{"id":4,"date":"2016-07-04T14:16:59","date_gmt":"2016-07-04T17:16:59","guid":{"rendered":"https:\/\/educacaointegral.org.br\/especiais\/equidade-ensino-medio\/?page_id=4"},"modified":"2016-08-03T16:09:16","modified_gmt":"2016-08-03T19:09:16","slug":"especial","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/educacaointegral.org.br\/especiais\/equidade-ensino-medio\/especial\/","title":{"rendered":"Pol\u00edticas p\u00fablicas e gest\u00e3o escolar para a equidade: desenvolvimento integral no Ensino M\u00e9dio"},"content":{"rendered":"<h4>Apresenta\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica brasileira avan\u00e7ou significativamente nos \u00faltimos 30 anos, especialmente no que diz respeito ao acesso e perman\u00eancia das crian\u00e7as e adolescentes no Ensino Fundamental. No entanto, diante do desafio de incluir no sistema milh\u00f5es de estudantes em t\u00e3o pouco tempo, optamos por pol\u00edticas educacionais massificadas, pouco efetivas diante de contextos de profunda desigualdade nas cidades e estados brasileiros e que se traduziram em escolas, muitas vezes, excludentes, pouco conectadas com seus territ\u00f3rios, com as identidades e interesses dos seus estudantes e com as necessidades de aprendizagem da sociedade contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p>Esta realidade se reflete duplamente no Ensino M\u00e9dio. Tanto em rela\u00e7\u00e3o ao acesso e perman\u00eancia quanto aos \u00edndices de aprendizagem, esta etapa se mostra um enorme desafio para o Brasil. E s\u00e3o muitos os fatores que contribuem para isso: modelo escolar essencialmente instrucional e fragmentado, conteudista, pobre em intera\u00e7\u00f5es e pouco interessante para os estudantes; jornada escolar insuficiente; vis\u00e3o de curto prazo na gest\u00e3o p\u00fablica traduzida na descontinuidade cr\u00f4nica das pol\u00edticas; e desarticula\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica educacional com pol\u00edticas voltadas para a juventude que poderiam apoiar a escola na consecu\u00e7\u00e3o de seus objetivos.<br \/>\nNeste contexto, a educa\u00e7\u00e3o integral vem sendo constru\u00edda pelo movimento brasileiro que ganhou for\u00e7a no final da d\u00e9cada de 90, como uma concep\u00e7\u00e3o que se prop\u00f5e a constituir pol\u00edticas educacionais e pr\u00e1ticas educativas inclusivas e emancipat\u00f3rias. Ao reposicionar o estudante e seu desenvolvimento no centro do processo educativo, reconhecendo-o como sujeito social, hist\u00f3rico, competente e multidimensional, a educa\u00e7\u00e3o integral tem contribu\u00eddo para reconectar o sentido da escola e da educa\u00e7\u00e3o na vida dos estudantes.<\/p>\n<div class=\"box1\">\n<p><strong>Sum\u00e1rio Executivo<\/strong><\/p>\n<p>Acesse a <a href=\"https:\/\/educacaointegral.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/sumario-executivo_cr_educacao-integral_equidade.pdf\" target=\"_blank\">s\u00edntese <\/a>do processo e resultados deste estudo.<\/p>\n<\/div>\n<p>No entanto, \u00e9 fundamental que esta concep\u00e7\u00e3o se reflita na modelagem de pol\u00edticas p\u00fablicas, no modelo de gest\u00e3o das escolas e, em ultima instancia, nas pr\u00e1ticas de nossos educadores e educadoras, tendo como horizonte comum a forma\u00e7\u00e3o de sujeitos capazes de constituir seus projetos de vida com autonomia e responsabilidade pessoal e coletiva.<\/p>\n<p>Para isso, compreendemos que \u00e9 fundamental buscarmos evid\u00eancias e refer\u00eancias bem sucedidas, promover o di\u00e1logo e a troca entre todos os agentes envolvidos nessa grande teia que \u00e9 a Educa\u00e7\u00e3o e oferecer elementos concretos que inspirem e apoiem nossos educadores.<\/p>\n<p>Este trabalho \u201cPol\u00edticas p\u00fablicas e gest\u00e3o escolar para a equidade: Desenvolvimento integral no ensino m\u00e9dio\u201d, lan\u00e7ado pela Associa\u00e7\u00e3o Cidade Escola Aprendiz em parceria com o Instituto Unibanco, faz parte deste compromisso. O estudo lan\u00e7ou m\u00e3o de bases acad\u00eamicas e de experi\u00eancias de escolas nacionais e estrangeiras para desenhar possibilidades nessa tr\u00edade Educa\u00e7\u00e3o Integral-Equidade-Ensino M\u00e9dio.<\/p>\n<p>Exemplos de sucesso no Brasil e no mundo nos mostraram que as escolas cuja gest\u00e3o se voltou para o estudante em sua multidimensionalidade \u2013 colocando-o como centro do processo educativo \u2013 foram justamente as que conseguiram, com mais efetividade, promover condi\u00e7\u00f5es para o desenvolvimento integral de todos e todas.<\/p>\n<p>Esperamos que estes exemplos e as reflex\u00f5es que deles nascerem nos sirvam de inspira\u00e7\u00e3o para seguirmos avan\u00e7ando.<br \/>\nBoa leitura!<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-300\" src=\"https:\/\/educacaointegral.org.br\/especiais\/equidade-ensino-medio\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/natacha-costa-1.jpg\" alt=\"natacha costa (1)\" width=\"332\" height=\"184\" srcset=\"https:\/\/educacaointegral.org.br\/especiais\/equidade-ensino-medio\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/natacha-costa-1.jpg 332w, https:\/\/educacaointegral.org.br\/especiais\/equidade-ensino-medio\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/natacha-costa-1-300x166.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 332px) 100vw, 332px\" \/><br \/>\nNatacha Costa<br \/>\nDiretora da Associa\u00e7\u00e3o Cidade Escola Aprendiz<\/p>\n<div class=\"submenu-estudo\"><a href=\"#introducao\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/a><\/div>\n<div class=\"submenu-estudo\"><a href=\"#eiem\">A Educa\u00e7\u00e3o Integral no Ensino M\u00e9dio<\/a><\/div>\n<div class=\"submenu-estudo\"><a href=\"#recomendacoes\">Recomenda\u00e7\u00f5es<\/a><\/div>\n<div class=\"submenu-estudo\"><a href=\"#literatura\">A literatura e as experi\u00eancias das escolas<\/a><\/div>\n<div class=\"submenu-estudo last\"><a href=\"#conclusoes\">Conclus\u00f5es<\/a><\/div>\n<h4 id=\"introducao\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<p>Como a escola p\u00fablica brasileira lida com as demandas e especificidades das juventudes no Ensino M\u00e9dio? Como implementa programas e iniciativas de educa\u00e7\u00e3o integral? Quais boas pr\u00e1ticas curriculares, executadas a partir da gest\u00e3o, v\u00eam sendo implementadas no pa\u00eds n\u00e3o apenas para ampliar a jornada escolar, mas tamb\u00e9m para combater a evas\u00e3o e manter jovens com motiva\u00e7\u00e3o nos estudos? Como trabalhar com adolescentes de modo a combater desigualdades hist\u00f3ricas que os(as) afetam?<\/p>\n<p>Com a proposta de trazer luz a estas perguntas e sistematizar recomenda\u00e7\u00f5es para uma gest\u00e3o capaz de construir um ambiente escolar com condi\u00e7\u00f5es para que todos(as) possam aprender, o estudo Pol\u00edticas P\u00fablicas e Gest\u00e3o Escolar para a Equidade e Desenvolvimento Integral no Ensino M\u00e9dio aliou produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica sobre o tema e pr\u00e1ticas validadas de escolas brasileiras e estrangeiras.<\/p>\n<p>O trabalho foi organizado em tr\u00eas etapas complementares. Na primeira, foi realizado um levantamento da produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica dos \u00faltimos dez anos, em peri\u00f3dicos indexados, a partir das palavras-chave \u201ceduca\u00e7\u00e3o integral, equidade e Ensino M\u00e9dio\u201d, com o objetivo de aferir as contribui\u00e7\u00f5es nacionais e estrangeiras da literatura. Ainda nesta primeira etapa, foram mapeadas pr\u00e1ticas tamb\u00e9m nacionais e estrangeiras de escolas que se identificam como de educa\u00e7\u00e3o integral <a href=\"#1\"><sup>1<\/sup><\/a> e desenvolvem a\u00e7\u00f5es no \u00e2mbito da gest\u00e3o escolar para fortalecer a equidade no Ensino M\u00e9dio. As experi\u00eancias foram identificadas por meio de apura\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica e sistematizadas a partir de entrevistas com gestores e materiais complementares: v\u00eddeos, projetos pol\u00edticos pedag\u00f3gicos e registros de pr\u00e1ticas escolares.<\/p>\n<p>De posse dessas informa\u00e7\u00f5es, foi realizada a segunda etapa &#8211; um semin\u00e1rio em dezembro de 2015, no qual especialistas e representantes da sociedade civil experientes no trabalho com jovens analisaram e validaram o relat\u00f3rio (hiperlink para o trecho do texto sobre o semin\u00e1rio), apontando caminhos para a sequ\u00eancia do estudo. Um conjunto de perguntas produzido coletivamente por subgrupos constitu\u00eddos no semin\u00e1rio serviu de base para um question\u00e1rio de aprofundamento aplicado nas escolas do Brasil, previamente identificadas pelo levantamento jornal\u00edstico. Esta terceira etapa possibilitou verificar estrat\u00e9gias e pr\u00e1ticas utilizadas para a promo\u00e7\u00e3o do desenvolvimento integral de estudantes e sistematizar modos de atua\u00e7\u00e3o das unidades educacionais para fortalecimento da equidade a partir da educa\u00e7\u00e3o integral.<\/p>\n<div class=\"box1\">\n<p><strong>Oportunidades<\/strong><\/p>\n<p>O pesquisador e educador Miguel Arroyo (2014, p. 54) afirma que um poss\u00edvel ponto de partida para a transforma\u00e7\u00e3o do Ensino M\u00e9dio \u00e9 conhecer \u201cque pr\u00e1ticas inovadoras est\u00e3o acontecendo nas escolas, nas diversas \u00e1reas do conhecimento\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<p>Ap\u00f3s a aplica\u00e7\u00e3o do question\u00e1rio, da tabula\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise dos dados estes foram cotejados com o levantamento bibliogr\u00e1fico e com a colabora\u00e7\u00e3o dos especialistas. Redigiu-se este documento final, cujo objetivo \u00e9 apresentar recomenda\u00e7\u00f5es para a gest\u00e3o escolar na promo\u00e7\u00e3o da equidade e desenvolvimento integral no Ensino M\u00e9dio.<\/p>\n<p>Com isso, busca-se oferecer as bases iniciais para fomentar uma discuss\u00e3o a partir da aproxima\u00e7\u00e3o de fontes de saber de diferentes setores e campos de atua\u00e7\u00e3o em um di\u00e1logo colaborativo sobre o Ensino M\u00e9dio no pa\u00eds. Considerando as suas desigualdades hist\u00f3ricas, este estudo leva em conta que a multidimensionalidade e centralidade do(a) estudante s\u00e3o estruturantes para que escolas possam encorajar e apoiar os jovens a permanecerem e conclu\u00edrem a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica.<\/p>\n<h4 id=\"eiem\">A Educa\u00e7\u00e3o Integral no Ensino M\u00e9dio<\/h4>\n<h5>O conceito de educa\u00e7\u00e3o integral<\/h5>\n<p>O conceito de educa\u00e7\u00e3o integral est\u00e1 presente no Brasil desde o in\u00edcio do s\u00e9culo passado e remete diretamente a concep\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o ainda mais antigas. Te\u00f3ricos e educadores como <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Pierre-Joseph_Proudhon\">Pierre Joseph-Proudhon<\/a>, <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/C%C3%A9lestin_Freinet_\" target=\"_blank\">C\u00e9lestin Freinet<\/a> e <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Janusz_Korczak\" target=\"_blank\">Janus Korczak<\/a>, e, mais recentemente, <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/An%C3%ADsio_Teixeira\" target=\"_blank\">An\u00edsio Teixeira<\/a>, <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Darcy_Ribeiro\" target=\"_blank\">Darcy Ribeiro<\/a> e <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Paulo_Freire\" target=\"_blank\">Paulo Freire<\/a>, por exemplo, afirmavam uma <a href=\"https:\/\/educacaoeparticipacao.org.br\/tematica\/educacao-integral-um-conceito-em-busca-de-novos-sentidos\/\" target=\"_blank\">perspectiva humanizadora e libert\u00e1ria da educa\u00e7\u00e3o<\/a> enfatizando a integralidade dos processos de educacionais.<\/p>\n<p>A partir da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, e especialmente no final da d\u00e9cada de 1990 e in\u00edcio dos anos 2000, com a progressiva universaliza\u00e7\u00e3o do ensino, o Brasil voltou sua aten\u00e7\u00e3o \u00e0 qualidade da educa\u00e7\u00e3o escolar, discutindo que, para al\u00e9m do acesso \u00e0 instru\u00e7\u00e3o, a educa\u00e7\u00e3o deveria ter como objetivo o <a href=\"https:\/\/educacaointegral.org.br\/marcos\/\" target=\"_blank\">pleno desenvolvimento dos sujeitos<\/a>, em um processo cont\u00ednuo, que perpassa a educa\u00e7\u00e3o escolar e se d\u00e1 ao longo da vida.<\/p>\n<p>Nesta perspectiva, o(a) estudante ocupa lugar central, sua multidimensionalidade torna-se objeto pedag\u00f3gico e o pr\u00f3prio fim para o qual convergem todas as pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas. Isso significa que, na educa\u00e7\u00e3o integral, al\u00e9m do desenvolvimento intelectual privilegiado no modelo educacional tradicional, a <a href=\"https:\/\/educacaointegral.org.br\/glossario\/curriculo\/\" target=\"_blank\">a\u00e7\u00e3o educativa<\/a> se dirige tamb\u00e9m \u00e0s demais dimens\u00f5es do desenvolvimento humano: f\u00edsica, afetiva, social e simb\u00f3lica <a href=\"#2\"><sup>2<\/sup><\/a>.<\/p>\n<div class=\"box1\"><strong>Interdepend\u00eancia<\/strong>Compreende-se, inclusive, que o desenvolvimento intelectual depende das demais dimens\u00f5es para acontecer na sua plenitude. Por exemplo, um corpo limitado na sua express\u00e3o ou uma sociabilidade comprometida impactam diretamente nos processos cognitivos.<\/p>\n<\/div>\n<p>Nesse sentido, a educa\u00e7\u00e3o integral como perspectiva para a pol\u00edtica educacional se concretiza em propostas que integram diferentes tempos, espa\u00e7os e agentes educativos para al\u00e9m da sala de aula, das disciplinas e do professor. Essas diferentes intera\u00e7\u00f5es s\u00e3o fundamentais para que estudantes acessem e experimentem linguagens, contextos e ritmos diversificados que permitem o <a href=\"https:\/\/educacaointegral.org.br\/glossario\/desenvolvimento-integral\/\" target=\"_blank\">desenvolvimento <\/a>de suas diferentes capacidades e habilidades, bem como para que, por meio de articula\u00e7\u00f5es intersetoriais, tenham seus direitos (sa\u00fade, assist\u00eancia, mobilidade etc) assegurados.<\/p>\n<p>Nesta constru\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea, a educa\u00e7\u00e3o integral materializa o direito constitucional e se traduz n\u00e3o como uma modalidade da educa\u00e7\u00e3o, mas uma concep\u00e7\u00e3o, uma diretriz de Estado \u00e0s escolas p\u00fablicas do pa\u00eds que \u201corienta a alian\u00e7a entre os diferentes setores do sistema p\u00fablico e da sociedade em um pacto coletivo pelo desenvolvimento humano e social\u201d <a href=\"#3\"><sup>3<\/sup><\/a>.<\/p>\n<p>Ao ser apresentada como educa\u00e7\u00e3o em tempo integral no <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/CCIVIL_03\/_Ato2011-2014\/2014\/Lei\/L13005.htm\" target=\"_blank\">Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o<\/a> (2014-2024), reitera-se que, no contexto brasileiro, \u00e9 necess\u00e1ria a progressiva amplia\u00e7\u00e3o da jornada escolar. Como esta tem cerca de 4h30, entende-se que a necessidade da amplia\u00e7\u00e3o do tempo \u00e9 importante para que os(as) estudantes possam, sob media\u00e7\u00e3o das unidades de ensino, acessar diferentes oportunidades de aprendizagem e desenvolvimento. Contudo, a amplia\u00e7\u00e3o do tempo sem a reformula\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas e espa\u00e7os educativos e sem alian\u00e7as intersetoriais n\u00e3o garante que estudantes possam se desenvolver integralmente.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QpPj6WveZUA?rel=0\" width=\"640\" height=\"360\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<h5>A Educa\u00e7\u00e3o Integral e as etapas escolares<\/h5>\n<p>Entendendo-a como concep\u00e7\u00e3o, a educa\u00e7\u00e3o integral se organiza de diferentes formas nas etapas e modalidades educacionais. A organiza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o infantil, conquista hist\u00f3rica dos movimentos sociais, tem como foco o desenvolvimento das crian\u00e7as, objetivando que possam se aproximar dos saberes escolares ao passo que ampliam suas possibilidades de investiga\u00e7\u00e3o, respeitando seus tempos de aprendizagem e fases de desenvolvimento. Para tanto, aspectos como a ludicidade, aproxima\u00e7\u00e3o de temas por contexto e viv\u00eancia, e intera\u00e7\u00e3o figuram como estruturantes do processo da aprendizagem. Nessa equa\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m s\u00e3o pontos de aten\u00e7\u00e3o os espa\u00e7os da escola e a rela\u00e7\u00e3o com diferentes agentes educacionais (familiares, agentes da sa\u00fade, da assist\u00eancia etc.), necess\u00e1rios \u00e0 aprendizagem e desenvolvimento de estudantes.<\/p>\n<p>No ensino fundamental, especialmente com o advento do Programa Mais Educa\u00e7\u00e3o, criado em 2007 pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, o Brasil avan\u00e7ou significativamente na amplia\u00e7\u00e3o da oferta de oportunidades educativas, inserindo outros saberes e formas de aprendizagem no cotidiano das crian\u00e7as e adolescentes. Mesmo que essa amplia\u00e7\u00e3o tenha se apresentado em muitas escolas e redes como algo complementar e n\u00e3o como parte intr\u00ednseca do curr\u00edculo, outras tantas pr\u00e1ticas de munic\u00edpios e escolas revelaram a pot\u00eancia do arranjo escola-comunidade para o desenvolvimento e aprendizagem. Muitos munic\u00edpios como, por exemplo, Belo Horizonte, Governador Valadares, Betim e Ipatinga (MG), Apucarana (PR), Novo Hamburgo e Canoas (RS), Palmas (TO), S\u00e3o Bernardo (SP) avan\u00e7aram na constru\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas robustas com arranjos intersetoriais, ampliando e reformulando o curr\u00edculo escolar, integrando agentes da comunidade ao cotidiano das escolas e fortalecendo a rede de aten\u00e7\u00e3o a crian\u00e7as e adolescentes.<\/p>\n<p>Na educa\u00e7\u00e3o de jovens e adultos, especialmente com a crescente demanda de jovens que n\u00e3o conseguiram acesso \u00e0 escola na idade prevista ou que n\u00e3o se adaptaram ao modelo escolar tradicional, e a partir da pr\u00e1xis proposta por Paulo Freire, fortaleceu-se, como <a href=\"http:\/\/portal.mec.gov.br\/cne\/arquivos\/pdf\/CEB012000.pdf\" target=\"_blank\">diretriz nacional<\/a> a ideia da aprendizagem dialogada com o contexto do(a) estudante. Embora seja poss\u00edvel perceber grande falta de aten\u00e7\u00e3o para a qualidade da modalidade no pa\u00eds, algumas escolas, redes e sistemas de ensino <a href=\"http:\/\/gestaoescolar.org.br\/formacao\/7-acoes-combater-evasao-eja-abandono-623604.shtml\" target=\"_blank\">avan\u00e7aram na promo\u00e7\u00e3o do acesso a oportunidades diversificadas<\/a> de aprendizagem.<\/p>\n<p>No Ensino M\u00e9dio, por\u00e9m, pouco se avan\u00e7ou e pesquisas recentes apresentam n\u00fameros pouco animadores: baixo ingresso de estudantes na etapa, <a href=\"http:\/\/www.institutounibanco.org.br\/aprendizagem-em-foco\/5\/\" target=\"_blank\">altos \u00edndices de evas\u00e3o<\/a>, descren\u00e7a do(a) jovem quanto ao impacto do acesso a esse n\u00edvel escolar em suas vidas, falta de pertencimento \u00e0 escola e desconex\u00e3o do curr\u00edculo com as demandas das juventudes s\u00e3o alguns dos pontos bastante presentes no Brasil e em muitos outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>No Brasil, o n\u00edvel m\u00e9dio demorou para ser regulamentado e sistematizado, fato que explicita sua \u201caus\u00eancia hist\u00f3rica\u201d do rol de direitos garantidos \u00e0s juventudes. Soma-se ainda a \u201ccrise identit\u00e1ria\u201d pela qual atravessa a escola, marcando tamb\u00e9m um momento do ensino que sempre foi caracterizado pela dualidade de ofertas: qualifica\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra para as classes populares, ou produ\u00e7\u00e3o da distin\u00e7\u00e3o social, com a forma\u00e7\u00e3o das elites (NASCIMENTO, 2007).<\/p>\n<div class=\"box1\"><strong>Dados<\/strong>\u201cQuanto aos estudantes com idade entre 15 e 17 anos matriculados no Ensino<br \/>\nM\u00e9dio, o percentual ainda \u00e9 baixo (taxa l\u00edquida). No per\u00edodo entre 1991 e 2010, a taxa l\u00edquida de matr\u00edcula dessa faixa et\u00e1ria na etapa passou de 17,3% para 32,7%, atingindo 44,2% em 2004 e chegando a 50,9% em 2009. Apesar da varia\u00e7\u00e3o positiva, configura-se ainda a incompletude do processo de democratiza\u00e7\u00e3o da escola, pois a \u201coutra metade\u201d da juventude ou ainda est\u00e1 no Ensino Fundamental (34%), fruto de reprova\u00e7\u00f5es ou ingresso tardio, ou est\u00e1 sem frequentar a escola (PNAD\/IBGE, 2009)\u201d (KRAWCZYK, 2014, p. 84)<\/p>\n<\/div>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 educa\u00e7\u00e3o integral, tentativas importantes como o <a href=\"http:\/\/portal.mec.gov.br\/ensino-medio-inovador\/apresentacao\" target=\"_blank\">Programa Ensino M\u00e9dio Inovador<\/a>, institu\u00eddo pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o em 2009, estimulou escolas a viabilizarem propostas curriculares mais contempor\u00e2neas, atendendo as demandas das juventudes, ampliando o tempo educativo e as oportunidades de desenvolvimento. Contudo, essa diversifica\u00e7\u00e3o curricular pouco impactou a estrutura-base da oferta educativa e se materializou, muitas vezes, como uma repeti\u00e7\u00e3o dos saberes escolares convencionais, inovando em alguma medida apenas na forma de apresent\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Tendo como eixos trabalho, ci\u00eancia, tecnologia e cultura, a ideia do programa era impulsionar o curr\u00edculo formal e as atividades diversificadas a se relacionarem como algo \u00fanico, sem dissocia\u00e7\u00e3o ou escala de import\u00e2ncia. Como uma modalidade espec\u00edfica do programa, criou-se o Ensino M\u00e9dio Inovador &#8211; Jovem de Futuro, que envolvia, al\u00e9m da qualifica\u00e7\u00e3o da oferta curricular, a\u00e7\u00f5es para melhorar a gest\u00e3o escolar, tendo o(a) jovem estudante como mobilizador dos processos democr\u00e1ticos de decis\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"box1\"><strong>Legisla\u00e7\u00e3o<\/strong>As <a href=\"http:\/\/pactoensinomedio.mec.gov.br\/images\/pdf\/resolucao_ceb_002_30012012.pdf\" target=\"_blank\">diretrizes curriculares nacionais para o Ensino M\u00e9dio<\/a>, publicadas pelo Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o em 2012, afirmam que a etapa \u00e9 um direito e deve se basear na \u201cforma\u00e7\u00e3o integral do estudante.