{"id":21,"date":"2017-11-08T18:33:26","date_gmt":"2017-11-08T18:33:26","guid":{"rendered":"https:\/\/educacaointegral.org.br\/especiais\/bncc\/?p=21"},"modified":"2017-11-13T17:29:03","modified_gmt":"2017-11-13T17:29:03","slug":"os-principais-desafios-para-a-educacao-integral-com-a-base","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/educacaointegral.org.br\/especiais\/bncc\/2017\/11\/08\/os-principais-desafios-para-a-educacao-integral-com-a-base\/","title":{"rendered":"Os principais desafios para a educa\u00e7\u00e3o integral com a Base"},"content":{"rendered":"<p>O debate sobre a <a href=\"http:\/\/basenacionalcomum.mec.gov.br\">Base Nacional Comum Curricular<\/a> (BNCC) \u00e9 extenso e com a\u00a0terceira vers\u00e3o sob an\u00e1lise do Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (CNE)\u00a0\u00e9 hora de refletir sobre as propostas do documento e quais os desafios a serem enfrentados com sua aprova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De sa\u00edda, um dos pontos que mais chama a aten\u00e7\u00e3o\u00a0\u00e9 o desalinhamento entre os conceitos apresentados na Introdu\u00e7\u00e3o com os elencados nos cap\u00edtulos seguintes. Se o texto introdut\u00f3rio coloca os princ\u00edpios da <a href=\"http:\/\/educacaointegral.org.br\/conceito\/\">Educa\u00e7\u00e3o Integral<\/a>\u00a0como centrais e constituintes da proposta formativa da BNCC, o mesmo n\u00e3o \u00e9 encontrado nos pr\u00f3ximos cap\u00edtulos, que se mostram orientados por uma <a href=\"http:\/\/educacaointegral.org.br\/reportagens\/afinal-o-que-os-brasileiros-precisam-saber\/\">vis\u00e3o fragmentada do conhecimento<\/a> e do desenvolvimento humano.<\/p>\n<p>&#8220;A defini\u00e7\u00e3o do que se vai aprender est\u00e1 estruturada de forma muito r\u00edgida. A Base olha ano a ano e isso dificulta o aprendizado, j\u00e1 que tende a achar que todas as crian\u00e7as aprendem no mesmo ritmo e maneira. Isso \u00e9 um grande equ\u00edvoco&#8221;, comenta Pilar Lacerda, diretora da <a href=\"http:\/\/fundacaosmbrasil.org\/\">Funda\u00e7\u00e3o SM Brasil<\/a>.<\/p>\n<div class=\"olho olho-right\">\n<p>A especialista refere-se \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o seriada proposta pela BNCC, que fragmenta o conhecimento em componentes curriculares.<\/p>\n<\/div>\n<p>Como consequ\u00eancia, o <a href=\"http:\/\/educacaointegral.org.br\/glossario\/desenvolvimento-integral\/\">desenvolvimento integral<\/a> do aluno \u00e9 comprometido j\u00e1 que a <a href=\"http:\/\/educacaointegral.org.br\/metodologias\/como-iniciar-uma-proposta-na-perspectiva-interdisciplinar\/\">interdisciplinaridade<\/a> e transversalidade dos saberes n\u00e3o\u00a0s\u00e3o favorecidas. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 justificativa cient\u00edfica para a op\u00e7\u00e3o seriada em rela\u00e7\u00e3o ao ensino em cada uma das componentes&#8221;, comenta a soci\u00f3loga Helena Singer.<\/p>\n<p>No\u00a0estudo &#8220;O desenvolvimento integral na Base Nacional Comum Curricular: Recomenda\u00e7\u00f5es sobre a Terceira Vers\u00e3o em an\u00e1lise no CNE&#8221;, realizado pelo Centro de Refer\u00eancias em Educa\u00e7\u00e3o Integral com a co-coordena\u00e7\u00e3o de Helena, \u00e9 apontado, por exemplo, a necessidade de haver uma articula\u00e7\u00e3o maior entre as dez compet\u00eancias gerais para a <a href=\"http:\/\/educacaointegral.org.br\/materiais\/anuario-brasileiro-da-educacao-basica-2016\/\">Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica<\/a> apresentadas na Introdu\u00e7\u00e3o e as compet\u00eancias espec\u00edficas das \u00e1reas de conhecimento e dos componentes curriculares do Ensino Fundamental.