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Gincana recupera vínculo com 900 estudantes evadidos de escola em SP

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Conheça a Gincana da Jornada X, implementada em uma escola pública de São Paulo (SP), e que apoia o combate à exclusão escolar

Quando a EE Cidade de Hiroshima, em Itaquera, São Paulo (SP), retomou as atividades presenciais no segundo semestre de 2021, metade de seus estudantes não retornaram — realidade que se multiplica pelas escolas Brasil afora. Os comunicados, conversas e pedidos de educadores pelo retorno das crianças e adolescentes não surtiam efeito; o que conquistou as turmas a voltarem foi a Gincana da Jornada X, um evento que expressou o quanto a escola pode favorecer o companheirismo entre os colegas e o prazer em aprender.

Essa gincana surge a partir da Jornada X, que já acontecia nas escolas estaduais de São Paulo antes da pandemia. Ao longo de um semestre, as turmas formam times e saem pelo bairro procurando problemas que gostariam de resolver, como a revitalização de uma praça. Depois, são desafiados a desenhar um plano de ação, conquistar aliados que possam ajudar na missão e, por fim, colocar as ideias em prática.

“A etapa final acontece durante um final de semana, com a participação da comunidade; os estudantes ficam muito animados, já querem partir para o próximo desafio, logo em seguida. Essa é uma geração de Gretas (referência à Greta Thunberg, jovem ativista ambiental sueca), eles estão mais prontos para agir e transformar do que é possível imaginar”, diz Edgard Gouveia Júnior, presidente da Livelab, organização social sem fins lucrativos que criou a Jornada X e desenvolve e aplica tecnologias e estratégias de jogos colaborativos para a transformação social.

Capoeira foi uma das atividades escolhidas para a gincana

Quando chegou a pandemia, a Jornada X foi adaptada para o ambiente virtual e logo fez sucesso, com mais de 3 mil times inscritos. Mas, com o avanço da transmissão e casos de internação e óbitos, esse número reduziu drasticamente, indicando que algo não ia bem.

“Descobri que as crianças e adolescentes estavam deprimidos, passando fome, deixando a escola. Seus professores, exaustos e tristes. Então esses agentes de transformação começaram a não querer jogar mais e entendemos que era preciso fazer algo. É assim que surge a Gincana da Jornada X, para motivar os estudantes a voltarem para a escola”, explica Edgard. 

A gincana funciona da seguinte maneira: ganha o time que tiver mais pontos. Cada estudante matriculado que topa entrar na gincana vale um ponto. Ao conseguir que uma criança ou adolescente se (re)matricule, o time ganha dois pontos. Depois, planejam e realizam uma série de brincadeiras e atividades que vão somando a essa pontuação. Toda a organização é feita ao longo de um mês e a gincana em si acontece em um dia. 

Dentre as ações realizadas em outubro na EE Cidade de Hiroshima, a primeira a participar da Gincana da Jornada X, os estudantes fizeram um concurso de música, trouxeram as famílias para cozinhar e compartilhar os alimentos, brincaram de Jogo do Milhão, grafitaram o muro da escola e fizeram uma horta. 

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Muro da escola grafitado pelos estudantes durante a gincana

“A gincana veio para mudar muita coisa, tanto na forma dos professores darem aula, que não é só lousa e giz, como nos alunos também, que percebo estarem mais empenhados. Além disso, cresceu bastante a interação entre alunos, o grêmio e a gestão da escola”, conta Luan Souza do Nascimento, 17 anos, estudante do 2° ano do Ensino Médio da escola e um dos organizadores das atividades.

Antes da gincana, 240 dos 1713 estudantes tinham voltado para a escola. Durante o mês de planejamento das atividades, esse número passou para 340. Após a iniciativa e antes do retorno obrigatório estipulado pela Secretaria Estadual, estavam indo para a escola 1158 estudantes.

“A gincana funciona porque os estudantes ficam felizes de ver os professores, voltam a tomar gosto por estar com todo mundo e se rematriculam. Falar para ‘voltar a estudar porque é importante, porque a profa tá chamando’, obrigar os pais, não estava funcionando. Para se divertir, uma coisa diferente, eles estão querendo sair de casa, ver os amigos, a escola, fazem competição, a escola é legal. Estamos desesperados para ter essa solução, trazer de volta”, diz Edgard. 

Estudantes da EE Cidade de Hiroshima cultivando uma horta na escola

Em breve estará no ar uma plataforma virtual para que outras escolas, de qualquer lugar do país, possam se inscrever e jogar também. Ficarão disponíveis um passo a passo, manuais, vídeos tutoriais e tudo que for necessário para realizar a gincana e acompanhar quantos estudantes voltaram para a escola. Para mais informações, escreva para [email protected]

Além da Jornada X, o Livelab também realiza o “Desafio 10×10 – 10 milhões de jovens mobilizando o país para alimentar 10 milhões de famílias!“, uma gincana digital para desafiar toda a sociedade brasileira, começando pelos jovens, a arrecadar fundos para combater a fome e a desigualdade de famílias afetadas pela pandemia da COVID-19. Conheça!

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