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<p>Mais recentemente, a partir de iniciativas coordenadas entre secretarias de educa\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, ocorreram propostas de amplia\u00e7\u00e3o do tempo educativo e educa\u00e7\u00e3o em tempo integral para jovens, avan\u00e7ando tanto em desenhos diferenciados para a jornada escolar, quanto na diversifica\u00e7\u00e3o da oferta curricular. Como destaque, os estados do <a href=\"https:\/\/educacaointegral.org.br\/experiencias\/ceara-foca-em-programa-de-educacao-integral-profissionalizante\/\" target=\"_blank\">Cear\u00e1<\/a>, <a href=\"https:\/\/educacaointegral.org.br\/experiencias\/pernambuco-referencia-para-educacao-integral-ensino-medio\/\" target=\"_blank\">Pernambuco <\/a> e <a href=\"https:\/\/educacaointegral.org.br\/experiencias\/programa-de-educacao-integral-fomenta-autonomia-dos-estudantes\/\" target=\"_blank\">S\u00e3o Paulo<\/a>, que ampliaram as matr\u00edculas em tempo integral no Ensino M\u00e9dio, inclu\u00edram atividades autogestionadas por jovens e tempos de estudo mais livres em sua estrutura program\u00e1tica. Tamb\u00e9m como tend\u00eancia, estes programas apostaram na constru\u00e7\u00e3o de projetos de vida individuais, aproxima\u00e7\u00e3o com o mundo do trabalho e interven\u00e7\u00f5es coletivas nos territ\u00f3rios como eixos transversais e integrados do curr\u00edculo.<\/p>\n<p>Contudo, estudo recente coordenado pelo CENPEC, ainda em fase de aprofundamento, indica que programas de educa\u00e7\u00e3o em tempo integral no Ensino M\u00e9dio de quatro estados brasileiros <a href=\"#4\"><sup>4<\/sup><\/a>, embora apresentem esfor\u00e7os importantes para qualifica\u00e7\u00e3o da oferta educativa, tendem a atender jovens com perfis socioecon\u00f4micos mais altos. Os <a href=\"http:\/\/www.institutounibanco.org.br\/aprendizagem-em-foco\/10\/\" target=\"_blank\"> resultados preliminares<\/a> indicam que jovens com perfil socioecon\u00f4mico mais baixo tendem a frequentar o n\u00edvel m\u00e9dio no per\u00edodo noturno e quase um ter\u00e7o dos(as) estudantes deste per\u00edodo afirmam que, se pudessem escolher, mudariam de escola <a href=\"#5\"><sup>5<\/sup><\/a>, o que possivelmente acarretaria maior iniquidade no sistema, perpetuando a exclus\u00e3o de parcela das juventudes nos territ\u00f3rios estudados.<\/p>\n<div class=\"box1\"><strong>Aus\u00eancia hist\u00f3rica<\/strong>A chamada crise atual do Ensino M\u00e9dio n\u00e3o \u00e9 mais do que a explicita\u00e7\u00e3o da aus\u00eancia hist\u00f3rica dessa etapa educativa como possibilidade de todos, agravada por uma profunda perda de sentido identit\u00e1rio e pedag\u00f3gico da institui\u00e7\u00e3o escolar. A chegada de sujeitos sociais n\u00e3o esperados (os pobres e os muito pobres), e muitas vezes n\u00e3o desejados pelas escolas, e o reiterado foco do Ensino M\u00e9dio na prepara\u00e7\u00e3o para a entrada na universidade ou na oferta de uma profissionaliza\u00e7\u00e3o esvaziada tamb\u00e9m de uma forma\u00e7\u00e3o humana integral agravam essa situa\u00e7\u00e3o.\u201d<br \/>\nPref\u00e1cio do livro \u201cJuventude e Ensino M\u00e9dio: sujeitos e curr\u00edculos em di\u00e1logo\u201d, publicado pela Editora da UFMG.<\/p>\n<\/div>\n<h5>Desenvolvimento integral e equidade<\/h5>\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o Federal <a href=\"#6\"><sup>6<\/sup><\/a> e a Lei de Diretrizes e Bases da Educa\u00e7\u00e3o <a href=\"#7\"><sup>7<\/sup><\/a> estabelecem o desenvolvimento integral como um dos objetivos da educa\u00e7\u00e3o, concebida como direito de toda pessoa. Em consequ\u00eancia, requerem condi\u00e7\u00f5es de igualdade para que toda cidad\u00e3 e todo cidad\u00e3o possa se desenvolver e aprender, independentemente de sua origem, ra\u00e7a, etnia, g\u00eanero, sexualidade, condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social e defici\u00eancia.<\/p>\n<p>Paralelamente, as redes e sistemas escolares, em articula\u00e7\u00e3o com as demais pol\u00edticas e servi\u00e7os de Estado, t\u00eam o dever de salvaguardar esse direito em suas a\u00e7\u00f5es educativas:<\/p>\n<p>\u201cPara a sociedade que nos toca a viver, uma pol\u00edtica de educa\u00e7\u00e3o fechada em si mesma perdeu seu sentido transformador. N\u00e3o se quer mais uma pol\u00edtica de educa\u00e7\u00e3o centrada apenas em sistemas formais de ensino (escolas). A educa\u00e7\u00e3o tem presen\u00e7a e investimento em outras pol\u00edticas setoriais (cultura, esporte, meio ambiente&#8230;). Ela ganha efetividade quando integrada a um projeto retotalizador da pol\u00edtica social\u201d, afirma a pesquisadora Maria do Carmo Brant de Carvalho, em <a href=\"http:\/\/cadernos.cenpec.org.br\/cadernos\/index.php\/cadernos\/article\/viewFile\/166\/195\" target=\"_blank\">publica\u00e7\u00e3o <\/a> do Cenpec sobre o tema.<\/p>\n<p>Contudo, o Brasil segue com enorme desigualdade nos processos educativos: da diferen\u00e7a da cobertura e oferta de matr\u00edculas \u00e0 qualidade dos processos educativos. Via de regra, enquanto estudantes de classes sociais favorecidas contam com variadas oportunidades de desenvolvimento, os das classes populares, quando chegam \u00e0 escola, s\u00e3o objeto de pol\u00edticas fragmentadas que refor\u00e7am sua condi\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade.<\/p>\n<p>Considerando apenas a <a href=\"http:\/\/www.institutounibanco.org.br\/aprendizagem-em-foco\/2\/\" target=\"_blank\">aprendizagem de portugu\u00eas e matem\u00e1tica<\/a>, com base nos resultados da Prova Brasil, apenas 23% dos(as) estudantes no 9\u00ba ano do ensino fundamental t\u00eam dom\u00ednio adequado de leitura e interpreta\u00e7\u00e3o de textos; e 11% conseguem resolver problemas de matem\u00e1tica. Paralelamente, olhando para o fluxo escolar e resultados de aprendizagem, o Ideb (\u00cdndice de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica) dos anos iniciais da rede particular de ensino \u00e9 1,8 pontos maior do que na rede p\u00fablica. No Ensino M\u00e9dio, essa diferen\u00e7a chega a dois pontos. As diferen\u00e7as regionais tamb\u00e9m s\u00e3o muito acentuadas, tanto entre estados e entre munic\u00edpios, quanto entre escolas de uma mesma regi\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"box1\"><strong>Multidimensionalidade como base para a\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas<\/strong>Na medida em que se observa a estudante e o estudante em todas suas dimens\u00f5es e caracter\u00edsticas, na centralidade do processo educativo, o sistema de ensino e a escola s\u00e3o convidados a elaborar estrat\u00e9gias espec\u00edficas para que cada pessoa permane\u00e7a na escola, tenha as oportunidades necess\u00e1rias ao seu desenvolvimento e condi\u00e7\u00f5es para aproveit\u00e1-las.<\/p>\n<\/div>\n<p>Al\u00e9m disso, como indicado no documento de refer\u00eancia <a href=\"http:\/\/www.observatoriodopne.org.br\/uploads\/reference\/file\/515\/documento-referencia.pdf\" target=\"_blank\">\u201cEduca\u00e7\u00e3o integral: um caminho para a qualidade e a equidade na educa\u00e7\u00e3o\u201d<\/a>, do Todos pela Educa\u00e7\u00e3o e da Funda\u00e7\u00e3o Ita\u00fa Social, \u201cdesigualdades de g\u00eanero, raciais, sociais, econ\u00f4micas, assim como aquelas impostas pela falta de op\u00e7\u00f5es para as pessoas com defici\u00eancia, transtornos globais do desenvolvimento, altas habilidades ou superdota\u00e7\u00e3o restringem as oportunidades, privando os indiv\u00edduos de escolhas aut\u00f4nomas e do desenvolvimento pleno do potencial de cada um.\u201d<\/p>\n<p>Frente a este cen\u00e1rio de extrema complexidade, como indicado no mesmo documento, \u201ca expectativa em torno de bons resultados proporcionados pela educa\u00e7\u00e3o integral \u00e9 refor\u00e7ada por <a href=\"http:\/\/www.oecd.org\/edu\/education-policy-outlook-2015-9789264225442-en.htm\" target=\"_blank\">pesquisas<\/a> que evidenciam um papel estrat\u00e9gico na promo\u00e7\u00e3o da qualidade com equidade em diferentes sistemas educacionais do mundo.\u201d<\/p>\n<p>Dessa forma, a educa\u00e7\u00e3o integral, enquanto conceito orientador, refletido em pr\u00e1ticas de gest\u00e3o, incluindo a reorganiza\u00e7\u00e3o da proposta curricular, condi\u00e7\u00f5es de infraestrutura, articula\u00e7\u00e3o da rede intersetorial, investimento na forma\u00e7\u00e3o docente e em recursos pedag\u00f3gicos, mostra-se como um caminho concreto para redu\u00e7\u00e3o das desigualdades.<\/p>\n<p>Como apresentado por Alejandra Meraz Velasco e Patr\u00edcia Mota Guedes em <a href=\"http:\/\/opiniao.estadao.com.br\/noticias\/geral,educacao-integral---qualidade-e-equidade,1700052\" target=\"_blank\">artigo<\/a> para o jornal o Estado de S. Paulo, n\u00e3o existe um \u00fanico modelo ou uma \u00fanica pol\u00edtica educacional para que este arranjo seja implementado. \u201cCada localidade e, no limite, cada escola deve encontrar o seu.\u201d<\/p>\n<h5>O desafio da gest\u00e3o escolar<\/h5>\n<p>Justamente nessa perspectiva que a gest\u00e3o escolar se torna fundamental. Para al\u00e9m da pol\u00edtica do munic\u00edpio ou estado, a gest\u00e3o escolar &#8211; enquanto conjunto de agentes que organizam e coordenam a implementa\u00e7\u00e3o do Projeto Pol\u00edtico Pedag\u00f3gico -, quando em di\u00e1logo com a perspectiva da educa\u00e7\u00e3o integral, deve assumir a centralidade do(a) estudante e incorporar suas demandas ao desenho curricular e na organiza\u00e7\u00e3o dos tempos, espa\u00e7os e agentes envolvidos(as) na sua aprendizagem e desenvolvimento.<\/p>\n<div class=\"box2\">\u201c\u00c9 preciso lembrar que h\u00e1 dois significados para gest\u00e3o escolar: ou \u00e9 a dire\u00e7\u00e3o da escola ou \u00e9 o aparato das Secretarias. Existe uma dualidade aqui: existe a gest\u00e3o da escola e outra gest\u00e3o de cima, hierarquizada. Quando essas duas gest\u00f5es n\u00e3o entram em conflito, o gestor da escola meramente executa o que \u2018veio de cima\u2019, pela Secretaria.\u201d Elie Ghanem.<\/div>\n<p>Ao mesmo tempo em que o Estado deve desenvolver pol\u00edticas que promovam o desenvolvimento integral das pessoas e a progressiva amplia\u00e7\u00e3o do tempo educativo ofertado, a gest\u00e3o escolar deve assumir os processos pedag\u00f3gicos como estruturantes das outras atividades. Isto \u00e9, as <a href=\"https:\/\/educacaointegral.org.br\/noticias\/processos-de-gestao-devem-se-dar-favor-pedagogico-defende-ricardo-henriques\/\" target=\"_blank\">escolhas<\/a> para investimento dos recursos, a organiza\u00e7\u00e3o das salas de aula, a rela\u00e7\u00e3o com as fam\u00edlias e territ\u00f3rios, a organiza\u00e7\u00e3o dos hor\u00e1rios de planejamento de professores(as) e a escuta dos(as) alunos(as) &#8211; <a href=\"http:\/\/www.institutounibanco.org.br\/aprendizagem-em-foco\/13\/\" target=\"_blank\">tudo deve estar em fun\u00e7\u00e3o de atender \u00e0 multidimensionalidade do(a) estudante<\/a>.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/WhvyRmJatRs?rel=0\" width=\"640\" height=\"360\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<h4 id=\"recomendacoes\">Recomenda\u00e7\u00f5es para a gest\u00e3o escolar para o desenvolvimento integral no Ensino M\u00e9dio<\/h4>\n<p>Com tais pressupostos, este estudo dedicou-se a elaborar recomenda\u00e7\u00f5es para a gest\u00e3o escolar no Ensino M\u00e9dio, com vistas \u00e0 promo\u00e7\u00e3o do desenvolvimento integral, tendo em vista a inexist\u00eancia de trabalhos sistematizados sobre o tema e a pequena aten\u00e7\u00e3o dada, em geral, para a educa\u00e7\u00e3o integral nesta etapa da escolariza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por conta deste dado, a articula\u00e7\u00e3o de tr\u00eas frentes de estudo (bibliogr\u00e1fica, contribui\u00e7\u00e3o da sociedade civil e experi\u00eancias em andamento) nos permitiu apontar alguns caminhos que possam contribuir, ainda que de forma geral, a atua\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o escolar.<\/p>\n<p>Sem a pretens\u00e3o de esgotar todas as possibilidades, estas recomenda\u00e7\u00f5es foram constru\u00eddas com base no que as escolas pesquisadas j\u00e1 fazem, mas tamb\u00e9m no que suas experi\u00eancias indicam precisar fazer. Decorrem tamb\u00e9m da reflex\u00e3o apresentada pela literatura sobre o tema e a partir de refer\u00eancias de outros pa\u00edses, as quais dialogam com as ideias apresentadas e com o repert\u00f3rio acumulado pelo Centro de Refer\u00eancia em educa\u00e7\u00e3o integral.<\/p>\n<div class=\"box1\"><strong>Falta de compreens\u00e3o sist\u00eamica<\/strong>\u00c9 necess\u00e1rio dizer que tanto a literatura especializada quanto as experi\u00eancias focalizadas indicaram a\u00e7\u00f5es positivas quanto a diversos aspectos essenciais para o desenvolvimento integral de jovens. Contudo, estas indica\u00e7\u00f5es s\u00e3o sempre parciais, pois n\u00e3o atingem todos os elementos necess\u00e1rios para o que seria a promo\u00e7\u00e3o do pleno desenvolvimento das juventudes em toda sua diversidade.<\/p>\n<\/div>\n<p>Como ponto comum em todas as experi\u00eancias selecionadas e na literatura, o papel da gest\u00e3o escolar como a articuladora de a\u00e7\u00f5es e a import\u00e2ncia da amplia\u00e7\u00e3o do respeito a direitos b\u00e1sicos ganharam destaque. A relev\u00e2ncia do princ\u00edpio da gest\u00e3o democr\u00e1tica despontou como essencial para a liga\u00e7\u00e3o entre escola e comunidade, fam\u00edlias e poder p\u00fablico, tanto no sentido de exigir melhorias da pr\u00f3pria pol\u00edtica educacional quanto no de realizar mudan\u00e7as operacionais n\u00e3o compartilhadas com todo o sistema ao qual a escola pertence.<\/p>\n<p>A aten\u00e7\u00e3o \u00e0 diversidade \u00e9 um tema que sintetiza parte das a\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para o desenvolvimento integral do(a) estudante. Para al\u00e9m das diferen\u00e7as j\u00e1 estabelecidas em maior ou menor grau (diversidade \u00e9tnico-racial, de g\u00eanero ou a inclus\u00e3o de deficientes), a serem consideradas para diminuir as desvantagens e reduzir preju\u00edzos causados pelo racismo, machismo e discrimina\u00e7\u00e3o, o tema da diversidade de interesses e percursos formativos emergiu da pesquisa como uma necessidade fundamental a ser levada em conta. Como este estudo n\u00e3o se prop\u00f4s a agregar pesquisas e atua\u00e7\u00f5es espec\u00edficas sobre as diferentes quest\u00f5es que comp\u00f5em a diversidade, estas recomenda\u00e7\u00f5es tratam da multidimensionalidade dos sujeitos, dialogando diretamente com estes pontos sem a pretens\u00e3o de esgot\u00e1-los.<\/p>\n<p>Na mesma perspectiva, figurou a valoriza\u00e7\u00e3o da autonomia dos(as) estudantes. A atua\u00e7\u00e3o de representantes ou \u201cl\u00edderes\u201d de sala na media\u00e7\u00e3o do di\u00e1logo entre a gest\u00e3o, demais estudantes e os espa\u00e7os culturais, art\u00edsticos e pol\u00edticos criados e geridos por alunos(as) foi um dos exemplos citados nas experi\u00eancias levantadas. Em outros casos, a necessidade de se valorizar o estudo aut\u00f4nomo individual ou em grupo, as monitorias, a auto-avalia\u00e7\u00e3o ou a avalia\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica da escola por estudantes, as disciplinas eletivas e o \u201ccompartilhamento\u201d da gest\u00e3o escolar com corpos discentes foram salientados como caminhos poss\u00edveis de exerc\u00edcio de protagonismo por parte de jovens.<\/p>\n<div class=\"box1\">\u201c\u00c9 preciso ousadia para repensar tempos e espa\u00e7os. Nada muda se n\u00e3o mudar tempo e espa\u00e7o de aprendizagem.\u201d Juarez Dayrell<\/div>\n<p>Para facilitar a leitura, as recomenda\u00e7\u00f5es foram divididas por tem\u00e1ticas, novamente com base nas refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas, na bibliografia examinada e nas experi\u00eancias das escolas estudadas, que v\u00e3o de compreens\u00f5es mais gerais a mais espec\u00edficas. As tem\u00e1ticas s\u00e3o: multidimensionalidade, personaliza\u00e7\u00e3o do ensino, participa\u00e7\u00e3o de estudantes, rela\u00e7\u00e3o com o territ\u00f3rio, inclus\u00e3o social, trabalho e renda, inclus\u00e3o de estudantes com defici\u00eancia, ra\u00e7a e etnia e g\u00eanero e sexualidade.<\/p>\n<h5>Multidimensionalidade<\/h5>\n<div class=\"box2\"><strong><strong>Pressupostos<\/strong><\/strong><\/div>\n<p>Adotar a concep\u00e7\u00e3o de desenvolvimento integral no Ensino M\u00e9dio implica reconhecer a educa\u00e7\u00e3o para al\u00e9m da instru\u00e7\u00e3o e buscar \u201cequilibrar e articular a forma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e t\u00e9cnica, \u00e9tico-moral e est\u00e9tico-expressiva\u201d (TEIXEIRA, 2014, p. 21) e respeitar a diversidade implica levar em conta diferentes inclina\u00e7\u00f5es pessoais. \u00c9 uma concep\u00e7\u00e3o que leva em conta todas as dimens\u00f5es &#8211; f\u00edsica, intelectual, social, afetiva e simb\u00f3lica \u2013 dos(as) estudantes e entende que o desenvolvimento pleno dos indiv\u00edduos s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel quando tais dimens\u00f5es s\u00e3o intencionalmente trabalhadas no curr\u00edculo, ou seja, nas pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas, as quais incluem a gest\u00e3o e as rela\u00e7\u00f5es que se estabelecem entre as pessoas no processo educacional. Dessa forma, a centralidade do(a) estudante torna-se o ponto de partida e o fim para o qual convergem todas as atividades.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/cDgwA9zZPNM?rel=0\" width=\"640\" height=\"360\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<h6>Recomenda\u00e7\u00f5es para a gest\u00e3o escolar<\/h6>\n<p>1. Valorizar o(a) estudante como o ator ou a atriz principal do processo pedag\u00f3gico, estimulando o seu protagonismo e a perspectiva colaborativa da gest\u00e3o escolar;<br \/>\n2. Garantir e promover op\u00e7\u00f5es variadas de percursos formativos, ao contr\u00e1rio das convencionais ofertas homog\u00eaneas.<br \/>\n3. Valorizar a diversidade social, levando em conta identidades individuais e coletivas, e a inclus\u00e3o de pessoas com defici\u00eancia buscando faz\u00ea-lo de modo articulado;<br \/>\n4. Integrar o curr\u00edculo ao distribuir disciplinas da parte comum e da diversificada, estimulando que os estudantes e docentes a dar a ambas as partes a mesma import\u00e2ncia para o seu desenvolvimento integral;<br \/>\n5. Reivindicar e participar da elabora\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas governamentais que promovam a abordagem das identidades individuais e coletivas no ambiente escolar.<\/p>\n<div class=\"box1\"><strong>Dica<\/strong>A gest\u00e3o pode fazer uma reflex\u00e3o coletiva sobre o sujeito que deseja formar, envolvendo toda a comunidade escolar. Esse processo &#8211; que deve tratar da multidimensionalidade dos(as) jovens &#8211; pode ser o in\u00edcio da revis\u00e3o do Projeto Pol\u00edtico Pedag\u00f3gico da escola, com vistas ao desenvolvimento integral.<\/p>\n<\/div>\n<p>6. Investir na forma\u00e7\u00e3o docente interna \u00e0 escola, tanto nos hor\u00e1rios de planejamento quanto na oferta de atividades em parceria com a comunidade, em especial, com as universidades, para que ocorram pr\u00e1ticas adequadas \u00e0s m\u00faltiplas dimens\u00f5es do desenvolvimento que dialoguem com as demandas e caracter\u00edsticas da comunidade escolar;<br \/>\n7. Abolir qualquer forma de sele\u00e7\u00e3o de estudantes, incluindo os(as) com defici\u00eancia, tanto durante a matr\u00edcula quanto na composi\u00e7\u00e3o das salas de aula;<br \/>\n8. Promover parcerias entre a escola e \u00f3rg\u00e3os do primeiro, segundo e terceiro setor: universidades, \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos e Organiza\u00e7\u00f5es N\u00e3o Governamentais (ONGs), al\u00e9m da rede de prote\u00e7\u00e3o a estudantes e suas fam\u00edlias.<\/p>\n<div class=\"box2\"><strong>SAIBA MAIS<\/strong><a href=\"http:\/\/portal.mec.gov.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=13529:colecao-educacao-para-todos&amp;catid=194:secad-educacao-continuada\" target=\"_blank\"><strong>Cole\u00e7\u00e3o Educa\u00e7\u00e3o Para Todos<\/strong><\/a>, da Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o Continuada, Alfabetiza\u00e7\u00e3o, Diversidade e Inclus\u00e3o do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (SECADI\/MEC)<br \/>\n<a href=\"https:\/\/educacaointegral.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/livro-completo_juventude-e-ensino-medio_2014.pdf\" target=\"_blank\"><strong>Juventude e Ensino M\u00e9dio<\/strong><\/a>: publica\u00e7\u00e3o da Editora UFMG organizada por Juarez Dayrell, Paulo Carrano e Carla Linhares Maia.<br \/>\nVolume 1, n\u00ba 2 dos Cadernos Cenpec &#8211; <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.18676\/cadernoscenpec.v1i2\" target=\"_blank\"><strong>Pesquisa e A\u00e7\u00e3o Educacional: Educa\u00e7\u00e3o Integral<\/strong><\/a>: publica\u00e7\u00e3o organizada por Volume 3, n\u00ba1 dos Cadernos Cenpec &#8211; <a href=\"http:\/\/cadernos.cenpec.org.br\/cadernos\/index.php\/cadernos\/issue\/view\/11\">Pesquisa e A\u00e7\u00e3o Educacional: Justi\u00e7a como Equidade<\/a><\/div>\n<h5>Personaliza\u00e7\u00e3o e autonomia<\/h5>\n<div class=\"box2\"><strong>Pressupostos<\/strong>Adotar a concep\u00e7\u00e3o de desenvolvimento integral no Ensino M\u00e9dio implica estimular e fortalecer a autonomia do(a) estudante nos processos educacionais, garantindo uma rede apoio e orienta\u00e7\u00f5es personalizadas para que possa se engajar nos estudos a partir dos seus interesses e necessidades, para construir e atuar pelo seu projeto de vida e agir coletivamente no desenvolvimento de sua comunidade. Nessa perspectiva, a escola deve adotar diferentes estrat\u00e9gias, considerando que as pessoas aprendem de formas e em ritmos diferentes, sendo diversos seus conhecimentos pr\u00e9vios, habilidades e inclina\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<\/div>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/g5MogOGsIU4?rel=0\" width=\"640\" height=\"360\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<h6>Recomenda\u00e7\u00f5es para a gest\u00e3o escolar<\/h6>\n<p>9. Criar espa\u00e7os e estrat\u00e9gias para estimular que estudantes se ajudem mutuamente no aprendizado bem como aprendam a aprender tamb\u00e9m sem ajuda.