplo de roteiro de pesquisa utilizado pelos alunos na EMEF Amorim Lima.

O conteúdo do ano letivo é organizado por roteiros de pesquisa. Cada roteiro possui em torno de 18 temas (ou tarefas) para que o aluno os desenvolva. Esses roteiros são propostos a partir do conteúdo dos livros didáticos recebidos pelo estudante. Porém, no processo de aprendizagem, ele consulta diversos livros de variadas áreas do conhecimento, integrando-as em um mesmo assunto.

O Conselho Escolar também se fortaleceu nesse período, participando até mesmo da reformulação da proposta pedagógica da Amorim. E foi nessas discussões que perceberam como a proposta antiga estava destoante do cotidiano da escola, que buscava integrar a comunidade e os diferentes saberes ao processo de aprendizagem. Nesse período, a psicóloga especializada em educação, Rosely Sayão, apresentou ao Conselho a metodologia e o trabalho desenvolvido pela Escola da Ponte, em Portugal, que extinguia o uso de carteiras, avaliações e a função tradicional dos professores.