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 preciso pensar como as compet\u00eancias, que s\u00e3o a materializa\u00e7\u00e3o das ideias da Introdu\u00e7\u00e3o, ser\u00e3o traduzidas em habilidades, trabalhando a concep\u00e7\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o Integral no cotidiano&#8221;, aponta Anna Penido, diretora executiva do <a href=\"http:\/\/inspirare.org.br\">Instituto Inspirare<\/a>.<\/p>\n<p>Acredita-se tamb\u00e9m que h\u00e1 uma maior concentra\u00e7\u00e3o das habilidades em compet\u00eancias gerais focadas no desenvolvimento intelectual e fr\u00e1gil em habilidades relacionadas ao desenvolvimento social, emocional, f\u00edsico e cultural.<\/p>\n<p>Para Anna, o desequil\u00edbrio pode ser explicado pela dificuldade\u00a0da <a href=\"http:\/\/educacaointegral.org.br\/reportagens\/bncc-e-tema-de-manifesto-de-professores-da-unicamp\/\">BNCC<\/a> de entender compet\u00eancias que envolvem repert\u00f3rio cultural, empatia, responsabilidade, cultura digital e projeto de vida, por exemplo, como curriculares.<\/p>\n<h3>L\u00f3gica disciplinar<\/h3>\n<p>Al\u00e9m disso, as compet\u00eancias espec\u00edficas foram orientadas por l\u00f3gicas pr\u00f3prias de cada \u00e1rea, dificultando o <a href=\"http:\/\/educacaointegral.org.br\/metodologias\/como-iniciar-uma-proposta-na-perspectiva-interdisciplinar\/\">di\u00e1logo interdisciplinar<\/a>. &#8220;Dentro desse conjunto que a Base chama de habilidades, percebemos que h\u00e1 muita coisa que n\u00e3o necessariamente \u00e9 essencial ao aluno. O que de fato vai ajudar a promover as compet\u00eancias do desenvolvimento integral?&#8221; questiona Anna Penido.<\/p>\n<p>Para Pilar Lacerda, a Base ainda deixa a desejar no sentido de fazer um debate aprofundado sobre o <a href=\"http:\/\/educacaointegral.org.br\/reportagens\/especialista-elenca-quatro-principais-ameacas-ao-direito-educacao\/\">direito de aprender<\/a> dentro de uma perspectiva da educa\u00e7\u00e3o integral.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o se pode achar que definindo compet\u00eancias e conte\u00fados a quest\u00e3o da aprendizagem se resolve. N\u00e3o se resolve e pode piorar. Quando\u00a0falamos em direito de aprender, estamos dizendo que a escola, para uma pol\u00edtica de <a href=\"http:\/\/educacaointegral.org.br\/materiais\/educacao-integral-um-caminho-para-qualidade-equidade-na-educacao-publica\/\">equidade<\/a>, deve reconhecer seus alunos, suas hist\u00f3rias, suas trajet\u00f3rias&#8221;, diz.<\/p>\n<h3>Educa\u00e7\u00e3o Infantil<\/h3>\n<div class=\"olho olho-right\">\n<p>O\u00a0estudo apresentado pelo Centro de Refer\u00eancias em Educa\u00e7\u00e3o Integral aponta que a maior fragilidade da BNCC em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o Infantil diz respeito \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o por faixas et\u00e1rias mal definidas. Ao reduzir os campos de experi\u00eancia a determinada idade, entende-se as crian\u00e7as como um grupo homog\u00eaneo, o que n\u00e3o \u00e9 positivo, j\u00e1 que compromete o desenvolvimento de linguagens e pot\u00eancias.<\/p>\n<\/div>\n<p>Por outro lado, Maria Thereza Marcilio, consultora fundadora da <a href=\"http:\/\/www.avante.org.br\/\">ONG Avante<\/a>, acredita que a Base apresenta-se como uma proposta interessante por colocar a crian\u00e7a como eixo central da Educa\u00e7\u00e3o Infantil. &#8220;Quando se fala em curr\u00edculo, voc\u00ea pensa em disciplinas, conhecimento e o sujeito some, mas na Educa\u00e7\u00e3o Integral o centro \u00e9 a crian\u00e7a&#8221;, comenta<\/p>\n<p>No entanto,\u00a0essa vis\u00e3o\u00a0de inf\u00e2ncia\u00a0precisa ser acompanhada\u00a0por uma\u00a0redefini\u00e7\u00e3o na\u00a0<a href=\"http:\/\/educacaointegral.org.br\/reportagens\/bncc-depende-formacao-dos-professores\/\">forma\u00e7\u00e3o docente<\/a>. &#8220;Houve uma mudan\u00e7a no entendimento de como a crian\u00e7a se desenvolve, mas n\u00e3o houve mudan\u00e7a na forma\u00e7\u00e3o dos profissionais&#8221;, aponta Maria Thereza.