<br \/>\n10. Valorizar as diferen\u00e7as \u00e9tnicas, sociais e culturais e os conhecimentos pr\u00f3prios, planejando os saberes a tratar, orientados pelas necessidades dos(as) educandos(as).<br \/>\n11. Promover a reorganiza\u00e7\u00e3o do tempo e do espa\u00e7o escolar tradicional em fun\u00e7\u00e3o de uma proposta pedag\u00f3gica com foco nas demandas das juventudes, buscando estrat\u00e9gias que fortale\u00e7am o trabalho coletivo e a aprendizagem pr\u00e1tica, conectando as propostas curriculares \u00e0s necessidades de aprendizagem e projetos de interesse dos(as) estudantes;<\/p>\n<div class=\"box1\"><strong>Dica<\/strong><br \/>\nAtividades e modos de execut\u00e1-las que abordem projeto de vida, mundo do trabalho, empreendedorismo, forma\u00e7\u00e3o cidad\u00e3, ciclos de leituras s\u00e3o algumas propostas consequentes utilizadas pelas escolas para promover o engajamento de estudantes. Paralelamente, em escolas que atendem tanto o ensino fundamental quanto o m\u00e9dio e a EJA, conceber atividades que promovam o encontro e di\u00e1logo de estudantes das tr\u00eas etapas. Atividades diversificadas, muitas vezes apenas para o ensino fundamental podem ser abertas tamb\u00e9m para estudantes Ensino M\u00e9dio e outros n\u00edveis.<\/div>\n<p>12. Apoiar a organiza\u00e7\u00e3o da vida escolar de estudantes com a aten\u00e7\u00e3o aos prazos e \u00e0 qualidade acad\u00eamica, instituindo formas de acompanhamento individualizado ou tutoria e aproximando docentes e estudantes em uma perspectiva de media\u00e7\u00e3o do conhecimento e da constru\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos;<br \/>\n13. Apoiar diretamente estudantes com dificuldades de aprendizagem e desenvolvimento e docentes no planejamento a partir das necessidades espec\u00edficas dos alunos, identificadas por tutoria ou acompanhamento individualizado;<br \/>\n14. Formar e incentivar docentes a acompanharem individualmente jovens, dando retorno sobre as atividades realizadas, pactuando expectativas de aprendizagem e implementando novas formas de avalia\u00e7\u00e3o sobre o desenvolvimento de estudantes para al\u00e9m de testes padronizados, substituindo notas e conceitos por an\u00e1lises dialogadas, constru\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise de portf\u00f3lios e autoavalia\u00e7\u00e3o.<br \/>\n15. Estimular e formar o corpo docente e demais profissionais da escola, familiares e agentes do entorno a atuarem como mentores(as) de refer\u00eancia para estudantes, influindo em sua performance escolar e em seu desenvolvimento, inclusive em aspectos que afetem sua inclus\u00e3o social, participa\u00e7\u00e3o no coletivo e perman\u00eancia na escola.<br \/>\n16. Incluir no tempo e curr\u00edculo escolar atividades autogestionadas, ofertando refer\u00eancias de pr\u00e1ticas que possam apoiar estudantes a \u201caprender a aprender\u201d e a estudar individual e coletivamente sem media\u00e7\u00e3o de docentes;<br \/>\n17. Incluir nas aulas ou atividades voltadas \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do projeto de vida, exerc\u00edcios de proje\u00e7\u00e3o para o futuro para al\u00e9m da inser\u00e7\u00e3o no mundo do trabalho, tais como reflex\u00f5es sobre as rela\u00e7\u00f5es pessoais e familiares, bem como sobre as pr\u00f3prias juventudes;<br \/>\n18. Viabilizar espa\u00e7o e tempo para que estudantes possam promover atividades consideradas culturais, l\u00fadicas e esportivas para abordar aspectos do seu interesse, inclusive para que consigam financiamento para seus projetos pessoais.<\/p>\n<div class=\"box2\"><strong>Saiba mais<\/strong><a href=\"http:\/\/innoveedu.org\/\" target=\"_blank\">Innove Edu<\/a> &#8211; guia de experi\u00eancias inovadoras em educa\u00e7\u00e3o, iniciativa do Porvir, em parceria com a Edsurge, Innovation Unit e Wise.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/porvir.org\/\" target=\"_blank\">Porvir<\/a> &#8211; site do Instituto Inspirare que re\u00fane experi\u00eancias e materiais para docentes e gestores(as).<\/p>\n<\/div>\n<h5>Participa\u00e7\u00e3o e democracia<\/h5>\n<div class=\"box2\"><strong>Pressupostos<\/strong>Adotar a concep\u00e7\u00e3o de desenvolvimento integral no Ensino M\u00e9dio implica garantir processos de tomada de decis\u00e3o democr\u00e1ticos, participativos e transparentes, buscando superar a recorrente cis\u00e3o entre trabalho pedag\u00f3gico e gest\u00e3o e extinguir as pr\u00e1ticas autorit\u00e1rias e centralizadoras, estimulando a participa\u00e7\u00e3o ativa de jovens, fam\u00edlias e agentes locais, tanto nas inst\u00e2ncias de tomada de decis\u00e3o quanto no apoio e desenvolvimento de atividades formativas.<\/p>\n<\/div>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/5lSsPR8iDkg?rel=0\" width=\"640\" height=\"360\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<h6>Recomenda\u00e7\u00f5es para a gest\u00e3o escolar<\/h6>\n<p>19. Envolver ativamente a comunidade escolar, incluindo familiares e estudantes nos processos de gest\u00e3o da escola, compartilhando decis\u00f5es e quest\u00f5es tanto pedag\u00f3gicas quanto administrativas;<br \/>\n20. Promover o envolvimento de estudantes na gest\u00e3o pedag\u00f3gica da escola, abrindo espa\u00e7o para que, inclusive, proponham reformula\u00e7\u00f5es curriculares;<br \/>\n21. Apoiar elei\u00e7\u00e3o de representantes ou \u201cl\u00edderes de classe\u201d garantindo sua interlocu\u00e7\u00e3o com demais gestores(as), docentes, conselhos de classe e conselhos de escola;<br \/>\n22. Implementar processos democr\u00e1ticos tais como elei\u00e7\u00e3o direta de representantes do conselho escolar por parte de estudantes e pais, docentes e demais funcion\u00e1rios(as) garantindo participa\u00e7\u00e3o mais efetiva da comunidade na din\u00e2mica da escola;<\/p>\n<div class=\"box1\"><strong><strong>Dica<\/strong><\/strong>Um caminho para a gest\u00e3o democr\u00e1tica nas escolas \u00e9 a implementa\u00e7\u00e3o de assembleias em que toda a comunidade escolar elenca suas pr\u00f3prias pautas e debate formas de solucionar os problemas apresentados ou mudan\u00e7as para o cotidiano escolar. Veja <a href=\"https:\/\/educacaointegral.org.br\/noticias\/assembleias-escolares-chave-para-fortalecer-democracia\" target=\"_blank\">como<\/a>!<\/p>\n<\/div>\n<p>23. Promover liberdade de participa\u00e7\u00e3o entre estudantes para expressarem suas demandas, criarem regras e tomarem outras decis\u00f5es conjuntas com os demais grupos que comp\u00f5em a institui\u00e7\u00e3o.<br \/>\n24. Incorporar projetos de estudantes \u00e0s pr\u00e1ticas escolares e integr\u00e1-los ao projeto pol\u00edtico pedag\u00f3gico;<br \/>\n25. Manter os(as) jovens informados(as) sobre seus espa\u00e7os participativos para que os ocupem, aprendendo, inclusive, a administrar as suas pr\u00f3prias regras de conviv\u00eancia e processos democr\u00e1ticos de decis\u00e3o;<br \/>\n26. Desenvolver procedimentos de avalia\u00e7\u00e3o de todas as inst\u00e2ncias escolares, n\u00e3o apenas da aprendizagem de estudantes, incluindo a atua\u00e7\u00e3o docente, a infraestrutura e os projetos desenvolvidos na escola, garantindo que a an\u00e1lise dos resultados das avalia\u00e7\u00f5es embasem o desenho colaborativo de estrat\u00e9gias e encaminhamentos;<br \/>\n27. Estabelecer canais de comunica\u00e7\u00e3o entre profissionais da escola, familiares e estudantes, estimulando a participa\u00e7\u00e3o em assembleias e discuss\u00f5es sobre a realidade da escola e do entorno;<br \/>\n28. Planejar as a\u00e7\u00f5es escolares em di\u00e1logo com outras escolas da mesma \u00e1rea, promovendo a tomada de decis\u00f5es de maneira coletiva e a troca de experi\u00eancias, modos de fazer e desafios.<\/p>\n<div class=\"box2\"><strong>Saiba mais<\/strong><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.comunidadeeducativa.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Livro_PPP.pdf\" target=\"_blank\">Projeto pol\u00edtico-pedag\u00f3gico: orienta\u00e7\u00f5es para o gestor escolar<\/a>, publica\u00e7\u00e3o da Comunidade Educativa CEDAC em parceria com a Funda\u00e7\u00e3o Santillana e a Editora Moderna.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/agendapublica.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/CADERNO-5_Baixa_Resol.pdf\" target=\"_blank\">Caderno 5 da Cole\u00e7\u00e3o Gest\u00e3o Democr\u00e1tica nas escolas: Conselho-rede: multiplicando pr\u00e1ticas departicipa\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o democr\u00e1tica na comunidade escolar<\/a>, guia da Agenda P\u00fablica para apoio ao Conselho Escolar.<br \/>\nParticipa\u00e7\u00e3o popular na gest\u00e3o escolar, estudo de Elie Ghanem e Thereza Pegoraro para a A\u00e7\u00e3o Educativa.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/portal.mec.gov.br\/index.php?option=com_docman&amp;view=download&amp;alias=2170-livro-unir-2009&amp;category_slug=dezembro-2009-pdf&amp;Itemid=30192\" target=\"_blank\">Gest\u00e3o Escolar: Enfrentando os desafios em escolas p\u00fablicas<\/a>, livro da Editora CRV.<\/div>\n<h5>Rela\u00e7\u00e3o com o territ\u00f3rio<\/h5>\n<div class=\"box2\"><strong>Pressupostos<\/strong>Adotar a concep\u00e7\u00e3o de desenvolvimento integral no Ensino M\u00e9dio implica reconhecer tanto os territ\u00f3rios de origem dos(as) jovens quanto aquele em que a escola se situa. Fundamentalmente, uma escola que se conecta com o territ\u00f3rio cria condi\u00e7\u00f5es para que a comunidade escolar compreenda a hist\u00f3ria e os saberes locais e o contexto de vida, as rela\u00e7\u00f5es e linguagens das pessoas que a frequentam. Essa apropria\u00e7\u00e3o aproxima educador(a) e educando(a), cria la\u00e7os de confian\u00e7a e pertin\u00eancia aos saberes focalizados e ao processo educativo como um todo.<\/p>\n<\/div>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/A6S8O_6jFZI?rel=0\" width=\"640\" height=\"360\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<h6>Recomenda\u00e7\u00f5es para a gest\u00e3o escolar<\/h6>\n<p>29. Mapear a vida e o repert\u00f3rio sociocultural do territ\u00f3rio de atua\u00e7\u00e3o da escola para consider\u00e1-los no Projeto Pol\u00edtico Pedag\u00f3gico, gerando e utilizando informa\u00e7\u00f5es como insumo da aprendizagem, inclusive promovendo a participa\u00e7\u00e3o da comunidade local em atividades educativas com jovens;<br \/>\n30. Em especial com as comunidades do campo, dos povos da \u00e1gua, quilombolas, ciganas e ind\u00edgenas, adaptar o curr\u00edculo \u00e0s caracter\u00edsticas da regi\u00e3o, promovendo um planejamento flex\u00edvel, a uni\u00e3o entre a teoria educacional e a pr\u00e1tica social regional, em di\u00e1logo com os estudantes e comunidades locais;<\/p>\n<div class=\"box1\"><strong>Dica<\/strong>Apoiar docentes para desenvolverem projetos com as juventudes requer que entendam a import\u00e2ncia de <a href=\"https:\/\/educacaointegral.org.br\/metodologias\/por-aprender-educar-territorio\/\" target=\"_blank\">aprender e educar no territ\u00f3rio<\/a> , <a href=\"http:\/\/aprendizcomgas.org.br\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/Tecnologia-Social-para-Juventude-_Vol.1.pdf\" target=\"_blank\">instrumentos <\/a> para que jovens possam atuar criticamente em suas comunidades, ao mesmo tempo em que <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=FbWtVGx6xMs\" target=\"_blank\">desenvolvem os saberes acad\u00eamicos<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n<p>31. Identificar a exist\u00eancia de popula\u00e7\u00e3o jovem migrante ou de fam\u00edlias migrantes, adaptando as atividades escolares a fim de conhecer e propor interlocu\u00e7\u00f5es com as culturas de origem dos(as) estudantes;<br \/>\n32. Adequar os tempos e espa\u00e7os escolares para atender as necessidades das comunidades e jovens de comunidades do campo, da \u00e1gua e de outros povos tradicionais, propondo sistemas de altern\u00e2ncia ou maleabilidade da jornada escolar que garantam a participa\u00e7\u00e3o nas atividades familiares e comunit\u00e1rias;<br \/>\n33. Reformular o Projeto Pol\u00edtico Pedag\u00f3gico da escola envolvendo estudantes, fam\u00edlias, profissionais docentes e n\u00e3o-docentes e agentes das comunidades na elabora\u00e7\u00e3o de conceitos, atividades e metas para garantir a perman\u00eancia de jovens, bem como estrat\u00e9gias para ampliar as oportunidades de aprendizagem e desenvolvimento de estudantes, em parcerias estabelecidas com agentes, organiza\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os do territ\u00f3rio.<br \/>\n34. Estimular o pertencimento de jovens ao local em que vivem, encorajando pr\u00e1ticas de cuidado e preserva\u00e7\u00e3o ambiental e social, assim como planejando o curr\u00edculo de forma a fortalecer o v\u00ednculo dos(as) estudantes com a hist\u00f3ria da comunidade, tematizando sua identidade.<br \/>\n35. Conhecer, juntamente com o corpo docente, a realidade dos(as) estudantes, aproximando a escola das fam\u00edlias, inclusive realizando visitas \u00e0s suas casas, convidando-os a buscar solu\u00e7\u00f5es conjuntas para atender demandas espec\u00edficas e individuais de estudantes;<br \/>\n36. Estabelecer parcerias com centros educativos para complementa\u00e7\u00e3o ou amplia\u00e7\u00e3o das oportunidades formativas, inclusive articulando bolsas ou outras formas de financiamento que auxiliem a perman\u00eancia de jovens nestas iniciativas;<\/p>\n<div class=\"box1\"><strong>Dica<\/strong>\u00c9 necess\u00e1rio mobilizar a comunidade escolar para mapear pessoas que exercem lideran\u00e7a e equipamentos comunit\u00e1rios, organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais, empresas e setores comerciais, buscando estabelecer com estes projetos integrados \u00e0 escola. Veja <a href=\"https:\/\/educacaointegral.org.br\/metodologias\/como-realizar-um-mapeamento-dos-potenciais-educativos\/\" target=\"_blank\">como<\/a>!<\/p>\n<\/div>\n<p>37. Organizar, estimulando o protagonismo discente, exposi\u00e7\u00f5es e\/ou apresenta\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas dos trabalhos elaborados por estudantes para familiares e comunidades do entorno, abordando com as pessoas envolvidas as diferentes dimens\u00f5es do desenvolvimento do(a) estudante no processo;<br \/>\n38. Viabilizar a participa\u00e7\u00e3o de pessoas das comunidades e docentes de outras escolas em reuni\u00f5es pedag\u00f3gicas, presenciando aulas e outras atividades, trazendo suas impress\u00f5es e sugest\u00f5es para qualificar a gest\u00e3o e as a\u00e7\u00f5es da unidade;<br \/>\n39. Interagir com o territ\u00f3rio buscando realizar interc\u00e2mbios com institui\u00e7\u00f5es de ensino das comunidades vizinhas, facilitando a troca de experi\u00eancias e o aprendizado m\u00fatuo;<br \/>\n40. Estimular o di\u00e1logo com as comunidades do entorno, convidando pessoas que as integram para atuarem como educadoras, valorizando-as e as incorporando \u00e0 unidade escolar;<br \/>\n41. Reconhecer os espa\u00e7os de mobiliza\u00e7\u00e3o j\u00e1 existentes no lugar onde a escola se situa, aproximando-se da comunidade local e alinhando as iniciativas escolares com as que j\u00e1 est\u00e3o em curso no territ\u00f3rio.<\/p>\n<div class=\"box2\"><strong>Saiba mais<\/strong>Volume 12 dos Cadernos Pedag\u00f3gicos da S\u00e9rie Mais Educa\u00e7\u00e3o: <a href=\"https:\/\/educacaointegral.org.br\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/territorioseducativos.pdf\" target=\"_blank\">Territ\u00f3rios Educativos para Educa\u00e7\u00e3o Integral<\/a>, publica\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<a href=\"https:\/\/educacaointegral.org.br\/metodologias\/eixo\/comunidade\/\" target=\"_blank\">Metodologias <\/a>de apoio para articula\u00e7\u00e3o escola-comunidade, sele\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias e a\u00e7\u00f5es propostas pelo Centro de Refer\u00eancias em Educa\u00e7\u00e3o Integral.<br \/>\n<a href=\"https:\/\/educacaoeparticipacao.org.br\/materiais\/jovens-urbanos-marcos-conceituais-e-metodologicos\/\" target=\"_blank\">Jovens urbanos: Marcos Conceituais e Metodol\u00f3gicos<\/a>, publica\u00e7\u00e3o desenvolvida pela Funda\u00e7\u00e3o Ita\u00fa Social e Cenpec que apresenta princ\u00edpios e estrat\u00e9gias para articula\u00e7\u00e3o das juventudes ao territ\u00f3rio.<\/p>\n<\/div>\n<h6>Inclus\u00e3o social<\/h6>\n<div class=\"box2\"><strong>Pressupostos<\/strong>Adotar a concep\u00e7\u00e3o de desenvolvimento integral no Ensino M\u00e9dio implica reconhecer a desigualdade presente nas juventudes brasileira e a necessidade de participar ativamente de um arranjo intersetorial que assegure e promova o direito de todos(as) os(as) jovens ao pleno desenvolvimento, de modo igualit\u00e1rio, democr\u00e1tico e solid\u00e1rio, instaurando uma forma de organiza\u00e7\u00e3o baseada na colabora\u00e7\u00e3o e na divis\u00e3o de responsabilidades e compet\u00eancias.<\/p>\n<\/div>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/xvKC8pauF5c?rel=0\" width=\"640\" height=\"360\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<h5>Recomenda\u00e7\u00f5es para a gest\u00e3o escolar<\/h5>\n<p>42. Identificar jovens em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade social, usando e apurando as informa\u00e7\u00f5es das matr\u00edculas, aplicando question\u00e1rios e entrevistando tanto jovens quanto familiares e\/ou respons\u00e1veis;<br \/>\n43. Compor e participar ativamente da rede de aten\u00e7\u00e3o a jovens, estimulando a presen\u00e7a da comunidade escolar e dos(as) pr\u00f3prios(as) jovens nas discuss\u00f5es da rede;<\/p>\n<div class=\"box1\"><strong>Dica<\/strong>Existem variadas formas para se articular pessoas e institui\u00e7\u00f5es em torno de um mesmo objetivo. Uma das formas \u00e9 <a href=\"https:\/\/educacaointegral.org.br\/metodologias\/como-formar-redes-para-educacao-integral\/\" target=\"_blank\">articular redes por meio da pesquisa-a\u00e7\u00e3o<\/a>, que fundamentalmente objetiva investiga\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o simult\u00e2neas e efetivadas por grupos de pessoas que atuam de forma colaborativa.<\/p>\n<\/div>\n<p>44. Envolver familiares de estudantes em vulnerabilidade no desenho de estrat\u00e9gias conjuntas e acesso \u00e0s comunidades do entorno para apoiar jovens no mundo do trabalho, sem prejudicar seu desenvolvimento e aprendizagem;<br \/>\n45. Reivindicar pol\u00edticas intersetoriais para apoiar jovens em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade econ\u00f4mica e social, ao mesmo tempo em que se realizam parcerias para apoiar estudantes a permanecerem na escola e conclu\u00edrem os estudos;<br \/>\n46. Realizar, em colabora\u00e7\u00e3o com demais agentes da comunidade escolar e da rede de sa\u00fade e assist\u00eancia, busca ativa de jovens que evadem, identificando com os(as) pr\u00f3prios(as) jovens os motivos pelos quais deixam a escola e desenvolvendo estrat\u00e9gias em rede para apoiar seu retorno e perman\u00eancia nos estudos;<br \/>\n47. Estimular que jovens estejam \u00e0 frente de campanhas e atividades de sensibiliza\u00e7\u00e3o sobre temas de interesse das juventudes, correlacionando-os com a perman\u00eancia escolar;<br \/>\n48. Acionar a rede de prote\u00e7\u00e3o a jovens para apoiar estudantes gr\u00e1vidas ou m\u00e3es a n\u00e3o abandonarem os estudos, inclusive com a matr\u00edcula das crian\u00e7as em centros e escolas de educa\u00e7\u00e3o infantil.<br \/>\n49. Formular estrat\u00e9gias de acolhimento de beb\u00eas e m\u00e3es pela escola, para que a amamenta\u00e7\u00e3o exclusiva seja garantida, pelo menos, nos primeiros seis meses de vida das crian\u00e7as;<br \/>\n50. Estabelecer colabora\u00e7\u00e3o entre servi\u00e7os p\u00fablicos e privados locais para que incentivem a matr\u00edcula e perman\u00eancia de travestis e transexuais.<\/p>\n<div class=\"box2\"><strong>Saiba Mais<\/strong><a href=\"http:\/\/www.cidadeescolaaprendiz.org.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/Escolas_em_Rede.pdf\" target=\"_blank\">Escolas em Rede<\/a>, publica\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Cidade Escola Aprendiz.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/portaldoprofessor.mec.gov.br\/storage\/materiais\/0000012175.pdf\" target=\"_blank\">Intersetorialidade e Educa\u00e7\u00e3o Integral<\/a>, publica\u00e7\u00e3o da Escola Para o Futuro, do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<a href=\"https:\/\/educacaointegral.org.br\/na-pratica\/eixo\/gestao-intersetorial\/\" target=\"_blank\">Dimens\u00e3o Gest\u00e3o Intersetorial<\/a>, do Guia Educa\u00e7\u00e3o Integral na Pr\u00e1tica, do Centro de Refer\u00eancias em Educa\u00e7\u00e3o Integral.<\/p>\n<\/div>\n<h6>Trabalho e renda<\/h6>\n<div class=\"box2\"><strong>Pressupostos<\/strong>Adotar a concep\u00e7\u00e3o de desenvolvimento integral no Ensino M\u00e9dio implica levar em considera\u00e7\u00e3o que o mundo do trabalho, tanto no presente como em perspectiva de futuro, \u00e9 um aspecto fundamental para a juventude (CORROCHANO, 2014) e deve ser abordado com estudantes a fim de ampliar seus repert\u00f3rios para a inser\u00e7\u00e3o qualificada do tema em seus projetos de vida.