Ensino-aprendizagem na cidade
Práticas

Expedição investigativa

A utilização do território como espaço de aprendizagem é fundamental para oferecer, aos estudantes, novas oportunidades educativas, que vão além do cotidiano da sala de aula. A realização da prática “expedições investigativas” aproxima os estudantes do patrimônio material e imaterial da cidade, permitindo que eles conheçam o lugar em que vivem e construam sentido para o aprender a partir de vivências e práticas culturais concretas. Muitas iniciativas como essas são consideradas como educação patrimonial.

O ponto de partida da expedição é a identificação de um local com relevância histórica, política e/ou arquitetônica e a definição de um roteiro específico de visitação.

Leia +  Educação e Patrimônio: O papel da Escola na preservação e valorização do Patrimônio Cultural

Ao longo da expedição, são utilizados recursos, como ilustração, desenhos, fotografias, entre outros, para auxiliar na observação e no registro dos locais visitados. O material elaborado possibilita que a experiência seja revivida e compartilhada posteriormente pelos estudantes com suas famílias e amigos, disseminando os conhecimentos do território, além de ser um dispositivo para a retomada dos conteúdos em sala de aula, de forma a ampliar a prática pedagógica.

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) concebe a educação patrimonial como os processos educativos, formais e não formais, que têm como foco o patrimônio cultural apropriado socialmente como recurso para a compreensão sócio-histórica das referências culturais em todas as suas manifestações, com o objetivo de colaborar para o seu reconhecimento, valorização e preservação. Além disso, aponta que os processos educativos devem primar pela construção coletiva e democrática do conhecimento, por meio do diálogo permanente entre os agentes culturais e sociais, e pela participação efetiva das comunidades detentoras das referências culturais onde convivem diversas noções de patrimônio cultural.

Confira alguns dos materiais publicados pelo Iphan sobre o tema:

Como fazer

Planeje

Implemente

Avalie

Institucionalize

Materiais necessários

Aprendendo com quem faz

História da história do lugar – Entornos & contornos da Consolação

O projeto “História da história do lugar – Entornos & contornos da Consolação” é uma iniciativa de educação patrimonial que utiliza o recurso da história ilustrada, onde voz e ilustração criam o enredo de forma criativa e interativa.

A prática parte do levantamento de um local com relevância histórica, política e/ou arquitetônica e a definição de um roteiro para visita. Enquanto um técnico de Turismo acompanha o grupo e explora a história e outros aspectos do território, um ilustrador vai registrando as informações dos locais visitados em imagens. Ao final, os estudantes recebem uma história em quadrinhos (HQ) que possibilita que a experiência possa ser compartilhada com sua família e amigos.

O projeto foi concebido pelo Coletivo Bumerangue e é realizado, atualmente, nos arredores da região paulistana da Consolação, com o suporte do SESC, Unidade Consolação. O Coletivo Bumerangue já realizou este projeto em diversas cidades do Brasil ao longo dos últimos três anos, beneficiando aproximadamente 2 mil pessoas.

Na região paulistana da Consolação, o roteiro inclui a Igreja da Consolação, um mergulho na vida cultural da localidade, por meio dos teatros, a Praça Roosevelt e as escolas do entorno. A iniciativa ocorre desde 2013 e também é realizada em outras localidades.

Quer incentivar seus alunos a produzirem seus próprios HQs depois de uma caminhada pelo território? Confira, aqui, uma seleção de recursos para incentivar a produção autoral de histórias, incluindo cenários, personagens e muitos balõezinhos.

Caminhadas pelos patrimônios

Desde 2014, o coletivo de planejamento estratégico Hey Sampa tem aproximado os paulistanos de sua cultura patrimonial. Fundado a partir do desconforto causado pela alienação dos habitantes de São Paulo com sua cidade, o grupo cria trajetos e percursos que articulem comunidade, espaço público e olhem para o patrimônio e as memórias escondidas da metrópole.

Por amor à cidade e, principalmente, às pessoas que dedicam seu tempo a cuidarem de sua qualidade de vida, de seu entorno e de construir sua história e suas relações com a cidade, a ideia é criar uma trajetória de educação voltada ao patrimônio material e imaterial dos bairros de São Paulo, aproximando a comunidade e os espaços públicos por meio de ações culturais, palestras, cursos e atividades que desenvolvam o sentimento de pertencimento de cada cidadão e sua relação com aquele espaço.

Ao idealizar uma caminhada, o coletivo Hey Sampa convida especialistas nas áreas de arquitetura, história, urbanismo, literatura etc., para garantir maior aprofundamento das discussões do grupo durante os passeios. A programação quase sempre é aberta ao público e gratuita, e todos são convidados a contribuir com conhecimento e histórias que resgatam a identidade e a memória dos locais visitados.

Em agosto deste ano, por exemplo, o coletivo promoveu uma caminhada patrimonial com o autor da exposição Apagamentos, Thiago Navas, que esteve em cartaz na Caixa Cultural durante a Jornada do Patrimônio 2016. O passeio percorreu os locais das obras e, ao final, a própria exposição.

Confira alguns vídeos das caminhadas já realizadas pela Hey Sampa.

Navegar é preciso

Uma maneira de envolver ainda mais os estudantes nas expedições e desenvolver as capacidades de observação, planejamento, registro e organização necessárias para a tarefa de pesquisa sobre algum local específico do bairro ou da cidade, é dividi-los em grupos com diferentes tarefas e responsabilidades ao longo da atividade. Veja alguns exemplos:

  • Os “Escribas”: são os jovens que fazem o registro de todos os fatos que acontecem na expedição;
  • Os “Timoneiros”: são os jovens que cuidam do planejamento (organização, infraestrutura, horários e trajetos). Além disso, apresentam o “grupo” para as pessoas da comunidade;
  • Os “Terra à Vista”: são os jovens que ficam muito atentos ao trajeto percorrido, com a missão de observar lugares, pessoas, objetos, situações etc. Esse “olhar explorador” remete a tudo que, de alguma forma, possa trazer informações ou modificar a percepção sobre o que está sendo investigado.

É importante que, em cada grupo de expedição, exista pelo menos um jovem para cada personagem. Após a realização da expedição, os grupos apresentam seus registros, socializando os relatos, as experiências e as impressões.

Conheça essa e outras práticas no Guia Tecnologia social para a juventude – volume II.