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dessa necessidade de adequa\u00e7\u00e3o, a especialista aponta dois pontos que merecem aten\u00e7\u00e3o sobre a forma como a Educa\u00e7\u00e3o Infantil \u00e9 tratada na BNCC. Na terceira vers\u00e3o do documento, a parte introdut\u00f3ria &#8211; antes densa e bem fundamentada &#8211; foi quase toda retirada com o argumento de que estava muito te\u00f3rica, o que dificultaria o entendimento do professor.<\/p>\n<p>Para Maria Thereza, o argumento \u00e9 fraco e insuficiente, uma vez que o documento deve ser uma orienta\u00e7\u00e3o para o munic\u00edpio e n\u00e3o para o professor. \u201cApresentar uma fundamenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica \u00e9 urgente quando se fala em Educa\u00e7\u00e3o Infantil, porque isso n\u00e3o \u00e9 apresentado na faculdade, n\u00e3o \u00e9 algo vivenciado na forma\u00e7\u00e3o\u201d, aponta.<\/p>\n<p>Outro ponto preocupante foi a mudan\u00e7a do campo de experi\u00eancia ligado\u00a0a\u00a0m\u00faltiplas linguagens ser reduzido apenas \u00e0 \u201coralidade e escrita\u201d. Com a redu\u00e7\u00e3o, a apresenta\u00e7\u00e3o do conte\u00fado \u00e0s crian\u00e7as pode ser limitada. &#8220;Ao mudar o nome, voc\u00ea reduz e limita o pr\u00f3prio entendimento desse campo&#8221;.<\/p>\n<p>Vale lembrar que\u00a0as teorias mais contempor\u00e2neas sobre a primeira inf\u00e2ncia superam a vis\u00e3o desta etapa como de prepara\u00e7\u00e3o, do devir, para consider\u00e1-la como um tempo em si, com sua identidade e finalidade pr\u00f3prias.<\/p>\n<h3>Implementa\u00e7\u00e3o da BNCC<\/h3>\n<p>A forma como a BNCC ser\u00e1 interpretada nos curr\u00edculos e <a href=\"http:\/\/educacaointegral.org.br\/metodologias\/como-elaborar-uma-proposta-pedagogica-com-foco-em-educacao-integral\/\">propostas pedag\u00f3gicas<\/a> tamb\u00e9m \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o. &#8220;A Base Nacional Comum Curricular n\u00e3o pode ser apenas uma proposta e um produto de prateleira. Ela precisa ser uma pr\u00e1tica efetiva dentro das escolas&#8221;, aponta Pilar.<\/p>\n<p>Para que a implementa\u00e7\u00e3o aconte\u00e7a de forma adequada \u00e0 realidade da escola e dos alunos, Maria Thereza comenta sobre a import\u00e2ncia de entender a BNCC como um documento orientador para o munic\u00edpio, que ser\u00e1 respons\u00e1vel por interpretar e transformar as propostas em <a href=\"http:\/\/educacaointegral.org.br\/rede-de-noticias\/inovar-na-educacao-demanda-diversificacao-de-conteudos-nos-curriculos\/\">curr\u00edculo escolar<\/a>. &#8220;A partir disso, as escolas devem pensar o projeto pol\u00edtico pedag\u00f3gico&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Desse modo, \u00e9 preciso pensar sobre o que est\u00e1 sendo apresentado pela BNCC e como isso pode ser aplicado de forma coerente para que o desenvolvimento completo do aluno seja garantido. &#8220;\u00c9 preciso mais coer\u00eancia entre a educa\u00e7\u00e3o integral e o que vem depois da Base&#8221;, finaliza Pilar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O debate sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) \u00e9 extenso e com a\u00a0terceira vers\u00e3o sob an\u00e1lise do Conselho Nacional de Educa\u00e7\u00e3o (CNE)\u00a0\u00e9 hora de refletir sobre as propostas do documento e quais os desafios a serem enfrentados com sua aprova\u00e7\u00e3o. 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