<\/p>\n<\/div>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/suZe77vAFcc?rel=0\" width=\"640\" height=\"360\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<h5>Recomenda\u00e7\u00f5es para a gest\u00e3o escolar<\/h5>\n<p>51. Identificar atividades laborais de estudantes a fim de conectar saberes escolares com os relativos \u00e0 inser\u00e7\u00e3o qualificada no mundo do trabalho;<br \/>\n52. Flexibilizar hor\u00e1rios das atividades escolares ou o limite de faltas, manter di\u00e1logo com empregadores(as) e tomar outras medidas para apoiar jovens a compatibilizar estudo e trabalho;<br \/>\n53. Fornecer informa\u00e7\u00f5es e debater necessidades e alternativas relativas \u00e0s diferentes profiss\u00f5es e possibilidades de se inserirem de forma qualificada no mundo do trabalho, incluindo discuss\u00f5es sobre empreendedorismo, ativismo e express\u00f5es art\u00edsticas;<\/p>\n<div class=\"box1\"><strong>Dica<\/strong>A combina\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o profissional com a escolariza\u00e7\u00e3o b\u00e1sica tem efeitos positivos no combate \u00e0 evas\u00e3o. Segundo o <a href=\"http:\/\/portal.mec.gov.br\/setec\/arquivos\/pdf_legislacao\/tecnico\/legisla_tecnico_parecer1699.pdf\">Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o<\/a>, esta combina\u00e7\u00e3o deve estar atrelada \u00e0 forma\u00e7\u00e3o para a cidadania, para a leitura cr\u00edtica do pr\u00f3prio contexto e mercado de trabalho e para o desenvolvimento do pa\u00eds.<\/p>\n<\/div>\n<p>54. Criar mecanismos de est\u00edmulo \u00e0 perman\u00eancia dos(as) alunos(as) na escola atrav\u00e9s de alian\u00e7as com institui\u00e7\u00f5es que possam oferecer est\u00e1gios e cursos em hor\u00e1rios diferentes ao da jornada escolar, afirmando o papel a escola a servi\u00e7o de uma forma\u00e7\u00e3o cidad\u00e3, comprometida com a inser\u00e7\u00e3o qualificada dos jovens no mundo do trabalho;<br \/>\n55. Planejar uma estrutura escolar que incentive a criatividade e iniciativas por parte de estudantes, estimulando a conex\u00e3o destas com o mundo do trabalho;<br \/>\n56. Promover a forma\u00e7\u00e3o e discuss\u00e3o do corpo docente sobre o tema e sobre como inclu\u00ed-lo de forma transversal em suas disciplinas;<br \/>\n57. Promover experi\u00eancias de est\u00e1gio e\/ou forma\u00e7\u00e3o para o mundo do trabalho nas comunidades a partir dos interesses de estudantes, atrelando-as \u00e0 matriz curricular da escola e aproximando saberes locais e agentes do territ\u00f3rio na oferta formativa relacionada ao mundo do trabalho, inclusive na forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e\/ou profissionalizante;<br \/>\n58. Reivindicar que a oferta de forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica responda aos interesses de estudantes, bem como as demandas do territ\u00f3rio;<br \/>\n59. Em escolas com ensino t\u00e9cnico e profissionalizante, reivindicar e garantir que o curr\u00edculo de forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica seja compat\u00edvel com o desenvolvimento integral dos(as) estudantes, incluindo tem\u00e1ticas e abordagens humanistas e que promovam a reflex\u00e3o cr\u00edtica sobre o mundo do trabalho, espa\u00e7o para frui\u00e7\u00e3o e aprecia\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica e cultural, para pr\u00e1tica esportiva e f\u00edsico-corporal;<br \/>\n60. Em escolas com programas de ensino t\u00e9cnico ou profissionalizante, reivindicar e buscar que o curr\u00edculo seja flex\u00edvel, de forma que cada estudante possa segui-lo de acordo com seus desejos profissionais;<br \/>\n61. Acompanhar a inser\u00e7\u00e3o laboral dos jovens em oportunidades de <a href=\"http:\/\/www.oitbrasil.org.br\/content\/o-que-e-trabalho-decente\" target=\"_blank\">trabalho decente<\/a> e cumprimento da <a href=\"http:\/\/www.conexaoaprendiz.org.br\/editoria\/alei\/\" target=\"_blank\">Lei de Aprendizagem<\/a> (Lei 10.097) e acionar a rede de prote\u00e7\u00e3o em caso de viola\u00e7\u00e3o destes direitos.<\/p>\n<div class=\"box2\"><strong>Saiba Mais<\/strong><a href=\"http:\/\/www.acaoeducativa.org.br\/index.php\/juventude\/40-juventude-e-trabalho\" target=\"_blank\">Juventude, Trabalho e Educa\u00e7\u00e3o<\/a>, cole\u00e7\u00e3o de textos produzidos e selecionados pela A\u00e7\u00e3o Educativa.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.educacao.pr.gov.br\/arquivos\/File\/det\/2013\/novas_diretrizes_ed_profissional.pdf\" target=\"_blank\">Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educa\u00e7\u00e3o Profissional T\u00e9cnica de N\u00edvel M\u00e9dio<\/a>, do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o<br \/>\n<a href=\"http:\/\/agenciarj.org\/categoria\/direto-da-agencia\/\" target=\"_blank\">Direto da Ag\u00eancia<\/a>, que apresenta uma cole\u00e7\u00e3o de projetos juvenis, apoiados pela Ag\u00eancia de Redes para a Juventude, que associam projetos de vida a ativismo e mundo do trabalho.<\/p>\n<\/div>\n<h6>Ra\u00e7a e etnia<\/h6>\n<div class=\"box2\"><strong>Pressupostos<\/strong>Adotar a concep\u00e7\u00e3o de desenvolvimento integral no Ensino M\u00e9dio implica considerar que a equidade depende do reconhecimento das identidades \u00e9tnicas e raciais, e da \u201c&#8230;possibilidade das diferen\u00e7as serem manifestadas e respeitadas, sem discrimina\u00e7\u00e3o\u201d (SPOSATI, 2002 apud GOMES, 2011). A concretiza\u00e7\u00e3o da equidade requer revis\u00e3o das pr\u00e1ticas educacionais universalizantes e combate \u00e0 naturaliza\u00e7\u00e3o das desigualdades raciais, ao mito da democracia racial e ao racismo.<\/p>\n<\/div>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/jK6zQJLIftE?rel=0\" width=\"640\" height=\"360\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<h5>Recomenda\u00e7\u00f5es para a gest\u00e3o escolar<\/h5>\n<p>62. Promover o cumprimento da <a href=\"http:\/\/http\/www.planalto.gov.br\/civil_03\/leis\/2003\/l10.639.htm\">Lei 10639\/03<\/a>, alterada pela <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2007-2010\/2008\/lei\/l11645.htm\">Lei 11645\/08<\/a>, que estabelece a obrigatoriedade do ensino da Hist\u00f3ria e Cultura afro-brasileira e ind\u00edgena, tendo por base as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educa\u00e7\u00e3o das Rela\u00e7\u00f5es \u00c9tnico-raciais e para o Ensino da Hist\u00f3ria e Cultura Afro-Brasileira e Africana;<br \/>\n63. Realizar a\u00e7\u00f5es tanto em projetos espec\u00edficos quanto cotidianamente, nas disciplinas (inclusive das exatas e ci\u00eancias naturais) e por meio de atividades art\u00edsticas, gincanas, saraus, debates, concursos e interc\u00e2mbio entre escolas para fortalecer a mem\u00f3ria, a cultura e a hist\u00f3ria do povo negro, valorizar a identidade de estudantes negros(as) e a diversidade religiosa, assim como para conhecer a diversidade \u00e9tnica dos povos ind\u00edgenas e suas lutas pelo reconhecimento \u00e9tnico e pela posse dos territ\u00f3rios;<\/p>\n<div class=\"box1\"><strong>Dica<\/strong>Uma ideia para tratar do tema e iniciar pr\u00e1ticas antirracistas nas escolas \u00e9 a exibi\u00e7\u00e3o e discuss\u00e3o coletiva de <a href=\"https:\/\/educacaointegral.org.br\/noticias\/13-filmes-que-discutem-racismo-na-educacao\/\" target=\"_blank\">filmes<\/a>, <a href=\"http:\/\/portal.mec.gov.br\/secad\/arquivos\/pdf\/racismo_escola.pdf\" target=\"_blank\">textos<\/a> e <a href=\"http:\/\/portal.aprendiz.uol.com.br\/2016\/02\/19\/uma-mae-e-cem-livros-infantis-protagonizados-por-meninas-negras\/\" target=\"_blank\">livros<\/a>, por exemplo, envolvendo a comunidade escolar em um amplo debate e criando um espa\u00e7o seguro para a constru\u00e7\u00e3o de di\u00e1logo e estrat\u00e9gias de combate ao racismo no cotidiano escolar.<\/p>\n<\/div>\n<p>64. Reivindicar e providenciar atividades e materiais de forma\u00e7\u00e3o sobre educa\u00e7\u00e3o antirracista para todas as equipes das escolas;<br \/>\n65. Realizar diagn\u00f3stico peri\u00f3dico da escola para entender a diferen\u00e7a de desempenho, fluxo e abandono de estudantes negros(as) e brancos(as).<br \/>\n66. Com respeito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o dos povos ind\u00edgenas, utilizar e ensinar suas l\u00ednguas no ambiente escolar, abordar te\u00f3rica e praticamente aspectos de suas culturas e definir atividades com participa\u00e7\u00e3o constante das comunidades;<br \/>\n67. Valorizar e resgatar as culturas ind\u00edgenas promovendo o interc\u00e2mbio com pessoas mais velhas e conhecendo locais e hist\u00f3rias que marcam e caracterizam o lugar, de forma a fortalecer os la\u00e7os comunit\u00e1rios e valorizar tra\u00e7os identit\u00e1rios;<br \/>\n68. Em comunidades tradicionais, apoiar os(as) alunos(as) na defini\u00e7\u00e3o de suas identidades, viabilizando tamb\u00e9m a presen\u00e7a da tradi\u00e7\u00e3o e repert\u00f3rios locais.<\/p>\n<div class=\"box2\"><strong>Saiba Mais<\/strong><a href=\"http:\/\/www.acaoeducativa.org.br\/fdh\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/DCN-s-Educacao-das-Relacoes-Etnico-Raciais.pdf\" target=\"_blank\">Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educa\u00e7\u00e3o das Rela\u00e7\u00f5es \u00c9tnico-Raciais e para o Ensino de Hist\u00f3ria e Cultura Afro-Brasileira e Africana<\/a> (), do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC);<br \/>\nCole\u00e7\u00e3o <a href=\"http:\/\/www.acaoeducativa.org.br\/relacoesraciais\/colecao-educacao-e-relacoes-raciais\/\" target=\"_blank\">Educa\u00e7\u00e3o e Rela\u00e7\u00f5es Raciais<\/a>, publica\u00e7\u00e3o da A\u00e7\u00e3o Educativa<br \/>\nOrienta\u00e7\u00f5es e A\u00e7\u00f5es para a Educa\u00e7\u00e3o das Rela\u00e7\u00f5es \u00c9tnico-Raciais (http:\/\/portal.mec.gov.br\/dmdocuments\/orientacoes_etnicoraciais.pdf), publica\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<h6>G\u00eanero e diversidade sexual<\/h6>\n<div class=\"box2\"><strong>Pressupostos<\/strong>Adotar a concep\u00e7\u00e3o de desenvolvimento integral no Ensino M\u00e9dio implica incorporar os debates sobre g\u00eanero e diversidade sexual no cotidiano escolar, reconhecendo a desigualdade entre g\u00eaneros no Brasil e a necessidade de uma educa\u00e7\u00e3o que combata a homofobia, a lesbofobia, a transfobia, o sexismo e qualquer outra forma de discrimina\u00e7\u00e3o das identidades de g\u00eanero e da sexualidade (CARREIRA, 2011), assim como todas as formas de viol\u00eancia. A desigualdade de g\u00eanero traz consequ\u00eancias negativas tanto para quem desempenha pap\u00e9is considerados masculinos \u2013 como a grande evas\u00e3o escolar de meninos \u2013 quanto em rela\u00e7\u00e3o aos pap\u00e9is tidos como femininos, \u00e9 o caso do desempenho insuficiente das meninas em matem\u00e1tica.<\/p>\n<\/div>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/untgDR-goN8?rel=0\" width=\"640\" height=\"480\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<h5>Recomenda\u00e7\u00f5es para a gest\u00e3o escolar<\/h5>\n<p>69. Promover o cumprimento dos <a href=\"http:\/\/www.acaoeducativa.org\/images\/stories\/pdfs\/gen_educ.pdf\" target=\"_blank\">compromissos<\/a> por uma educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o-sexista e n\u00e3o discriminat\u00f3ria, dos quais o Brasil foi signat\u00e1rio;<br \/>\n70. Coibir toda e qualquer forma de discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero na escola, garantindo a forma\u00e7\u00e3o dos corpos docentes e o di\u00e1logo aberto com familiares sobre o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o de jovens independentemente do g\u00eanero;<br \/>\n71. Realizar diagn\u00f3stico peri\u00f3dico da escola para entender a diferen\u00e7a de desempenho, fluxo e abandono de estudantes mulheres, homens e LGBT.<br \/>\n72. Criar um ambiente de acolhimento e respeito \u00e0 diversidade na comunidade escolar, envolvendo estudantes como protagonistas desse processo;<br \/>\n73. Incluir a tem\u00e1tica de g\u00eanero e diversidade sexual no Projeto Pol\u00edtico Pedag\u00f3gico da escola e abord\u00e1-la de forma transversal nas v\u00e1rias disciplinas (incluindo as de exatas) e nas demais atividades escolares, garantindo que temas que tocam a vida privada e os relacionamentos interpessoais, tais como o dos afetos e o das emo\u00e7\u00f5es, ganhem a centralidade equivalente \u00e0 dos temas das disciplinas curriculares convencionais;<\/p>\n<div class=\"box1\"><strong>Dica<\/strong>Abordar sexualidade e g\u00eanero na escola requer mais do que palestras sobre DST, HIV\/Aids e Hepatites Virais e Planejamento Familiar. \u00c9 necess\u00e1rio enfrentar temas como sexualidade, assertividade, preven\u00e7\u00e3o de homofobia e diversidade sexual com todos(as) os(as) estudantes.<\/p>\n<\/div>\n<p>74. Garantir em todas as reuni\u00f5es escolares espa\u00e7o para que docentes discutam quest\u00f5es de g\u00eanero, compartilhem e pensem em solu\u00e7\u00f5es coletivas para problemas identificados no cotidiano escolar, inclusive acionando integrantes das comunidades locais, centros de pesquisa e universidades neste processo;<br \/>\n75. Criar um gloss\u00e1rio comum sobre o tema da diversidade atrav\u00e9s de atividades, estudos e leituras sobre os conceitos de sexismo, homofobia, transg\u00eanero, homossexual, heterossexual, entre outros e garanti-lo tanto nas atividades docentes, quanto no di\u00e1logo da comunidade escolar;<br \/>\n76. Adequar a linguagem utilizada nos encontros formativos para as diferentes faixas et\u00e1rias de estudantes e \u00e0s formas de compreens\u00e3o e apropria\u00e7\u00e3o do debate, incluindo estudantes com defici\u00eancia;<br \/>\n77. Incluir as fam\u00edlias e respons\u00e1veis nas atividades escolares que abordem g\u00eanero e diversidade sexual, promovendo o di\u00e1logo entre partes envolvidas em conflitos, a fam\u00edlia e, quando necess\u00e1rio, o Conselho Tutelar;<br \/>\n78. Monitorar as faltas e evas\u00e3o das jovens mulheres ou transg\u00eaneros, identificando se est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de trabalho dom\u00e9stico e\/ou sofrendo viol\u00eancias que impe\u00e7am seu acesso e perman\u00eancia com qualidade na escola e, em caso afirmativo, acionar e acompanhar a rede de prote\u00e7\u00e3o de jovens na resolu\u00e7\u00e3o do problema apresentado;<br \/>\n79. Promover a integra\u00e7\u00e3o de estudantes transexuais e travestis com os(as) demais alunos(as), impedindo a segrega\u00e7\u00e3o<br \/>\n80. Acionar a gest\u00e3o p\u00fablica e integrantes da comunidade e da pr\u00f3pria escola para elaborar e implementar estrat\u00e9gias que garantam a seguran\u00e7a das jovens mulheres e transg\u00eaneros no deslocamento da e para unidade escolar;<\/p>\n<div class=\"box2\"><strong>Saiba Mais<\/strong><a href=\"http:\/\/www.acaoeducativa.org\/images\/stories\/pdfs\/gen_educ.pdf\" target=\"_blank\">Volume 9 &#8211; G\u00eanero e Educa\u00e7\u00e3o<\/a>, da Cole\u00e7\u00e3o Em Quest\u00e3o, publica\u00e7\u00e3o organizada por Denise Carreira, pela A\u00e7\u00e3o Educativa. S\u00e3o Paulo: A\u00e7\u00e3o Educativa, 2011<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/pdf\/pp\/v19n2\/a03v19n2.pdf\" target=\"_blank\">G\u00eanero e sexualidade: pedagogias contempor\u00e2neas <\/a>, de Garcia Lopes Louro, na revista Pro-Posi\u00e7\u00f5es, v. 19, n. 2 (56) &#8211; maio\/ago,2008.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.pe.ceert.org.br\/\" target=\"_blank\">Projeto Educar para a Igualdade Racial e de G\u00eanero<\/a>, do Centro de Estudos das Rela\u00e7\u00f5es de Trabalho e Desigualdades (CEERT) &#8211;<\/p>\n<\/div>\n<h5>Inclus\u00e3o de estudantes com defici\u00eancia<\/h5>\n<div class=\"box2\"><strong>Pressupostos<\/strong>Adotar a concep\u00e7\u00e3o de desenvolvimento integral no Ensino M\u00e9dio implica trabalhar para a inclus\u00e3o das pessoas com defici\u00eancia, garantindo que estas possam exercer seus direitos e cidadania em condi\u00e7\u00f5es de igualdade. Da mesma forma, buscar garantir que as pessoas com defici\u00eancia n\u00e3o sejam discriminadas por a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o da escola e da comunidade escolar ou por conta de inadequa\u00e7\u00e3o de recursos, espa\u00e7os ou acessibilidade.<\/p>\n<\/div>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RjTQXs0DBSk?rel=0\" width=\"640\" height=\"480\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<h6>Recomenda\u00e7\u00f5es para a gest\u00e3o escolar<\/h6>\n<p>81. Promover o cumprimento da Lei da Inclus\u00e3o da Pessoa com Defici\u00eancia (<a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_Ato2015-2018\/2015\/Lei\/L13146.htm\" target=\"_blank\">Lei 13.146\/15<\/a>).<br \/>\n82. Integrar estudantes com defici\u00eancia com os(as) demais, sem separar classes especiais e garantir sua participa\u00e7\u00e3o em todas as atividades da escola, incluindo as realizadas fora do espa\u00e7o escolar;<br \/>\n83. Abolir a reprova\u00e7\u00e3o de estudantes com defici\u00eancia;<br \/>\n84. Realizar ou reivindicar medidas de adapta\u00e7\u00e3o e acessibilidade das instala\u00e7\u00f5es (banheiros, rampas ou sinaliza\u00e7\u00e3o)<br \/>\n85. Reivindicar e providenciar recursos educativos em Libras, em Braile e em outras formas de tecnologia assistiva, bem como em Desenho Universal para Aprendizagem para estudantes, docentes e pessoal t\u00e9cnico-administrativo;<\/p>\n<div class=\"box1\"><strong>Dica<\/strong>O <a href=\"http:\/\/www.movimentodown.org.br\/educacao\/desenho-universal-para-aprendizagem\/\" target=\"_blank\">Desenho Universal para Aprendizagem<\/a> apresenta caminhos para que todos(as) os(as) estudantes possam aprender, partindo do pressuposto que as pessoas aprendem de formas diferentes e que a constru\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias e recursos personalizados podem beneficiar o coletivo.<\/p>\n<\/div>\n<p>86. Apoiar docentes e assegurar que contem com forma\u00e7\u00e3o para adaptar recursos e modos de fazer para abordar os saberes escolares para estudantes com defici\u00eancia, realizando avalia\u00e7\u00f5es individualizadas e adotando ajustes de hor\u00e1rio para adequar a proposta curricular \u00e0 disponibilidade desses(as) estudantes;<br \/>\n87. Criar condi\u00e7\u00f5es para que os(as) mesmos(as) docentes consigam acompanhar estudantes com algum tipo de defici\u00eancia ao longo dos anos, o que possibilita uma vis\u00e3o de conjunto sobre o seu desenvolvimento integral e de maneira personalizada;<br \/>\n88. Formar docentes tanto com m\u00e9todos te\u00f3ricos (leituras, estudos sobre o tema) como com atividades de sensibiliza\u00e7\u00e3o e pr\u00e1ticas em que a equipe escolar procure se debru\u00e7ar sobre as especificidades de cada estudante;<br \/>\n89. Oferecer acompanhamento peri\u00f3dico a estudantes com defici\u00eancia por um(a) professor(a) que trabalhe as necessidades b\u00e1sicas de estudantes (AEE-Atendimento Educacional Especializado individualmente ou em grupo e em hor\u00e1rios flex\u00edveis (para melhor atender tamb\u00e9m suas fam\u00edlias)<\/p>\n<div class=\"box1\"><strong>Dica<\/strong>Uma estrat\u00e9gia importante para a inclus\u00e3o de estudantes com defici\u00eancia \u00e9 promover reuni\u00f5es de trabalho de docentes envolvidos com tais jovens e, posteriormente, discuss\u00f5es com a comunidade sobre como melhor integrar os(as) estudantes \u00e0 escola e promover seu desenvolvimento e aprendizagem.<\/p>\n<\/div>\n<p>90. Registrar o desenvolvimento de estudantes com defici\u00eancia evidenciando as habilidades de cada pessoa, as defici\u00eancias e sugest\u00f5es de poss\u00edveis recursos adaptados e debater os registros com os especialistas que j\u00e1 acompanham tais estudantes fora da escola;<br \/>\n91. Aproximar a rede de sa\u00fade e assist\u00eancia do territ\u00f3rio para debater estrat\u00e9gias e quest\u00f5es apresentadas por estudantes com defici\u00eancia;<br \/>\n92. Trabalhar com a afetividade e com o fortalecimento do v\u00ednculo social entre os estudantes, favorecendo pr\u00e1ticas em que estudantes com defici\u00eancia se sintam acolhidos(as) e pertencentes \u00e0 comunidade escolar;<br \/>\n93. Alinhar a atua\u00e7\u00e3o do(a) professor(a) de sala de aula e do(a) professor(a) de AEE com a de familiares, buscando a integra\u00e7\u00e3o e di\u00e1logo sobre as especificidades de estudantes com defici\u00eancia;<br \/>\n94. Reivindicar e providenciar aten\u00e7\u00e3o domiciliar a estudantes com defici\u00eancia tempor\u00e1ria.<\/p>\n<div class=\"box2\"><strong>Saiba Mais<\/strong><a href=\"http:\/\/www.movimentodown.org.br\/educacao\/escola-para-todos\/\" target=\"_blank\">Escola Para Todos &#8211; Educa\u00e7\u00e3o Inclusiva: O que os pais precisam saber<\/a>, material desenvolvido pelo Movimento Down, iniciativa do Movimento de A\u00e7\u00e3o e Inova\u00e7\u00e3o Social (MAIS)<br \/>\n<a href=\"http:\/\/diversa.org.br\/\" target=\"_blank\">Diversa<\/a> &#8211; Educa\u00e7\u00e3o Inclusiva Na Pr\u00e1tica, plataforma do Instituto Rodrigo Mendes, que apresenta diferentes refer\u00eancias e recursos para inclus\u00e3o de jovens com defici\u00eancia.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.ufpb.br\/cia\/contents\/manuais\/a-consolidacao-da-inclusao-escolar-no-brasil-2003-a-2016.pdf\" target=\"_blank\">A Consolida\u00e7\u00e3o da Inclus\u00e3o Escolar no Brasil (2003 a 2016)<\/a>, documento do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o que re\u00fane as orienta\u00e7\u00f5es para a educa\u00e7\u00e3o escolar inclusiva.<\/p>\n<\/div>\n<h4 id=\"literatura\">A literatura especializada e as experi\u00eancias das escolas<\/h4>\n<p><strong>Revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica<\/strong><br \/>\n<strong>Metodologia: como foram selecionados os artigos<\/strong><\/p>\n<p>O levantamento bibliogr\u00e1fico para esta pesquisa foi realizado nas bases de dados Scielo (Scientific Library Online) e no Portal de Peri\u00f3dicos da CAPES , na perspectiva de que a primeira trouxesse mais resultados de artigos em escala nacional e a segunda, internacional. Na base de Peri\u00f3dicos da CAPES, por sua extens\u00e3o, ainda foi realizado um recorte temporal (\u00faltimos 10 anos, entre 2005 e 2015) e qualitativo (apenas peri\u00f3dicos revisados por pares). A escolha por artigos (descartando livros e teses) se deveu \u00e0 cren\u00e7a de que esta pesquisa deveria priorizar obras publicadas em peri\u00f3dicos cient\u00edficos arbitrados, que difundem com maior velocidade, amplitude e concis\u00e3o. Esta pesquisa ainda se debru\u00e7ou sobre artigos em portugu\u00eas, ingl\u00eas, espanhol e franc\u00eas, atentando para a integralidade do texto, n\u00e3o apenas o resumo.<br \/>\nAs buscas utilizaram palavras-chave escolhidas em di\u00e1logo com o Centro de Refer\u00eancias em Educa\u00e7\u00e3o Integral <a href=\"#8\"><sup>8<\/sup><\/a>. Deve-se levar em conta que algumas express\u00f5es em ingl\u00eas \u201cdesorientam\u201d as buscas, como \u00e9 o caso de \u201cintegral part of the curriculum\u201d, o que explica a diferen\u00e7a dr\u00e1stica entre o n\u00famero de artigos encontrados originalmente e os selecionados para an\u00e1lise. Isso se mostra nos quadros abaixo (Figs. 1, 2 e 3).<\/p>\n<p>Outro ponto que contribuiu para o recorte foi o aparecimento de centenas de registros que abordavam a sa\u00fade f\u00edsica do jovem na escola e, para isso, o termo integral \u00e9 frequentemente usado, j\u00e1 que pensar sobre o corpo \u00e9 pensar \u201co ser humano de forma integral.\u201d Da mesma forma, \u201cproblemas\u201d relacionados \u00e0 juventude (drogas, viol\u00eancia, gravidez precoce) inspiram estudos (school-based studies) ou programas \u201caplicados\u201d (implemented programs) que apenas fazem da escola um lugar conveniente de testagem, diferindo de a\u00e7\u00f5es educacionais ou escolares. Ou ainda, registros que propunham abordagens na perspectiva da psicologia (desenvolvimento emocional ou comportamental), em artigos que n\u00e3o necessariamente partilhavam das concep\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o integral que direcionam esta pesquisa. O foco esteve nas publica\u00e7\u00f5es que trouxessem ensaios, pesquisas ou experi\u00eancias relacionadas com escolas p\u00fablicas ou gratuitas, n\u00e3o seletivas, de ensino m\u00e9dio (ou similares) ou no per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o para o ensino m\u00e9dio (\u00faltimos anos do ensino fundamental), momento crucial em que se notam expressivos \u00edndices de evas\u00e3o escolar.<\/p>\n<p>De maneira geral, o levantamento resultou em pouqu\u00edssimos registros, tanto no \u00e2mbito nacional quanto internacional. Alguns dos quais exprimem quest\u00f5es candentes para diferentes sociedades, tais como g\u00eanero, evas\u00e3o, viol\u00eancia ou sa\u00fade. Levemos em conta que, para determinados pa\u00edses, a ideia de educa\u00e7\u00e3o j\u00e1 contempla a perspectiva integral, portanto, infelizmente pesquisas sobre essas realidades n\u00e3o dever\u00e3o aparecer no recorte escolhido, como \u00e9 o caso da Finl\u00e2ndia. Em geral, s\u00e3o pa\u00edses ou realidades que praticam a educa\u00e7\u00e3o apenas como instru\u00e7\u00e3o que necessitam reafirmar a integralidade da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esta pesquisa, enfim, est\u00e1 proposta como um levantamento bibliogr\u00e1fico realizado com rigor e crit\u00e9rio sobre a produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica a respeito da educa\u00e7\u00e3o integral no ensino m\u00e9dio, mas, sem a pretens\u00e3o de ser exaustiva. Procurou retratar algumas linhas mais pronunciadas no conjunto do que \u00e9 publicado.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a leitura e sistematiza\u00e7\u00e3o, restaram 15 artigos sob as formas de ensaio, comunica\u00e7\u00e3o de pesquisa ou relato de experi\u00eancia. Esses textos compartilham da perspectiva de educa\u00e7\u00e3o integral do Centro de Refer\u00eancia e, ao mesmo tempo, trazem reflex\u00f5es sobre aspectos do ensino m\u00e9dio que poderiam ser incorporados \u00e0s propostas do projeto <strong>Pol\u00edticas P\u00fablicas e Gest\u00e3o Escolar para a Equidade e Desenvolvimento Integral no Ensino M\u00e9dio<\/strong>. Em suma, apresentam potencial de contribuir para elaborar marcos referenciais sobre gest\u00e3o escolar voltada para equidade no ensino m\u00e9dio a partir de pr\u00e1ticas nacionais e estrangeiras.<\/p>\n<p><strong>Ensaios<\/strong><br \/>\nComo ensaios, foram considerados aqueles artigos que n\u00e3o s\u00e3o fruto de uma determinada pesquisa emp\u00edrica e que, por isso, podem ter uma dedica\u00e7\u00e3o mais concentrada em aspectos conceituais. Foram selecionados 3 ensaios, dos quais se destacaram dois importantes temas, que ser\u00e3o, a partir de agora, considerados como eixos tem\u00e1ticos.<\/p>\n<p><em>Eixo 1 \u2013 Percursos formativos e diversidade de interesses<\/em><\/p>\n<p>Dois ensaios estiveram dedicados a este eixo tem\u00e1tico. Noddings (2011) sustenta a ideia de que a uma educa\u00e7\u00e3o verdadeiramente compat\u00edvel com a democracia \u00e9 aquela que favorece percursos distintos; mais especificamente na educa\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria, a pesquisadora combate a premissa de que preparar a todos para a universidade est\u00e1 baseado em ideais democr\u00e1ticos e chega a entender que isso \u00e9 colocar a democracia em risco.<\/p>\n<p>A autora defende a estrat\u00e9gia do tracking, ou percurso curricular, por meio do qual os alunos selecionam seus caminhos de estudo segundo interesses pr\u00f3prios e que existiriam duas formas de realizar esse percurso. A primeira seria a de propiciar diferentes programas na educa\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria, como acad\u00eamicos (preparo para a universidade), vocacional\/industrial e comercial. E em um segundo sentido, seria a pr\u00e1tica de inscrever os alunos em classes compostas por grupos por habilidades e interesses.<\/p>\n<p>Dessa forma, prover diferentes programas para diferentes talentos ou interesses seria totalmente compat\u00edvel com a justi\u00e7a social, cuidando para que, na implementa\u00e7\u00e3o de tais programas, n\u00e3o ocorram as usuais diferen\u00e7as de qualidade entre os t\u00e9cnico\/vocacionais (dirigidos a pobres e minorias) e os acad\u00eamicos. A autora sustenta ainda, apoiada em John Dewey, que nenhum assunto \u00e9 menos intelectual que outro e que, em defesa do futuro da escola secund\u00e1ria, seria necess\u00e1rio abandonar a no\u00e7\u00e3o de que os cursos em educa\u00e7\u00e3o profissional ou comercial s\u00e3o intelectualmente inferiores aos assuntos acad\u00eamicos. Para ela, todos os cursos dever\u00e3o ser ricos em conte\u00fados intelectuais, morais e est\u00e9ticos.<\/p>\n<p>Na mesma dire\u00e7\u00e3o est\u00e1 a reflex\u00e3o de Barrow (2007). O autor considera que, em alguns aspectos, a defesa das escolas comuns (o mesmo tipo de escola para todos) ocorre \u00e0 custa da pr\u00f3pria educa\u00e7\u00e3o. Ainda que ele acredite ser valioso o conv\u00edvio entre diferentes (para promover a compreens\u00e3o m\u00fatua e o respeito) e partilhe dos ideais da comprehensive schooling, ele sustenta que a escola deva ser diferenciada nos \u00faltimos anos do n\u00edvel secund\u00e1rio. De acordo com ele, a mesma escola para todos pode ser feita no in\u00edcio da escolariza\u00e7\u00e3o, mas, n\u00e3o necessariamente at\u00e9 o fim do secund\u00e1rio. Ele defende que, em determinado est\u00e1gio, os alunos devem ser divididos, n\u00e3o por notas ou conceitos, mas por \u201cafinidade\u201d, \u201cadequa\u00e7\u00e3o\u201d a um tema de estudo, ligado a seu n\u00edvel de compreens\u00e3o, conhecimento e interesse. Barrow enfatiza, ent\u00e3o, que os estudantes t\u00eam interesses e habilidades diferentes. Assim sendo, n\u00e3o reconhecer isso formalmente e n\u00e3o abrir a possibilidade de diferentes tipos de conhecimentos, vida e carreira \u00e9, por omiss\u00e3o, desvaloriz\u00e1-los. Para ele, \u00e9 uma conclus\u00e3o paradoxal quando se est\u00e1 tentando ensinar \u00e0s pessoas o respeito pela diferen\u00e7a.<\/p>\n<p><em>Eixo 2 \u2013 Tutoria e \u201ccuidados pastorais\u201d<\/em><\/p>\n<p>Em estreita liga\u00e7\u00e3o com o eixo anterior, Noddings (2011) defende que a escolha de diferentes processos formativos na educa\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria n\u00e3o deve ocorrer sem o suporte e o aconselhamento de um mentor, para auxiliar os jovens a fazerem \u201cescolhas inteligentes\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 nessa figura do mentor, tutor ou na ideia de \u201ccuidado pastoral\u201d realizado pelas escolas secund\u00e1rias que reside o segundo eixo tem\u00e1tico. Tucker (2013) se debru\u00e7ou sobre o tema defendendo a pr\u00e1tica como a melhor forma de apoiar os estudantes de ensino m\u00e9dio que estejam em risco de exclus\u00e3o tempor\u00e1ria ou permanente, bem como jovens em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade. Tucker considera o estabelecimento do Pupil premium (Pr\u00eamio aluno) pelo Reino Unido em 2012 &#8211; que oferece uma recompensa financeira a escolas que apoiam estudantes de fam\u00edlias de baixa renda &#8211; como um marco no incentivo \u00e0 promo\u00e7\u00e3o e ao desenvolvimento destas pr\u00e1ticas, baseadas na escola, de acolhimento e cuidados com os alunos.<\/p>\n<p>Diversas escolas no Reino Unido implantaram pol\u00edticas inovadoras de cuidados com seus estudantes para, por exemplo, evitar a evas\u00e3o. Tais a\u00e7\u00f5es visam a n\u00e3o depender da boa vontade do cuidador, e sim tornar-se uma pr\u00e1tica institu\u00edda dentro da unidade escolar. Tem por objetivo responder diretamente \u00e0 necessidade dos jovens em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade; segundo Smyth, Down e McInerney (2010 apud TUCKER, 2013, p. 281), os tutores almejam o bem-estar dos estudantes, sendo que \u201caconselhamento e educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o mais propensos a auxiliar estudantes a permanecer nas escolas que as inflex\u00edveis e punitivas medidas contidas em muitas pol\u00edticas de gerenciamento do comportamento de estudantes.\u201d<\/p>\n<p>Os \u201ccuidados pastorais\u201d s\u00e3o implantados por meio da figura dos n\u00e3o-professores na escola (trabalhadores de suporte pastoral, mentores, assistentes de interven\u00e7\u00e3o focal, assistentes de professor ou advocacy workers s\u00e3o os nomes dados a essa equipe de apoio). Como as necessidades s\u00e3o complexas e multi-facetadas, um trabalho multidisciplinar e especializado \u00e9 exigido, j\u00e1 que poder\u00e3o estar focadas em, por exemplo, \u201cgerenciamento da raiva, gerenciamento de habilidades comunicativas, compreens\u00e3o do impacto de formas espec\u00edficas de comportamento&#8230;\u201d (TUCKER, 2013, p. 289)<\/p>\n<p>O trabalho se d\u00e1, inicialmente, por meio da identifica\u00e7\u00e3o das necessidades, momento em que a contribui\u00e7\u00e3o dos jovens \u00e9 apontada por Tucker como essencial; por conta disso, foram criados espa\u00e7os onde os jovens podem \u201c\u2018sentar e falar\u2019 sem se sentirem amea\u00e7ados ou julgados.\u201d Ap\u00f3s essa etapa, a interven\u00e7\u00e3o \u00e9 feita, individualmente ou em grupo; o autor defende ainda que a \u201cinterven\u00e7\u00e3o pastoral focada \u00e9 mais bem sucedida se possui um alto n\u00edvel de consist\u00eancia entre a casa [do estudante] e a escola\u201d. Relata que, em alguns casos, foi necess\u00e1ria a interven\u00e7\u00e3o escolar nas resid\u00eancias e o apoio dos pais.<\/p>\n<p><strong>Pesquisas<\/strong><\/p>\n<p>Foram encontrados quatro artigos com divulga\u00e7\u00e3o de pesquisas, tr\u00eas dos quais podem ser tamb\u00e9m agrupados no Eixo 1 \u2013 Percursos formativos e diversidade de interesses. O \u00faltimo artigo \u00e9 uma pesquisa que tamb\u00e9m oferece contribui\u00e7\u00f5es para o projeto <strong>Pol\u00edticas P\u00fablicas e Gest\u00e3o Escolar para a Equidade e Desenvolvimento Integral<\/strong> no Ensino M\u00e9dio, mas que, por sua especificidade, ser\u00e1 apresentada individualmente.<\/p>\n<p>As tr\u00eas primeiras pesquisas tamb\u00e9m fazem refer\u00eancia \u00e0s peculiaridades e disposi\u00e7\u00f5es pessoais de estudantes. Del R\u00edo et al (2014) verificam a rela\u00e7\u00e3o entre estrat\u00e9gias de aprendizagem e padr\u00f5es de motiva\u00e7\u00e3o de estudantes da escola secund\u00e1ria, partindo da premissa de que quanto maior aten\u00e7\u00e3o \u00e0 diversidade dada pelas escolas, maior \u00e9 a compet\u00eancia de aprendizagem aut\u00f4noma dos estudantes. Como diversidade, as autoras entendem a composi\u00e7\u00e3o dos estudantes em diferentes aspectos de relacionamento com a escola, como \u201cestudantes com necessidades espec\u00edficas de apoio educativo, alunos com problemas escolares vinculados a baixo rendimento, estudantes com defasagem curricular e desmotiva\u00e7\u00e3o, alunos imigrantes\u201d (DEL R\u00cdO et al, 2014, p. 66). O trabalho comparou tr\u00eas modelos de escola em Madri: Centro de Interven\u00e7\u00e3o Adaptativa, Centro de N\u00e3o-interven\u00e7\u00e3o e Centro Inclusivo Integral. Este \u00faltimo mostrou os melhores resultados nos quesitos motiva\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca e auto atribui\u00e7\u00e3o de \u00eaxito. Os dados apontaram os benef\u00edcios do enfoque inclusivo nos resultados educativos relacionados com compet\u00eancias de aprender a aprender, importantes para o desenvolvimento acad\u00eamico e pessoal dos estudantes na etapa secund\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u00c9 nesta ideia de autonomia no aprendizado que est\u00e1 baseada a segunda pesquisa. V\u00e1zquez e Daura (2013) descrevem a import\u00e2ncia da auto regula\u00e7\u00e3o para a aprendizagem nas escolas secund\u00e1rias e relacionam esta pr\u00e1tica com os crit\u00e9rios para o estabelecimento de uma educa\u00e7\u00e3o integral. Para as autoras, a Aprendizagem Auto Regulada (AAR) \u00e9 um conceito que se refere ao gerenciamento da pr\u00f3pria trajet\u00f3ria acad\u00eamica; citando Paul Pintrich (2000 apud V\u00c1SQUEZ; DAURA, 2013) e Pintrich e Zusho (2002 apud V\u00c1SQUEZ; DAURA, 2013), as autoras definem AAR como \u201cum processo ativo-construtivo por meio do qual o aluno fixa suas pr\u00f3prias metas de aprendizagem, monitora, regula e controla sua aquisi\u00e7\u00e3o de conhecimentos, motiva\u00e7\u00e3o, conduta, guiado por metas e por caracter\u00edsticas do contexto do entorno\u201d (V\u00c1SQUEZ; DAURA, 2013, p. 306).<\/p>\n<p>A hip\u00f3tese que orientou a pesquisa de V\u00e1squez e Daura \u00e9 a de que o baixo rendimento escolar nas escolas secund\u00e1rias se d\u00e1 pela pouca capacidade de estudo de forma aut\u00f4noma pelos alunos, tanto devido a fatores de ordem motivacional quanto pelo baixo conhecimento de estrat\u00e9gias espec\u00edficas para lidar com atividades acad\u00eamicas. A conclus\u00e3o indica que, das rela\u00e7\u00f5es encontradas entre o rendimento acad\u00eamico e os modos de aprendizagem, pode-se desdobrar que os alunos que regulam seu esfor\u00e7o de acordo com as exig\u00eancias escolares e com independ\u00eancia s\u00e3o os que obt\u00eam melhores qualifica\u00e7\u00f5es. As autoras defendem que a forma\u00e7\u00e3o de um aluno por meio da AAR exige que os docentes sejam capazes de modelar as condutas, apresentar objetivos e de assumir um compromisso de forma\u00e7\u00e3o integral, entendendo o rendimento acad\u00eamico como uma consequ\u00eancia e n\u00e3o uma meta.<\/p>\n<p>Por fim, a investiga\u00e7\u00e3o de Plank et al (2008) demonstra como a evas\u00e3o na etapa secund\u00e1ria da educa\u00e7\u00e3o \u00e9 fruto de um longo processo de desmotiva\u00e7\u00e3o com escola, e atribui este desengajamento ao curr\u00edculo. Os autores prop\u00f5em verificar esta rela\u00e7\u00e3o, em particular em que medida (propor\u00e7\u00e3o) a combina\u00e7\u00e3o entre educa\u00e7\u00e3o profissional (CTE &#8211; Carrier and Technical Education) e acad\u00eamica influencia a probabilidade de deixar a escola. Os achados sugerem que uma mescla de \u201cexposi\u00e7\u00e3o\u201d \u00e0 educa\u00e7\u00e3o profissional e acad\u00eamica pode fortalecer a educa\u00e7\u00e3o do jovem e a motiva\u00e7\u00e3o na escola, se considerarmos adolescentes at\u00e9 14 anos. Aqueles que est\u00e3o em defasagem idade\/s\u00e9rie (maiores de 15 anos) n\u00e3o mostraram os mesmos resultados.<\/p>\n<p>Uma \u00faltima pesquisa chegou a resultados que oferecem contribui\u00e7\u00f5es para os prop\u00f3sitos deste projeto ao enfocar o ponto de vista de estudantes sobre educa\u00e7\u00e3o integral. Meneses e S\u00e1nchez (2013) realizaram uma avalia\u00e7\u00e3o de tr\u00eas escolas secund\u00e1rias rurais na Costa Rica, recolhendo as opini\u00f5es e interpreta\u00e7\u00f5es dos jovens que as frequentavam. As autoras apontam que a perspectiva da educa\u00e7\u00e3o integral \u00e9 um princ\u00edpio fundamental da educa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, desde 2007, por isso, solicitam que os estudantes avaliem tamb\u00e9m este aspecto em rela\u00e7\u00e3o a seu projeto de vida. As contribui\u00e7\u00f5es para esta pesquisa est\u00e3o nos t\u00f3picos avaliados pelos estudantes, que oferecem possibilidades de implementa\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias na educa\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria rumo \u00e0 educa\u00e7\u00e3o integral. S\u00e3o as seguintes: \u201cpreparar para ter \u00eaxito na vida\u201d, \u201coferecer orienta\u00e7\u00e3o vocacional\u201d, \u201cprofessores ensinam a aprender a aprender\u201d, \u201ca aprendizagem ensina a pensar\u201d, \u201censinar a enfrentar e dizer n\u00e3o \u00e0s drogas e ao \u00e1lcool\u201d, \u201caprender conhecimentos sobre educa\u00e7\u00e3o sexual\u201d. Todos os crit\u00e9rios foram avaliados como positivos.<\/p>\n<p><strong>Experi\u00eancias<\/strong><br \/>\nOs oito artigos com relatos de experi\u00eancias em educa\u00e7\u00e3o integral mostram que a atua\u00e7\u00e3o \u00e9, na maioria das vezes, parcial ou segmentada, mesmo que o objetivo seja atingir outros aspectos do desenvolvimento do jovem para al\u00e9m do instrucional. Os achados foram divididos em quatro eixos, indicados abaixo.<\/p>\n<p><em>Eixo 3 \u2013 Envolvimento das fam\u00edlias e comunidades<\/em><\/p>\n<p>Dois artigos trataram de experi\u00eancias de engajamento das fam\u00edlias na educa\u00e7\u00e3o dos jovens na escola secund\u00e1ria. A primeira relata a tentativa de aproxima\u00e7\u00e3o dos pais com a educa\u00e7\u00e3o de seus filhos em Bangladesh. Kabir et al. (2014) discorrem sobre a atua\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds em algumas escolas secund\u00e1rias, em defesa da cria\u00e7\u00e3o de uma comunidade de aprendizagem focada especialmente nos familiares. Com base na percep\u00e7\u00e3o do papel chave dos pais na educa\u00e7\u00e3o e na motiva\u00e7\u00e3o dos filhos, tanto em casa como na escola, no ano 2000, teve in\u00edcio uma a\u00e7\u00e3o que passou a incentivar o envolvimento dos familiares na escola. Na vis\u00e3o dos autores, apesar de ainda limitadas, as escolas passaram a realizar algumas a\u00e7\u00f5es para aproximar os pais: encontros (nos quais s\u00e3o discutidos objetivos e progressos dos estudantes), contatos pessoais (por e-mail, carta e telefone). Os obst\u00e1culos maiores s\u00e3o a falta de tempo dos pais, envolvidos com o trabalho, e a sobrecarga dos professores. Eles apontam ainda a import\u00e2ncia da gest\u00e3o escolar criar uma gama de pol\u00edticas para informar os pais da import\u00e2ncia do envolvimento na educa\u00e7\u00e3o de seus filhos e de envolv\u00ea-los efetivamente, por meio de relat\u00f3rios semanais, telefonemas, dias na escola etc. Al\u00e9m disso, ressaltam a import\u00e2ncia de os professores referendarem o papel dos pais na educa\u00e7\u00e3o dos alunos.<\/p>\n<p>Como apresentado pela segunda experi\u00eancia, uma iniciativa semelhante ocorreu em Quebec, Canad\u00e1, entre 2001 e 2005. Deslandes (2006) descreve o desenvolvimento e a implementa\u00e7\u00e3o de um programa de parceria entre escola, fam\u00edlia e comunidade em duas escolas prim\u00e1rias e duas secund\u00e1rias em uma prov\u00edncia canadense nas quais o perfil dos estudantes era de renda baixa e m\u00e9dia. Em uma a\u00e7\u00e3o conjunta entre a autora do artigo, professora da Universidade de Quebec e pesquisadora sobre o tema e o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, os objetivos do programa foram: desenvolver, implementar e avaliar um programa de colabora\u00e7\u00e3o entre escolas e fam\u00edlias relacionados a um projeto de reforma educacional e apontar modelos de rela\u00e7\u00e3o fam\u00edlia-escola-entorno que pudesse ser transferido para v\u00e1rios ambientes. O programa foi implementado a partir dos seguintes passos: 1) formar uma equipe de a\u00e7\u00e3o; 2) obter recursos e apoio oficial; 3) identificar pontos de partida; 4) escrever um plano de a\u00e7\u00e3o para um ano; 5) avaliar implementa\u00e7\u00e3o e resultados; 6) continuar o trabalho em dire\u00e7\u00e3o a uma parceria no modelo compreensivo ou integral. Segundo a autora, as experi\u00eancias n\u00e3o podem ser consideradas bem sucedidas. As li\u00e7\u00f5es aprendidas dizem da necessidade de integrar este projeto no plano educativo de cada escola, para que se torne prioridade; a segunda diz do envolvimento das lideran\u00e7as, que dever\u00e3o mostrar por meio de suas a\u00e7\u00f5es a determina\u00e7\u00e3o em estabelecer essa parceria; a terceira li\u00e7\u00e3o trata da import\u00e2ncia da presen\u00e7a de um agente de liga\u00e7\u00e3o entre a escola e as fam\u00edlias, com um relacionamento est\u00e1vel com outros agentes e conhecedor de ferramentas de motiva\u00e7\u00e3o; a quarta li\u00e7\u00e3o \u00e9 a necessidade de tempo\/paci\u00eancia para que os envolvidos se familiarizem com o projeto e a quinta li\u00e7\u00e3o \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o de que algumas escolas poder\u00e3o necessitar de mais recursos financeiros e, por \u00faltimo, de que todas as escolas dever\u00e3o ter seus ritmos respeitados.<\/p>\n<p>Dois artigos apontaram caminhos quanto \u00e0 import\u00e2ncia da rela\u00e7\u00e3o com a comunidade ou o entorno da escola para a educa\u00e7\u00e3o integral na etapa em foco. O primeiro artigo relata a experi\u00eancia promovida pelas autoras (JETTON et al., 2008) em escolas de ensino m\u00e9dio na regi\u00e3o do Meio Atl\u00e2ntico dos Estados Unidos, entre 2000 e 2007. O distrito onde as escolas estavam localizadas atendia pessoas de 64 pa\u00edses, falantes de 44 l\u00ednguas. As escolas tinham um n\u00edvel de alfabetiza\u00e7\u00e3o em ingl\u00eas pr\u00f3ximo a 36% e decidiu-se focar a aprendizagem nas necessidades dos alunos de serem alfabetizados no idioma estrangeiro. Dessa forma, foi criada uma comunidade de aprendizado multidisciplinar entre professores universit\u00e1rios, candidatos ao cargo de professor universit\u00e1rio, supervisor de ensino, diretor de escola, coordenador de alfabetiza\u00e7\u00e3o e professores, que transformou e desenvolveu experi\u00eancias de alfabetiza\u00e7\u00e3o de adolescentes na educa\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria. Ap\u00f3s um per\u00edodo de discuss\u00e3o no qual foi estabelecida uma vis\u00e3o comum do que era entendido como alfabetiza\u00e7\u00e3o em l\u00edngua inglesa, houve uma sequ\u00eancia de a\u00e7\u00f5es para a reestrutura\u00e7\u00e3o da escola e do curr\u00edculo. A experi\u00eancia concluiu que, nessa parceria, foi necess\u00e1rio que os estudantes universit\u00e1rios vivessem a vida comunit\u00e1ria da escola, estivessem presentes nas salas de aula, almo\u00e7assem com os professores etc. como forma de mudar os relacionamentos interpessoais em dire\u00e7\u00e3o a uma pr\u00e1tica educativa que educou a todos.<\/p>\n<p>Em um segundo caso, que pode ser visto como um exemplo de detalhamento do Eixo 2 \u2013 Tutoria e \u201cCuidados pastorais\u201d, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o da Espanha implantou a orienta\u00e7\u00e3o Lideran\u00e7a para Aprendizagem (leadership for learning) a partir da ideia de compartilhamento de aprendizagem com a comunidade. Para tal, incentivou a figura do conselheiro (tutor, mentor) que atua nos n\u00edveis escolar, pessoal e profissional na aten\u00e7\u00e3o aos alunos. Segundo Martinez, Krichesky &amp; Garcia (2010 apud DOMINGO, 2013), o conselheiro \u00e9 \u201cum agente educacional comprometido com a melhoria da escola, trabalhando com os professores para impulsionar o desenvolvimento dos estudantes de uma maneira hol\u00edstica, trabalhando de forma pr\u00f3xima com a equipe e promovendo a pr\u00e1tica di\u00e1ria\u201d. Algumas dimens\u00f5es de apoio \u00e0 melhoria da qualidade e equidade na escola secund\u00e1ria foram identificadas: 1) colabora\u00e7\u00e3o profissional e envolvimento do diretor e dos conselheiros de escola s\u00e3o importantes para ajudar as escolas a serem capazes de mudar (em qualidade e equidade). Ambos devem trabalhar em conjunto para garantir a aten\u00e7\u00e3o \u00e0 diversidade como uma quest\u00e3o central, em que est\u00e1 baseada a mudan\u00e7a na escola, sem neglig\u00eancia dos resultados escolares; 2) Fortalecimento e apoio da lideran\u00e7a pedag\u00f3gica dos diretores, sem incentivo \u00e0 competi\u00e7\u00e3o; 3) Trabalho na perspectiva da comunidade, fortalecer os eixos escolares, fam\u00edlia e comunidade; 4) Apoio das atividades educacionais como plataforma de inova\u00e7\u00e3o em educa\u00e7\u00e3o e desenvolvimento profissional. Facilidade na cria\u00e7\u00e3o de prop\u00f3sitos comuns, pela gera\u00e7\u00e3o e compartilhamento de saberes profissionais sobre bom aprendizado para todos; 5) Trabalho com programas que fortale\u00e7am a aten\u00e7\u00e3o \u00e0 diversidade: desenvolvimento de um curr\u00edculo inclusivo, trabalhar com tarefas hol\u00edsticas\/multidimensionais e com a integra\u00e7\u00e3o do curr\u00edculo, desenvolver metodologias cooperativas e interativas com a participa\u00e7\u00e3o genu\u00edna de todos.<\/p>\n<p><em>Eixo 4 \u2013 G\u00eanero e educa\u00e7\u00e3o afetivo-sexual<\/em><\/p>\n<p>Outros programas desenvolvidos na escola secund\u00e1ria ou para a escola secund\u00e1ria incluem duas experi\u00eancias de inclus\u00e3o de temas que respondem \u00e0s necessidades da sociedade onde est\u00e3o inseridos e tamb\u00e9m compreendem o estudante em forma\u00e7\u00e3o em seu aspecto integral.<\/p>\n<p>Uma destas experi\u00eancias, relatada por Hsiao-Chin et al. (2014), narra o processo de inclus\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o para a equidade de g\u00eanero nas escolas de Taiwan. A partir de 1996, por press\u00e3o dos movimentos de mulheres e impactado pelo caso do estupro e assassinato de uma lideran\u00e7a feminista, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o anunciou a educa\u00e7\u00e3o igualit\u00e1ria por g\u00eanero como parte da agenda da reforma educacional e a inclus\u00e3o dos assuntos de g\u00eanero no curr\u00edculo escolar prim\u00e1rio e secund\u00e1rio, a partir de uma reforma ocorrida entre 1997 e 1999. Segundo a autora, \u201cEm 10 anos, o sistema educacional de Taiwan progrediu de um sistema totalmente patriarcal e cego para as quest\u00f5es de g\u00eanero, para a inclus\u00e3o da igualdade de g\u00eanero nos curr\u00edculos e a promo\u00e7\u00e3o compreensiva de equidade de g\u00eanero em sua legisla\u00e7\u00e3o\u201d (HSIAO-CHIN et al., 2014, p. 6). Ela ainda defende que, no sistema educacional de Taiwan, marcado pela autoridade centralizada, a \u00fanica maneira de obter tempo para novos conte\u00fados \u00e9 colocando-os no curr\u00edculo oficial.<\/p>\n<p>No segundo caso, o Instituto de Educa\u00e7\u00e3o Secund\u00e1ria de Ourense, na Gal\u00edcia (Espanha), realizou um programa de educa\u00e7\u00e3o afetivo-sexual com estudantes e familiares entre novembro de 2003 e junho de 2004. Em uma adapta\u00e7\u00e3o do programa Coeducativo de Desarrollo Psicoafetivo y Sexual \u201cAgarimos\u201d, a forma\u00e7\u00e3o tem por base a ideia de que a educa\u00e7\u00e3o afetivo-sexual busca melhorar a qualidade de vida das pessoas. Fern\u00e1ndez (2007) declara que o programa est\u00e1 dividido em tr\u00eas temas: identidade corporal, identidade de g\u00eanero e identidade e valoriza\u00e7\u00e3o pessoal. Dos 30 pais envolvidos inicialmente, somente cinco terminaram a oficina; um deles era homem. Observou-se, ao fim das oficinas, um aumento dos conhecimentos sobre identidade corporal e conduta sexual, mostraram-se atitudes mais igualit\u00e1rias sobre os g\u00eaneros e mais positivas sobre a sexualidade. Tamb\u00e9m ganhou destaque a import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia emocional de seus filhos, como forma de proporcionar o desenvolvimento integral de sua personalidade. O programa enfatiza que a forma\u00e7\u00e3o sobre sexualidade nas escolas est\u00e1 demasiadamente centrada na ideia de preven\u00e7\u00e3o, nos conte\u00fados biologistas, relegando a um segundo plano a dimens\u00e3o sexual humana. Defende a colabora\u00e7\u00e3o fam\u00edlia-escola para a forma\u00e7\u00e3o socioafetiva e sexual integral dos adolescentes.<\/p>\n<p><em>Eixo 5 \u2013 Ambiente f\u00edsico, apoio personalizado e recursos digitais<\/em><\/p>\n<p>Por fim, entre as experi\u00eancias identificadas, encontram-se duas a\u00e7\u00f5es que prop\u00f5em altera\u00e7\u00f5es nos ambientes f\u00edsicos e na infraestrutura escolar de forma a transformar o aprendizado.<br \/>\nA ideia da Kunskapsskolan, ou escola do conhecimento, \u00e9 cria\u00e7\u00e3o sueca que prop\u00f5e a forma\u00e7\u00e3o compreensiva e personalizada dos sujeitos em n\u00edvel escolar secund\u00e1rio. Composta por 33 escolas na Su\u00e9cia e 2 no Reino Unido, a proposta prev\u00ea que toda a escola, desde a arquitetura \u00e0 equipe, \u00e9 pensada para o aprendizado. Eiken (2011) narra que, na Kunskapsskolan, a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 personalizada em uma combina\u00e7\u00e3o de escolha de objetivos, coaching semanal, cronogramas pessoais e um curr\u00edculo \u00fanico mantido em uma plataforma na internet. Os alunos s\u00e3o assistidos pelos professores, que auxiliam (coach) os estudantes em estipular os objetivos e as estrat\u00e9gias. Cada professor faz uma esp\u00e9cie de tutoria personalizada (personal coach) para 20 estudantes. A arquitetura \u00e9 pensada para o aprendizado, todos os espa\u00e7os s\u00e3o dedicados a isso, com portas de vidro que integram salas, e sem corredores.<\/p>\n<p>A segunda experi\u00eancia trata de uma proposta de transforma\u00e7\u00e3o das bibliotecas das escolas secund\u00e1rias em Centros de Recursos para a Ensino e Aprendizagem (Crea), em Madri (Espanha), descrita por Marzal et al. (2012). A ideia \u00e9 que as bibliotecas escolares passem a servir de suporte ao ensino e a desenvolver a autonomia pessoal nos processos de aprendizagem por meio da alfabetiza\u00e7\u00e3o digital. Al\u00e9m disso, o Crea pode fomentar o desenvolvimento das comunidades virtuais de aprendizagem, facilitar os recursos digitais educativos, ser centro produtor de conte\u00fados educativos em todos os formatos, al\u00e9m de ser espa\u00e7o de socializa\u00e7\u00e3o. A iniciativa considera que o Crea proporciona igualdade de oportunidades para todos os alunos.<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00f5es<\/strong><br \/>\nOs artigos sobre ensino m\u00e9dio publicados em peri\u00f3dicos especializados, classificados com palavras-chave relacionadas \u00e0 educa\u00e7\u00e3o integral e nos crit\u00e9rios citados anteriormente, s\u00e3o quantitativamente pouco significativos: somente 15 nos dez anos que v\u00e3o de 2005 a 2015. Al\u00e9m disso, n\u00e3o s\u00e3o cumulativos e se caracterizam por abordar aspectos parciais dentro de uma perspectiva de educa\u00e7\u00e3o integral. Nesta perspectiva, diversos aspectos focalizados visam a fazer frente \u00e0 iniquidade. O conjunto sugere que uma pol\u00edtica de educa\u00e7\u00e3o integral tendo em vista o n\u00edvel m\u00e9dio precisaria considerar os pontos focalizados, embora um n\u00e3o dependa necessariamente dos demais.<\/p>\n<div class=\"box2\"><strong>Resumo<\/strong>S\u00e3o, ent\u00e3o, oito os pontos abordados:<\/p>\n<p>1. O respeito \u00e0 diversidade de inclina\u00e7\u00f5es pessoais requer oferta de variedade de percursos, ao contr\u00e1rio das convencionais ofertas homog\u00eaneas.<br \/>\n2. O assim chamado maior rendimento escolar depende do desenvolvimento da autonomia na aprendizagem.<br \/>\n3. A combina\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o profissional com a regular (\u201cacad\u00eamica\u201d) tem efeitos positivos no combate \u00e0 evas\u00e3o.<br \/>\n4. A orienta\u00e7\u00e3o personalizada \u00e9 importante para apoiar as escolhas de estudantes e promover o engajamento nos estudos.<br \/>\n5. Considerando a pouca disponibilidade de tempo dos pais e dos professores, s\u00e3o necess\u00e1rias pol\u00edticas de informa\u00e7\u00e3o e envolvimento na educa\u00e7\u00e3o dos filhos, associadas ao referendo dos professores na mesma dire\u00e7\u00e3o.<br \/>\n6. A coopera\u00e7\u00e3o entre a escola e a comunidade requer pelo menos que esta fa\u00e7a parte do plano escolar e conte com agentes cujo trabalho incorpore a tarefa de realizar essa conex\u00e3o; pode ser eficaz se consistir no esfor\u00e7o articulado em torno de um problema (alfabetizar em uma segunda l\u00edngua, por exemplo), envolvendo conv\u00edvio comunit\u00e1rio interno \u00e0 escola e gera\u00e7\u00e3o de consensos.<br \/>\n7. Temas que tocam a vida privada e os relacionamentos interpessoais, tais como o das rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero, o da sexualidade, o dos afetos e os das emo\u00e7\u00f5es precisam ganhar a centralidade que t\u00eam os temas das disciplinas escolares convencionais, inclusive envolvendo pais nas atividades escolares.<br \/>\n8. Combinar apoio personalizado \u00e0 escolha de objetivos pelos alunos com ambientes f\u00edsicos da escola concebidos tendo em vista o aprendizado, somados \u00e0 disponibilidade de recursos digitais como fontes de informa\u00e7\u00e3o e de relacionamento comunit\u00e1rio.<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>Estudo com as escolas<\/strong><\/p>\n<p><em>Metodologia: como foram escolhidas as escolas<\/em><\/p>\n<p>A fim de compreender como se d\u00e3o as experi\u00eancias de educa\u00e7\u00e3o integral no Ensino M\u00e9dio, este estudo fez uso de ferramentas e t\u00e9cnicas jornal\u00edsticas para sistematizar 17 experi\u00eancias de gest\u00e3o em escolas nacionais e 12 estrangeiras <a href=\"#9\"><sup>9<\/sup><\/a> que realizam a\u00e7\u00f5es nesse sentido. As experi\u00eancias t\u00eam em comum o fato de procurar ofertar as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para que toda pessoa possa aprender, independentemente de sua classe social, g\u00eanero, orienta\u00e7\u00e3o sexual ou outros temas que configuram iniquidade nos processos educativos.<\/p>\n<p>Para localizar estas experi\u00eancias, foram consultadas as assessorias de imprensa de todas as secretarias estaduais de educa\u00e7\u00e3o no Brasil, pesquisados trabalhos e publica\u00e7\u00f5es do Observat\u00f3rio Jovem, do Centro de Estudos das Rela\u00e7\u00f5es de Trabalho e Desigualdades (CEERT) e dos Pr\u00eamios Nacional de Educa\u00e7\u00e3o em Direitos Humanos, Ita\u00fa-Unicef e Educar para a Igualdade Racial e de G\u00eanero. Tamb\u00e9m foram acionados especialistas como Pilar Lacerda, diretora da Funda\u00e7\u00e3o SM, Jaqueline Moll, pesquisadora e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFGRS) e diretora da Coordenadoria de Curr\u00edculos e Educa\u00e7\u00e3o Integral do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o entre 2007 e 2013 e Cleuza Repulho, presidente da Uni\u00e3o Nacional dos Dirigentes Municipais de Educa\u00e7\u00e3o de 2011 a 2015, al\u00e9m de organiza\u00e7\u00f5es, iniciativas e movimentos como Todos pela Educa\u00e7\u00e3o, Instituto Rodrigo Mendes, Instituto Kaplan e Projeto Jovens Urbanos (Cenpec-Funda\u00e7\u00e3o Ita\u00fa Social). Ainda com o objetivo de complementar o levantamento, foram feitas pesquisas em outros ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o, com destaque para as revistas Nova Escola, Educa\u00e7\u00e3o e o site Porvir.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s detalhar a indica\u00e7\u00e3o com a fonte de origem, foi realizada uma primeira entrevista, por telefone, com integrantes da gest\u00e3o das escolas selecionadas e, em alguns casos, com docentes e estudantes. Ap\u00f3s entrevista, algumas experi\u00eancias foram descartadas, seguindo os crit\u00e9rios de que a escola fosse p\u00fablica ou comunit\u00e1ria, ofertasse o Ensino M\u00e9dio ou Ensino M\u00e9dio integrado ao Ensino T\u00e9cnico <a href=\"#10\"><sup>10<\/sup><\/a>, se identificasse como uma escola de educa\u00e7\u00e3o integral ou promotora do desenvolvimento integral e desenvolvesse a\u00e7\u00f5es de gest\u00e3o a fim de promover a equidade. Embora importante para o debate da educa\u00e7\u00e3o integral, o crit\u00e9rio da extens\u00e3o da jornada escolar n\u00e3o foi tomado como de exclus\u00e3o, entendendo que algumas escolas selecionadas por esta pesquisa desenvolviam a\u00e7\u00f5es contundentes para o desenvolvimento integral dos(as) estudantes, mesmo na jornada regular.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, como a tem\u00e1tica impacta diretamente os anos finais do Ensino Fundamental II e jovens da Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos (EJA), quando a evas\u00e3o \u00e9 ainda maior e quando as quest\u00f5es que geram iniquidade se expressam com ainda maior intensidade, optou-se por incluir escolas dessas modalidades na presente pesquisa.<\/p>\n<p>Para as buscas em outros pa\u00edses, foram levantadas experi\u00eancias a partir dos eventos de educa\u00e7\u00e3o realizados na cidade de S\u00e3o Paulo <a href=\"#11\"><sup>11<\/sup><\/a>, como o Transformar 2014 e Transformar 2015 e o BETT Brasil. Tamb\u00e9m foram acessados sites estrngeiros de educa\u00e7\u00e3o, como o Edutopia e o da Rede de Educa\u00e7\u00e3o Alternativa (REEVO), peri\u00f3dicos de destaque no tema, como o suplemento do NY Times, e v\u00eddeos publicados em canais do YouTube especializados no tema, como o Canal Encuentro. Nas experi\u00eancias estrangeiras , dada a relev\u00e2ncia para a pesquisa, foram inclu\u00eddas iniciativas p\u00fablicas e de terceiro setor de apoio program\u00e1tico e sistem\u00e1tico \u00e0 perman\u00eancia de jovens na escola e combate \u00e0 evas\u00e3o em escolas. Em tais iniciativas, a gest\u00e3o escolar continuava assumindo papel estruturante, sendo a respons\u00e1vel por implementar o programa na unidade de ensino.<\/p>\n<p>Todas as experi\u00eancias foram selecionadas a partir dos crit\u00e9rios apresentados, mas tamb\u00e9m pela garantia das fontes de indica\u00e7\u00e3o de que respondiam aos desafios contempor\u00e2neos das juventudes, como a perman\u00eancia interessada e conclus\u00e3o da etapa escolar.<\/p>\n<p>Nas experi\u00eancias estrangeiras, nove s\u00e3o escolas de High School\/Secondary School, equivalente ao Ensino M\u00e9dio, e tr\u00eas s\u00e3o programas de apoio \u00e0 perman\u00eancia e combate \u00e0 evas\u00e3o escolar. Nas experi\u00eancias estrangeiras, salvo na do programa de apoio \u00e0 perman\u00eancia de jovens em escolas afeg\u00e3s, o crit\u00e9rio do tempo n\u00e3o se aplicou, uma vez que as experi\u00eancias mapeadas t\u00eam todas jornadas mais extensas do que a m\u00e9dia brasileira. As escolas estadunidenses, por exemplo, ofertam, em m\u00e9dia, 8 horas di\u00e1rias de atividades.<\/p>\n<p>Todas, estrangeiras ou nacionais, dialogam diretamente com a concep\u00e7\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o integral e promovem a\u00e7\u00f5es program\u00e1ticas, integradas \u00e0 din\u00e2mica de gest\u00e3o das unidades escolares, pela perman\u00eancia interessada dos jovens e conclus\u00e3o da etapa escolar. As experi\u00eancias, publicadas na \u00edntegra na plataforma do Centro de Refer\u00eancias em Educa\u00e7\u00e3o Integral (www.educacaointegral.org.br), foram classificadas com base em temas\/ quest\u00f5es das juventudes que geram iniquidade nos processos acad\u00eamicos e favorecem a evas\u00e3o escolar.<\/p>\n<p>Tanto nas experi\u00eancias nacionais quanto nas estrangeiras a quest\u00e3o do desejo de participa\u00e7\u00e3o de estudantes na unidade escolar mostrou-se como um ponto de destaque. As escolas que promovem a\u00e7\u00f5es de protagonismo juvenil e envolvem estudantes no processo de gest\u00e3o e da implementa\u00e7\u00e3o do curr\u00edculo conseguem diminuir os \u00edndices de evas\u00e3o e auferem, segundo as entrevistas realizadas, ganhos em diferentes aprendizagens (tanto em notas nas provas e testes padronizados, quanto em sociabilidade, participa\u00e7\u00e3o e cultura pol\u00edtica e express\u00e3o oral e escrita).<\/p>\n<p>O levantamento de material jornal\u00edstico demonstrou que a demanda por participa\u00e7\u00e3o se coloca como uma tem\u00e1tica de equidade, influenciando diretamente a perman\u00eancia ou evas\u00e3o de estudantes na etapa escolar. Entre os outros temas identificados como fatores que geram iniquidade pelas escolas mapeadas, figurou a quest\u00e3o de g\u00eanero, muitas vezes conectada \u00e0 tem\u00e1tica da sexualidade, a quest\u00e3o \u00e9tnico-racial, trabalhada tanto na perspectiva da valoriza\u00e7\u00e3o de uma determinada etnia, quanto no enfrentamento ao preconceito e racismo, a quest\u00e3o da inclus\u00e3o de estudantes com defici\u00eancia, a quest\u00e3o da personaliza\u00e7\u00e3o do ensino (de que existem diferentes formas de aprender), e principalmente as quest\u00f5es de inclus\u00e3o social e trabalho e renda. Todos os exemplos inventariados indicam participa\u00e7\u00e3o intencional e programada da gest\u00e3o escolar, que assume a\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para atender determinada demanda das juventudes a fim de fortalecer a participa\u00e7\u00e3o discente e a perman\u00eancia interessada do(a) jovem da escola. Com foco em resultados acad\u00eamicos e no desenvolvimento dos(as) estudantes, em todas as unidades estudadas, h\u00e1 um esfor\u00e7o para que estudantes ocupem o centro das a\u00e7\u00f5es curriculares, entendidas para al\u00e9m da sala de aula (assembleias, projetos com a comunidade etc.)<br \/>\n<em><br \/>\nAs entrevistas: como foi elaborado o question\u00e1rio<\/em><\/p>\n<p>Ap\u00f3s a sele\u00e7\u00e3o, uma entrevista de aprofundamento foi realizada pela equipe de jornalistas do Centro de Refer\u00eancia, de forma que as experi\u00eancias realizadas pelas escolas pudessem ser sistematizadas e analisadas. Dentre as 17 escolas nacionais entrevistadas, 15 se dispuseram a responder o question\u00e1rio. Dada a diferen\u00e7a dos sistemas educacionais, optamos por n\u00e3o realizar as entrevistas de aprofundamento com as experi\u00eancias estrangeiras, tomando-as como refer\u00eancia para a valida\u00e7\u00e3o das recomenda\u00e7\u00f5es, balizando-as com as nacionais.<\/p>\n<p>As entrevistas foram realizadas a partir de um question\u00e1rio elaborado levando em conta as contribui\u00e7\u00f5es de pessoas da sociedade civil. Por ocasi\u00e3o do I Semin\u00e1rio T\u00e9cnico, realizado em 8 de dezembro de 2015, os participantes foram convidados a pensar coletivamente as quest\u00f5es que seriam fundamentais para conhecermos em profundidade as experi\u00eancias realizadas pelas escolas. A partir de 3 grupos (Grupo 1 &#8211; Ra\u00e7a e etnia\/Inclus\u00e3o de pessoas com defici\u00eancia\/G\u00eanero e diversidade sexual; Grupo 2 &#8211; Rela\u00e7\u00e3o com os territ\u00f3rios e inclus\u00e3o social e Trabalho e Renda; Grupo 3 &#8211; Protagonismo juvenil e autonomia) diversas quest\u00f5es sobre os temas apontados acima foram debatidas e incorporadas posteriormente ao <a href=\"https:\/\/educacaointegral.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/Question%C3%A1rio-para-escolas-Estudo-CR_IU-Formul%C3%A1rios-Google.pdf\" target=\"_blank\">question\u00e1rio<\/a>.<\/p>\n<p>Destes grupos, participaram as seguintes institui\u00e7\u00f5es: A\u00e7\u00e3o Educativa, Associa\u00e7\u00e3o Cidade Escola Aprendiz, Centro de Apoio e Pastoral do Migrante (CAMI), Centro Educacional (CEDAL), Centro de Estudos e Pesquisas em Educa\u00e7\u00e3o, Cultura e A\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria (CENPEC), \u00c9 N\u00f3is &#8211; Escola Jovem de Jornalismo, Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade de S\u00e3o Paulo (Feusp), Funda\u00e7\u00e3o Carlos Chagas, Funda\u00e7\u00e3o SM, Instituto Unibanco (IU), Secretaria Municipal de Santo Andr\u00e9, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).<\/p>\n<p>O I Semin\u00e1rio T\u00e9cnico do Projeto Pol\u00edticas P\u00fablicas e Gest\u00e3o Escolar para a Equidade e Desenvolvimento Integral no Ensino M\u00e9dio tamb\u00e9m se dedicou a escuta de especialistas sobre o tema, oriundos de universidades e do poder p\u00fablico. Suas apresenta\u00e7\u00f5es e leitura do levantamento das experi\u00eancias foram consideradas na elabora\u00e7\u00e3o das recomenda\u00e7\u00f5es, bem como para a constru\u00e7\u00e3o do question\u00e1rio de aprofundamento.<\/p>\n<div class=\"box2\">\u201c\u00c9 muito significativo esse trabalho porque sabemos muito pouco da rela\u00e7\u00e3o entre educa\u00e7\u00e3o integral e Ensino M\u00e9dio. Ao mesmo tempo educa\u00e7\u00e3o integral \u00e9 uma quest\u00e3o um pouco fugidia: o que \u00e9 isso? Mesmo que a gente fa\u00e7a uma separa\u00e7\u00e3o entre jornada integral e educa\u00e7\u00e3o integral, ainda assim a quest\u00e3o \u00e9 fugidia. Mesmo se pens\u00e1ssemos na ideia um \u201cser humano \u00edntegro\u201d, o que estamos querendo dizer?<br \/>\nA tarefa \u00e9 ainda mais desafiadora quando pensamos a educa\u00e7\u00e3o integral na etapa. Dentre as etapas de educa\u00e7\u00e3o, esta \u00e9 a que mais nega a no\u00e7\u00e3o de integralidade. A marca \u00e9 a prepara\u00e7\u00e3o para os estudos superiores &#8211; e \u00e9 uma marca hist\u00f3rica. A no\u00e7\u00e3o usual de qualidade \u00e9 muito complicada: est\u00e1 atrelada ao sucesso nos exames de acesso ao ensino superior. Os grupos privilegiados procuram escolas que os apoiem a entrar em boas faculdades.<br \/>\nLevanto algumas quest\u00f5es: \u00e9 poss\u00edvel uma escola de Ensino M\u00e9dio ter, ao mesmo tempo, a participa\u00e7\u00e3o, a autonomia dos estudantes e um padr\u00e3o acad\u00eamico de excel\u00eancia? Ou um vira obst\u00e1culo para o outro? Para quem \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o integral no Ensino M\u00e9dio? \u00c9 apenas para quem est\u00e1 em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade? Ou \u00e9 tamb\u00e9m para quem tem mais poder aquisitivo? H\u00e1 diversidade racial nas melhores escolas paulistas?\u201d<br \/>\nAna Paula Corti<\/div>\n<div class=\"box2\">\u201cAlgumas quest\u00f5es reflex\u00f5es s\u00e3o importantes para pensar a educa\u00e7\u00e3o integral no Ensino M\u00e9dio. Por exemplo, para os jovens o importante \u00e9 o encontro &#8211; gostam da escola, mas n\u00e3o gostam da sala de aula. A dimens\u00e3o da sociabilidade \u00e9 fundamental nessa fase. Ser\u00e1 que n\u00e3o precisamos de outros espa\u00e7os educativos que colaborem com a escola na forma\u00e7\u00e3o desse jovem? (Clubes, esportes, etc) Esses espa\u00e7os trazem a dimens\u00e3o dos encontros, das redes.<br \/>\nOutro ponto importante \u00e9 a centralidade do jovem, seu protagonismo. H\u00e1 demanda por escuta \u2013 as ocupa\u00e7\u00f5es das escolas em S\u00e3o Paulo demonstram isso. A constru\u00e7\u00e3o de propostas escolares precisa levar em conta as demandas reais dos jovens.<br \/>\nAl\u00e9m disso, a presen\u00e7a do tutor \u00e9 fundamental: uma figura do mundo adulto que possa ser interlocutor do jovem, para ajud\u00e1-lo a problematizar as escolhas e a lidar com seu cotidiano.<br \/>\nPor fim, \u00e9 preciso discutir a estrutura escolar e a quest\u00e3o do conhecimento. O jovem tem dificuldade de atribuir sentido \u00e0s disciplinas (cinquenta minutos por mat\u00e9ria, pouca rela\u00e7\u00e3o dos conte\u00fados com sua vida cotidiana, etc.) Esse debate n\u00e3o apareceu nas experi\u00eancias.\u201dJuarez Dayrell<\/div>\n<div class=\"box2\">\u201cTenho a experi\u00eancia de ser secret\u00e1ria-adjunta e vejo que conseguimos avan\u00e7ar muito nas experi\u00eancias municipais. Em decorr\u00eancia do Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o, os or\u00e7amentos recuaram e a desarticula\u00e7\u00e3o deixou muitos munic\u00edpios sem verba. A perspectiva que fa\u00e7o da educa\u00e7\u00e3o integral em tempo integral \u00e9 de retra\u00e7\u00e3o no n\u00famero de munic\u00edpios.<br \/>\nUm ponto importante no debate \u00e9 o lugar do Ensino M\u00e9dio no Brasil. Vemos que as fam\u00edlias d\u00e3o pouco valor social a esse per\u00edodo de ensino. Essa etapa n\u00e3o comp\u00f5e o itiner\u00e1rio formativo do jovem.\u201d<br \/>\nAna Lucia Sanchez<\/div>\n<div class=\"box2\">\u201cSomos muito ignorantes nesse campo, nosso desconhecimento \u00e9 enorme diante de quem trabalha com isso. H\u00e1 muito pouco produzido para podermos ter uma vis\u00e3o de conjunto para abordar essa realidade. \u00c9 significativo que os 15 artigos [destacados no levantamento bibliogr\u00e1fico] sejam estrangeiros. E ainda: embora essa pauta de educa\u00e7\u00e3o integral tenha ganhado express\u00e3o, n\u00e3o se expressa vigorosamente na pr\u00e1tica; pelo contr\u00e1rio: vemos uma reafirma\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas tradicionais.<br \/>\nAl\u00e9m disso, vemos que h\u00e1 um crescimento r\u00e1pido da escolariza\u00e7\u00e3o \u2013 e as matr\u00edculas est\u00e3o concentradas nas redes estaduais. Mas, ainda temos uma parcela grande da popula\u00e7\u00e3o desescolarizada.\u201d<br \/>\nElie Ghanem<\/div>\n<p><strong>Resultados: An\u00e1lise dos dados das escolas<\/strong><\/p>\n<p>As primeiras etapas do projeto \u2013 o levantamento bibliogr\u00e1fico e o semin\u00e1rio com especialistas e pessoas de organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil \u2013 indicaram diversos temas relacionados \u00e0 educa\u00e7\u00e3o integral no Ensino M\u00e9dio. Estes foram agrupados em seis eixos tem\u00e1ticos que tamb\u00e9m serviram para orientar as quest\u00f5es da entrevista. O relat\u00f3rio sobre as informa\u00e7\u00f5es coletadas e analisadas levou em conta os mesmos seguintes eixos tem\u00e1ticos: Multidimensionalidade, Ra\u00e7a e etnia, G\u00eanero, Territ\u00f3rio, Participa\u00e7\u00e3o, Personaliza\u00e7\u00e3o do ensino, Multidimensionalidade, Trabalho e Renda, Defici\u00eancia, Rede de Prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A maioria das 15 escolas consideradas nesta pesquisa tem p\u00fablico de baixa-renda: 10 diretores(as) disseram que o n\u00edvel de renda das fam\u00edlias era baixo e 5 afirmaram ser m\u00e9dio. Como n\u00edvel baixo e m\u00e9dio foram consideradas as classifica\u00e7\u00f5es do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Levando em conta que estudantes de baixa renda sofrem mais intensamente os efeitos da desigualdade econ\u00f4mica, procuramos saber se os(as) diretores(as) entrevistados(as) acreditavam que as a\u00e7\u00f5es realizadas pela escola contribu\u00edam para fortalecer a equidade: de 15 escolas, 12 responderam \u201cMuito\u201d.<\/p>\n<p><em>Ra\u00e7a e etnia<\/em><\/p>\n<p>Entendendo a atua\u00e7\u00e3o espec\u00edfica na tem\u00e1tica \u00e9tnico-racial como fundamental para a garantia da equidade na educa\u00e7\u00e3o, das 15 entrevistadas, apenas uma disse n\u00e3o promover, incentivar ou coordenar a\u00e7\u00f5es nessa tem\u00e1tica, pois n\u00e3o teria \u201cproblema com essa quest\u00e3o\u201d. As escolas restantes realizaram a\u00e7\u00f5es que os(as) entrevistados(as) entendem ser bem-sucedidas e ocorreram tanto em projetos espec\u00edficos como cotidianamente, como parte do projeto pol\u00edtico pedag\u00f3gico em tematiza\u00e7\u00f5es presentes nas disciplinas que visam a \u201cfortalecer e resgatar a mem\u00f3ria, a cultura e a hist\u00f3ria do povo negro\u201d, incluindo ou n\u00e3o as disciplinas de exatas. Tamb\u00e9m relataram atividades que pretendem \u201crefor\u00e7ar a identidade dos alunos\u201d e valorizar a diversidade religiosa, al\u00e9m da organiza\u00e7\u00e3o de Semin\u00e1rios e oficinas sobre o tema, atividades art\u00edsticas como percuss\u00e3o, dan\u00e7a e capoeira e a participa\u00e7\u00e3o em gincanas, saraus, debates e concursos.<\/p>\n<div class=\"box2\">\u201cEm primeiro lugar, o tema \u00e9 trabalhado de maneira transversal. Em todas as disciplinas, os professores t\u00eam que trabalhar em pelo menos uma aula por semana um assunto que seja transversal \u00e0 quest\u00e3o racial. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m promovemos outras atividades como a caravana-afro, em que recebemos e visitamos junto com os alunos outras escolas da regi\u00e3o para promover o interc\u00e2mbio de projetos nessa tem\u00e1tica.\u201d (EE Chico Anysio, Rio de Janeiro, RJ).<\/div>\n<p>A valoriza\u00e7\u00e3o da cultura ind\u00edgena ganha um sentido diverso na Escola Estadual Ind\u00edgena Tuxaua Luiz Cadete, j\u00e1 que a \u201cesmagadora maioria\u201d dos(as) estudantes \u00e9 ind\u00edgena, e o ensino desta cultura \u00e9 um ponto central para essa escola.<\/p>\n<div class=\"box2\">\u201cTrabalhos dentro do curr\u00edculo com o ensino de duas l\u00ednguas ind\u00edgenas para al\u00e9m da l\u00edngua portuguesa. Realizamos semin\u00e1rios sobre medicina tradicional ind\u00edgena, ensinamos os estudantes a fabricar rem\u00e9dios caseiros tradicionais, ensinamos as dan\u00e7as dos ancestrais. A participa\u00e7\u00e3o da comunidade \u00e9 essencial nesse processo e eles s\u00e3o chamados a todo momento para participar e pensar as atividades conosco. Tudo isso tem o objetivo de valorizar nossa cultura. A escola \u00e9 o local onde ainda conseguimos manter nossa cultura viva. Sem ela, n\u00e3o seria poss\u00edvel.\u201d (EE Ind\u00edgena Tuxaua Luiz Cadete, Cant\u00e1, RR).<\/div>\n<p>Quanto \u00e0s a\u00e7\u00f5es consideradas malsucedidas, em 11 escolas houve a indica\u00e7\u00e3o de n\u00e3o terem acontecido, enquanto em tr\u00eas n\u00e3o se lembraram ou n\u00e3o responderam. Apenas uma relata ter havido mal entendido em uma visita realizada a uma aldeia ind\u00edgena, pois os professores que \u201cn\u00e3o se envolveram com a atividade [afirmaram] que se tratava apenas de um passeio\u201d. Chama a aten\u00e7\u00e3o que diretores(as) de 12 das 15 escolas afirmam contemplar a perspectiva \u00e9tnico-racial no Projeto Pol\u00edtico Pedag\u00f3gico para al\u00e9m das disciplinas Hist\u00f3ria, Geografia, L\u00edngua Portuguesa ou Arte; esse fato pode indicar uma a\u00e7\u00e3o estrutural da escola e n\u00e3o apenas a iniciativa individual dos(as) professores(as). Em tr\u00eas escolas, a iniciativa de tratar do tema partiu da comunidade (no Conselho de Escola) ou de estudantes (no Gr\u00eamio Estudantil) e, em apenas uma, a solu\u00e7\u00e3o para conflitos com rela\u00e7\u00e3o ao tema \u00e9 trat\u00e1-los fora do \u00e2mbito escolar, \u201ccom o apoio das fam\u00edlias em contato com a professora\u201d.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s motiva\u00e7\u00f5es que levaram a escola a abordar os temas da educa\u00e7\u00e3o para as rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais, 13 diretores(as) afirmaram que se orientaram pela perspectiva da amplia\u00e7\u00e3o do acesso a direitos, sendo que sete especificaram as leis 10.639\/03 e 11.645\/08. Casos de racismo, velado ou expl\u00edcito, na comunidade e na escola, foram o gatilho que impulsionou outras duas escolas a tratar do tema. Uma das escolas chegou a mencionar que \u201ca morte de jovens negros pela Pol\u00edcia Militar \u00e9 uma realidade cotidiano no territ\u00f3rio da escola e por esta raz\u00e3o \u00e9 fundamental trabalhar o tema\u201d.<\/p>\n<p>Quanto a enfrentar resist\u00eancias por parte da comunidade e dos professores, 10 entrevistados(as) relataram nunca terem sofrido. Para quem sofreu resist\u00eancias sempre ou \u00e0s vezes, os dados apontam para \u201cprofessores que n\u00e3o costumam diversificar os objetos de aprendizagem\u201d ou que \u201cfazem coment\u00e1rios racistas por falta de forma\u00e7\u00e3o.\u201d Na escola ind\u00edgena Tuxaua, as dificuldades em se trabalhar o tema referem-se a docentes de fora da comunidade.<\/p>\n<div class=\"box1\">\u201cOs professores que v\u00eam de fora da nossa comunidade t\u00eam resist\u00eancia de trabalhar conte\u00fados da cultura ind\u00edgena na aula. Algumas vezes, eles acham que \u00e9 perda de tempo e n\u00e3o entendem a import\u00e2ncia disso para a comunidade. Alguns alunos, poucos, tamb\u00e9m dizem que a cultura ind\u00edgena \u00e9 coisa do passado.\u201d (EE Ind\u00edgena Tuxaua Luiz Cadete, Cant\u00e1, RR).<\/div>\n<p>Em 11 das 15 escolas pesquisadas, os conflitos \u00e9tnico-raciais s\u00e3o enfrentados por meio do di\u00e1logo e, em duas, apareceram campanhas de preven\u00e7\u00e3o. A exist\u00eancia de \u201cregras de conduta\u201d nas quais n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para o racismo e\/ou a presen\u00e7a do tema no Projeto Pol\u00edtico Pedag\u00f3gico da escola tamb\u00e9m foram apontadas como formas de prevenir a ocorr\u00eancia de conflitos. O recurso a agentes externos tamb\u00e9m \u00e9 presente nas a\u00e7\u00f5es escolares: grupos e\/ou coletivos para abordarem estas quest\u00f5es em palestras, di\u00e1logo com as fam\u00edlias, notifica\u00e7\u00e3o ao Conselho Tutelar, \u201ca rede de parceiros\u201d ou \u00e0 Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o. Em uma escola, afirmou-se nunca ter sido necess\u00e1rio mediar um conflito desse tipo devido \u00e0 sua inexist\u00eancia. Em outra (EE Manuel Ribas, Curitiba, PR), disseram: \u201cNunca chamamos a Pol\u00edcia Militar para resolver nenhum problema\u201d.<\/p>\n<p>Por fim, 10 pessoas entrevistadas afirmaram que as a\u00e7\u00f5es em educa\u00e7\u00e3o para as rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais t\u00eam muito impacto nas avalia\u00e7\u00f5es externas da escola, 3 relataram um pequeno impacto e duas n\u00e3o responderam.<\/p>\n<p><em>G\u00eanero e diversidade<\/em><\/p>\n<p>Das 15 pessoas entrevistadas, quatro disseram n\u00e3o promover, incentivar ou coordenar a\u00e7\u00f5es na tem\u00e1tica de g\u00eanero e diversidade. Destas quatro, as justificativas para a aus\u00eancia da tem\u00e1tica na escola foram a suposi\u00e7\u00e3o da inexist\u00eancia de problemas relacionados a isso, ou o entendimento de que a tem\u00e1tica n\u00e3o demandou projeto ou a\u00e7\u00e3o espec\u00edfica por ser trabalhada \u201cno dia-a-dia\u201d ou ainda de que precisaria ser discutida \u201cmais profundamente.\u201d<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s a\u00e7\u00f5es consideradas pelos(as) entrevistados(as) como bem-sucedidas, foram realizadas com frequ\u00eancia variada (cotidianamente, mensalmente ou anualmente), com distintas abordagens (gincanas, oficinas, debates, palestras) e com subtemas diversos, como sexualidade, preven\u00e7\u00e3o de DSTs e HIV-Aids, planejamento familiar, viol\u00eancia dom\u00e9stica, homofobia e diversidade sexual.<\/p>\n<div class=\"box1\">A principal diretriz da escola \u00e9 o Programa Diversidade na Escola, que conta com projetos espec\u00edficos em cada frente. Por exemplo, o Cine Diversidade, no qual os estudantes escolhem filmes que tratam a quest\u00e3o de g\u00eanero e que s\u00e3o exibidos uma vez por semana na escola, com debates posteriores, ou aos finais de semana com a participa\u00e7\u00e3o da comunidade. O programa Diversidade na Escola foi vencedor do Pr\u00eamio Construindo a Igualdade de G\u00eanero, em 2013, institu\u00eddo, em 2005, pela Secretaria de Pol\u00edtica das Mulheres (SPM-PR), no \u00e2mbito do Programa Mulher e Ci\u00eancia. (Centro de Ensino Fundamental 01 de Planaltina, Taguatinga, DF).<\/div>\n<p>As a\u00e7\u00f5es do Centro Integrado de Educa\u00e7\u00e3o de Jovens e Adultos (Cieja), da S\u00e9, regi\u00e3o central da cidade de S\u00e3o Paulo, ganharam destaque por estarem associadas ao programa municipal Transcidadania, que concede 100 bolsas de estudo para que travestis e transexuais possam concluir os estudos e melhorar sua coloca\u00e7\u00e3o profissional. A grande diversidade do p\u00fablico escolar impulsionou a inclus\u00e3o do tema na agenda do Cieja. A equa\u00e7\u00e3o entre a exist\u00eancia de alunos transexuais ou transg\u00eanero nas escolas e a ocorr\u00eancia ou n\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o em g\u00eanero e diversidade n\u00e3o \u00e9 \u00f3bvia. Entre as 11 escolas que abordam o tema, seis afirmam haver alunos(as) transg\u00eanero ou transexuais; destas escolas, tr\u00eas delegam ao(\u00e0) aluno(a) a escolha de qual banheiro usar, em uma escola todos os banheiros s\u00e3o mistos. J\u00e1 diretores(as) das escolas que n\u00e3o tratam do tema afirmam n\u00e3o contar com alunos(as) com aquelas caracter\u00edsticas.<\/p>\n<p>Destaca-se que, entre as pessoas entrevistadas das 11 escolas que efetivamente propuseram e realizaram a\u00e7\u00f5es na tem\u00e1tica de g\u00eanero e diversidade, nenhuma relata haver ocorrido pr\u00e1ticas malsucedidas. Do mesmo modo, seis afirmaram nunca terem enfrentado resist\u00eancia. Entre as que relataram ter enfrentado eventualmente tal resist\u00eancia, esta ocorreu, segundo as entrevistadas, por parte de homens mais velhos, por conta das op\u00e7\u00f5es religiosas das fam\u00edlias, pelo machismo ou pela pol\u00eamica em torno do uso dos banheiros.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m 11 das 15 entrevistadas afirmam que a quest\u00e3o de g\u00eanero \u00e9 considerada no Projeto Pol\u00edtico Pedag\u00f3gico da escola, enquanto apenas tr\u00eas abordam o tema somente nas disciplinas Hist\u00f3ria, Geografia, L\u00edngua Portuguesa, Artes, e uma delas na disciplina Biologia. A perspectiva de ampliar o acesso aos direitos \u00e9 o que motivou 9 dos(as) 15 gestores(as) a tratarem do tema; o interesse de estudantes e a sua diversidade sexual ou a exig\u00eancia de uma lei aprovada no Rio Grande do Sul obrigando a escola a abordar quest\u00f5es de g\u00eanero e diversidade na escola foram outras motiva\u00e7\u00f5es apontadas.<\/p>\n<p>Os conflitos e a desigualdade de g\u00eanero no ambiente escolar s\u00e3o enfrentados de diversas formas: buscando garantir a diversidade nas representa\u00e7\u00f5es de classe, por meio de a\u00e7\u00f5es preventivas, via di\u00e1logo com as partes, a fam\u00edlia ou o Conselho Tutelar, em disciplinas espec\u00edficas como \u201cProjeto de vida\u201d e \u201c\u00c9tica, cidadania e rela\u00e7\u00f5es humanas.\u201d<\/p>\n<div class=\"box1\">&#8220;Muitos dos novos alunos chegaram assustados, por medo de uma poss\u00edvel rea\u00e7\u00e3o transf\u00f3bica por parte dos colegas e pela lembran\u00e7a de traumas antigos de escola. Superamos isso com salas de aulas mistas o que fez com que rapidamente a escola se tornasse um local agrad\u00e1vel onde as pessoas se sentem acolhidas e respeitadas e isso \u00e9 essencial para o processo de ensino-aprendizagem.&#8221; (CIEJA S\u00e9, S\u00e3o Paulo, SP).<\/div>\n<p>Nove pessoas entrevistadas perceberam algum impacto positivo das a\u00e7\u00f5es sobre g\u00eanero e diversidade na escola nas avalia\u00e7\u00f5es externas, enquanto uma n\u00e3o respondeu e outra afirmou n\u00e3o ter percebido impacto neste \u00e2mbito.<\/p>\n<p><em>Inclus\u00e3o de deficientes<\/em><\/p>\n<p>A respeito da rela\u00e7\u00e3o das escolas com o p\u00fablico com defici\u00eancia, das 15 pesquisadas, apenas uma n\u00e3o recebeu estudantes com defici\u00eancia permanente e 6 n\u00e3o receberam estudantes com defici\u00eancia tempor\u00e1ria. Apesar disso, apenas dez contam com adapta\u00e7\u00e3o (banheiro adaptado, rampas de acesso ou sinaliza\u00e7\u00e3o com braile) e duas t\u00eam adapta\u00e7\u00e3o parcial (n\u00e3o atende a escola toda, por exemplo). Da mesma forma, apenas cinco dos(as) diretores(as) entrevistados(as) afirmaram haver docentes que usam Libras, enquanto nove disseram dispor de material em braile.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o ao Auxiliar de Vida Escolar (ou similar), que acompanha estudantes com defici\u00eancia, 9 das 15 escolas contam com esse tipo de profissional. Al\u00e9m disso, apenas oito das pessoas entrevistadas disse n\u00e3o ocorrer reprova\u00e7\u00e3o ou abandono por parte de tais estudantes; quando ocorre, as raz\u00f5es alegadas variaram entre falta de material, forma\u00e7\u00e3o inadequada de docentes, discrimina\u00e7\u00e3o ou mesmo \u201cdificuldades de aprendizagem\u201d ou a alta \u201cdistor\u00e7\u00e3o idade\/s\u00e9rie\u201d do(a) aluno(a).<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 defici\u00eancia tempor\u00e1ria, as escolas aparentam ter encontrado solu\u00e7\u00f5es criativas e eficientes para n\u00e3o excluir estudantes com dificuldade de mobilidade, por exemplo. As adapta\u00e7\u00f5es citadas s\u00e3o \u201ccolocar o aluno com defici\u00eancia tempor\u00e1ria em uma sala mais acess\u00edvel\u201d ou mesmo o atendimento domiciliar.<\/p>\n<div class=\"box1\">&#8220;Os estudantes que ficam impossibilitados de virem \u00e0 escola, encaminhamos as atividades e os avaliamos dessa forma. Tamb\u00e9m propomos ida \u00e0 casa do aluno afastado para entrega do material de aula, geralmente copiado pelo monitor. Em caso de o estudante n\u00e3o conseguir realizar prova escrita, a fazemos no modelo oral.&#8221; (Centro de Ensino Fundamental 01 de Planaltina, Taguatinga, DF).<\/div>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 intersec\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es nas \u00e1reas de inclus\u00e3o com a educa\u00e7\u00e3o \u00e9tnico-racial, com as rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero e com a diversidade, todas as pessoas entrevistadas afirmaram ter conseguido realiz\u00e1-la, 8 delas \u00e0s vezes e 7 disseram sempre ter conseguido. Ainda fazendo refer\u00eancia \u00e0s tr\u00eas \u00e1reas (rela\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-raciais, de g\u00eanero e inclus\u00e3o de pessoas com defici\u00eancia), apenas duas pessoas indicaram ser alto o grau de inser\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas secretariais e\/ou de governo nas a\u00e7\u00f5es realizadas nas escolas; outras sete julgaram baixo, 4 consideraram m\u00e9dio e duas julgaram inexistente.<\/p>\n<p><em>Trabalho e renda<\/em><br \/>\nForam 10 as entrevistas que apontaram em suas escolas menos de 25% de estudantes trabalhando. Outras tr\u00eas apresentaram uma propor\u00e7\u00e3o no intervalo entre 25% e 50%. Apenas duas revelaram haver entre 50% e 75% de estudantes trabalhadores Isso mostra que a maioria destas escolas que procuram promover o desenvolvimento integral no Ensino M\u00e9dio n\u00e3o s\u00e3o extremamente pressionadas pelos contingentes de estudantes que precisam trabalhar.<\/p>\n<p>Entre as ocupa\u00e7\u00f5es laborais de estudantes, foram mencionadas atividades na agricultura, com\u00e9rcio ou est\u00e1gios, mas, a maioria faz refer\u00eancia ao trabalho informal em lava-jatos, oficinas, bares, como ambulantes ou catadores(as) de material recicl\u00e1vel, trabalhadores na \u00e1rea de limpeza, portaria, agentes de sa\u00fade, feirantes.<\/p>\n<p>Na rela\u00e7\u00e3o entre a escola e o mundo do trabalho, apenas oito entrevistados afirmaram que muito do que \u00e9 ensinado na escola \u00e9 utilizado nas atividades laborais dos egressos, outros seis explicitaram que pouco ou nada era utilizado. Um preferiu n\u00e3o responder sobre o assunto.<\/p>\n<p>As escolas t\u00e9cnicas contam com carga hor\u00e1ria reservada para est\u00e1gio. Nas demais, para compatibilizar estudo e trabalho, houve declara\u00e7\u00f5es de que fizeram algumas adapta\u00e7\u00f5es, tais como flexibiliza\u00e7\u00e3o de hor\u00e1rios ou mudan\u00e7a no limite de faltas. Uma destas conta com geladeira e micro-ondas para que estudantes do turno da manh\u00e3 possam almo\u00e7ar e sair diretamente para o trabalho. Em um CIEJA os estudantes podem frequentar as aulas no per\u00edodo matutino, vespertino ou noturno de acordo com a sua necessidade, com total flexibilidade.<\/p>\n<p>Apenas uma escola afirmou n\u00e3o haver di\u00e1logo com empregadores(as) para compatibilizar a participa\u00e7\u00e3o no trabalho e na escola. Para as outras onze, os relatos registram a ocorr\u00eancia desse di\u00e1logo, em forma de parcerias com institui\u00e7\u00f5es, que encaminham vagas ou informa\u00e7\u00f5es sobre o mundo do trabalho ou por meio de arranjos em rela\u00e7\u00e3o a hor\u00e1rios etc. Para as tr\u00eas escolas restantes, n\u00e3o houve resposta a respeito.<\/p>\n<p>Diretores(as) de duas escolas relataram tamb\u00e9m que, \u201cquando realmente o aluno precisa trabalhar para ajudar a fam\u00edlia\u201d ou \u201cquando v\u00e3o trabalhar com carteira assinada\u201d, os(as) estudantes procuram outra escola, que n\u00e3o seja em per\u00edodo integral.<\/p>\n<div class=\"box2\">&#8220;Mantemos contato [com os empregadores] principalmente quando eles [os alunos] trabalham no com\u00e9rcio pr\u00f3ximo \u00e0 escola. Queremos saber das condi\u00e7\u00f5es de trabalho e tamb\u00e9m garantir que eles ser\u00e3o liberados a tempo de vir para a escola.&#8221; (EE Coronel Pi, Santa Maria, RS).<\/div>\n<p>J\u00e1 com a comunidade, quatro escolas nunca mant\u00eam o di\u00e1logo sobre o tema escolariza\u00e7\u00e3o e trabalho ou o fazem eventualmente. Para a maioria, no entanto, afirma-se haver esse di\u00e1logo com a comunidade de forma permanente, em reuni\u00f5es e palestras, \u201ccomo forma de incentivar a continuidade nos estudos\u201d, reafirmar a import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o \u201cpara o futuro das crian\u00e7as\u201d (em escola de ensino fundamental) ou \u201cpara melhorar as condi\u00e7\u00f5es de emprego\u201d.<\/p>\n<div class=\"box2\">&#8220;Temos algumas parcerias e conseguimos apoi\u00e1-los [a comunidade] no sentido de retirar documentos necess\u00e1rios para o mundo do trabalho, encaminhamos para vagas e proporcionamos palestras de orienta\u00e7\u00e3o.&#8221; (Centro de Ensino Fundamental 01 de Planaltina, Taguatinga, DF).<\/div>\n<p><em>Rela\u00e7\u00f5es com os territ\u00f3rios<\/em><\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o das escolas com seus territ\u00f3rios \u00e9 relevante para o tema da educa\u00e7\u00e3o integral. Diretores(as) de onze escolas afirmaram existir espa\u00e7os culturais e esportivos pr\u00f3ximos, tais como: quadras esportivas, pra\u00e7as, universidade, posto de sa\u00fade, biblioteca, parque, clubes particulares, campo de futebol (de terra), CEU (Centro Educacional Unificado), \u201cF\u00e1bricas de cultura\u201d e o cinema de um shopping center. Em oito entrevistas, afirmou-se considerar o territ\u00f3rio no Projeto Pol\u00edtico Pedag\u00f3gico e utiliz\u00e1-lo como insumo na sala de aula; a mesma quantidade de escolas revelou sair com frequ\u00eancia com estudantes para conhecer e trabalhar com o entorno e ter uma participa\u00e7\u00e3o frequente da comunidade nos Conselhos de Escola.<\/p>\n<p>Ao serem questionados, de forma livre, a respeito de algumas das principais caracter\u00edsticas do entorno, tr\u00eas das 15 escolas indicaram pertencerem \u00e0 zona rural. Como caracter\u00edsticas deste territ\u00f3rio, os (as) entrevistados (as) apontaram o fato de estarem ligados \u00e0 agricultura e \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de animais de pequeno porte, de sofrerem com a estiagem (fome e sede), de fazerem parte de uma cidade pequena e, portanto, terem proximidade com as casas dos professores (as) e de terem pouca oportunidade de emprego.<\/p>\n<p>J\u00e1 das 12 escolas que classificaram seu entorno como urbano, apenas quatro indicaram caracter\u00edsticas positivas, como: proximidade \u00e0 delegacias e brigadas policiais, pra\u00e7as, cinema com\u00e9rcios e shoppings, universidade, biblioteca, servi\u00e7os de sa\u00fade, transportes e uma APAE. As oito restantes elencaram como caracter\u00edsticas do territ\u00f3rio no entorno da escola prioritariamente fatores negativos, como: viol\u00eancia, desigualdade, pobreza, tr\u00e1fico de drogas, vulnerabilidade social, poucos espa\u00e7os de conviv\u00eancia e de lazer para as juventudes, poucos equipamentos culturais, falta de moradia digna, falta de emprego, falta de postos de sa\u00fade, transporte e infraestrutura prec\u00e1ria, e informalidade no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, a maioria das escolas tem uma percep\u00e7\u00e3o de precariedade e vulnerabilidade relacionada ao territ\u00f3rio onde est\u00e1 localizada a unidade. Ainda que na zona rural, as escolas deste grupo tamb\u00e9m apontam para car\u00eancias importantes como emprego. Esses dados mostram que as escolas estudadas est\u00e3o situadas em territ\u00f3rios vulner\u00e1veis e que sofrem v\u00e1rias consequ\u00eancias da desigualdade econ\u00f4mica e da iniquidade.<\/p>\n<p><em>Protagonismo juvenil e autonomia<\/em><\/p>\n<p>Por meio da pesquisa nas escolas, pode-se perceber que o protagonismo juvenil e o incentivo \u00e0 autonomia s\u00e3o entendidos de muitas formas diferentes. Com exce\u00e7\u00e3o de duas das 15 escolas, para as quais se afirmou que a participa\u00e7\u00e3o de estudantes \u00e9 \u201cpequena\u201d ou \u201cmuito controlada\u201d, para todas as demais declarou-se incentivar o protagonismo de estudantes. Em tr\u00eas escolas, entende-se que a autonomia dos(as) estudantes se d\u00e1 pela possibilidade de elei\u00e7\u00e3o de representantes ou \u201cl\u00edderes de classe\u201d, e do espa\u00e7o para apresentarem \u201cdemandas\u201d, \u201cproblemas e projetos\u201d, tanto para gestores(as) quanto nos conselhos de classe. Em outras escolas, considera-se que estudantes s\u00e3o protagonistas por conta da possibilidade da realizarem eventos culturais, saraus, coletivos e gr\u00eamios.<\/p>\n<p>Em mais quatro escolas, entendem que se fortalece a autonomia quando estimulam que estudantes defendam seus pontos de vista, \u201cargumentem com clareza e de forma fundamentada\u201d, posicionem-se quanto ao projeto pol\u00edtico pedag\u00f3gico ou mesmo \u201cajudem a pensar as mat\u00e9rias que ir\u00e3o trabalhar ao longo do semestre.\u201d A atua\u00e7\u00e3o da escola J\u00falio Fran\u00e7a se d\u00e1 nessa mesma dire\u00e7\u00e3o, mas, de forma mais ampla, como mostra o trecho abaixo:<\/p>\n<div class=\"box2\">No primeiro dia, quem recebe os calouros s\u00e3o os estudantes mais antigos. Eles que pensam e protagonizam as primeiras atividades. Os estudantes tamb\u00e9m coordenam ciclos de leitura e c\u00e9lulas de estudo onde eles t\u00eam um espa\u00e7o reservado na grade para se reunir e se ajudar no aprendizado. (EE Educa\u00e7\u00e3o Profissional J\u00falio Fran\u00e7a, Bela Cruz, CE).<\/div>\n<p>Onze das 15 pessoas entrevistadas afirmaram que o corpo docente de suas escolas tem conhecimento dos saberes pr\u00e9vios dos(as) alunos(as). J\u00e1 10 entrevistadas consideram que os(as) estudantes participam muito das decis\u00f5es tomadas pela escola e tamb\u00e9m participam do conselho escolar. Quanto \u00e0 participa\u00e7\u00e3o de estudantes como avaliadores(as) em sua educa\u00e7\u00e3o escolar, tr\u00eas escolas responderam negativamente e quatro entenderam o processo de avalia\u00e7\u00e3o dos(as) alunos(as) como ainda limitado, ou que ocorria \u201ccom a participa\u00e7\u00e3o deles em sala de aula\u201d ou no \u201cconselho escolar\u201d, ou ainda pelo fato de serem sempre questionados pela diretora se gostaram ou n\u00e3o de tal ou qual atividade. N\u00e3o foi relatada uma atua\u00e7\u00e3o ou momento espec\u00edfico para a avalia\u00e7\u00e3o. J\u00e1 outras setes afirmaram que estudantes avaliam a escola, a equipe e docentes regularmente, como explicitam as falas a seguir:<\/p>\n<div class=\"box2\">&#8220;Os estudantes avaliam e s\u00e3o avaliados pelos professores. Cada sala se re\u00fane a cada bimestre para discutir tudo o que diz respeito \u00e0 escola. Eles avaliam a qualidade das aulas, da merenda, avaliam os professores, a gest\u00e3o e os funcion\u00e1rios. Os l\u00edderes de classe preenchem depois dessa reuni\u00e3o um question\u00e1rio que \u00e9 levado ao conselho de classe e discutido entre todos.&#8221; (Col\u00e9gio Democr\u00e1tico R\u00f4mulo Galv\u00e3o, El\u00edsio Medrado, BA).<\/div>\n<p>Ante o questionamento sobre a exist\u00eancia de um espa\u00e7o de escuta \u201caberta\u201d, em que estudantes poderiam falar livremente sobre qualquer assunto, as pessoas entrevistadas de todas as escolas entenderam que os espa\u00e7os dispon\u00edveis servem a esse prop\u00f3sito. Os espa\u00e7os indicados foram: conselho de classe, conselho de escola, gr\u00eamios, reuni\u00e3o de representantes de classe, \u201cportas abertas\u201d da gest\u00e3o, blog, p\u00e1gina do Facebook, grupo de whatsapp, caixa de sugest\u00f5es, entre outros.<\/p>\n<div class=\"box2\">&#8220;Os estudantes do Cieja preenchem tem o que chamamos de Di\u00e1rio de Bordo onde os alunos respondem a tr\u00eas perguntas b\u00e1sicas todo m\u00eas: O que aprendi? O que eu preciso saber mais? O que eu preciso de ajuda?. Em muitas vezes aparecem cr\u00edticas aos professores. Eu aprendi X, mas deixei de aprender Y porque o professor teve um determinado problema.<br \/>\nAl\u00e9m disso eles preenchem um ficha individual de avalia\u00e7\u00e3o da escola e dos professores e \u00e9 feita uma avalia\u00e7\u00e3o coletiva do processo educativo como um todo em assembleias.&#8221;<\/div>\n<p>(CIEJA Campo Limpo, SP)<\/p>\n<p>A presen\u00e7a de um(a) tutor(a), mentor(a) ou outro(a) profissional docente ou n\u00e3o-docente que auxilie estudantes a refletir sobre sua vida privada ou a formular um projeto de vida foi referida em oito das escolas pesquisadas: com maior ou menor espa\u00e7o, em disciplinas espec\u00edficas ou por meio da atua\u00e7\u00e3o de um(a) dos(as) professores(as), um momento espec\u00edfico \u00e9 destinado ao planejamento pessoal na escola.<\/p>\n<div class=\"box2\">&#8220;Isso se d\u00e1 no projeto de vida, duas horas por semana. Fazemos por s\u00e9rie, eles se dividem em grupos, n\u00e3o necessariamente da mesma turma. Podem fazer em qualquer espa\u00e7o da escola. Tem uma rotina, um objetivo, que muda de acordo com o ano. No primeiro ano \u00e9 mais em torno de &#8220;quem eu sou&#8221;, &#8220;onde vivo&#8221; etc. Segundo ano \u00e9 mais voltado para &#8220;o mundo onde estamos&#8221; e terceiro ano se volta para &#8220;o que quero fazer&#8221;, ou seja, quest\u00e3o profissional. (EE Chico Anysio, Rio de Janeiro, RJ).&#8221;<\/div>\n<p>Por fim, sobre exemplos de a\u00e7\u00f5es protagonizadas por estudantes nas escolas pesquisadas, foi elencada a presen\u00e7a dos gr\u00eamios estudantis, assembleias, saraus e apresenta\u00e7\u00f5es, coletivos (feminista, \u00e9tnico-racial) e diferentes projetos, como: incentivo \u00e0 leitura (distribui\u00e7\u00e3o de livros e estantes pela escola), evitar desperd\u00edcio de comida, cria\u00e7\u00e3o de \u00e1rea verde e de um espa\u00e7o para jogos, melhorar a r\u00e1dio, realizar um mutir\u00e3o de limpeza ou regar as plantas do sistema agroflorestal (na Escola Tuxaua Luiz Cadete). Al\u00e9m destas, estudantes propuseram um sistema de monitoria \u2013 para auxiliar colegas que estavam com dificuldades em aprender \u2013 que foi adotado pela escola e a ideia da \u201ccria\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas de estudo\u201d, na qual os jovens t\u00eam autonomia para estudar coletivamente determinado tema e contam com o apoio docente para este exerc\u00edcio.<\/p>\n<div class=\"box2\">&#8220;A escola sempre tentou resolver via dire\u00e7\u00e3o a conserva\u00e7\u00e3o dos banheiros, e n\u00e3o conseguia. Resolvemos levar essa quest\u00e3o aos alunos e eles se organizaram entre eles para decidirem o que precisavam para dar vida \u00e0queles espa\u00e7os. Eles organizaram um bingo, arrecadaram coisas, a escola entrou com a pintura e eles com a decora\u00e7\u00e3o. Hoje, o problema da desorganiza\u00e7\u00e3o dos banheiros acabou.&#8221; (Centro de Ensino Fundamental 01 de Planaltina, Taguatinga, DF).<\/div>\n<h4 id=\"conclusoes\">Conclus\u00f5es<\/h4>\n<p>As conclus\u00f5es do estudo podem ser sintetizadas em tr\u00eas grandes eixos.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o dos gestores foi um ponto de partida da pesquisa, j\u00e1 que entendemos que \u00e9 a gest\u00e3o escolar que vai planejar, articular parceiros, priorizar enfoques, alocar recursos na unidade escolar, cuidar do di\u00e1logo com as comunidades e com os educadores e educadoras. Para o desenvolvimento integral e valoriza\u00e7\u00e3o da equidade no Ensino M\u00e9dio, a gest\u00e3o dever\u00e1 ter o centro de sua a\u00e7\u00e3o nos estudantes, em sua multidimensionalidade. Os gestores e as gestoras precisam estar atentos \u00e0s pr\u00e1ticas de gest\u00e3o democr\u00e1tica, pois \u00e9 somente a partir dela que estudantes, individualmente ou em grupo, ter\u00e3o a escuta necess\u00e1ria para terem suas necessidades reconhecidas.<\/p>\n<p>Um segundo aspecto que despontou do estudo \u00e9 a necessidade de se garantir a manifesta\u00e7\u00e3o da diversidade na escola, em todas as suas dimens\u00f5es. Uma escola sem preconceitos, racismo ou qualquer forma de discrimina\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental para que identidades e diferen\u00e7as possam se manifestar de forma equilibrada. Tal perspectiva deve incluir ainda a diversidade de interesses, que \u00e9 t\u00e3o pouco valorizada pelas nossas escolas, em geral homogeneizadoras em suas pr\u00e1ticas, especialmente as curriculares.<\/p>\n<p>Por fim, a valoriza\u00e7\u00e3o da autonomia e do protagonismo dos jovens foi um terceiro ponto que se destacou do estudo, indicado tanto pela produ\u00e7\u00e3o bibliogr\u00e1fica quanto pela experi\u00eancia das escolas. A aten\u00e7\u00e3o \u00e0 autonomia, manifestada no incentivo ao estudo em grupo ou individual, na autoavalia\u00e7\u00e3o e no protagonismo de jovens em rela\u00e7\u00e3o a seus projetos de vida s\u00e3o cruciais para o desenvolvimento de seres humanos em sua plenitude.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, o estudo indica algumas perspectivas para o trabalho da gest\u00e3o escolar, a ser fundamentado, por sua vez, em pol\u00edticas p\u00fablicas estruturantes. Assim, a atua\u00e7\u00e3o sist\u00eamica da escola pela equidade, assumindo o reconhecimento das identidades, caracter\u00edsticas e necessidades dos estudantes como ponto de partida para todas as a\u00e7\u00f5es \u2013 pedag\u00f3gicas e administrativas . O c\u00e2none escolar, fundamental nesta constru\u00e7\u00e3o, deve estabelecer, ent\u00e3o, v\u00ednculo direto com a realidade destes sujeitos, a partir de seus pr\u00f3prios saberes e desejos de aprendizagem.<br \/>\nPor fim, \u00e9 necess\u00e1rio o investimento na forma\u00e7\u00e3o dos educadores para o fortalecimento das pr\u00e1ticas educativas em uma perspectiva solid\u00e1ria, democr\u00e1tica e emancipadora.<\/p>\n<p><strong>Notas de refer\u00eancia<\/strong><br \/>\n<span id=\"1\"><sup>1<\/sup><\/span> Os crit\u00e9rios utilizados para selecionar as escolas e o conceito de educa\u00e7\u00e3o integral que norteou a pesquisa ser\u00e3o apresentados na sequ\u00eancia do estudo.<\/p>\n<p><span id=\"2\"><sup>2<\/sup><\/span> As dimens\u00f5es do desenvolvimento integral s\u00e3o categoriza\u00e7\u00f5es com o objetivo de apoiar a compreens\u00e3o das pessoas sobre o tema. Alguns autores consideram tamb\u00e9m as dimens\u00f5es pol\u00edtica, \u00e9tica e espiritual\/transcendental. Neste estudo, utiliza-se a <a href=\"https:\/\/educacaointegral.org.br\/na-pratica\/conteudos\/matriz-de-competencias-da-educacao-integral\/\" target=\"_blank\">categoriza\u00e7\u00e3o <\/a>do Centro de Refer\u00eancias em Educa\u00e7\u00e3o Integral, em que estas \u00faltimas s\u00e3o compreendidas como parte das dimens\u00f5es social e simb\u00f3lica.<\/p>\n<p><span id=\"3\"><sup>3<\/sup><\/span> Centro de Refer\u00eancias em Educa\u00e7\u00e3o Integral, Educa\u00e7\u00e3o Integral: Na Pr\u00e1tica. Ponto de Partida, 2015, <a href=\"https:\/\/educacaointegral.org.br\/na-pratica\/eixo\/ponto-de-partida\/\" target=\"_blank\">dispon\u00edvel online<\/a>.<\/p>\n<p><span id=\"4\"><sup>4<\/sup><\/span> Os estados escolhidos para o estudo foram Cear\u00e1, Goi\u00e1s, Pernambuco e S\u00e3o Paulo. Foram analisadas suas pol\u00edticas para, incluindo programas de educa\u00e7\u00e3o em tempo integral e forma\u00e7\u00e3o profissionalizante. <a href=\"http:\/\/www.cenpec.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/Informe_Jornalista.pdf\" target=\"_blank\">Dispon\u00edvel online<\/a>. Consulta em: 17 jul, 2016.<\/p>\n<p><span id=\"5\"><sup>5<\/sup><\/span> CENPEC. Ensino m\u00e9dio, qualidade e equidade: avan\u00e7os e desafios em quatro estados: CE, GO, PE e SP. Resultados preliminares. <a href=\"http:\/\/www.cenpec.org.br\/2016\/03\/02\/pesquisa-do-cenpec-analisa-politicas-de-ensino-medio-em-quatro-estados-brasileiros\/\" target=\"_blank\">Dispon\u00edvel online<\/a>. Acesso em 17 jul, 2016.<\/p>\n<p><span id=\"6\"><sup>6<\/sup><\/span> Artigo 205.<\/p>\n<p><span id=\"7\"><sup>7<\/sup><\/span> Artigos 29, 34 e 87.<\/p>\n<p><span id=\"8\"><sup>8<\/sup><\/span> Deve-se levar em conta que algumas express\u00f5es em ingl\u00eas \u201cdesorientam\u201d as buscas, como \u00e9 o caso de \u201cintegral part of the curriculum\u201d, o que explica a diferen\u00e7a dr\u00e1stica entre o n\u00famero de artigos encontrados originalmente e os selecionados para an\u00e1lise. Outro ponto que contribuiu para o recorte foi o aparecimento de centenas de registros que abordavam apenas a sa\u00fade f\u00edsica do jovem na escola e, para isso, o termo integral \u00e9 frequentemente usado, j\u00e1 que pensar sobre o corpo \u00e9 pensar \u201co ser humano de forma integral.\u201d Da mesma forma, \u201cproblemas\u201d relacionados \u00e0s juventudes (drogas, viol\u00eancia, gravidez precoce) inspiram estudos (school-based studies) ou programas \u201caplicados\u201d (implemented programs) que apenas fazem da escola um lugar conveniente de testagem, diferindo de a\u00e7\u00f5es educacionais ou escolares. Ou ainda, registros que propunham abordagens na perspectiva da psicologia (desenvolvimento emocional ou comportamental), em artigos que n\u00e3o necessariamente partilhavam das concep\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o integral que direcionam esta pesquisa.<\/p>\n<p><span id=\"9\"><sup>9<\/sup><\/span> A pesquisa tinha como meta identificar 30 experi\u00eancias. Contudo, como apresentado a seguir, n\u00e3o foi poss\u00edvel alcan\u00e7ar o objetivo proposto.<\/p>\n<p><span id=\"10\"><sup>10<\/sup><\/span> Escolas que ofertassem apenas o Ensino de N\u00edvel T\u00e9cnico n\u00e3o foram consideradas. Em escolas com ambas as modalidades, foram consideradas apenas as que tivessem o Ensino M\u00e9dio ou Ensino M\u00e9dio integrado ao T\u00e9cnico.<\/p>\n<p><span id=\"11\"><sup>11<\/sup><\/span> A equipe respons\u00e1vel pelo levantamento de material jornal\u00edstico se encontra em S\u00e3o Paulo (SP).<\/p>\n<h4 id=\"referencias\">Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/h4>\n<p>ARROYO, Miguel. Repensar o Ensino M\u00e9dio, por qu\u00ea? In: DAYRELL, J.; CARRANO, Paulo; MAIA, Carla Linhares (Orgs). Juventude e Ensino M\u00e9dio. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2014, p. 53-73.<\/p>\n<p>CARREIRA, Denise (coord). Informe Brasil \u2013 G\u00eanero e Educa\u00e7\u00e3o\/A\u00e7\u00e3o Educativa. 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Juventude e Ensino M\u00e9dio. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2014.<\/p>\n<p>DEL R\u00cdO, M. C., MOLINA, E. C., L\u00d3PEZ, C. B., GARC\u00cdA, M. G. Enfoques de atenci\u00f3n a la diversidade, estrat\u00e9gias de aprendizaje y motivaci\u00f3n en educaci\u00f3n secundaria. Perfiles Educativos, vol. XXXVI, n\u00ba. 145, 2014.<\/p>\n<p>DESLANDES, R. Designing and Implementing School, Family and Community collaboration Programs in Quebec, Canad\u00e1. The School Community Journal, Vol. 16, n\u00ba. 1, 2006.<\/p>\n<p>DOMINGO, J., CABALLERO, K., BARRERO, B. Support for the leadership for learning in secondary education. The case of the school counselors in Spain. European Scientific Journal, Vol. 9, n\u00ba. 13, may 2013.<\/p>\n<p>EIKEN, O. The Kunskapsskolan (\u201cThe Knowledge School\u201d): A Personalised Approach to Education, CELE Exchange, Centre for Effective Learning Environments, Vol. 1, OECD Publishing, 2011.<\/p>\n<p>FERN\u00c1NDEZ, M. V. C. et al. 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